A guerra lançada por Donald Trump contra o Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28), sem perspectiva clara de encerramento. O conflito já contribuiu para transformar profundamente o Oriente Médio. Trump adotou uma estratégia contraditória: promete reduzir o envolvimento dos EUA na região, mas recorre ao intervencionismo para impor seus objetivos. A escalada contra o Irã também foi influenciada pela atuação do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu. Israel buscava enfraquecer definitivamente a teocracia iraniana após os confrontos com aliados regionais do país. Apesar dos ataques, porém, o regime iraniano permaneceu no poder. As capacidades militares ofensivas do Irã foram reduzidas, mas o país continuou retaliando aliados americanos na região. Teerã também mantém influência sobre o estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial. A instabilidade afetou os mercados e contribuiu para uma alta superior a 20% do petróleo Brent no ano. O programa nuclear iraniano continua sendo uma incógnita. Sem inspeções e sem informações sobre o destino de 411 kg de urânio enriquecido, a possibilidade de uma bomba atômica permanece. Trump alternou ameaças, ultimatos e tréguas, o que afetou a credibilidade militar dos EUA. Problemas em dois porta-aviões e estoques reduzidos de mísseis também limitaram novas ofensivas. Após o fracasso da pressão militar, Washington ampliou as sanções e passou a ameaçar países que ajudam economicamente Teerã, especialmente a China.
Internamente, o Irã enfrenta forte crise econômica. A inflação anual chegou a 66% em julho, enquanto os preços dos alimentos subiram 128%. Embora o regime tenha sobrevivido, novos protestos podem surgir. A Guarda Revolucionária reforçou o comando da milícia Basij, conhecida pela repressão violenta a manifestações. O conflito também alterou o equilíbrio regional. O Irã perdeu influência com o enfraquecimento de seus aliados, enquanto Israel emergiu mais poderoso. Turquia, Arábia Saudita e Paquistão firmaram um pacto militar, refletindo novas alianças e desconfianças sobre a capacidade dos EUA de proteger seus parceiros. A destruição de Gaza e a política israelense na Cisjordânia dificultam uma acomodação entre os países. A Turquia aparece como principal rival estratégico de Israel, enquanto a Síria pode aproximar-se de Ancara.A possível adesão de países do Golfo e do Egito torna o cenário ainda mais complexo. Assim, a guerra de Trump contra o Irã permanece inconclusa e pode tornar-se um conflito crônico, enquanto as forças geopolíticas do Oriente Médio continuam se reorganizando.
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