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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

REMINISCÊNCIAS DO 24 DE AGOSTO NO BRASIL


Agosto ocupa um lugar especial na memória política brasileira. Ao longo da história, o mês foi palco de crises, rupturas e acontecimentos que deixaram marcas profundas na vida nacional. Não por acaso, agosto chegou a ser chamado de “mês aziago” da política brasileira, especialmente em razão dos acontecimentos de 1954. Com efeito, em 5 de agosto de 1954, o atentado da Rua Tonelero, no Rio de Janeiro, contra o jornalista Carlos Lacerda, que governou o estado da Guanabara, provocou uma das maiores crises do governo de Getúlio Vargas. O episódio, que resultou na morte do major Rubens Vaz, aumentou a pressão sobre o presidente e colocou seu governo diante de uma grave crise política. A instabilidade chegou ao ponto máximo em 24 de agosto de 1954, quando Getúlio Vargas tirou a própria vida no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Sua morte provocou enorme comoção popular e mudou o rumo da política brasileira. Sete anos depois, agosto novamente entrou para a história, porque em 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou inesperadamente ao cargo, desencadeando uma crise institucional. O vice-presidente João Goulart estava em viagem à China e teve sua posse contestada pelos ministros militares. A reação veio principalmente do Rio Grande do Sul, onde o governador Leonel Brizola liderou a Campanha da Legalidade, defendendo o cumprimento da Constituição e a posse de Jango. O impasse acabou levando à adoção temporária do parlamentarismo como solução política.

Décadas depois, agosto de 1992 também ficou marcado na memória nacional pela mobilização popular que antecedeu os debate sobre o impeachment de Fernando Collor. Naquele ano, uma CPI que investigava denúncias envolvendo o então presidente, que terminou renunciando para evitar o impeachment. Os protestos dos chamados “caras-pintadas” simbolizaram a pressão da sociedade por mudanças e culminaram, em dezembro daquele ano, na perda definitiva do mandato presidencial. Em agosto de 2016, o país viveu outro momento decisivo: o Senado concluiu o processo de impeachment de Dilma Rousseff, que perdeu definitivamente o cargo em 31 de agosto, encerrando um dos períodos mais turbulentos da Nova República. Esses episódios mostram que agosto não é apenas mais uma página do calendário. Na história política brasileira, o mês reúne lembranças de tragédia, renúncia, resistência democrática, impeachment e profundas mudanças institucionais. As reminiscências de agosto servem, sobretudo, como advertência. Elas mostram que crises políticas podem transformar governos, modificar instituições e alterar o destino de uma nação. Ao recordar esses acontecimentos, o Brasil também revisita suas experiências de democracia, conflitos e superação.

Salvador, 26 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



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