As divergências entre as cortes não são inéditas. Em casos de cassação de mandatos, STF e TSE adotaram posições contrárias em 32,4% das situações analisadas. A diferença, segundo pesquisadores, está na intensidade da interferência do Supremo em decisões específicas da campanha. Advogados identificam uma divisão entre ministros: de um lado, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino; de outro, Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux. Três das sete cadeiras do TSE são ocupadas por integrantes do STF. Especialistas avaliam que os conflitos internos do Supremo passaram a atingir mais diretamente a Justiça Eleitoral, estimulando partidos a recorrer ao STF antes de esgotar as instâncias eleitorais. Em setembro, Nunes Marques alertou o presidente do STF, Edson Fachin, sobre a sobreposição de competências e os riscos de insegurança jurídica. Em resposta, Fachin estabeleceu novos controles para pedidos apresentados em processos já existentes no Supremo. Para pesquisadores, a disputa enfraquece a autoridade do TSE e ameaça a previsibilidade das decisões eleitorais. O cenário de 2026 é considerado excepcional, pois ministros do STF passaram a derrubar decisões eleitorais sobre casos concretos, inclusive às vésperas da votação, ampliando a crise institucional entre os tribunais.
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terça-feira, 13 de outubro de 2026
ELEIÇÕES E CONFLITOS ENTRE MINISTROS DO STF
MUSK DOOU MAIS DE US$ 276 MILHÕES AOS REPUBLICANOS
Nas últimas semanas, apareceram juntos em eventos públicos e trocaram elogios. Os investimentos também indicam que Musk pretende continuar influenciando a política americana em 2028. No Texas, o America PAC mobilizou quase três mil cabos eleitorais remunerados em uma semana. A estratégia prioriza eleitores conservadores que costumam participar pouco das eleições. Os materiais de campanha atacam adversários democratas e associam suas propostas ao socialismo. A organização também explora questões culturais, especialmente os direitos das pessoas transgênero. Gina Hinojosa, candidata democrata ao governo do Texas, é alvo de críticas sobre esse tema. James Talarico, candidato ao Senado, é acusado pelo grupo de defender uma agenda trans radical. Anúncios também questionam declarações anteriores de Talarico sobre religião e identidade de gênero. Outros candidatos democratas, como Josh Turek, de Iowa, também são atacados. O America PAC divulga mensagens que associam os democratas a políticos progressistas, como Zohran Mamdani e Alexandria Ocasio-Cortez.Porta-vozes do grupo afirmam que os investimentos ajudam os republicanos a enfrentar disputas apertadas. A ofensiva financeira de Musk reforça sua influência sobre o Partido Republicano e a estratégia eleitoral de Trump.
TRUMP IMPLANTA O TERROR CONTRA DEMOCRATAS
Omar integra a ala progressista democrata e representa um distrito eleitoral considerado seguro para o partido. Em 2024, ela foi reeleita com uma vantagem de 50 pontos percentuais. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, classificou a operação como profundamente perturbadora. Em declaração conjunta, dirigentes democratas questionaram o uso do governo federal contra adversários de Trump. Eles acusaram os republicanos de perseguir implacavelmente a deputada e prometeram cobrar responsabilização. O governador de Minnesota, Tim Walz, também criticou a ação e acusou Trump de abuso de poder. As normas do Departamento de Justiça proíbem ações investigativas destinadas a influenciar resultados eleitorais.Tradicionalmente, a pasta evita medidas contra candidatos nos 60 dias anteriores a uma votação. Durante seu segundo mandato, Trump viu o Departamento de Justiça investigar diversos adversários políticos. Entre eles estão o ex-diretor do FBI James Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James. Também foram investigados John Bolton, Adam Schiff e Lisa Cook, diretora do Federal Reserve. Omar considera assustadora a atenção que recebe do presidente, a quem acusa de manter uma obsessão contra ela. Trump também tem feito declarações hostis contra a comunidade somali-americana e os muçulmanos. Na semana passada, chamou o democrata Abdul El-Sayed de extremista radical e simpatizante de terroristas. O candidato disputa uma vaga no Senado por Michigan, e Trump declarou apoio ao adversário republicano Mike Rogers.
FAZENDEIROS AMEAÇAM INVADIR TERRAS INDÍGENAS NA AMAZÔNIA
Fazendeiros ameaçam invadir terras indígenas na Amazônia caso Flávio Bolsonaro vença as eleições de 2026, segundo áudios obtidos pela Folha. As ameaças envolvem a terra indígena Apyterewa, no Pará, onde vivem os parakanãs, povo de recente contato com não indígenas. O material indica que os invasores pretendem agir no dia do segundo turno, marcado para 25 de outubro. As mensagens mencionam a expectativa de que Flávio Bolsonaro e o governador eleito do Pará, Dr. Daniel, favoreçam os pecuaristas. Os fazendeiros pretendem ocupar a área e construir propriedades rurais dentro do território protegido. A reportagem reuniu oito áudios enviados por WhatsApp a indígenas nos últimos dias. Por razões de segurança, os nomes dos envolvidos e as transcrições das mensagens não foram divulgados. A Folha cruzou os metadados dos arquivos e ouviu investigadores para confirmar sua ligação com a região. As informações chegaram às autoridades federais e foram discutidas pelo Comitê de Desintrusão do governo Lula. Polícia Federal, Ibama, Funai e Ministério dos Povos Indígenas afirmaram que monitoram a situação. O Ministério dos Povos Indígenas anunciou o reforço das ações de segurança para prevenir novas ocupações ilegais. O Ibama também identificou sinais de mobilização em outras regiões amazônicas para retomar atividades de garimpo ilegal. Um agente da Polícia Federal classificou as informações sobre as ameaças aos parakanãs como sólidas e preocupantes. A Apyterewa possui histórico de invasões, violência e desmatamento, especialmente durante o governo Jair Bolsonaro.



