Pesquisar este blog

domingo, 23 de agosto de 2026

CHANG´E-7 RUMARÁ PARA A LUA HOJE


A China se prepara para lançar a Chang'e-7, sua missão lunar robótica mais ousada, destinada a buscar diretamente água na superfície da Lua. O lançamento está previsto para hoje, às 21h, de Brasília, com foguete Longa Marcha 5, a partir de Wenchang. 
A missão chegará à órbita lunar em cerca de cinco dias e poderá permanecer meses antes do pouso. A Chang'e-7 será a primeira missão chinesa destinada ao polo sul lunar, região estratégica pela possível presença de água em crateras permanentemente sombreadas. A China vem ampliando a complexidade de seu programa lunar. A Chang'e-3 pousou na Lua em 2013; a Chang'e-4 realizou, em 2019, o primeiro pouso no lado oculto; e a Chang'e-5 trouxe amostras do solo lunar em 2020. Em 2024, a Chang'e-6 trouxe à Terra as primeiras amostras do lado oculto. A água lunar é considerada um recurso essencial para futuras bases e para missões a outros pontos do Sistema Solar. Ela pode ser usada para consumo, produção de oxigênio e fabricação de hidrogênio, combustível para foguetes. A Chang'e-7 será composta por orbitador, pousador, rover e um pequeno saltador. O pouso está planejado para a região da cratera Shackleton, próxima ao polo sul, cuja área interna permanece em escuridão permanente. O saltador entrará em uma cratera escura para procurar gelo com instrumentos a laser. Uma perfuratriz também recolherá amostras de até um metro de profundidade, que serão aquecidas para identificar água e outros compostos voláteis.

Orbitador, pousador e rover levarão câmeras, radares, espectrômetros, magnetômetros, sismógrafos e outros equipamentos científicos. Instrumentos de Egito, Bahrein, Suíça, Tailândia, Itália e Rússia também participarão da missão. A Chang'e-7 será seguida pela Chang'e-8, prevista para 2028-2029, voltada ao uso de recursos locais. As duas fazem parte do projeto chinês de uma Estação Internacional de Pesquisa Lunar, planejada para o polo sul durante a década de 2030. A China pretende realizar seu primeiro pouso tripulado antes de 2030, enquanto os Estados Unidos projetam retornar astronautas à Lua em 2028 e também planejam uma base no polo sul. A disputa amplia questões estratégicas e jurídicas. O Tratado do Espaço, de 1967, impede países de declarar soberania sobre corpos celestes, mas não define claramente como será a exploração de recursos lunares. A Chang'e-7, portanto, não representa apenas um avanço científico: pode também marcar o início de uma nova disputa internacional pelo futuro polo sul da Lua. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário