Pesquisar este blog

segunda-feira, 1 de junho de 2026

CUSTOS ADICIONAIS NAS CONTAS DE LUZ ATÉ 2050


Levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia estima que decisões do governo Lula e do Congresso gerarão até R$ 985 bilhões em custos adicionais nas contas de luz até 2050. O valor inclui despesas ligadas ao acordo de Itaipu, incentivos a energias renováveis, subsídios e contratação de fontes para garantir o fornecimento em horários críticos. Segundo o estudo, os novos encargos equivalem a quase R$ 1 trilhão, sem considerar reajustes tarifários, inflação ou bandeiras. O Ministério de Minas e Energia (MME) contestou a metodologia, afirmando que ela ignora benefícios como segurança energética, expansão da infraestrutura, modernização do setor e geração de empregos. Especialistas apontam que o setor elétrico enfrenta problemas estruturais causados pela rápida expansão das energias renováveis e da geração distribuída por painéis solares. O crescimento dessas fontes elevou os desafios para equilibrar oferta e demanda, especialmente no horário de pico. O principal foco das críticas é o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), realizado em 2026. Segundo cálculos do setor, o certame poderá acrescentar R$ 546 bilhões às tarifas futuras. Empresas e entidades industriais afirmam que o volume contratado foi excessivo e encarecerá a energia para consumidores e empresas.

Outro alvo de críticas são os chamados “jabutis” incluídos pelo Congresso em projetos do setor elétrico. Emendas inseridas no marco legal das eólicas offshore criaram obrigações e subsídios que, segundo estimativas, acrescentarão R$ 197 bilhões em custos ao longo de 25 anos. Representantes da indústria defendem uma reforma ampla do setor a partir de 2027 para reduzir subsídios, aumentar a eficiência e conter o avanço das tarifas. Já o MME sustenta que suas medidas integram uma estratégia de modernização e destaca economias obtidas com renegociação de contratos e mudanças regulatórias. Embora reconheçam avanços recentes, especialistas afirmam que ainda falta uma política integrada capaz de resolver os desequilíbrios estruturais do sistema elétrico brasileiro e evitar novos aumentos na conta de luz.

 

TRUMP PERDE APOIO DE HOMENS ENTRE 18 A 29 ANOS


Pesquisas recentes mostram queda no apoio a Donald Trump entre homens de 18 a 29 anos, um dos grupos mais importantes para sua eleição. Em março, levantamento da Reuters apontou recuo de dez pontos percentuais na aprovação do presidente entre jovens. Antes, pesquisa da Third Way já registrava 66% de desaprovação nesse segmento. O Yale Youth Poll também encontrou rejeição majoritária a Trump entre jovens eleitores e vantagem democrata nas intenções de voto para as eleições legislativas de 2026. Embora Trump não possa disputar novamente a Presidência, os números indicam desgaste político em um grupo visto como símbolo da renovação geracional da direita americana. Os dados não sugerem abandono das posições conservadoras nem aproximação automática dos democratas. O que parece enfraquecido é a capacidade de Trump de manter as promessas que fortaleceram sua conexão com esse eleitorado. Sua narrativa associava dificuldades econômicas, identidade masculina e crítica ao sistema político. Para muitos jovens preocupados com moradia, custo de vida, perspectivas de futuro e conflitos internacionais, Trump prometia prosperidade, valorização da masculinidade e menos envolvimento em guerras.

Mais de um ano após a eleição, porém, a moradia continua cara, a renda não avançou como esperado e questões externas seguem ocupando espaço central na política americana. Isso pode estar contribuindo para a perda de apoio. A aproximação dos homens jovens à direita costuma ser explicada como reação ao feminismo e às pautas de igualdade. Embora o fator de gênero seja importante, a combinação entre masculinidade, ressentimento e promessa de melhora econômica tem sido decisiva para lideranças conservadoras em vários países. As pesquisas sugerem que identidades políticas construídas sobre essa base podem perder força quando os resultados materiais prometidos não se concretizam. Nesse cenário, gestos simbólicos ou apelos à masculinidade dificilmente serão suficientes para recuperar o apoio. Para muitos jovens, a cobrança agora parece ser por resultados concretos.

BRASILEIROS DEIXAM PORTUGAL


Portugal registrou um crescimento expressivo da imigração nos últimos anos, com os brasileiros formando a maior comunidade estrangeira, somando mais de 480 mil residentes oficiais. No entanto, essa tendência começa a mudar, e muitos estão deixando o país. Segundo o jornal Expresso, cresce o número de imigrantes que retornam ao Brasil ou seguem para a Espanha, sobretudo brasileiros. Embora as estatísticas oficiais não retratem com precisão essas saídas, associações, advogados e grupos de apoio confirmam o movimento. A Organização Internacional para as Migrações também registrou aumento nos pedidos de retorno ao Brasil em 2025 e nos primeiros meses de 2026. Entre os principais motivos está o elevado custo de vida. A habitação em Lisboa atingiu níveis recordes, consumindo parcela significativa da renda das famílias. Além disso, alimentação e combustíveis ficaram mais caros. O cenário político também contribui para a insatisfação. Com o governo de centro-direita apoiado pela ultradireita, foram aprovadas leis que endurecem as regras para entrada, residência, nacionalidade e reunificação familiar de imigrantes.

Diante dessas dificuldades, muitos brasileiros avaliam que permanecer em Portugal já não compensa. Ao mesmo tempo, a Espanha atrai mais interesse após aprovar um programa de regularização que pode beneficiar cerca de 500 mil imigrantes indocumentados. Para Portugal, a saída de estrangeiros pode representar um desafio, já que eles são fundamentais para setores como turismo, restauração, agricultura e construção civil, em um país próximo do pleno emprego.

 

GOVERNO TRUMP E A DETENÇÃO DE IMIGRANTES


Grupos de defesa dos direitos civis processaram autoridades dos EUA por supostas violações de direitos humanos no Camp East Montana, em El Paso (Texas), o maior centro de detenção de imigrantes do país. A ação foi apresentada pela ACLU e outras organizações em nome de quatro detentos e tem como alvo o ICE e o Departamento de Segurança Interna (DHS). Segundo a denúncia, mais de 2.700 imigrantes enfrentam condições degradantes, incluindo confinamento em espaços sem janelas, violência de guardas, atendimento médico e psicológico inadequado, uso excessivo de isolamento e exposição a doenças como sarampo e tuberculose. Três pessoas morreram nos nove meses desde a inauguração do centro. O DHS rejeitou as acusações, afirmando que não há abusos nem negação de assistência médica. Ainda assim, uma inspeção realizada em fevereiro identificou 49 violações dos padrões de detenção, incluindo falhas no uso da força e no atendimento médico.

Entre os autores da ação estão o venezuelano Erik Ivan Rodriguez e o camaronês Gerald Akari Angye, que relatam agressões físicas por agentes. O processo também cita a morte do cubano Geraldo Lunas Campos, classificada como homicídio por médicos legistas, embora autoridades inicialmente tenham atribuído o caso a um problema médico. A ação busca melhorar as condições no centro, em meio ao aumento das detenções de imigrantes durante o governo Trump. Em 2025, as mortes sob custódia da imigração americana atingiram o maior nível em duas décadas. 

COLÔMBIA: SEGUNDO TURNO EM 21 DE JUNHO


A presidência da Colômbia será decidida em segundo turno, em 21 de junho, entre Iván Cepeda, da esquerda, e Abelardo de la Espriella, da direita. Com mais de 90% das urnas apuradas, De la Espriella obteve 43% dos votos, contra 41% de Cepeda. Como nenhum candidato superou 50%, a disputa segue para nova votação. A eleição ocorreu de forma pacífica, mas foi marcada pela forte polarização entre defensores da continuidade das políticas de Gustavo Petro e eleitores que exigem mudanças, mais segurança e apoio à iniciativa privada. A esquerda concorreu unida, enquanto a direita se apresentou dividida e o centro teve desempenho fraco. De la Espriella, advogado e empresário de 47 anos, ganhou projeção com um discurso de direita radical. Defende combate duro ao crime, fortalecimento das Forças Armadas, livre iniciativa e valores conservadores. Admirador de líderes como Nayib Bukele, Donald Trump e Javier Milei, promete crescimento econômico e programas sociais financiados pela expansão da economia.

Já Iván Cepeda, de 63 anos, é senador e histórico defensor dos direitos humanos. Filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, atuou em negociações de paz e na defesa das vítimas do conflito armado. Sua proposta é dar continuidade às reformas sociais de Petro, ampliar a participação do Estado na economia, reduzir desigualdades e manter o diálogo com grupos armados em busca da paz. O segundo turno colocará frente a frente duas visões opostas para o futuro da Colômbia: a continuidade do projeto progressista de Petro ou uma guinada conservadora liderada por De la Espriella.

 

ARÁBIA SAUDITA BUSCA REDUZIR DEPENDÊNCIA DO PETRÓLEO



Os megaprojetos lançados pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman (MBS), dentro do programa Visão 2030, prometiam transformar a Arábia Saudita em uma potência tecnológica e econômica pós-petróleo. Financiados pelo gigantesco fundo soberano saudita, projetos como Neom, The Line, Trojena e The Cube ganharam fama mundial por sua escala futurista. Com a queda das receitas do petróleo, a guerra no Oriente Médio e a falta de investimentos estrangeiros esperados, muitos desses empreendimentos foram reduzidos, adiados ou abandonados. O projeto The Line encolheu, Trojena perdeu os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029 e o megacomplexo The Cube foi cancelado. Analistas apontam que o país repete um padrão histórico de anúncios grandiosos seguidos por revisões drásticas. Críticos atribuem parte dos problemas à falta de planejamento realista, à centralização das decisões e à repressão política, que afasta investidores. Apesar disso, o Visão 2030 produziu mudanças importantes. Houve avanços sociais, como a ampliação de direitos das mulheres, além da expansão do entretenimento e do turismo. Projetos mais viáveis, como Diriyah, AlUla e resorts no Mar Vermelho, continuam avançando.

O governo agora prioriza metas mais realistas, eficiência nos gastos e resultados concretos. Autoridades sauditas afirmam que a estratégia entrou em uma fase de execução, substituindo o foco em anúncios grandiosos. Mesmo com dificuldades, a Arábia Saudita conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2034 e mantém o objetivo de diversificar sua economia. O desafio é transformar ambição em resultados sustentáveis, preservando a confiança de investidores e reduzindo a dependência do petróleo.

 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 1º/6/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

"O Brasil não se uniu por uma política antidrogas"

Jurista mostra que dificuldade de combinar visões sobre como combater CV e PCC facilitou avanço das facções. E que o enquadramento como terroristas pelos Estados Unidos tem como pano de fundo a política expansionista norte-americana

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Com maior gasto por aluno, Estado do Rio está em penúltimo lugar na educação do país

Investimento é de R$ 19,5 mil por estudante ao ano, segundo Movimento EducAçãoRio; especialistas apontam falhas de gestão e falta de prioridade política

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Pacotão pró-partidos atinge fiscalização da Justiça Eleitoral e pode não valer para 2026

Minirreforma aprovada em maio reafirma entendimentos do STF, mas pode ter trechos inconstitucionais Tramitação na Câmara foi relâmpago; Senado é mais resistente e pode aparar arestas da proposta

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

A guerra invisível que está confundindo sinais de GPS e colocando aviões em risco

Supostamente, o avião estava voando a apenas 11 quilômetros por hora sobre um lago perto de São Petersburgo.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Empresários esperam que EUA apliquem novas tarifas contra o Brasil nesta semana

Decisão norte-americana contraria acordo prévio entre Lula e Trump e pode impactar a balança comercial entre os dois países

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Quebra histórica. Portugal torna-se um dos países da UE com menos crianças

Fundação Francisco Manuel dos Santos traça retrato da população com menos de 12 anos na União Europeia. Portugal deixou de ser o segundo país da UE com mais crianças em 1975 para ser o quarto com menos. Cenário passa pelas questões económicas, sendo o país um dos que tem a maior carga horária semanal de trabalho.

domingo, 31 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


PACHECO DEIXA A POLÍTICA

O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) anunciou na sexta-feira, 29, que não disputará o governo de Minas Gerais nas eleições de outubro e pretende encerrar sua trajetória política ao fim do mandato. A decisão foi comunicada durante encontro com empresários em São Paulo, encerrando especulações sobre sua candidatura ao Palácio Tiradentes. Pacheco afirmou que deixará a política após concluir um ciclo de 12 anos na vida pública, período em que foi deputado federal, senador e presidente do Senado e do Congresso Nacional. Segundo ele, a decisão foi amadurecida após deixar a presidência do Senado, em fevereiro. O senador disse estar tranquilo com a escolha e avaliou que Minas Gerais possui nomes qualificados para disputar o governo e representar o estado no Congresso. Sem declarar apoio formal, citou o empresário Josué Gomes e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares. Pacheco afirmou deixar a vida pública com sentimento de missão cumprida e confiança na renovação política. Com forte projeção nacional, era apontado como um dos favoritos na disputa pelo governo mineiro. 


FGV INDICA ESPANHA COMO CAMPEÃ DA COPA

Um modelo estatístico criado por estudantes da FGV EMAp aponta a Espanha como principal favorita ao título da próxima Copa do Mundo, com 15,57% de chance de conquista. A Argentina aparece em segundo lugar (13,62%), seguida pela Inglaterra (9,24%). O Brasil ocupa apenas a nona posição, com 4,68% de probabilidade de conquistar o hexacampeonato. O estudo utiliza modelagem matemática e inferência bayesiana, analisando 2.997 partidas entre 187 seleções disputadas nos últimos quatro anos. Cada jogo da Copa é simulado cerca de 100 mil vezes para calcular as chances de classificação e título. Segundo os pesquisadores, fatores individuais, como a presença de Neymar, são difíceis de mensurar diretamente, mas acabam refletidos nos resultados históricos das seleções. Na fase de grupos, o Brasil teria 32,4% de chance de vencer Marrocos, 87,5% contra o Haiti e 61,7% diante da Escócia. As projeções indicam 96,4% de possibilidade de avançar ao mata-mata, mas apontam uma provável eliminação para a Inglaterra nas quartas de final.


PAIS VENDEM FILHAS 

A crise humanitária no Afeganistão atinge níveis dramáticos. Em Chaghcharan, centenas de homens disputam diariamente raras oportunidades de trabalho, enquanto milhões enfrentam fome extrema. Segundo a ONU, três em cada quatro afegãos não conseguem suprir necessidades básicas, e 4,7 milhões estão à beira da fome. O desemprego e os cortes na ajuda internacional levam famílias a medidas desesperadas. Pais admitem vender filhas para casamento ou trabalho doméstico em troca de recursos para alimentar os demais filhos ou custear tratamentos médicos. A situação é agravada pela seca, pelo colapso econômico e pela redução de 70% da ajuda internacional. Hospitais sofrem com falta de medicamentos e equipamentos, enquanto aumentam os casos de desnutrição infantil. Em Chaghcharan, médicos relatam mortalidade elevada entre recém-nascidos e crianças. Muitas famílias retiram os filhos do hospital por não conseguirem pagar os custos do tratamento. Para milhões de afegãos, a sobrevivência depende da chegada urgente de ajuda humanitária.

PCC E CV NO CONGRESSO

A classificação de facções como PCC e CV como organizações terroristas foi discutida durante a tramitação do PL Antifacção, mas acabou rejeitada pelo Congresso. O projeto, que endureceu as penas contra o crime organizado, foi aprovado amplamente na Câmara e por unanimidade no Senado. Inicialmente, o relator, Guilherme Derrite, propôs equiparar facções a grupos terroristas, transferindo crimes graves para a Lei Antiterrorismo, com penas de 20 a 40 anos. Porém, diante de críticas sobre possíveis impactos na soberania nacional, retirou o trecho. A oposição ainda tentou reintroduzir a medida durante a votação, mas a iniciativa foi barrada. No Senado, o relator Alessandro Vieira rejeitou a equiparação, argumentando que facções não possuem motivação política ou ideológica, mas financeira, e que a legislação atual já oferece instrumentos suficientes para combatê-las. Embora tenha solicitado aos EUA a classificação de PCC e CV como organizações terroristas, o senador Flávio Bolsonaro não participou da votação da emenda que previa essa equiparação. Segundo sua assessoria, ele estava fora do plenário e teria votado a favor da proposta caso estivesse presente.

FIFA É INVESTIGADA POR PREÇOS NA COPA

A Fifa está sendo investigada por autoridades de Nova York e Nova Jersey após acusações de inflar artificialmente os preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026 e enganar torcedores durante as vendas. Os procuradores-gerais dos dois estados abriram uma apuração sobre possíveis práticas abusivas. Segundo as denúncias, a criação de categorias mais caras de assentos e a adoção de preços dinâmicos elevaram os valores de cerca de 90 das 104 partidas, com aumento médio de 34%. Torcedores também alegam ter sido induzidos ao erro sobre a localização dos assentos adquiridos. A investigação avaliará o cronograma de vendas, declarações públicas da Fifa e os motivos para os ingressos custarem mais do que em edições anteriores do torneio. A Fifa foi intimada a fornecer informações, mas não comentou o caso. Autoridades afirmam que os consumidores merecem transparência, preços justos e garantia de receber exatamente os ingressos comprados. A apuração ocorre em meio a críticas aos altos custos relacionados ao Mundial.

Salvador, 31 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

TRADUÇÃO LITERÁRIA TRANSFORMADA EM ATIVIDADE AUTOMATIZADA


A expansão da inteligência artificial ameaça transformar a tradução literária em uma atividade automatizada, orientada pela redução de custos e pela rapidez. O autor defende que traduzir é uma arte, retomando a ideia de Italo Calvino de que o tradutor busca transmitir aquilo que há de intraduzível em cada língua. 
O texto critica a invisibilidade dos tradutores, frequentemente ignorados por leitores, influenciadores, editoras e instituições públicas. Como exemplo, cita o programa MEC Livros, que muitas vezes não informa os nomes dos responsáveis pelas traduções. A tradução é apresentada como uma ponte entre culturas, essencial para ampliar horizontes, combater o isolamento cultural e enfrentar discursos autoritários e nacionalistas. Nesse contexto, são lembrados pensadores e tradutores como Cesare Pavese, Paulo Rónai e Giorgio Agamben, que destacaram a importância cultural, política e artística da atividade.

O autor também questiona o crescimento das traduções indiretas e do uso da IA em obras literárias, alertando para possíveis perdas de qualidade, diversidade linguística e profundidade interpretativa. Embora reconheça os benefícios das novas tecnologias, defende que elas sejam utilizadas com cautela e não substituam o trabalho criativo dos tradutores. Por fim, argumenta que preservar a tradução como arte é uma forma de resistência à lógica do mercado, que privilegia velocidade, inovação e lucro. Valorizar os tradutores significa defender o diálogo entre culturas, a diversidade de vozes e a capacidade humana de interpretar e recriar sentidos além do alcance das máquinas.

 

ELEIÇÃO NA COLÔMBIA EM CLIMA DE MEDO E INSEGURANÇA


A morte do pré-candidato presidencial colombiano Miguel Uribe Turbay, dois meses após sofrer um atentado em 2025, reacendeu na Colômbia lembranças dos anos mais violentos do país, marcados por assassinatos políticos, atentados e sequestros. Embora a violência tenha diminuído desde o acordo de paz com as Farc em 2016, ela não desapareceu, apenas se transformou e se fragmentou. A eleição presidencial ocorre, neste domingo, em meio a um clima de medo e insegurança. O assassinato de Uribe tornou-se símbolo das dificuldades do país em superar seu passado violento. Pesquisas mostram que a segurança voltou a ser uma das principais preocupações dos eleitores. O presidente Gustavo Petro apostou na política de “Paz Total”, buscando negociar com diversos grupos armados. No entanto, críticos afirmam que a estratégia fortaleceu organizações criminosas e ampliou a sensação de insegurança. Entre os principais candidatos estão Iván Cepeda, aliado de Petro e defensor da continuidade da Paz Total; Paloma Valencia, apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe e defensora de uma política de segurança mais rígida; e Abelardo de la Espriella, que propõe medidas inspiradas no modelo de Nayib Bukele, de El Salvador.

Especialistas apontam que nenhum dos candidatos apresenta soluções realmente novas para enfrentar a atual configuração da violência colombiana. Enquanto Cepeda aposta em transformação social e diálogo, Valencia defende o fortalecimento das Forças Armadas, e De la Espriella promete endurecimento penal e interrupção de negociações com grupos armados que descumprirem acordos. Analistas destacam que a violência atual é mais regionalizada e ligada ao crime organizado do que aos antigos conflitos ideológicos. Extorsões e sequestros cresceram, e grupos criminosos ampliaram sua presença em várias regiões. A campanha reflete uma sociedade dividida pelo medo: parte teme o retorno da repressão política, outra teme avanços da esquerda sobre a economia, e muitos se preocupam com a criminalidade cotidiana. A violência mudou, mas continua influenciando decisivamente a política colombiana. A eleição ocorre sob o peso dessa ferida ainda aberta, que segue moldando o futuro do país.

 

GASTOS DA RÚSSIA NA UCRÂNIA ULTRAPASSAM ORÇAMENTO


Os gastos da Rússia com a Guerra da Ucrânia podem ultrapassar o orçamento em pelo menos 2 trilhões de rublos (US$ 28 bilhões) em 2026, segundo documento obtido pelo Financial Times. O Ministério das Finanças prevê que o excedente pode chegar a 4 trilhões de rublos em um cenário negativo. A projeção indica despesas adicionais semelhantes em 2027 e 2028. Para compensar, o governo propôs congelar 2,9 trilhões de rublos em gastos não militares neste ano, além de cortes maiores nos anos seguintes. Mesmo destinando quase 40% do orçamento de 2026 para defesa e segurança, o Kremlin enfrenta crescente pressão fiscal. O déficit previsto para o ano era de 3,8 trilhões de rublos, mas já alcançou 5,9 trilhões nos quatro primeiros meses, equivalente a 2,5% do PIB. A alta do petróleo provocada pela guerra no Irã aumentou as receitas russas, mas não deve ser suficiente para cobrir os custos crescentes do conflito. O ministro das Finanças, Anton Siluanov, afirmou que o orçamento está sendo revisado e admitiu a possibilidade de novos cortes. Segundo ele, as reservas do país são limitadas e o governo busca equilibrar as contas públicas diante das mudanças econômicas globais.

Ao mesmo tempo, o cenário econômico se deteriora. O Ministério da Economia reduziu a previsão de crescimento para 2026 de forma significativa, projetando expansão de apenas 0,4%. Economistas apontam que o orçamento se tornou a principal preocupação do país. Crescem as dúvidas sobre novos impostos, cortes de gastos e redução dos juros. Parlamentares e analistas também passaram a relacionar diretamente os problemas econômicos ao peso dos gastos militares. Críticos afirmam que a prioridade dada à guerra reduz investimentos, pressiona a inflação e limita recursos para áreas sociais e produtivas. Ex-integrantes do governo avaliam que Moscou está priorizando o financiamento do conflito em detrimento de subsídios, compras públicas e investimentos estatais, evidenciando o impacto crescente da guerra sobre as finanças russas. 

FUNDO CRIADO POR TRUMP PARA RECONSTRUIR GAZA NÃO RECEBEU RECURSOS


O fundo oficial do Conselho da Paz criado por Donald Trump para coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza permanece sem recursos quatro meses após sua criação. Embora países membros tenham prometido cerca de US$ 7 bilhões e Trump tenha anunciado outros US$ 10 bilhões em apoio americano, nenhuma quantia foi depositada no fundo administrado pelo Banco Mundial. Segundo pessoas envolvidas no projeto, as doações vêm sendo feitas diretamente para uma conta do conselho no JPMorgan, sem os mesmos mecanismos independentes de transparência exigidos do fundo supervisionado pelo Banco Mundial e apoiado pela ONU. Recursos enviados por Marrocos e Emirados Árabes Unidos financiaram apenas despesas administrativas, incluindo o escritório do enviado especial para Gaza e um comitê tecnocrático palestino criado para governar o território. Outros US$ 100 milhões destinados pelos Emirados ao treinamento de uma nova força policial permanecem congelados. O Departamento de Estado dos EUA planeja redirecionar cerca de US$ 1,2 bilhão para iniciativas ligadas à agenda do conselho, mas nenhum valor foi gasto até agora. Também segue pendente uma proposta de transferência de US$ 50 milhões para custear operações do organismo, condicionada à criação de controles financeiros adequados.

Embora o conselho já tenha iniciado processos de licitação para obras de segurança e reconstrução, nenhum contrato foi firmado. Seus representantes afirmam que a falta de condições políticas e de segurança em Gaza, especialmente pela ausência de desarmamento do Hamas, impede o início efetivo das atividades. Lançado por Trump em janeiro com a missão de coordenar a reconstrução do enclave palestino após a guerra, o conselho também enfrenta questionamentos jurídicos. Parlamentares americanos cobram esclarecimentos sobre seu status legal e sua elegibilidade para receber verbas federais. Há ainda dúvidas sobre a autoridade administrativa do organismo em Gaza, sua relação com a ONU e o que ocorrerá quando expirar o mandato transitório previsto em resolução do Conselho de Segurança. Enquanto isso, nenhum dos objetivos centrais do plano pós-guerra — desarmamento do Hamas, retirada israelense e reconstrução de Gaza — avançou. Segundo participantes do processo, nem um dólar americano foi aplicado na reconstrução até o momento. Integrantes do comitê afirmam que a falta de recursos inviabiliza qualquer atuação prática no território. Sem meios para atender à população ou executar projetos, o plano de reconstrução permanece paralisado.