Pesquisar este blog

terça-feira, 18 de agosto de 2026

CASAL CONDENADO POR TORTURA E PRESO EM PORTUGAL


O casal Marluci Cabrera Bellini Henares, 49, e Djalma Antônio Henares Júnior, 56, foi preso em Portugal após ser condenado por tortura em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos de Ribeirão Preto (SP). 
As prisões ocorreram em julho, cerca de um mês após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmar definitivamente a condenação dos dois a 17 anos e seis meses de prisão. O Ministério Público de Ribeirão Preto acompanha o caso há 12 anos e descreve um cenário de violência sistemática contra os internos. Segundo o promotor Aroldo Costa Filho, os pacientes sofriam agressões com socos e pedaços de madeira, além de violência sexual e castigos psicológicos. As vítimas também eram amarradas e colocadas em galpões com o chão molhado e ensaboado. Outra prática consistia em obrigá-las a ingerir medicamentos controlados sem prescrição, misturados à água. Os internos ainda eram submetidos a punições psicológicas, como permanecer sentados por horas olhando para árvores. Caso cochilassem, eram acordados com agressões. Os proprietários da clínica, Djalma e Marluci, participavam das práticas e mantinham os internos sob vigilância por câmeras. Angelo Bellini Neto, sobrinho de Djalma e também condenado, atuava como monitor e era apontado como responsável por agressões frequentes.

As investigações começaram em 2014, após denúncias e mandados de busca e apreensão. Na época, o Ministério Público pediu a prisão preventiva dos acusados, mas eles deixaram o Brasil legalmente e se estabeleceram em Portugal. Marluci chegou a trabalhar como professora de zumba nos Açores. Após a condenação definitiva, em junho de 2026, os nomes do casal foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. A medida permitiu que fossem localizados e presos pelas autoridades portuguesas. O Ministério Público solicitou a extradição dos dois para que cumpram a pena em regime fechado no Brasil. Angelo, o terceiro condenado, foi localizado e preso em Cravinhos (SP). Pelo menos 24 ex-internos haviam sido identificados como vítimas durante a operação realizada em 2014. Para o promotor, a condenação representa uma resposta rigorosa aos crimes cometidos na clínica. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário