Da festa mexicana ao sucesso de Vozinha, relembre as histórias curiosas da Copa
- Catedral na Cidade do México vestiu estátua do Menino Jesus com uniforme da seleção
- Goleiro de Cabo Verde saltou de 50 mil para 29,3 milhões de seguidores no Instagram
Passei a semana em Nova York. Podem me chamar de turista, mas é realmente um lugar especial, com uma energia de "tudo pode acontecer hoje" que só foi reforçada pela Copa do Mundo. Fiquei impressionado com o quanto a cidade dos Knicks, Rangers, Yankees e Giants está envolvida com isso. (Um abraço para o porteiro que quis conversar sobre algo chamado "futebol" na minha primeira noite aqui!)
Foram cinco semanas intensas. Algumas delas foram polarizadoras: o presidente Donald Trump pressionando a Fifa para reintegrar um jogador americano que recebeu um cartão vermelho, por exemplo, ou o gol anulado do Egito contra a Argentina (e, aliás, o gol anulado da Alemanha contra o Paraguai). Outras foram puro futebol: minha partida favorita foi a incrível atuação de Cabo Verde contra a Argentina.
Mas toda Copa do Mundo também gera histórias de leveza e descontração. E, por isso, antes de nos acomodarmos para assistir à final no domingo, queríamos relembrar algumas delas hoje.
HISTÓRIAS DE AMOR ENTRE EQUIPES E SUAS CIDADES-SEDE
O Exército Tartan, também conhecido como os fãs da Escócia, tomou conta de Boston e encheu o ar com o som das gaitas de foles. De repente, bandeiras norueguesas começaram a ser hasteadas nas varandas das casas em Greensboro, na Carolina do Norte.
Mas talvez a história de amor que mais conquistou o coração do mundo neste torneio tenha sido a entre a seleção da Argélia e a cidade de Lawrence, no Kansas. Um morador, entrevistado antes da estreia da Argélia contra a Argentina, disse: "Messi já teve seus títulos. Já teve seu momento. Estou pronto para que esta seleção chegue e mostre a eles o que Lawrence, no Kansas, pode trazer para a Copa do Mundo."
A partida não correu exatamente como ela esperava —a Argélia perdeu por 3 a 0—, mas a história de amor continua.
O FASCÍNIO PELA CULTURA AMERICANA
Eu não sabia o que era um Buc-ee's (é uma rede de postos de gasolina no sul dos Estados Unidos). Acho que talvez nunca tenha provado molho ranch. Mas essa minha falta de familiaridade com esses ícones da cultura americana não me impediu de apreciar as histórias de outros estrangeiros que os descobriram pela primeira vez.
Gosto desta citação de Shaun Alexander, um escocês que passou parte do seu tempo a visitar algumas lojas Bass Pro Shops, que, segundo o meu editor, são lojas enormes de equipamentos de pesca e armas.
"É simplesmente inacreditável", disse Alexander, de 38 anos. "É como um parque temático e um museu, tudo reunido em uma grande loja de varejo."
Uma das coisas mais incríveis sobre a Copa do Mundo ser sediada nos EUA: todos os países do mundo têm sua própria diáspora na América. Isso significa que cada seleção já encontrou uma base de fãs que compartilha sua paixão e orgulho pelo país que eles ou seus ancestrais um dia chamaram de lar. Bósnios em St. Louis. Marroquinos no Queens. Haitianos em Miami. Franceses em Chicago. Argentinos em Utah. A lista é interminável.
Como disse meu colega do New York Times, Jesus Jiménez, "nos Estados Unidos, toda seleção da Copa do Mundo é considerada a seleção da casa".
AS CELEBRIDADES RECÉM-CHEGADAS
Um dos motivos pelos quais a pequena nação de Cabo Verde teve uma trajetória tão histórica foi seu incrível goleiro, Vozinha.
Cabo Verde (com uma população de 530 mil habitantes) empatou com as duas seleções finalistas da Copa do Mundo —Espanha e Argentina— no tempo regulamentar, embora tenha perdido para a Argentina. Antes do inesquecível empate contra a Espanha, Vozinha tinha cerca de 50.000 seguidores no Instagram. Na manhã seguinte, esse número já se aproximava dos 10 milhões. Hoje, ele tem 29,3 milhões.
"Trabalhei a vida toda para este momento", disse ele na entrevista pós-jogo. "Tenho 40 anos. Comecei a jogar futebol profissionalmente aos 25, em 2012. Pensei em desistir, mas continuei por causa deste sonho."
Ele não é a única nova celebridade das redes sociais. A China, cuja seleção não se classificou para o torneio, acabou torcendo pela única pessoa representando o país na Copa do Mundo: um árbitro. O árbitro, Ma Ning, conquistou novos seguidores no Weibo e no Rednote, uma plataforma semelhante ao Instagram na China, e agora tem contratos de patrocínio.
A PURA EUFORIA DO MÉXICO
O México, um dos coanfitriões do torneio, teve sua Copa do Mundo mais bem-sucedida em gerações. O clima no país? Como descreveu um dos correspondentes do The Athletic: " Camisas verdes estão por toda parte, e não apenas em humanos: já vimos patos, cachorros, ícones religiosos com o uniforme do México. Em algum lugar por aí, sem dúvida, existe um uniforme do México com o próprio uniforme do México."
Mas a minha história favorita sobre a camisa do México este ano é a daquela colocada numa estátua do Menino Jesus na Catedral Metropolitana da Cidade do México, que tem 450 anos. Antes de cada jogo do México, o Menino Jesus era vestido com a sua camisa tamanho 0 e colocado num altar dourado ornamentado na igreja, onde as pessoas iam rezar, entre outras coisas, pelo sucesso da equipe.
Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.
