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quarta-feira, 1 de julho de 2026

FAMÍLIA IMPERIAL NO JAPÃO EM CRISE SUCESSÓRIA


A família imperial do Japão enfrenta uma crise sucessória devido à escassez de herdeiros homens, únicos autorizados por lei a assumir o trono. Além disso, princesas deixam a família imperial ao se casarem, reduzindo ainda mais seus integrantes. Para enfrentar o problema, sete partidos apresentaram um projeto que altera a Lei da Casa Imperial. A proposta permite a adoção de homens descendentes da antiga aristocracia pela linhagem paterna e autoriza princesas a permanecerem na família após o casamento, mantendo funções oficiais. Os partidos, porém, não chegaram a um consenso sobre incluir os maridos e filhos dessas princesas na família imperial, o que poderia abrir caminho para uma sucessão feminina. Desde 1989, a família imperial diminuiu de 21 para 16 membros. Hoje, a linha sucessória masculina conta apenas com o príncipe herdeiro Fumihito e seu filho Hisahito. A princesa Aiko, filha do imperador Naruhito e muito popular entre os japoneses, continua impedida de herdar o trono.

Pesquisa do jornal Asahi Shimbun mostra que 72% da população apoia uma mulher como imperadora. Mesmo assim, os conservadores rejeitam essa possibilidade, defendendo a manutenção da sucessão exclusivamente masculina e patrilinear. O projeto também prevê o retorno de descendentes de antigos ramos aristocráticos excluídos da família imperial em 1947, após a Segunda Guerra Mundial. Embora os adotados não possam se tornar imperadores, permanece em debate se seus futuros filhos terão direito à sucessão. Especialistas alertam que elevar cidadãos comuns ao status de príncipes pode comprometer a aceitação da monarquia. O imperador Naruhito defendeu uma solução que conte com apoio da opinião pública, enquanto setores conservadores seguem tratando a sucessão masculina como um princípio inegociável.

 

BRASILEIRO PASSA MAIS DE 52 ANOS CONECTADO À INTERNET


Um brasileiro passa, em média, 52 anos, nove meses e 16 dias conectado à internet ao longo da vida, o equivalente a 70% da expectativa de vida no país, segundo pesquisa da NordVPN. Em 2022, esse tempo era de 41 anos, mostrando um aumento superior a 11 anos em quatro anos. O levantamento aponta que os brasileiros passam 116 horas semanais online, sendo 42 horas dedicadas ao entretenimento. Além disso, 32% afirmam que a inteligência artificial já faz parte da rotina, enquanto 42% dizem que ela melhorou a experiência na internet. Especialistas destacam que a IA tornou as buscas mais rápidas, interativas e naturais, facilitando tarefas como estudos, trabalho, organização financeira e até orientações para situações do cotidiano. A pesquisa também alerta para riscos relacionados à privacidade. Segundo os dados, 82% dos brasileiros já divulgaram o nome completo na internet, 78% compartilharam a data de nascimento e 63% informaram o endereço residencial em plataformas digitais.

Para especialistas, a IA amplia a coleta de dados porque usuários fornecem informações pessoais de forma explícita durante as conversas com os sistemas, criando um perfil detalhado para as empresas. O estudo mostra ainda que 37% temem que seus dados já estejam disponíveis online sem saber, e 21% se arrependeram de ter compartilhado informações pessoais. Psicólogos afirmam que a pandemia acelerou o uso de ferramentas digitais e reforçam que o principal desafio não é apenas o tempo de conexão, mas seus impactos nas relações sociais, especialmente no desenvolvimento de crianças e na qualidade das interações humanas.

 

POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA SITES FALSOS COM IMAGEM DO GOVERNO


A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a Operação AD Phishing para investigar uma rede de sites falsos que utilizava indevidamente a imagem do governo federal e de órgãos públicos para aplicar golpes. As investigações identificaram 1.770 anúncios fraudulentos ligados a dezenas de páginas e domínios, muitos com elementos visuais oficiais e conteúdos manipulados por inteligência artificial. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, expedidos pela Justiça Federal do Distrito Federal. Os investigados poderão responder por uso indevido de selo ou sinal público, além de estelionato, associação criminosa, falsidade e lavagem de dinheiro.

Em maio, o Ministério da Fazenda já havia alertado sobre golpes que imitavam a identidade visual do Gov.br e do programa Desenrola Brasil para roubar dados pessoais e cobrar taxas inexistentes. Os criminosos simulavam notícias oficiais, prometiam descontos de até 96% em dívidas e solicitavam CPF, nome completo e pagamento de uma falsa taxa administrativa de R$ 92,80. Levantamento da Jusbrasil aponta que a inteligência artificial tem impulsionado esse tipo de fraude, com aumento de campanhas em massa, mensagens sem erros, uso de deepfakes e ferramentas cada vez mais sofisticadas, contribuindo para o crescimento dos casos de estelionato na Justiça paulista.

CORTE DE JUSTIÇA DA ITÁLIA JULGA HOJE CARLA ZAMBELLI


A Corte Suprema de Cassação da Itália analisa nesta quarta-feira (1º), em Roma, o segundo pedido de extradição da ex-deputada federal
Carla Zambelli, relacionado à condenação por perseguir um homem armada em São Paulo, em 2022. A Corte julga recurso da defesa contra decisão da Corte de Apelação de Roma, que autorizou a extradição em abril. A expectativa é de que a decisão seja anunciada ainda hoje. Em 2024, o STF condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. Ela fugiu para a Itália após outra condenação, pela invasão ao sistema do CNJ e emissão de falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de MoraesHá um mês, a mesma Corte negou sua extradição nesse primeiro processo. Os juízes entenderam que houve falta de imparcialidade do STF, citando o duplo papel de Moraes como vítima e julgador. Também apontaram violação ao direito de defesa. Após essa decisão, Zambelli deixou a prisão e permanece em Roma. O deputado italiano Angelo Bonelli cobrou informações sobre seu paradeiro e eventual vigilância.

Neste novo caso, a situação é diferente porque a vítima foi outra pessoa e o relator no STF foi o ministro Gilmar Mendes. Se a extradição for autorizada, a decisão final caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, em até 45 dias. A defesa alegou parcialidade do STF, más condições do sistema prisional brasileiro e tentou enquadrar o caso como crime político. A Justiça italiana rejeitou esses argumentos e também afirmou que a dupla cidadania de Zambelli não impede a extradição. Eleita em 2022 com 946 mil votos em São Paulo, Zambelli renunciou ao mandato em dezembro após decisões judiciais. 

FAMÍLIA TRUMP LUCRA BILHÕES EM CRIPTOMOEDAS


Donald Trump declarou ter obtido mais de US$ 1,16 bilhão (R$ 6 bilhões) em 2025 com vendas de criptomoedas e royalties de memecoins, segundo documento divulgado pelo Escritório de Ética Governamental dos EUA. Foram US$ 526,8 milhões com a venda de tokens da World Liberty Financial e US$ 635 milhões em royalties de licenciamento com a Celebration Coins. A declaração informa que Trump ainda possui 15,75 bilhões de tokens da World Liberty Financial, avaliados em cerca de US$ 900 milhões, além de rendimentos superiores a US$ 33 milhões em bitcoin e US$ 150 milhões em Ethereum. O relatório reacendeu debates sobre possíveis conflitos de interesse, já que o governo Trump flexibilizou regras para o setor de criptomoedas e encerrou ações contra empresas do segmento. A Casa Branca negou qualquer irregularidade, afirmando que o presidente e sua família nunca se envolveram em conflitos de interesse.

O documento também revela doações de grandes empresas, como Meta, Alphabet, CBS e ABC, para projetos ligados à biblioteca presidencial e ao novo salão de baile da Casa Branca. Além dos ativos digitais, Trump declarou receitas com licenciamento de relógios, livros, Bíblia, tênis, fragrâncias e guitarras, além de presentes recebidos, como ingressos para a Copa do Mundo e uma escultura avaliada em US$ 250 milA primeira-dama Melania Trump informou ganhos de US$ 6 milhões com NFTs e US$ 10,7 milhões pela venda do documentário "Melania" à Amazon. 

RESTRIÇÃO DE CELULARES NAS ESCOLAS HÁ UM ANO


A restrição do uso de celulares para fins não pedagógicos já foi implementada em 92% das escolas brasileiras um ano após a sanção da Lei nº 15.100/2025, segundo pesquisa do MEC, Inep, Instituto Alana e Unesco. O levantamento ouviu 8.189 escolas públicas e privadas de todo o país. 
Entre os gestores, 45% consideram a medida consolidada, 47% afirmam que ela ainda está em implementação e apenas 8% ainda não iniciaram o processo. O ensino médio é apontado como a etapa mais difícil para consolidar a regra. Segundo o MEC, a proposta não é proibir a tecnologia, mas incentivar seu uso equilibrado e pedagógico. Após a lei, nenhuma escola mantém uso irrestrito dos celulares, enquanto a restrição em todos os espaços escolares passou de 20% para 48%. Nas redes públicas, predomina o uso mediado por professores.

Os principais desafios são garantir o cumprimento das regras (39%), fiscalizar o uso durante o dia (31%) e a falta de locais adequados para guardar os aparelhos (39%). Em 62% das escolas, os celulares permanecem desligados nas mochilas, e apenas 10% possuem armários ou escaninhos. Apesar das dificuldades, os resultados são positivos: 97% dos gestores apontam maior participação em sala, 95% observam melhora na concentração e na convivência entre os estudantes, 88% registram redução do cyberbullying e 86% relatam queda da ansiedade. O estudo também mostra que a restrição não reduziu o uso educacional da tecnologia: 51% das escolas públicas ampliaram ações de educação digital em 2025 e 36% iniciaram essas atividades em 2026. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 1º/07/2026

CORREIO BRASILIENSE - BRASÍLIA/DF

PCDF desarticula quadrilha que enviava motos furtadas do DF para a Bahia

Os furtos eram praticados durante o dia em estacionamentos de estabelecimentos comerciais de grande circulação na capital

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Saída de Michelle Bolsonaro do PL Mulher é celebrada por ala do partido

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Aliados de Flávio veem blefe em possível saída de Michelle da disputa ao Senado

Integrantes do PL criticam postura da ex-primeira dama, mas admitem poder dela junto ao eleitorado feminino Michelle Bolsonaro tem dito a aliados que pretende desistir de candidatura ao Senado

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Justiça manda retirar vídeo que associa Master ao PT

A JUSTIÇA Eleitoral determinou a remoção de um vídeo sobre o Banco Master para atacar o senador Jaques Wagner

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Nasa revela planos para começar a construir base na Lua

Empresas foram contratadas para missões não tripuladas para levar equipamentos

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Burcas e lei do retorno regressam à AR em clima de pressão migratória

Projeto de lei do Chega que proibe rostos cobertos em público é hoje debatido na especialidade, junto com outros diplomas sobre estrangeiros, dois dias depois de o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, anunciar escrutínios sobre serviços públicos pressionados pela imigração.

terça-feira, 30 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL


GREVE NO RIO DE JANEIRO

Os moradores do Rio de Janeiro enfrentam filas e ônibus lotados nesta terça-feira (30), segundo dia da greve dos motoristas. A paralisação será mantida ao menos até a audiência de conciliação no TRT, marcada para as 11h. O prefeito Eduardo Cavaliere orientou a população a priorizar metrô, trens e barcas. A TrensRJ anunciou 30 viagens extras e redução dos intervalos nos horários de pico. Por decisão judicial, as empresas devem manter ao menos 50% da frota de ônibus e do BRT em circulação. A Universidade Federal do Rio de Janeiro autorizou a justificativa de faltas e recomendou adiar avaliações. Os rodoviários reivindicam piso de R$ 4 mil, reajuste de 17%, contratação pela CLT e ampliação de benefícios. A Rio Ônibus informou que 40 veículos foram depredados na segunda-feira, mas afirmou que, nesta terça, 1.250 ônibus circulam normalmente e não houve novos casos de vandalismo. 


STJ DEFINE GRATUIDADE PARA EMPRESA

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu que a apresentação de documentos que comprovem apenas a inatividade ou a queda de faturamento de uma empresa não basta para garantir o benefício da Justiça gratuita. A decisão, unânime, foi tomada pela Corte Especial no julgamento do Tema 1.424 dos recursos repetitivos. Segundo o relator, ministro Luis Felipe Salomão, a empresa deve comprovar detalhadamente sua situação financeira e patrimonial, apresentando informações sobre ativo, passivo, patrimônio líquido, fluxo de caixa, participações societárias, saldos e aplicações bancárias. O ministro ressaltou que a análise deve refletir a real capacidade econômica da pessoa jurídica, e não apenas sua situação fiscal. A tese também estabelece que empresas em recuperação judicial, falência ou liquidação extrajudicial não têm direito automático ao benefício, exceto entidades filantrópicas ou sem fins lucrativos que atendam pessoas idosas, conforme prevê o Estatuto da Pessoa Idosa.


CABE AO OCUPANTE DO IMÓVEL O PAGAMENTO DE CONDOMÍNIO

A responsabilidade pelo pagamento do condomínio é de quem efetivamente ocupa e utiliza o imóvel. Com esse entendimento, o juiz Erick Antonio Gomes, da 14ª Vara Cível de Curitiba, extinguiu, sem julgamento do mérito, uma ação de cobrança contra o proprietário de um apartamento. O réu comprovou que não residia mais no local e que sua ex-esposa era a ocupante, além de mostrar que o próprio condomínio emitia boletos em nome dela. O magistrado destacou que o condomínio não apresentou provas da posse ou propriedade do réu, limitando-se a boletos bancários. Com base no Código Civil, no Código de Processo Civil e em precedente do STJ, concluiu que o proprietário não tinha legitimidade para responder pela dívida. Assim, o processo foi extinto por ilegitimidade passiva, sem análise do mérito.

SUSPENSA EXIGÊNCIA DE PLACA VERMELHA PARA MOTOTÁXIS

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu trechos da Lei 18.349/25 e do Decreto 64.811/25, do município de São Paulo, que impunham restrições ao transporte de passageiros por motocicletas via aplicativos. A decisão foi tomada na ADPF 1.296, em ação da Confederação Nacional de Serviços (CNS). Para Moraes, as normas municipais criavam barreiras desproporcionais e extrapolavam a competência local. A liminar suspendeu a exigência de placa vermelha, o credenciamento obrigatório que impedia o início da atividade e a equiparação do serviço aos mototáxis. O ministro afirmou que o transporte por aplicativo é atividade privada, protegida pela livre iniciativa e livre concorrência. Também determinou que, se a prefeitura não analisar o pedido em até 60 dias, motoristas e operadoras poderão iniciar as atividades. A decisão será submetida ao plenário do STF.

TRUMP CONCEDE CONTRATO SEM LICITAÇÃO 

O governo dos EUA concedeu um contrato sem licitação de até US$ 500 milhões para a construção do novo salão de baile da Casa Branca, segundo o Washington Post. O jornal afirma que o acordo foi fechado por meio da Residência Executiva, órgão isento das regras de transparência aplicadas às agências federais. A obra ficará a cargo da Clark Construction, da Virgínia, e teria contado com participação direta do presidente Donald Trump nas negociações. O salão deve ser concluído em setembro de 2028 e integra uma ampla reforma da Casa Branca. O projeto enfrenta críticas pelo alto custo, riscos ao patrimônio histórico e pela demolição de uma ala do edifício. Inicialmente estimada em US$ 200 milhões, a obra agora deve custar cerca de US$ 400 milhões.

DIREITO À CIDADANIA POR NASCIMENTO NOS EUA

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu manter o direito à cidadania por nascimento, rejeitando o decreto assinado pelo presidente Donald Trump, em janeiro de 2025, que buscava impedir a concessão automática da cidadania a filhos de imigrantes em situação irregular ou sem residência permanente. Por seis votos a três, a Corte considerou a medida incompatível com a 14ª Emenda da Constituição, que garante cidadania a todas as pessoas nascidas em território americano. A decisão representa uma derrota para Trump e confirma o entendimento já adotado por tribunais inferiores. O governo alegava que a emenda deveria proteger apenas ex-escravizados e seus descendentes, mas organizações civis sustentaram que a mudança prejudicaria milhares de crianças. Pesquisa da Universidade Quinnipiac mostrou que sete em cada dez americanos apoiam a manutenção da cidadania por nascimento. Dados do Pew Research Center indicam que pelo menos 33 países, incluindo Brasil, Canadá, México e Argentina, também adotam esse modelo.

Santana, 30 de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

STF MANTÉM VALIDADE DE LEI DA BAHIA


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria, manter a validade da Lei 14.268/2020, da Bahia, que prevê sanções administrativas para quem divulgar informações falsas sobre epidemias, endemias e pandemias. A ação havia sido proposta pelo Partido Liberal (PL). A norma, criada durante a pandemia de Covid-19, estabelece multas para a disseminação de fake news em meios impressos, televisivos, radiofônicos e eletrônicos. O relator, ministro Nunes Marques, votou pela inconstitucionalidade da lei. Para ele, a Bahia invadiu competência exclusiva da União ao legislar sobre telecomunicações e radiodifusão. Seu entendimento foi acompanhado por Dias Toffoli e André Mendonça. A divergência foi aberta por Alexandre de Moraes, que afirmou que a lei trata da proteção da saúde pública, e não da regulamentação dos meios de comunicação. Segundo o ministro, estados podem criar sanções administrativas para combater a desinformação em situações de emergência sanitária.

Moraes também destacou que a liberdade de expressão não protege a divulgação deliberada de informações falsas capazes de colocar em risco a vida e a saúde da população. A posição divergente prevaleceu e foi acompanhada por Cristiano Zanin, Flávio Dino, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Gilmar Mendes. Os ministros da maioria entenderam que a pandemia exigiu atuação conjunta dos entes federativos e que a lei baiana criou apenas um ilícito administrativo voltado à proteção da saúde, sem invadir competência exclusiva da União. 

CALOR PROVOCA DERRETIMENTO DO ASFALTO NA ALEMANHA


A onda de calor extremo que atinge partes da Europa provocou o derretimento do asfalto ao redor dos trilhos de bonde em Leipzig, no leste da Alemanha, interrompendo o transporte sobre trilhos na cidade. Segundo a empresa de transporte LVB, as altas temperaturas fizeram o material de vedação entre o asfalto e os trilhos escorrer e se acumular, impedindo a circulação segura dos bondes. O serviço ficou suspenso até a madrugada de segunda-feira. O calor acima de 40ºC, aliado ao atrito dos trilhos com a passagem dos veículos, agravou o problema ao espalhar o asfalto amolecido por vários metros. Parte da frota de ônibus também foi afetada, com risco de atrasos e cancelamentos. Leipzig, no estado da Saxônia, enfrentava há dias temperaturas superiores a 30ºC. A sobrecarga na rede elétrica causada pelo calor também prejudicou supermercados, que tiveram dificuldades para manter a refrigeração.

A Alemanha bateu recordes históricos de temperatura por três dias consecutivos. O maior valor foi de 41,7ºC, registrado em Coschen, na fronteira com a Polônia. O país também teve a noite mais quente desde o início dos registros, com 29,4ºC em Kubschütz, na Saxônia. Outros países europeus também enfrentaram calor recorde. A República Tcheca registrou 41,1ºC, a Suíça chegou a 39ºC e a Dinamarca marcou 37ºC. Além dos danos à infraestrutura, a onda de calor elevou o número de mortes. Na França, as autoridades contabilizaram cerca de mil mortes adicionais em apenas três dias, principalmente entre pessoas com mais de 65 anos. 

MIGRAÇÃO FORÇADA NA VENEZUELA


O drama da migração forçada na Venezuela ganhou um novo capítulo após os terremotos que atingiram o país: a crise dos deslocados internos. Milhares de pessoas deixaram suas casas destruídas ou condenadas e vivem em abrigos improvisados. Em um estádio de La Guaira, cerca de 1.730 pessoas estão abrigadas sob estruturas precárias, enfrentando calor intenso e dependendo de doações de água, alimentos e medicamentos. A moradora Wilmarys González, de 45 anos, perdeu quatro familiares na tragédia. Ela conta que ajudou a retirar os corpos dos parentes dos escombros e relembra o desastre de La Guaira, em 1999, afirmando que a cidade terá novamente de ser reconstruída. Os moradores aguardam avaliações técnicas para saber se poderão retornar às suas casas, mas ainda não há prazo. O medo das réplicas dos terremotos aumenta a insegurança e o impacto psicológico entre os desalojados. Além dos abrigos, centenas de pessoas permanecem acampadas em frente aos prédios destruídos, esperando o resgate de familiares desaparecidos.

Organizações humanitárias, como a World Central Kitchen, distribuem refeições e ajudam a movimentar a economia local ao contratar cozinheiros da região. Agências da ONU, como Acnur e OIM, também atuam nas áreas afetadas. Segundo o governo venezuelano, mais de 15 mil pessoas estão desalojadas, embora haja suspeitas de subnotificação. A tragédia agrava uma crise migratória que já dura anos. Desde 2017, mais de 8 milhões de venezuelanos deixaram o país devido ao colapso econômico e à perseguição política. Agora, além da migração internacional, a Venezuela enfrenta o desafio da migração interna, com milhares de famílias à espera de moradia, assistência e condições para reconstruir suas vidas.

 

NA VENEZUELA, FORAM COMPUTADOS 1.719 MORTOS


O Bolipuerto, porto estatal de La Guaira, na Venezuela, foi transformado em um necrotério improvisado após os terremotos da última semana. A maior parte dos corpos retirados dos escombros é levada ao local, onde permanece em sacos pretos sob calor superior a 30°C, enquanto familiares aguardam para identificar vítimas. O governo venezuelano informou 1.719 mortos, mas o número pode ser muito maior. A ONU anunciou a compra de 10 mil sacos para cadáveres como parte da resposta à tragédia, indicando a dimensão do desastre. O acesso ao porto é restrito. Um funcionário que trabalha na logística do necrotério relatou ter perdido 12 familiares, dos quais apenas dois foram encontrados. Sua esposa continua desaparecida sob os escombros. No local, equipes médicas utilizam grandes quantidades de cal para retardar a decomposição dos corpos e reduzir o forte odor. Moradores usam máscaras para amenizar o cheiro de morte que domina a cidade, agravado pela falta de saneamento e pela presença de milhares de desalojados.

As buscas por sobreviventes continuam entre os prédios destruídos. Um socorrista emocionado afirmou que mantém a esperança de encontrar pessoas com vida, apesar do cenário devastador. O Bolipuerto também sofreu danos no terremoto e, segundo a Casa Branca, receberá parte da ajuda de US$ 300 milhões enviada pelos Estados Unidos para restaurar o porto e facilitar a chegada de suprimentos por via marítima. O governo estima que quase 900 edifícios foram atingidos, sendo 189 totalmente destruídos, mas moradores afirmam que os danos são muito maiores. Tremores secundários mantêm o clima de medo e aumentam o risco de novos desabamentos. Autoridades admitem que a Venezuela não estava preparada para enfrentar uma tragédia dessa magnitude, considerada o maior terremoto no país em mais de um século.