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domingo, 21 de junho de 2026

SAIU NO JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO

Quais profissões vão bombar no novo mundo do trabalho, segundo o CEO da Nvidia

Com o avanço dos data centers, jovens podem encontrar empregos rentáveis sem diploma universitário, segundo Jensen Huang, CEO da Nvidia

'Ou muda ou vaza': Bruno Gonçalves fala sobre líderes jurássicos, geração Z e felicidade corporativa

Especialista em experiência do cliente e do colaborador é um dos destaques do SP Innovation Week e defende que empresas precisam rever cultura organizacional. Crédito: edição: Larissa Kinoshita

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

A geração Z ouve constantemente que suas chances de conseguir um emprego são mínimas, já que a IA ameaça os empregos de nível básico. Mas, na realidade, segundo Jensen Huang, CEO da Nvidia, existem milhares de vagas para jovens, graças ao crescimento acelerado dos data centers. Eles só precisam estar dispostos a fazer um curso técnico.

“Se você é eletricista, encanador, carpinteiro, precisaremos de centenas de milhares deles para construir todas essas fábricas”, disse Huang.

“O segmento de mão de obra qualificada em todas as economias vai experimentar um crescimento exponencial. Será necessário dobrar, dobrar e dobrar novamente a cada ano.”

E Huang não está apenas falando da necessidade — ele está comprovando isso com dinheiro.

Empregos na área da construção civil estão em alta: trabalhadores da construção podem ganhar mais de US$ 100 mil sem diploma universitário.

A fabricante de chips anunciou no ano passado que estava investindo US$ 100 bilhões na OpenAI para ajudar a financiar o desenvolvimento de data centers baseados nos processadores de IA da Nvidia. Em todo o setor, o investimento global em data centers deve atingir US$ 7 trilhões até 2030, de acordo com a McKinsey.

Um único centro de dados de 23 mil metros quadrados pode empregar até 1,5 mil trabalhadores durante sua construção — muitos ganhando mais de US$ 100 mil, além de horas extras — tudo isso sem exigir um diploma universitário. Após a conclusão, cerca de 50 funcionários em tempo integral fazem a manutenção das instalações. Mas cada um desses empregos gera outros 3,5 na economia local.

O apelo de Huang por mais eletricistas e encanadores está alinhado com sua visão mais ampla de que a próxima onda de oportunidades reside no lado físico da tecnologia, e não no software. Quando perguntado sobre o que estudaria se tivesse 20 anos novamente, Huang admitiu que se inclinaria para disciplinas ligadas às ciências físicas.

“O Jensen jovem, de 20 anos, que já se formou, provavelmente teria escolhido… mais ciências físicas do que ciências da computação”, disse ele.

Os CEOs concordam: chega de empregos de escritório, vamos dar lugar aos empregos operacionais.

Huang não é o único CEO a soar o alarme sobre uma iminente escassez de mão de obra qualificada.

No início de 2025, o CEO da BlackRock, Larry Fink, afirmou ter manifestado suas preocupações à Casa Branca, argumentando que as deportações de trabalhadores imigrantes, combinadas com a falta de interesse entre os jovens americanos, estão criando a tempestade perfeita para a construção de data centers.

“Cheguei a dizer a membros da equipe de Trump que vamos ficar sem eletricistas, que são necessários para construir centros de dados de IA”, disse Fink em uma conferência de energia em março de 2025. “Simplesmente não temos o suficiente.”

O CEO da Ford, Jim Farley, posteriormente fez coro a essas preocupações, apontando para a discrepância entre as ambições de Washington de relocalizar a produção e a força de trabalho necessária para torná-la realidade.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, diz que data centers vão exigir muita mão de obra Foto: Jeffrey McWhorter/AP

“Acho que a intenção existe, mas não há nada que corresponda à ambição”, disse Farley. “Como podemos trazer tudo isso de volta para os EUA se não temos pessoas para trabalhar lá?”

Os EUA já têm um déficit de 600 mil operários de fábrica e 500 mil trabalhadores da construção civil, de acordo com uma publicação de Farley no LinkedIn de 2025.

Embora o Departamento de Educação dos EUA tenha priorizado a expansão de programas de formação profissional, alguns membros da Geração Z já estão aderindo à ideia.

Vejamos o caso de Jacob Palmer, um jovem da geração Z da Carolina do Norte. Depois de se formar no ensino médio, ele decidiu que a faculdade não era para ele. Em vez disso, ingressou em um programa de aprendizagem em uma empresa de construção civil e se formou como eletricista.

Aos 21 anos, ele lançou seu próprio negócio e, em 2024, faturou quase US$ 90 mil. Em 2025, atingiu a marca de seis dígitos. Ao contrário de muitos de seus colegas que enfrentam dívidas estudantis e perspectivas de emprego incertas, ele disse simplesmente: “Não devo nada a ninguém”.

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial.Saiba mais em nossa Política de IA. 

HUNGRIA ESTIMULA NATALIDADE, MAS CONTINUA ENFRENTANDO BAIXA NATALIDADE


A Hungria investiu bilhões em políticas para estimular a natalidade, oferecendo empréstimos sem juros, subsídios habitacionais e benefícios fiscais a casais que prometessem ter filhos. O objetivo era reverter a queda populacional e reduzir a dependência da imigração. Entre os beneficiados estão Barbara Elek e o marido, Levi, que contraíram empréstimos condicionados ao nascimento de filhos. Após sucessivas tentativas de fertilização in vitro, o casal corre o risco de ter que devolver os recursos com juros e multas caso não consiga comprovar uma gravidez. A taxa de fecundidade do país subiu de 1,25 filho por mulher em 2010 para 1,59 em 2020, mas voltou a cair e chegou a 1,31 em 2025, distante do nível de reposição populacional de 2,1. Especialistas divergem sobre os resultados. Alguns defendem que as medidas evitaram uma queda ainda maior dos nascimentos. Outros afirmam que os incentivos apenas anteciparam gestações que ocorreriam de qualquer forma. Pesquisadores apontam que os benefícios funcionaram melhor entre famílias do interior e da classe média baixa, mas tiveram impacto limitado nas grandes cidades, onde o custo de vida é mais elevado.

Muitos pais relatam que os principais obstáculos para ter filhos não são financeiros, mas a qualidade da saúde pública, das creches e da educação. Mulheres entrevistadas afirmam que os auxílios foram vistos como ganhos pontuais, sem garantir segurança para criar os filhos no longo prazo. Experiências semelhantes em países como Coreia do Sul e Suécia mostram que incentivos financeiros, isoladamente, não conseguem sustentar o aumento da natalidade. Fatores como estabilidade econômica, confiança no futuro, igualdade de gênero, creches acessíveis e divisão equilibrada das tarefas familiares têm papel decisivo. Após gastar cerca de 5% do PIB em políticas familiares, a Hungria segue enfrentando baixa natalidade. O novo governo revisa os programas, enquanto milhares de casais, como Barbara e Levi, convivem com a frustração de não terem formado a família desejada e com o risco de dificuldades financeiras. 

EMPRESA VINCULADA A CIRO NOGUEIRA VENDEU FAZENDA NOS EMIRADOS


Uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira vendeu uma fazenda de R$ 18,7 milhões, em Pedro II (PI), para a offshore Arraf International, sediada nos Emirados Árabes Unidos. A companhia foi criada dois meses antes da compra e tem endereço registrado em uma caixa postal na zona franca de Sharjah, considerada uma das regiões mais opacas do país quanto à divulgação de sócios. A escritura da operação, realizada em março de 2025, foi assinada pelo advogado Gustavo Frazão, que atua em processos de empresas ligadas ao senador e também ocupa cargo comissionado na Prefeitura de Teresina, administrada por sua mãe, Eliane Nogueira. A Arraf International possui apenas um proprietário, mas a legislação local impede a identificação pública do beneficiário final. Frazão também representa empresas da família Nogueira em ações judiciais. A negociação ocorreu no período em que a Polícia Federal investiga supostos repasses milionários do empresário Daniel Vorcaro ao senador. Segundo a PF, empresas ligadas a Vorcaro transferiram ao menos R$ 6 milhões a Ciro entre 2024 e 2025. Por meio da assessoria, o senador afirmou que nem ele nem familiares possuem empresas no exterior. Ele sustenta que a Fazendas Reunidas Nogueira Lima pertence à sua mãe. No entanto, documentos da PF apontam que Ciro detém 99% do capital da empresa. 

A fazenda possui 2.410 hectares. A reportagem também identificou outras transações entre empresas da família, incluindo a venda de imóveis em São Paulo. Em abril de 2025, a CNLF vendeu um apartamento de R$ 6,5 milhões para uma empresa controlada por uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Ciro Nogueira foi alvo de operação da PF em maio, no âmbito das investigações sobre fraudes atribuídas ao Banco Master. Os investigadores apontam uma relação próxima entre o senador e Daniel Vorcaro, incluindo transferências financeiras, viagens e hospedagens. A PF suspeita que o parlamentar tenha defendido interesses do banco no Congresso, como a proposta que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), conhecida no mercado como “emenda Master”. O senador nega ter recebido recursos ilícitos e afirma que não atuou em benefício do banco.

 

DESENTENDIMENTO ENTRE MINISTROS NO STF


Os momentos de tensão entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes, do STF, durante o julgamento sobre a prisão de familiares do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, expuseram uma disputa que até então ocorria nos bastidores da Corte. O episódio evidenciou divergências sobre a condução das investigações e reforçou a percepção de um tribunal dividido em meio a uma de suas maiores crises institucionais. Durante a sessão, Mendonça afirmou ter recusado uma “delação seletiva” de Vorcaro e criticou tentativas de interferência nas apurações. Também rebateu comparações com a Lava Jato, enquanto Gilmar questionou o que classificou como excessos investigativos. O confronto foi interpretado por parlamentares como a manifestação mais clara da divisão interna do STF, agravada após o avanço das investigações do caso Banco Master. O episódio ocorreu meses depois da rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para a Corte, considerada uma derrota histórica para o governo.

Nos bastidores, interlocutores avaliam que os conflitos públicos entre ministros contribuíram para aumentar a resistência ao nome de Messias. Outro fator apontado é a oposição de Alexandre de Moraes à chegada do atual advogado-geral da União ao Supremo. O caso Banco Master tornou-se foco de tensão após a redistribuição do processo para André Mendonça. Desde então, decisões sobre prisões, compartilhamento de provas e quebras de sigilo têm provocado divergências abertas entre ministros. Para integrantes do governo e do Congresso, o embate entre Gilmar e Mendonça foi além de uma divergência jurídica, revelando disputas sobre os limites das investigações e o papel do STF diante de um escândalo que envolve empresários, políticos e autoridades. Apesar da rejeição anterior, o presidente Lula pretende reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para uma vaga na Corte. Nos bastidores, Messias busca apoio entre governistas e oposicionistas, defendendo uma atuação técnica, republicana e equilibrada, sem ampliar conflitos entre Judiciário e Legislativo. 

ELEIÇÃO EM RORAIMA HOJE


Os eleitores de Roraima vão às urnas neste domingo (21) para escolher governador e vice que comandarão o estado até janeiro de 2027. A eleição suplementar foi determinada pelo TSE após a cassação do governador Edilson Damião (União Brasil) e a inelegibilidade do ex-governador Antonio Denarium (PP), condenados por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Três candidatos disputam o mandato-tampão: Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista; o governador interino Soldado Sampaio (Republicanos); e a socióloga Nelita Frank (PT). Arthur Henrique concorre sub judice. Seu registro foi questionado após decisão do STF que determinou a aplicação dos prazos normais de desincompatibilização. Mesmo barrado pelo TRE, ele conseguiu autorização do TSE para ter o nome mantido na urna enquanto aguarda decisão definitiva.

A mesma regra atingiu a petista Antonia Pedrosa, substituída por Nelita Frank. Apesar da troca, os eleitores ainda verão o nome e a foto de Pedrosa na urna, mas os votos serão contabilizados para Nelita. Ao todo, 385 mil eleitores estão aptos a votar. A votação ocorre das 8h às 17h, e a apuração deve ser concluída entre 21h e 22h, no horário de Brasília. A Justiça Eleitoral enfrenta desafios logísticos devido ao difícil acesso a algumas regiões, alcançadas apenas por rios ou pistas de pouso precárias, além das fortes chuvas típicas desta época do ano. Mesmo assim, a distribuição das urnas segue dentro do cronograma previsto.

SE QUER PAZ TRUMP TEM DE SEGURAR ISRAEL


Dias após um novo acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra, as Forças Armadas iranianas afirmaram que voltarão a fechar o estreito de Ormuz, alegando uma “violação flagrante” das promessas feitas pelos EUA. Teerã cita o primeiro item do acordo de 14 pontos divulgado na quarta-feira (17), que previa a interrupção imediata e permanente das operações militares, inclusive no Líbano. A declaração ocorre após relatos de que ao menos 20 pessoas morreram em ataques israelenses no sul do Líbano menos de 24 horas após o anúncio de um novo cessar-fogo entre Israel e Hezbollah. Apesar da ameaça, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou neste sábado (20) que não há evidências de que o Irã esteja fechando o estreito de Ormuz.

A passagem marítima, localizada entre Irã, Emirados Árabes Unidos e Omã, é responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. Segundo o correspondente da BBC Jon Donnison, o acordo entre Irã e EUA sempre foi frágil e já apresenta sinais de desgaste. Ele destaca que a reabertura parcial de Ormuz foi a principal conquista do pacto e uma prioridade americana para evitar uma crise econômica global. Agora, a atenção se volta para o presidente Donald Trump e para a pressão que Washington poderá exercer sobre Israel para conter as operações militares no Líbano. O episódio ocorre após uma semana de críticas dos EUA a Israel por suposto uso excessivo da força no sul libanês. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 21/06/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Goleiro brilha e Curaçao segura empate no 0 x 0 contra Equador

Equador não consegue furar bloqueio adversário e agora precisa de uma vitória histórica contra a forte Alemanha para sonhar com a classificação

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Uso de 'drogômetros' é nova aposta de investimento da Lei Seca, que completa 18 anos

Especialistas concordam que mecanismo salvou vidas e contribuiu para mudança de comportamento social, embora ainda seja preciso se consolidar como política pública

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Resumo do dia: Possíveis rivais do Brasil no mata-mata da Copa, Holanda e Japão aplicam goleadas

Alemanha derrota Costa do Marfim, firma-se na liderança do Grupo E e se classifica para a fase de 32 Estreante, Curaçao arranca empate com o Equador e conquista o seu primeiro ponto em Mundiais

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Polícia prende 616 foragidos e apreende 320 mil fogos clandestinos neste mês

Do total de capturados, 394 foram localizados em municípios do interior do estado, onde ocorrem algumas das principais festas de São João da Bahia

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Milei apoia chefe de gabinete investigado por enriquecimento ilícito em ato público

Manuel Adorni é investigado e sofre pressão a deixar o governo

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Omer Bartov: “O problema central de Israel é não conseguir decidir o que fazer com os palestinianos”

O autor de "Israel: o que correu mal com o meu país?" crê que só a pressão externa dos aliados, através de sanções económicas, pode resultar numa mudança profunda das políticas.

sábado, 20 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL


CANTORA CONDENADA A 74 CHICOTADAS

A cantora iraniana Parastoo Ahmadi, de 29 anos, foi condenada a 74 chicotadas por divulgar conteúdo considerado imoral após publicar um vídeo no YouTube cantando sem hijab. Oito integrantes de sua equipe receberam a mesma punição. Além das chicotadas, Ahmadi está proibida de exercer atividades artísticas e de viajar por dois anos. No vídeo, gravado em 2024, ela aparece de vestido preto, com os ombros à mostra, cantando sozinha — algo proibido para mulheres no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Após a apresentação, a artista e dois músicos foram detidos e liberados dias depois mediante pagamento de fiança. A sentença foi confirmada nesta semana. Conhecida por sua oposição ao regime iraniano, Ahmadi ganhou destaque durante os protestos do movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, iniciados após a morte de Jina Mahsa Amini sob custódia da polícia moral. O caso ocorre em meio à continuidade dos protestos de mulheres iranianas contra a obrigatoriedade do véu islâmico e outras restrições impostas pelo regime.


MULHER VIVE NO AEROPORTO DE BELÉM HÁ SEIS MESES

A imigrante de Serra Leoa, Fatmata Sessay, 56 anos, vive há cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém após não conseguir seguir viagem para o Panamá por ter tido o passaporte roubado. Desde então, dorme no saguão e recebe alimentação e apoio da assistência social municipal. Nesta semana, ela recebeu do Ministério Público do Pará uma passagem para embarcar ao Panamá no próximo dia 22, destino onde pretende reencontrar o filho de 15 anos. Emocionada, agradeceu a ajuda recebida. A Justiça Federal determinou ainda que o Governo do Pará e o Itamaraty prestem assistência consular em até 48 horas para regularizar sua documentação e obter os vistos necessários para a Colômbia e o Panamá. Fatmata relata que saiu de São Paulo, onde vivia havia 18 anos, e enfrentou assaltos no Peru e em Belém durante a viagem. Após perder uma passagem já comprada para o Panamá, ficou sem recursos para seguir viagem. Apesar de ter conseguido emitir um novo passaporte, permaneceu vivendo no aeroporto por se sentir mais segura no local. O caso mobilizou órgãos públicos, voluntários e entidades de defesa dos direitos humanos, que denunciam abandono institucional e situação de vulnerabilidade da imigrante.


PROFESSOR É CONDENADO A 178 ANOS E  MESES

O professor de jiu-jitsu Alcenor Alves Soeiro foi condenado a 178 anos e 5 meses de prisão, além de 3 anos de detenção e multa, por abusos sexuais contra alunos no Amazonas. A sentença foi publicada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas na quinta-feira (18). Os crimes ocorreram entre 2011 e 2018 contra adolescentes que treinavam sob sua orientação. As investigações começaram após denúncias de três ex-alunos e revelaram ao menos 12 vítimas. Preso desde 2024, Alcenor também atuava como diretor de alto rendimento em uma escola particular de Manaus. Segundo a polícia, ele usava sua posição para se aproximar dos jovens, oferecendo viagens, presentes e apoio em competições. A Justiça determinou o cumprimento da pena em regime fechado, manteve a prisão preventiva e fixou indenizações por danos morais às vítimas, variando de R$ 5 mil a R$ 50 mil.

LEI SECA: 18 ANOS

A Lei Seca completou 18 anos ontem, 19, com resultados expressivos na redução de mortes no trânsito relacionadas ao álcool. Desde a adoção da tolerância zero para motoristas alcoolizados, a taxa de óbitos caiu 19,5% entre 2010 e 2024, segundo estudo do Cisa. Apesar do avanço, os dados mais recentes preocupam. Em 2024, mais de 13 mil pessoas morreram em acidentes ligados ao consumo de álcool, alta de 6,2% em relação a 2023. Homens representam 86,7% das vítimas fatais e 81,5% das internações. Em 2025, o país registrou quase 103 mil hospitalizações por acidentes relacionados ao álcool, aumento de 1,9%. Levantamento do Ipea mostra que motociclistas são os mais vulneráveis: em 2023, responderam por 40% das mortes no trânsito. O estudo também aponta desigualdades regionais, com 18 estados acima da média nacional de óbitos, incluindo Tocantins, Piauí e Mato Grosso. Espírito Santo, Pará e Acre lideram em número de internações.

MÃE DIZ QUE ATESTADO DE ÓBITO DA FILHA ESTAVA PRONTO

A mãe da juíza Mariana Francisco Ferreira afirmou à Polícia Civil que o médico Maurício Ligabô já estava com o atestado de óbito preparado quando comunicou a morte da magistrada, em 6 de maio, após complicações de uma coleta de óvulos para fertilização in vitro. Segundo o depoimento, Ligabô também teria se oferecido para ajudar nos trâmites funerários e indicado contatos em funerárias da região. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio culposo. Mariana, de 34 anos, sofreu uma hemorragia após o procedimento e morreu no Hospital e Maternidade Mogi Mater. A investigação apura se houve falha médica ou complicações inerentes ao tratamento. A mãe relatou que a filha sentiu dores intensas após receber alta e retornou à clínica com sangramento. Segundo ela, Mariana perdeu cerca de dois litros de sangue e foi levada ao hospital em carro particular, sem ambulância. A defesa de Ligabô negou que o atestado estivesse pronto antecipadamente e afirmou que o documento foi elaborado por uma junta médica. O hospital informou que colabora com as investigações e não comentará detalhes clínicos por sigilo médico e pela LGPD.

Santana, 20 de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


CHINA PROTEGE O DIPLOMA NO MERCADO


A segunda maior economia do mundo formou uma geração sob a promessa de que o diploma garantiria proteção no mercado. Agora, muitos desses jovens estão sendo direcionados para cursos técnicos. Nos últimos dias, ganhou força a notícia de que a China teria extinguido 12 mil cursos universitários para se adaptar à inteligência artificial. Na prática, foram 12.200 ofertas de cursos suspensas ou revogadas entre 2021 e 2025, enquanto 10.200 novas foram abertas. O movimento indica mais uma reorganização do que um desmonte do ensino superior. O Ministério da Educação chinês afirma que a medida busca alinhar as graduações ao 14º Plano Quinquenal, reduzindo áreas saturadas, como marketing e tradução, e ampliando vagas em robótica, biomanufatura e IA. Também promete requalificar trabalhadores afetados pela automação. Em 2018, estimativas apontavam que a automação eliminaria milhões de empregos, mas criaria ainda mais vagas. A previsão falhou porque se acreditava que o impacto seria maior sobre atividades manuais. O avanço da IA mostrou o contrário: empregos cognitivos e altamente qualificados tornaram-se os mais vulneráveis.

Sem respostas definitivas, a China tenta conter os efeitos. Tribunais barraram demissões motivadas por IA e o governo criou mecanismos para monitorar a destruição de postos de trabalho. No Brasil, a FGV calcula que quase 30 milhões de trabalhadores atuam em funções expostas à IA generativa. Estudo da ESPM mostra que profissionais com ensino superior concentram a maioria das ocupações mais vulneráveis, incluindo contadores, juízes e economistas. Os próximos anos revelarão se os modelos educacionais conseguirão preparar as sociedades para essa transformação. A China aposta em planejamento centralizado; o Brasil deixa a adaptação mais nas mãos do mercado. A inteligência artificial enfraqueceu a antiga certeza de que apenas estudar garante proteção profissional. Resta saber como governos responderão a essa nova realidade. 

PAGAMENTOS EXORBITANTES NO JUDICIÁRIO


O presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu ontem, 19, a existência de casos de magistrados que receberam valores acima do teto constitucional sem justificativa. Segundo ele, a própria Corregedoria Nacional de Justiça já determinou a devolução de pagamentos considerados exorbitantes. Fachin comentou o trabalho do grupo criado no CNJ para revisar os chamados “penduricalhos” do Judiciário. Ele espera que, até julho, o STF conclua o julgamento que estabelece regras para verbas indenizatórias e que, até novembro, seja apresentado um anteprojeto de lei federal sobre o tema. O grupo de trabalho é formado por cinco juízes que receberam, em 2025, rendimentos acima do teto constitucional, com ganhos brutos anuais de até R$ 2,1 milhões. Em março, o STF fixou limites provisórios para os penduricalhos até que o Congresso aprove legislação específica. Pela decisão, verbas indenizatórias não podem superar 70% do salário dos magistrados, permitindo remuneração mensal de até cerca de R$ 78,8 mil.

Fachin defendeu maior transparência sobre os rendimentos da magistratura. Segundo ele, a população tem o direito de conhecer os valores recebidos por juízes, que têm o dever de divulgar essas informações. Durante o evento Justiça do Amanhã, no Rio de Janeiro, o presidente do STF também afirmou esperar a criação, em breve, de um código de ética para a Corte. O texto deverá estabelecer regras sobre participação de ministros em palestras, cursos e eventos. A ministra Cármen Lúcia, relatora da proposta, está elaborando o projeto que será discutido pelo tribunal. Ela também participou do evento, que reuniu presidentes de tribunais superiores para debater os desafios do Judiciário. 

GOVERNO COBRA R$ 1 MILHÃO DA ONG INSTITUTO CONHECER BRASIL


O Governo do Distrito Federal cobra R$ 1 milhão do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, por supostas falhas na execução de um convênio na área de educação. Segundo a Secretaria de Educação, a entidade entregou kits de robótica com problemas de funcionamento, não prestou suporte técnico adequado e deixou de apresentar a documentação final do projeto Steam Maker. Em 12 de junho, a Fundação de Apoio à Pesquisa do DF rejeitou preliminarmente as contas referentes a um aditivo de R$ 1 milhão e abriu prazo de 15 dias para defesa da ONG. O convênio foi firmado em 2023 por R$ 4 milhões e ampliado para R$ 5 milhões em 2025. O governo avalia também revisar toda a parceria para verificar possíveis débitos adicionais. O projeto previa a instalação de laboratórios maker em escolas públicas, com notebooks, impressoras 3D e equipamentos de robótica para atender ao menos 500 alunos. Relatórios de visitas às escolas registraram reclamações de professores sobre falhas nos equipamentos, falta de treinamento e suporte insuficiente. Em alguns casos, houve relatos de reparos improvisados com fita crepe devido à fragilidade dos materiais.

Apesar das queixas, a primeira etapa do convênio, de R$ 4 milhões, teve as contas aprovadas pelo governo. A Secretaria de Educação informou que nem todas as metas previstas foram comprovadas e que a prestação de contas final segue pendente. Karina alegou que ainda aguardava dados complementares, incluindo um artigo científico da USP, e pediu mais prazo para concluir o relatório, mas o pedido foi negado. Em nota, o ICB contestou a interpretação de inexecução do projeto, afirmando que as atividades foram realizadas e que documentos comprobatórios já foram apresentados ou estão em fase de complementação. A entidade ressaltou que o processo ainda está em fase de defesa. Karina também é sócia da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Além desse convênio, o ICB possui contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para fornecer internet em comunidades de baixa renda.

 

ACORDO IRÃ X EUA ENFRENTA VIOLÊNCIA NO LÍBANO


Pouco depois de ser assinado, o acordo entre Irã e Estados Unidos já enfrenta ameaças devido à escalada da violência no Líbano, onde Israel afirmou que manterá operações contra o Hezbollah. Bombardeios israelenses deixaram ao menos 18 mortos e 33 feridos durante a noite, segundo o Ministério da Saúde libanês. Israel também confirmou a morte de quatro soldados, incluindo um oficial de alta patente. Os ataques foram os mais intensos desde o anúncio do cessar-fogo, firmado na segunda-feira, que previa a suspensão dos confrontos em todas as frentes, inclusive no Líbano. A guerra, iniciada após ataques de EUA e Israel ao Irã em fevereiro, provocou milhares de mortes e afetou a economia global, especialmente pelo fechamento do Estreito de Ormuz. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o Exército permanecerá no Líbano pelo tempo necessário e prometeu responder a qualquer ação do Hezbollah. O grupo, por sua vez, afirmou que seguirá em alerta.

No campo diplomático, a Suíça adiou, sem nova data, as negociações entre Teerã e Washington sobre o programa nuclear iraniano. Apesar do acordo assinado por Donald Trump e Masoud Pezeshkian, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, aprovou o documento com ressalvas e afirmou que futuras negociações não significam aceitar as posições dos EUA. O tráfego no Estreito de Ormuz começou a ser retomado, mas operações de remoção de minas continuam. Nos Estados Unidos, o acordo enfrenta críticas por conceder benefícios econômicos ao Irã sem exigir o fim de sua infraestrutura nuclear. O negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou que Teerã manterá suas “linhas vermelhas” e advertiu que responderá com força a qualquer ameaça. Enquanto isso, muitos iranianos demonstram ceticismo sobre a duração da trégua.