O banco Melli, maior instituição financeira do Irã, voltou a ser alvo de sanções dos Estados Unidos. Na segunda-feira (24), o governo americano determinou medidas para reduzir ainda mais sua capacidade de operar no exterior. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que países que mantiverem negócios com o Irã também poderão ser punidos. A medida faz parte da chamada Operação Pária Econômico, que busca ampliar a pressão sobre Teerã. Bessent exigiu o fechamento de todas as agências internacionais do Melli. Apesar da determinação, uma unidade em Dubai informou que funcionava normalmente. Em Londres, a agência de Kensington também permanecia aberta. O banco estatal sofre sanções americanas desde 2007, quando foi acusado de financiar os programas nuclear e de mísseis do Irã. ONU, União Europeia e outros países também adotaram restrições contra a instituição. O Melli mantém cerca de 3.100 agências dentro do Irã e possui presença histórica no Oriente Médio, Europa e Ásia. Sanções, porém, reduziram drasticamente sua capacidade de movimentar recursos e financiar o comércio internacional. Autoridades americanas acusam o banco de utilizar empresas de fachada para transferir dinheiro por meio de uma rede bancária paralela destinada a contornar sanções e financiar atividades militares iranianas. Em janeiro, empresas dos Emirados Árabes Unidos e de Singapura foram acusadas pelo Tesouro americano de participar de operações ligadas ao Melli. O especialista Matthew Levitt avaliou que o alcance internacional do banco diminuiu, mas afirmou que a instituição ainda consegue financiar atividades ilícitas por meio de subsidiárias e da aplicação desigual das sanções.
Os Emirados Árabes Unidos foram durante anos um importante centro financeiro para operações envolvendo o Irã. O comércio entre os dois países movimentou cerca de US$ 28 bilhões em 2024. Em 2026, porém, as relações entre os dois países se deterioraram após ataques iranianos contra os Emirados e outros países que abrigam bases americanas. Na semana passada, os Emirados anunciaram a suspensão do comércio e das transações financeiras com o Irã, aumentando a pressão sobre Teerã. O ministro das Finanças iraniano, Ali Madanizadeh, afirmou que muitos países poderão rejeitar as exigências americanas e declarou que o Irã dispõe de instrumentos para reagir à pressão econômica. No Reino Unido, onde o Melli atua desde 1967, as sanções reduziram significativamente suas operações. O banco informou ter concentrado esforços na proteção dos ativos restantes. Em setembro passado, Reino Unido e União Europeia voltaram a sancionar o Melli e outras instituições ligadas ao programa nuclear iraniano, atingindo unidades em Londres, Paris e Hamburgo. A filial britânica possuía cerca de 100 milhões de euros em depósitos em dezembro e reduziu custos e funcionários diante das restrições. Apesar da pressão, algumas de suas agências internacionais continuavam funcionando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário