Ao declarar um “Dia D econômico” contra o Irã, Donald Trump e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tentam encontrar uma saída para uma estratégia militar que não alcançou seus objetivos. Tradicionalmente, os EUA recorrem primeiro à diplomacia, depois às sanções econômicas e, por último, à ação militar. Trump, porém, passou rapidamente da diplomacia aos bombardeios para tentar destruir o programa nuclear iraniano e pressionar o regime. Os ataques não atingiram os objetivos esperados e deixaram 18 americanos mortos, centenas ou milhares de iranianos mortos e custos estimados em mais de US$ 100 bilhões. Agora, Bessent anunciou a chamada “Operação Pária Econômico”, destinada a cortar os recursos que sustentam a República Islâmica. A estratégia prevê bloquear transações financeiras, inclusive digitais, além de dificultar o comércio de petróleo e a movimentação internacional de ouro. O plano, porém, enfrenta um grande obstáculo: a China, principal compradora do petróleo iraniano. Em 2025, Pequim adquiriu mais de 80% das exportações de petróleo do Irã. Para especialistas, sem a cooperação chinesa, a estratégia americana terá poucas chances de sucesso. Bessent ameaçou impor sanções secundárias a países que continuarem negociando com Teerã, mas evitou citar diretamente a China. A medida poderia aumentar as tensões entre Washington e Pequim, que já divergem sobre Taiwan, inteligência artificial, armas nucleares e comércio internacional. Especialistas também questionam por que sanções tão rígidas não foram utilizadas antes da ofensiva militar contra o Irã.
As sanções contra Teerã não são novidade. Os EUA começaram a intensificá-las durante o governo George W. Bush, e Barack Obama ampliou a pressão para levar o Irã às negociações. A estratégia ajudou a produzir o acordo nuclear de 2015, que limitou as atividades nucleares iranianas em troca do alívio de sanções. Trump abandonou o acordo em 2018 e restabeleceu as punições econômicas, apostando que elas provocariam uma mudança de comportamento do regime. Apesar disso, o Irã continuou exportando entre dois e três milhões de barris de petróleo por dia durante parte do período de sanções. O bloqueio naval atual reduziu essas exportações, mas não eliminou a capacidade de resistência iraniana. Imagens de satélite indicam ainda que materiais nucleares permanecem em locais atingidos pelos bombardeios americanos. O regime também sobreviveu, embora tenha passado por mudanças após a morte do aiatolá Ali Khamenei durante os ataques iniciais da guerra. Bessent voltou a mencionar a possibilidade de mudança de regime, objetivo defendido por Trump meses atrás. Na época, o presidente americano esperava uma rápida vitória militar e pediu que os iranianos se levantassem contra o governo. Posteriormente, Trump reconheceu que a população iraniana não possuía armas nem organização suficientes para realizar uma revolta. Agora, Washington aposta novamente na pressão econômica, mas o sucesso da estratégia dependerá principalmente da postura da China.
Nenhum comentário:
Postar um comentário