Heidi Overton, uma das principais assessoras da Casa Branca, foi escolhida por Donald Trump para liderar a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA). Médica e vice-diretora do Conselho de Política Interna, Overton participou de iniciativas de saúde do segundo governo Trump. A indicação provocou críticas de senadores democratas, que a classificaram como extremista de direita e contrária ao aborto. Trump, porém, elogiou Overton no Truth Social, chamando-a de profissional inteligente e respeitada. O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., também manifestou apoio à indicação. Se confirmada pelo Senado, Overton terá de administrar diferentes interesses dentro do governo e enfrentar temas polêmicos na área da saúde. Ela assumirá a FDA após a saída de Marty Makary, em maio, deixando projetos inacabados sobre alimentos ultraprocessados, antidepressivos e vacinas contra a covid-19. Overton estudou medicina na Universidade do Novo México e fez doutorado em investigação clínica na Universidade Johns Hopkins. Antes de integrar o governo, foi diretora de políticas do America First Policy Institute, think tank conservador. Nos últimos meses, participou de anúncios de políticas defendidas por Trump, incluindo medidas para reduzir preços de medicamentos.
Também apoiou uma ordem de vacinação que propôs separar a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) em três imunizações. A medida contrariou recomendações de grupos médicos. Em evento na Casa Branca, Overton apoiou Trump quando ele sugeriu, sem respaldo científico, relação entre vacinação e autismo. O consenso científico estabelece que não existe relação entre vacinas e transtorno do espectro autista. Overton também já criticou as pílulas abortivas. Caso seja confirmada, poderá influenciar regras da FDA que facilitaram o acesso a esses medicamentos. A nomeação ainda precisa ser analisada pelo Senado, onde os republicanos têm maioria apertada. Overton deverá responder a perguntas da Comissão de Saúde, Educação, Trabalho e Previdência. O presidente da comissão, o republicano Bill Cassidy, é médico e já criticou ações de Trump que levantaram dúvidas sobre a vacinação. A escolha de Overton ocorre em meio a disputas sobre políticas de saúde, vacinas, medicamentos e aborto nos Estados Unidos.
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