Luiz Carlos Prestes foi acusado de mandonismo, incompetência, inabilidade política, agressividade, vaidade, personalismo e dogmatismo, além de ser apontado como agente de Moscou. As críticas são discutidas por Anita Leocádia Prestes, filha do líder comunista, no livro Entre Memória e História: Representações de Luiz Carlos Prestes. Historiadora e professora aposentada da UFRJ, Anita nasceu em uma prisão nazista, antes de sua mãe, Olga Benário, ser assassinada em um campo de concentração. Viveu parte da infância no México e a adolescência na União Soviética. Após o exílio durante a ditadura militar, dedicou-se ao estudo da trajetória política do pai e da história do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Prestes ganhou projeção nacional nos anos 1920, ao comandar a Coluna Prestes, que percorreu o interior do país e se tornou símbolo do movimento tenentista. Na década de 1930, passou a ser perseguido por sua aproximação com o comunismo e sua filiação ao PCB, tornando-se uma das principais lideranças do partido. Para Anita, a historiografia e obras memorialísticas frequentemente distorcem ou silenciam aspectos da trajetória de Prestes, influenciadas pelo anticomunismo brasileiro.
Segundo ela, o anticomunismo teria sido usado para combater não apenas comunistas, mas também movimentos e organizações que questionassem o poder econômico e político dominante. A historiadora também analisa episódios controversos, como a participação de Prestes na Intentona de 1935, e critica concepções do PCB sobre a realidade brasileira. Na avaliação de Anita, os equívocos políticos e estratégicos do partido contribuíram para impedir a realização da revolução socialista que seus dirigentes pretendiam promover no Brasil. O episódio integra o podcast Ilustríssima Conversa, da Folha, que entrevista autores e intelectuais sobre livros, pesquisas e temas contemporâneos.
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