A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar réus o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar; o ex-deputado estadual TH Joias; e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto. Os três estão presos e são acusados de obstrução de investigação relacionada ao vazamento de informações sigilosas de uma operação contra o Comando Vermelho (CV). A decisão também envolve Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias, e Thárcio Nascimento Salgado, suspeito de lavar dinheiro do tráfico em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. O julgamento ocorre no plenário virtual do STF e os ministros podem ajustar seus votos até sexta-feira (21). O relator, Alexandre de Moraes, votou pelo recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto. Segundo a PGR, o grupo teria atuado entre 2 e 3 de setembro de 2025 para vazar informações sobre a Operação Zargun. TH Joias, então deputado estadual e um dos principais alvos, teria retirado objetos de sua residência antes da chegada dos policiais.
Para Moraes, os elementos reunidos indicam crime de obstrução de investigação contra organização criminosa armada. A denúncia aponta que os acusados teriam agido em conjunto para repassar informações sigilosas da operação e eliminar provas. O objetivo seria dificultar investigações sobre o Comando Vermelho, envolvendo tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro. Moraes também citou que Bacellar admitiu ter conversado com Thiego Raimundo sobre a operação policial em 2 de setembro de 2025, na sede da Alerj. Segundo a PGR, o contato ocorreu após a Polícia Federal tratar com o gabinete do desembargador sobre a data da operação. Para o relator, a denúncia apresenta indícios de autoria e materialidade suficientes para o prosseguimento da ação. Após a conclusão do julgamento, na sexta-feira, as defesas ainda poderão recorrer à Primeira Turma para pedir esclarecimentos. Depois dessa etapa, o Supremo deverá abrir uma ação penal contra os acusados.
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