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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

EL NIÑO AMPLIA MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO PLANETA


Nas últimas quatro décadas, o fenômeno El Niño tornou-se quase 40% mais intenso em comparação com a era pré-industrial, no século 19. 
Estudo da Universidade de Michigan aponta que as mudanças climáticas estão ampliando a força de um dos principais fenômenos meteorológicos extremos do planeta. A intensificação aumenta os riscos de secas, enchentes e incêndios florestais, além de provocar impactos na agricultura e na saúde humana. O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico tropical ficam mais quentes do que o normal. O fenômeno está associado ao enfraquecimento dos ventos alísios, que permite o deslocamento de águas quentes em direção à costa da América do Sul. Suas consequências não se limitam ao Pacífico e podem alterar o clima em várias regiões do mundo. Para analisar sua evolução, pesquisadores estudaram amostras de 13 corais das Ilhas Galápagos. Os corais crescem entre 1 e 2 centímetros por ano e registram, em suas estruturas, informações sobre a temperatura do mar. Os cientistas concluíram que os eventos das últimas quatro décadas foram mais intensos do que qualquer outro período dos mil anos anteriores a 1850. A partir de meados do século 19, a industrialização passou a elevar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Segundo os pesquisadores, não há registro de um período anterior em que o El Niño tenha apresentado intensidade semelhante à atual. A força do fenômeno acompanha o aumento da temperatura média global. Modelos climáticos também foram usados para verificar se a intensificação poderia ser explicada por causas naturais. Foram considerados fatores como erupções vulcânicas e variações na atividade solar. Os resultados não indicaram mudanças naturais capazes de explicar a intensidade observada atualmente.

Os pesquisadores apontam, portanto, o aquecimento provocado pelas atividades humanas como principal fator. Entre essas atividades estão a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento. A tendência preocupa porque eventos climáticos extremos podem se tornar ainda mais severos. Os impactos podem atingir ecossistemas, infraestrutura, economias e populações. A intensificação do El Niño também representa um crescente desafio para a saúde pública. Alterações nos padrões de chuva, temperatura e eventos extremos podem favorecer doenças infecciosas. Também podem aumentar a contaminação de alimentos e a escassez de água. Outro risco é o crescimento de casos de desnutrição e de doenças relacionadas ao calor.
Os efeitos podem se espalhar pelos sistemas alimentares e de saúde. Comunidades com infraestrutura precária são especialmente vulneráveis. Segundo os especialistas, nenhum país possui recursos suficientes para se proteger completamente desses impactos. A situação reforça a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A redução do uso de combustíveis fósseis é apontada como uma das principais medidas para enfrentar o problema. O estudo mostra que o aquecimento global pode alterar a intensidade de fenômenos naturais com consequências globais. Assim, o El Niño mais forte representa mais um sinal dos efeitos crescentes das mudanças climáticas sobre a sociedade e o meio ambiente. 

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