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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

ADVOGADO É SEQUESTRADO E TORTURADO EM CUBATÃO


O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, 36, foi sequestrado e torturado por integrantes do PCC em Cubatão, na Baixada Santista, em 11 de junho. 
Ele afirma que foi atraído para uma emboscada após receber uma ligação de um suspeito que dizia precisar de serviços jurídicos. Ao chegar a uma comunidade na Vila Esperança, foi levado para um barraco e submetido ao chamado “tribunal do crime”. Segundo o advogado, cerca de 30 criminosos estavam no local e outros 20 participavam do julgamento por videoconferência. A ordem era para que ele desistisse de uma ação judicial movida contra interesses da facção e entregasse o endereço de seu cliente. Rafaell havia ajuizado o processo contra um suposto integrante do PCC, acusado de expulsar seu cliente de uma empresa de pesca sem pagar indenização. Durante o cativeiro, que durou cerca de seis horas, o advogado sofreu ameaças e tortura psicológica. Os criminosos tomaram seu celular, obrigaram-no a desbloqueá-lo e vasculharam seus arquivos pessoais. Eles encontraram vídeos íntimos e ameaçaram divulgá-los caso o processo não fosse abandonado. Diante das ameaças, Rafaell concordou em desistir da ação e acabou sendo libertado. Mesmo tendo abandonado o processo, ele denunciou o caso ao Gaeco, do Ministério Público de São Paulo.

O episódio deu origem à Operação Patrocínio Fiel, deflagrada em 12 de agosto. A operação contou com apoio da Polícia Militar e de autoridades de Santa Catarina. Foram expedidos sete mandados de prisão e 19 de busca e apreensão em cidades de São Paulo e em Florianópolis. Três dos mandados de prisão foram cumpridos, incluindo o responsável pela emboscada contra o advogado. As buscas ocorreram em imóveis residenciais e comerciais ligados aos investigados e no local usado como cativeiro. Segundo o Ministério Público, a operação busca interromper os crimes, proteger o advogado e reunir provas para as investigações. O caso permanece sob sigilo. Durante a operação, um homem de 28 anos morreu em São Vicente após, segundo a Secretaria da Segurança Pública, receber policiais a tiros durante o cumprimento de mandado. Os investigados são apontados como integrantes de destaque do PCC na Baixada Santista. Rafaell afirma estar com medo de morrer e diz ter sido informado de que o “tribunal do crime” teria decretado sua morte. O advogado também afirmou que pretende mudar-se por questões de segurança. Ele criticou a violência sofrida e disse ter vivido uma situação de extrema injustiça. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos no sequestro, na tortura e nas ameaças. 

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