Pesquisar este blog

domingo, 16 de agosto de 2026

EUA PRESSIONAM PAÍSES A ESCOLHER WASHINGTON OU PEQUIM


Os Estados Unidos se preparam para pressionar dezenas de países a escolher entre Washington e Pequim na corrida pela inteligência artificial. 
Uma minuta do Departamento de Estado prevê alertar que países que aderirem a iniciativas chinesas poderão ser excluídos de uma coalizão de IA liderada pelos EUA. A iniciativa Pax Silica, lançada no ano passado, busca garantir cadeias de suprimentos de IA, semicondutores e minerais críticos. Cerca de 20 países já aderiram, incluindo Japão, Austrália, Coreia do Sul e Cazaquistão, este, importante fornecedor potencial de minerais críticos. A nova carta é destinada aos 35 signatários de uma declaração de cooperação em IA assinada em junho. Washington pretende impedir que a China obtenha recursos estratégicos para desenvolver tecnologias avançadas e preocupa com possíveis aplicações militares e econômicas da inteligência artificial. Em julho, o líder chinês Xi Jinping lançou uma organização internacional rival para ampliar a influência de Pequim no setor e país promove modelos de IA de código aberto como alternativa à tecnologia desenvolvida por empresas americanas. O Cazaquistão é, até agora, o único país que participa das duas iniciativas, apesar da advertência americana de não ser possível ficar dos dois lados. A situação provocou preocupação em Washington, que considera incompatível manter alianças simultâneas com concorrentes. A minuta afirma que a adesão à Pax Silica representa um compromisso e não apenas uma participação simbólica.

O documento defende que os países escolham deliberadamente seu alinhamento na área de IA, mas a carta não cita diretamente a China, apesar de deixar clara a intenção de evitar iniciativas consideradas conflitantes. A disputa tecnológica entre EUA e China se intensificou com o rápido avanço dos modelos chineses de inteligência artificial. Empresas americanas como OpenAI e Anthropic enfrentam concorrência crescente de sistemas chineses mais baratos e abertos. O avanço da IA também aumentou preocupações sobre segurança, incluindo a possibilidade de ataques cibernéticos autônomos. Pequim, por sua vez, avalia restringir o acesso estrangeiro a alguns de seus principais modelos de IA. A Pax Silica também pretende reduzir a dependência dos EUA e aliados de minerais críticos, chips e tecnologias chinesas. O Cazaquistão ganhou importância estratégica por suas reservas de minerais essenciais às tecnologias avançadas. A China possui forte influência sobre o mercado mundial desses minerais e já os utilizou em disputas comerciais. Os países da Pax Silica podem participar de investimentos conjuntos em projetos relacionados à inteligência artificial. Já os signatários da declaração americana assumiram um compromisso de cooperação e visão compartilhada. A estratégia reflete a crescente disputa entre as duas maiores potências pela liderança tecnológica mundial. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário