FUNCIONÁRIOS DO ITAMARATY RECLAMAM AUMENTO
Cerca de 3.400 trabalhadores contratados locais do Itamaraty fazem nesta terça-feira (1º) um protesto por melhores condições trabalhistas. Eles usarão roupas pretas em consulados e embaixadas de diversos países, dos Estados Unidos ao Japão. As principais reclamações são a defasagem salarial e a falta de critérios claros para reajustes. Desde 1993, esses funcionários são submetidos à legislação trabalhista do país onde trabalham. O Brasil mantém 228 postos diplomáticos em 138 países. O Itamaraty afirma que cumpre os reajustes previstos nas leis locais e revisou salários em 2023. Nos Estados Unidos, funcionários relatam forte aumento da demanda desde o início do segundo governo Trump. O crescimento envolve atendimento a imigrantes detidos, deportados e famílias desamparadas. Em Nova York, os atendimentos a brasileiros prestes a ser deportados passaram de 20 por mês para 80 por semana. Mais de 5.200 brasileiros foram deportados pelos EUA desde o início de 2025. Também aumentaram os pedidos de certidões para filhos de brasileiros nascidos nos EUA, com alta de 271% entre 2021 e 2025. Funcionárias reclamam ainda da falta de apoio às mães e de direitos trabalhistas uniformes entre os países.
O deputado argentino Nicolás Massot afirma que a maioria política da Argentina rejeita os ataques de Javier Milei a Lula. Ele lidera uma delegação de dez parlamentares que viaja a Brasília para reafirmar a importância da relação bilateral. O grupo terá reuniões com autoridades brasileiras, senadores e representantes do Itamaraty. Massot diz buscar um desagravo ao governo e ao povo brasileiro e a retomada do diálogo entre os países. Milei chamou Lula de ladrão, presidiário e “lixo socialista”, além de atacar o ministro Alexandre de Moraes. As declarações provocaram uma crise diplomática considerada sem precedentes nos últimos 40 anos. Brasil e Argentina convocaram seus embaixadores, e Brasília posteriormente rebaixou o nível das relações. Para Massot, a prioridade é restabelecer a presença dos embaixadores, embora isso dificilmente ocorra antes das eleições. O deputado critica ainda novas acusações de Milei contra Lula, feitas sem apresentar provas, de interferência eleitoral.
Segundo ele, a crise prejudica oportunidades comerciais e a coordenação entre os dois países no Mercosul. Massot afirma que a Argentina é a principal prejudicada, diante do maior peso econômico e regional do Brasil. Ele defende que Milei busque uma relação mais produtiva com Lula, independentemente das diferenças ideológicas.
Segundo ele, a crise prejudica oportunidades comerciais e a coordenação entre os dois países no Mercosul. Massot afirma que a Argentina é a principal prejudicada, diante do maior peso econômico e regional do Brasil. Ele defende que Milei busque uma relação mais produtiva com Lula, independentemente das diferenças ideológicas.
Donald Trump disse nesta segunda-feira (31) que não descarta revisar a posição de neutralidade dos EUA sobre a soberania das Ilhas Malvinas. Os Estados Unidos reconhecem a administração britânica do arquipélago, mas não apoiam formalmente nenhuma reivindicação de soberania. A Argentina, governada por Javier Milei, reivindica as ilhas, enquanto o Reino Unido mantém o controle. Segundo o Daily Telegraph, Trump poderia rever a posição para pressionar Londres a elevar seus gastos militares. Questionado sobre o tema, Trump afirmou que costuma revisar todas as posições do governo. A pressão ocorre em meio à cobrança para que aliados da Otan ampliem seus investimentos em defesa. Em abril, o Departamento de Estado afirmou que a neutralidade americana sobre as Malvinas permanecia inalterada. O Pentágono, porém, defende que aliados dos EUA atinjam uma meta de 5% dos gastos com defesa. A postura também reflete a insatisfação de Trump com países ocidentais que não apoiaram Washington na guerra contra o Irã. O Reino Unido inicialmente proibiu o uso de suas bases pelos EUA no conflito, mas depois mudou de posição. Quatro décadas após a Guerra das Malvinas, a disputa entre argentinos e britânicos continua. O conflito deixou 649 argentinos, 255 britânicos e três habitantes das ilhas mortos.
Além do contrato de cerca de R$ 131 milhões com o Banco Master, o escritório de Viviane Barci de Moraes firmou outro acordo de R$ 50 milhões com empresa de Daniel Vorcaro. Segundo relatório da Polícia Federal, o contrato foi assinado em maio de 2025 com a Viking Participações Ltda. O documento foi encontrado em mensagens entre Vorcaro e o advogado Leonardo Palhares. O acordo previa serviços jurídicos, consultoria administrativa, tributária e trabalhista. Também incluía atuação em inquéritos e processos judiciais em todas as instâncias. O pagamento de até R$ 50 milhões líquidos seria feito em 36 meses. O contrato permitia pagamento em dinheiro ou por meio de bens e serviços. Uma proposta previa R$ 40 milhões em cotas de um jatinho e um helicóptero. Os R$ 10 milhões restantes seriam destinados ao reembolso de despesas com as aeronaves. Segundo a PF, os bens pertenciam a empresas ligadas à Prime, grupo de Vorcaro. Documentos não esclarecem se a transferência das aeronaves chegou a ser efetivada. O escritório de Viviane negou novo vínculo com o Master e afirmou que a proposta não foi aceita nem assinada.
Mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro indicam proximidade entre o banqueiro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O advogado Ciro Soares aparece como principal interlocutor entre os dois. O relatório também aponta o custeio de despesas de uma viagem a Londres de Pedro Gonet, filho do PGR. As informações constam de relatório da PF tornado público nesta terça-feira (1º). O documento foi divulgado após decisão do ministro André Mendonça. O relatório foi elaborado com dados extraídos de um celular de Vorcaro. O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero. Deflagrada em novembro de 2025, a operação investiga suspeitas de fraudes entre Banco Master e BRB. Segundo a PF, as operações investigadas somariam cerca de R$ 12 bilhões. Vorcaro é apontado como líder das operações e foi preso, além de posteriormente sofrer novas medidas cautelares.
Um novo pedido de André Mendonça no caso Master expôs uma disputa de poder dentro do Supremo. A investigação passou a revelar acusações de interferência e desconfiança entre grupos de ministros. No entorno de Mendonça, há suspeitas de tentativas de limitar o alcance das apurações. A avaliação é de que relações de Daniel Vorcaro com políticos e integrantes do Judiciário devem ser investigadas. Aliados de Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues reagiram à atuação do relator. Há quem defenda questionar Mendonça por suposto desvio de finalidade e abuso de autoridade. Também existe a possibilidade de tentar retirá-lo da relatoria do caso Master. Ministros querem que o presidente do STF, Edson Fachin, leve a questão ao plenário. A crise alcança ainda o comando da Polícia Federal e o diretor-geral Andrei Rodrigues. No gabinete de Mendonça, defende-se maior escrutínio sobre a PF e investigações que atinjam ministros. A possível delação de Vorcaro é outro ponto de tensão, por seu potencial de atingir figuras poderosas. O caso Master tornou-se, assim, centro de uma disputa sobre investigação, PF e poder dentro do Supremo.
Salvador, 1º/09/2026
Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.