O estreito de Hormuz vive uma nova crise, sem definição sobre a quantidade de petróleo que ainda atravessa a passagem. Antes da guerra, por ali escoava cerca de um quinto do petróleo mundial. Muitos navios desligam os transponders para evitar ataques, dificultando o monitoramento. Um acordo entre Estados Unidos e Irã, firmado em junho, previa a retomada gradual da navegação. Com o fracasso das negociações, o bloqueio voltou a afetar o comércio de petróleo. Donald Trump chegou a publicar um mapa chamando o estreito de “novo território dos Estados Unidos”. O Irã rejeitou a declaração e apresentou condições para reabrir a passagem. Entre elas estão o fim do bloqueio naval, das sanções e das operações militares. Omã tenta mediar as negociações, enquanto a tensão permanece elevada. A Administração de Informação sobre Energia dos EUA estima que o fluxo caiu para menos de um quarto do nível anterior à guerra. A agência não espera a normalização das rotas comerciais antes do início de 2027. A redução da oferta já provoca alta do petróleo e ameaça aumentar a inflação mundial.
O Brent superou US$ 91, maior valor desde julho. No Brasil, o cenário contribui para manter a pressão sobre os juros e a inflação. Na Europa, os efeitos aparecem principalmente no mercado de gás. Carregamentos do Qatar estão retidos e os estoques europeus avançam abaixo do necessário. A disputa por gás com compradores asiáticos também elevou os preços. A tensão militar pode ainda atingir outros países. Comandantes iranianos teriam avaliado ataques a instalações americanas no sudeste europeu. Especialistas afirmam que a guerra não alcançou os objetivos esperados pelos Estados Unidos. O regime iraniano permanece no poder e mantém capacidade militar. Teerã passou a apostar em ações de desgaste contra navios, terminais e bases americanas.
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