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domingo, 16 de agosto de 2026

EUA, SEM JULGAMENTO, MATA TAMBÉM NA AMÉRICA LATINA


Bombardeios dos EUA no Caribe e no Pacífico geram alerta na América Latina. 
Mais de 200 pessoas já morreram em bombardeios dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico.Entre as vítimas estão pescadores e civis, sem acusação, defesa ou julgamento. Washington passou a classificá-los como “narcoterroristas” e alvos militares. Mesmo que transportassem drogas, não está demonstrado que isso ocorreu. A questão é quando o narcotráfico passou a justificar execuções sumárias.O secretário de Defesa, Pete Hegseth, sinalizou que a ofensiva pode aumentar.Em 12 de agosto, afirmou que uma ação militar contra Cuba não está descartada. Segundo ele, “todas as opções, inclusive as militares, estão sobre a mesa”. Hegseth também anunciou operações conjuntas dos EUA com a Colômbia contra o “narcoterrorismo”. O presidente colombiano Abelardo de la Espriella autorizou a cooperação militar. O Equador, de Daniel Noboa, também ampliou a parceria militar com Washington. O cenário preocupa pela possibilidade de normalização de ataques sem julgamento. A Colômbia possui décadas de conflito armado e milhões de deslocados. Grupos armados convivem com camponeses e comunidades pobres. Por isso, ataques considerados “cirúrgicos” podem atingir civis. A população rural colombiana já sofreu durante décadas com a violência. Agora, pode ser novamente afetada por uma guerra conduzida pelos Estados Unidos.

O termo “narcoterrorismo” mistura cartéis, guerrilheiros, transportadores e suspeitos. Isso transforma pessoas que deveriam ser investigadas em possíveis alvos militares. O México apresenta outra estratégia diante da pressão americana. Claudia Sheinbaum aceita cooperação em inteligência e segurança, mas rejeita tropas dos EUA. Para ela, cooperação não significa subordinação. Equador e Colômbia, portanto, fizeram escolhas diferentes. A política de Trump também recupera a Doutrina Monroe e busca ampliar a influência regional dos EUA. Washington pretende reforçar sua “preeminência” no Hemisfério Ocidental. A possibilidade de decidir onde usar a força preocupa governos latino-americanos. O problema se agrava quando presidentes da região convidam tropas americanas para atuar em seus territórios. Mais de 200 mortes já ocorreram nessa nova ofensiva. Antes que os bombardeios sejam tratados como acontecimentos rotineiros, é necessário questionar sua legalidade e seus riscos. A região precisa recuperar a capacidade de se indignar diante de mortes sem julgamento. 

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