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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

A IMPORTANTE ELEIÇÃO NOS EUA


Os cidadãos americanos deram significativa e importante manifestação de independência, quando atenderam ao chamamento eleitoral e, nas eleições de meio de mandato, as midterms, escolheram seus candidatos, no dia de ontem. A opção não agradou ao presidente Donald Trump, mas líderes de vários países enalteceram a disposição dos americanos, cumprindo suas obrigações e escolhendo os novos lídderes em todos os níveis do país. Dentre as preferências de ontem está claro o posicionamento contra a guerra, tarefa que Trump inseriu no seu governo. Não se pode deixar de entender a viva manifestação contra a política de perseguição desempenhada pelo atual presidente. Há importantes lições retiradas da votação, a exemplo da escolha do primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos, que representará Michigan, onde nasceu e cresceu. Abdul El-Sayed estudou medicina e obteve doutorado em saúde pública, tendo exercido vários encargos na área no país. O presidente americano não esperava por esta mudança de liderança no Michigan. 
Donald Trump no seus desrespeito aos bons princípios teve o desplante de oferecer US$ 5 mil a adultos para sufragar os nomes de republicanos, no caso de vencer a eleição. É típica e escancarada compra de votos que, no Brasil, certamente, não acontece. Essa absurda proposta do presidente Donald Trump foi seguida por bilionários. 

O eleitor americano teve a sensatez de votar antecipadamente; com efeito, mais de 59 milhões cidadãos votaram antes da data final da votação, 3 de novembro. Além disso, merece destaque a escandalosa participação do bilionário Elon Musk no processo eleitoral do país. Consta que ele distribuiu um total de US$ 14 milhões, na tentativa de transferir o controle da Suprema Corte de Wisconsin para os republicanos. Era simplesmente a escolha do juiz Schimel. De nada valeu o pronunciamento do procurador-geral de Wisconsin, Josh Kaul, no sentido de que Musk estava violando lei estadual que proíbe dar presentes em troca de votos. Os advogados de Musk alegaram que os pagamentos eram "destinados a gerar um movimento de base em oposição a juízes ativistas, e não a advogar especificamente a favor ou contra qualquer candidato". Enfim, a eleição das midterms serviu para mostrar ao mundo o escândalo que acontece nas eleições americanas. A compra de voto, envolvendo grandes empresários, torna-se comum e prática corriqueira nos Estados Unidos. Apesar dos problemas que enfrentamos no Brasil, seguramente, não se registra cenários semelhantes ao que se passam nas eleições dos Estados Unidos, principalmente, no governo de Donald Trump.

Salvador, 5 de novembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.
     


 


ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO EM BUSCA DE NOVO DIRETOR


A Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) está selecionando um novo diretor. A unidade, que possui cerca de 4.000 alunos, abriu o processo seletivo para professores da instituição e profissionais externos, inclusive estrangeiros. O modelo é pouco comum nas principais universidades brasileiras, mas adotado em instituições de ensino de vários países, especialmente nos Estados Unidos. Segundo o Ranking Universitário Folha (RUF) de 2026, a FGV-EAESP é a melhor escola privada de administração do Brasil e ocupa a oitava posição no ranking geral da carreira. O edital exige sólida trajetória acadêmica, experiência internacional e capacidade de gestão. Os candidatos serão avaliados por um comitê de busca, responsável pela análise dos currículos e pelas entrevistas. A professora Maria Tereza Leme Fleury, presidente do comitê e ex-diretora da escola entre 2008 e 2015, afirma que a seleção também está sendo divulgada internacionalmente. Segundo ela, o objetivo é encontrar alguém com excelência acadêmica e experiência administrativa, capaz de garantir sustentabilidade e bons resultados à instituição.

O comitê também reúne os professores Maria José Tonelli e Marco Antônio Teixeira, além dos ex-alunos Candido Bracher, ex-CEO do Itaú, e Priscila Cruz, presidente do movimento Todos pela Educação. Os interessados têm até 13 de novembro para apresentar seus currículos. A seleção já recebeu aproximadamente 20 candidaturas, inclusive de profissionais dos Estados Unidos e da Europa. Entre os requisitos estão doutorado, produção acadêmica relevante, experiência em gestão e reconhecimento profissional nos meios acadêmicos nacional e internacional. Também são exigidas fluência em inglês e domínio do português. A conclusão do processo está prevista para janeiro de 2027, quando o escolhido sucederá o atual diretor, Luiz Artur Ledur Brito. Fundada em 1954, a FGV-EAESP foi a primeira escola de negócios do Brasil. Possui acreditações internacionais e parcerias acadêmicas globais. A instituição oferece cursos de administração, administração pública e ciências contábeis, além de programas de mestrado e doutorado.

 

QUADRILHAS USAM DISPOSITIVO ELETRÔNICO PARA BLOQUEAR ALARMES


Quadrilhas utilizam um dispositivo eletrônico conhecido como “Chapolin” para bloquear o sinal dos alarmes e impedir o travamento das portas de veículos, facilitando furtos em postos de combustíveis nas rodovias paulistas. O equipamento permite que os criminosos mantenham os carros destrancados, mesmo quando os motoristas acreditam ter acionado o controle remoto. Ontem, 4, policiais do 46º Distrito Policial de Perus, na zona norte de São Paulo, cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Santo Amaro, na zona sul. A operação investiga furtos de malas e equipamentos eletrônicos em postos próximos às rodovias Anhanguera, Bandeirantes e ao rodoanel Mário Covas. Segundo o delegado Newton Fugita, foram encontrados cartões bancários, celulares e outros objetos possivelmente pertencentes às vítimas. As investigações começaram em fevereiro, após o furto de malas de um veículo estacionado em um posto próximo a Perus. A polícia analisou imagens de câmeras de segurança para identificar os envolvidos. De acordo com Fugita, os criminosos contam com olheiros que observam a chegada dos veículos aos estacionamentos. Quando os motoristas deixam os carros para comer ou ir ao banheiro, os integrantes da quadrilha utilizam o aparelho para bloquear o travamento das portas.

Na região de Perus, os alvos são principalmente famílias em viagem. Entretanto, os furtos também atingem trabalhadores que circulam pelas rodovias do interior paulista. Entre 20 e 27 de outubro, foram registrados oito casos em apenas um posto da rede Lago Azul, no km 58 da rodovia dos Bandeirantes, em Jundiaí. Em quatro ocorrências, as vítimas só perceberam os furtos quando já estavam distantes do estabelecimento. No dia 20, dois funcionários que viajavam de São Paulo para Louveira pararam durante 45 minutos em um restaurante. Ao chegarem à empresa, descobriram que suas bolsas haviam sido abertas e que dois notebooks e um monitor portátil tinham desaparecido. Outra vítima encontrou o carro destrancado, mas só percebeu o desaparecimento do notebook corporativo no dia seguinte. Em outro caso, no dia 27, uma pessoa colocou a bolsa com o equipamento no porta-malas e acreditou ter trancado o veículo. O furto só foi descoberto ao descarregar o carro em um hotel de Campinas. Uma mulher também relatou ter percebido o crime somente quando chegou a Araraquara. A rede Lago Azul não respondeu aos questionamentos da reportagem. Segundo relatos, a empresa instalou avisos nos estacionamentos recomendando que os clientes confiram se os veículos foram realmente trancados. Em setembro, a Polícia Militar Rodoviária prendeu dois suspeitos em um posto na rodovia Carvalho Pinto, em Caçapava, após o rastreamento de um equipamento furtado. Na operação desta quarta-feira, ninguém foi preso. Participaram oito viaturas e 16 policiais civis. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os investigados poderão responder por furto qualificado e associação criminosa. As investigações continuam para identificar a participação de cada envolvido.

TRUMP FOI REJEITADO POR QUASE TODOS OS SEGMENTOS DO ELEITORADO


A vitória expressiva do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, na terça-feira (3), foi registrada em praticamente todos os segmentos do eleitorado. Em comparação com 2024, os democratas ampliaram seu apoio entre homens, mulheres, diferentes raças, idades e níveis de escolaridade. Segundo dados do The New York Times, os democratas receberam mais votos em quase todos os grupos, com exceção dos brancos, entre os quais os republicanos obtiveram 51%. Mesmo nesse segmento, porém, o apoio aos democratas cresceu 13 pontos percentuais em relação à eleição que levou Donald Trump de volta à Casa Branca. No conjunto do eleitorado, os democratas conquistaram 56% dos votos para a Câmara dos Deputados, um avanço de 15 pontos percentuais. Entre os latinos, o crescimento foi ainda maior: 28 pontos, alcançando 69% dos votos. Entre os negros, o apoio chegou a 91%, com aumento de nove pontos. Os jovens também tiveram papel importante na vitória democrata. Na faixa de 18 a 29 anos, o apoio ao partido cresceu 32 pontos, chegando a 70%. Entre eleitores de 30 a 44 anos, avançou 24 pontos, atingindo 62%. Já entre os maiores de 65 anos, o crescimento foi mais modesto, de apenas seis pontos percentuais. Na análise por escolaridade, os democratas obtiveram maior votação entre pessoas com ensino superior. Entretanto, o maior avanço ocorreu entre eleitores com apenas ensino médio: 18 pontos, chegando a 50%. Até mesmo um grupo tradicionalmente republicano, o dos brancos sem ensino superior, reduziu seu apoio a Trump. Embora 59% ainda tenham votado nos republicanos, os democratas avançaram 14 pontos nesse segmento. O resultado representa um recado contundente ao presidente, que poderá enfrentar dificuldades para governar durante a segunda metade de seu mandato.

Um dos principais fatores da derrota republicana foi a insatisfação com a economia e o custo de vida, temas que dominaram as pesquisas e a campanha eleitoral. Trump havia prometido recuperar a economia após os problemas herdados do governo Joe Biden e os efeitos da pandemia, mas suas realizações foram consideradas insuficientes. Além disso, suas políticas contribuíram para agravar dificuldades econômicas. A inflação americana voltou a acelerar, passando de 3,4% em agosto para 3,7% em setembro, impulsionada principalmente pelos custos de energia e combustíveis. A guerra no Irã, iniciada e mantida por Trump, também pesou sobre o orçamento das famílias e provocou desgaste político. As tarifas comerciais impostas pelo presidente prejudicaram ainda exportadores de diversos estados. Durante a campanha, os democratas responsabilizaram Trump pelas dificuldades econômicas e defenderam medidas como aumento do salário mínimo e ampliação da assistência gratuita à saúde. Os republicanos, por sua vez, evitaram questionar as decisões presidenciais. Depois da derrota, porém, Trump e seu vice, J. D. Vance, reconheceram que a guerra no Irã contribuiu para a perda de apoio eleitoral.

 

CORTE ESPECIAL DO STJ CONDENA DESEMBARGADORA


A Corte Especial do STJ condenou, ontem, 4, a desembargadora Sandra Inês Rusciolelli, do TJ-BA, a 14 anos e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A condenação é resultado da Operação Faroeste, da Polícia Federal, que investigou um esquema de venda de decisões judiciais para facilitar a grilagem de terras no oeste da Bahia. Segundo as investigações, empresários pagavam propinas a magistrados, por meio de advogados, em troca de decisões favoráveis à apropriação irregular de terras. A operação levou ao afastamento de oito desembargadores do TJ-BA e à prisão preventiva de três magistradas. Sandra ficou em prisão domiciliar. Em 2021, ela e seu filho, o advogado Vasco Rusciolelli, fecharam acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal. A colaboração de Sandra foi a primeira realizada por uma desembargadora no Brasil e mencionou 68 pessoas, entre elas 12 desembargadores, 12 juízes e 15 advogados. Vasco também admitiu participação na negociação de venda de decisões judiciais. Segundo o MPF, mãe e filho negociaram propinas de R$ 4 milhões e receberam efetivamente R$ 2,4 milhões. Um relatório da PF apontou que Vasco recebeu ao menos R$ 250 mil para que Sandra favorecesse uma empresa. Em outubro de 2021, o STJ revogou a prisão dos dois, mas manteve o uso de tornozeleiras eletrônicas e restrições de contato com investigados.

Em novembro de 2024, o ministro Og Fernandes rescindiu os acordos de delação, a pedido do MPF, por falta de cooperação dos colaboradores e descumprimento das obrigações financeiras. As provas produzidas nas delações, entretanto, continuaram válidas e puderam ser utilizadas contra os dois, que perderam os benefícios negociados. Durante o julgamento, a defesa alegou falta de acesso a provas da acusação e contestou o uso de informações das delações contra os próprios colaboradores. Além da prisão, Sandra perdeu o cargo público, embora tenha sido reconhecido seu direito à aposentadoria compulsória. Vasco Rusciolelli foi condenado a 13 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Também foram condenados o empresário Nelson José Vigolo, do Grupo Bom Jesus Agropecuária, e o advogado Vanderlei Chilante, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O advogado Júlio César Cavalcanti Ferreira, ex-assessor do TJ-BA e primeiro delator da operação, recebeu perdão judicial. A decisão foi unânime. A Corte Especial é formada pelos 15 ministros mais antigos do STJ e julga ações penais contra autoridades. Outros magistrados também já foram condenados no âmbito da Operação Faroeste, entre eles a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e o juiz aposentado Sérgio Humberto de Quadros Sampaio.

 

MUSK ENFRENTARÁ OBSTÁCULOS NAS SUAS OPERAÇÕES


A derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos atingiu diretamente Elon Musk, que perdeu cerca de US$ 41,8 bilhões (R$ 229 bilhões) de sua fortuna em um único dia. Após a apuração, investidores reavaliaram os riscos políticos para os negócios do bilionário, provocando a queda das ações da Tesla e da SpaceX. O resultado eleitoral pode dificultar projetos ligados à inteligência artificial, aos data centers, à infraestrutura digital e aos contratos governamentais, áreas estratégicas para suas empresas. Musk foi o maior financiador republicano deste ciclo eleitoral, desembolsando cerca de US$ 446 milhões para apoiar candidatos e grupos conservadores. Desse total, aproximadamente US$ 216 milhões foram destinados ao America PAC, comitê criado para impulsionar candidaturas alinhadas ao partido. Apesar do investimento, os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso e comemoraram uma vitória histórica no Texas. Gina Hinojosa derrotou Greg Abbott e tornou-se a primeira governadora democrata do estado em mais de três décadas. Na véspera da votação, Musk utilizou o X para pedir votos aos republicanos, mas apagou a publicação após a divulgação dos resultados.Analistas avaliam que o novo Congresso poderá ampliar a pressão regulatória sobre empresas de tecnologia e projetos de inteligência artificial. A preocupação envolve especialmente os data centers, que exigem grandes volumes de energia e podem enfrentar mais restrições ambientais e políticas.

Para Jake Dollarhide, presidente da Longbow Asset Management, a vitória democrata poderá pressionar o setor tecnológico e desacelerar seu crescimento. A SpaceX também poderá encontrar dificuldades para obter licenças e aprovações necessárias à expansão de suas operações. O resultado eleitoral fortalece ainda parlamentares democratas que defendem maior fiscalização das empresas de Musk. O bilionário já enfrenta críticas pelo uso de sistemas de comunicação por satélite na Ucrânia, pela atuação na DOGE e pelos contratos governamentais concedidos às suas companhias. Um dos principais críticos é Robert Garcia, que deverá assumir a presidência da Comissão de Fiscalização da Câmara. Após a eleição, publicou um recado aos republicanos: "Procurem um advogado". No Texas, Musk também enfrentará resistência da nova governadora. Hinojosa já questionou benefícios concedidos às empresas do empresário e recorreu à Justiça para obter comunicações entre ele e a administração anterior. A democrata defende regras mais rigorosas para a expansão de data centers, critica incentivos fiscais a grandes empresas de tecnologia e se opõe a projetos da SpaceX em áreas costeiras. "Deixe-me ser clara: o Texas não está à venda", afirmou Hinojosa. A declaração sinaliza que os investimentos de Musk poderão enfrentar obstáculos justamente em um dos estados mais importantes para a expansão de seus negócios.

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 5/11/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Professor aponta influência do "fator Lula" na derrota de Trump

Para o professor de relações internacionais Robson Cardoch Valdez, vitória do presidente sobre Flávio Bolsonaro foi um dos ingredientes da "onda azul" que varreu os Estados Unidos

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Socorro aos Correios e menos dividendos de estatais criam desafio de R$ 26 bi para o Orçamento de 2027

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Relatório do Tesouro prevê queda de 40% nas receitas com lucros de empresas públicas

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Com maioria no Congresso dos EUA, democratas podem fazer vida de Trump até 2028 um inferno

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Oposição terá controle sobre orçamento, nomeações e investigações; presidente ficará refém de adversários Democratas conquistaram maior virada da história do partido; vice-presidente Vance se distancia de Trump

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Assédio eleitoral supera 7 mil denúncias, aponta ministério

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Sucessão de Trump se intensifica após eleições de meio de mandato

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A derrota republicana nas midterms agita a corrida pela Casa Branca em 2028, com novos favoritos e desafios para aliados do ex-presidente

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Aumento do custo da energia provoca quebra "significativa" de poder de compra em quase 70% dos portugueses

Portugueses mudaram hábitos devido à subida do custo de vida, revela estudo do BEI. Reduziram nas despesas de alimentação e saúde, no uso de carro e contraíram dívidas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

RADAR JUDICIAL


MOVIMENTAR CONTAS NÃO IMPEDE GRATUIDADE

A 1ª Turma Recursal Cível do TJ-SP garantiu gratuidade da Justiça a uma desempregada que teve o benefício negado por movimentar R$ 200 entre contas próprias, contratar advogado particular e ter recebido R$ 85 mil no ano anterior à demissão. A autora questiona cláusulas abusivas em contrato de consórcio. Por unanimidade, os juízes reformaram decisão de primeira instância, que havia negado a isenção das custas processuais. O relator, José Carlos de França Carvalho Neto, afirmou que movimentações bancárias não significam riqueza acumulada nem disponibilidade financeira. A declaração de insuficiência econômica de uma pessoa física deve ser considerada verdadeira, salvo provas concretas em contrário. O magistrado ressaltou que contratar advogado particular não impede a concessão da gratuidade. Também destacou que a situação financeira atual deve prevalecer sobre rendimentos antigos. A mulher foi demitida em agosto de 2025, e seus extratos mostraram o fim dos salários e a utilização da rescisão para despesas familiares. Sua renda tributável em 2025 caiu para R$ 38,9 mil, sem bens registrados. Segundo o relator, as pequenas movimentações bancárias eram destinadas a despesas básicas, com saldos próximos de zero. Cobrar as custas comprometeria a subsistência da família e o direito constitucional de acesso à Justiça. O caso ocorre em meio às restrições da reforma trabalhista de 2017. Em setembro, o STF decidiu que trabalhadores com renda de até R$ 5 mil têm direito à gratuidade na Justiça do Trabalho sem precisar comprovar insuficiência financeira. Acima desse limite, é necessária documentação que demonstre a incapacidade de pagar as despesas judiciais. 


MUSK INVESTE US$ 474 MILHÕES E É DERROTADO

Elon Musk ironizou a derrota republicana nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, após investir US$ 474 milhões em candidatos aliados de Donald Trump. Em publicação no X, afirmou que seus “raios laser espaciais de interferência eleitoral” não funcionaram. Os democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado, alterando o equilíbrio de forças no Congresso. Segundo a OpenSecrets, Musk foi o maior doador individual de um ciclo eleitoral federal desde 2010. Entre os candidatos apoiados por ele estava Ken Paxton, que recebeu US$ 158 milhões, mas perdeu para o democrata James Talarico, primeiro senador democrata eleito pelo Texas desde 1994. Durante a campanha, Musk atacou Talarico, chamando-o de “lunático de esquerda”. O democrata criticou a influência financeira de bilionários nas eleições. No Texas, tradicional reduto republicano, outra vitória democrata ocorreu com Gina Hinojosa, primeira mulher latina eleita governadora do estado, derrotando Greg Abbott. Os dois vencedores também criticaram a expansão dos centros de dados de inteligência artificial, devido ao consumo de água e energia. Musk demonstrou preocupação com possíveis restrições aos investimentos e afirmou que centros de dados espaciais parecem agora atraentes.


DERROTA DE TRUMP DESVALORIZA O DÓLAR

A derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato provocou reação nos mercados financeiros mundiais. O dólar se desvalorizou, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram. Os partidos Democrata conquistaram o controle do Senado e da Câmara, segundo projeções da imprensa. O resultado dificultará a aprovação de projetos de Trump no Congresso. Inicialmente, Bolsas asiáticas, criptomoedas e ativos americanos registraram fortes quedas. Depois, porém, diversos mercados se recuperaram e passaram a operar em alta. Na Ásia, Xangai subiu 2,16%, Hong Kong avançou 1,67% e Seul ganhou 0,62%. Tóquio foi exceção, com queda de 1,41%. Na Europa, as principais Bolsas também registraram valorização, assim como os futuros de Wall Street. O euro, a libra, o franco suíço e o iene avançaram diante da moeda americana. O bitcoin e outras criptomoedas se recuperaram após perdas expressivas durante a madrugada. Analistas avaliam que a vitória democrata poderá limitar gastos governamentais e alterar as políticas de juros, inteligência artificial e regulamentação das criptomoedas.


NÃO HÁ ABUSO EM IMPEDIR 
USO DE WHATSAPP POR PARTIDOS POLÍTICOS 

O STJ decidiu que o Facebook não comete abuso ao impedir partidos políticos de utilizar o WhatsApp Business API. A decisão foi tomada por unanimidade pela 3ª Turma, que negou recurso do Podemos. O partido queria recuperar sua conta e receber R$ 57 mil por danos morais. A legenda alegava violação do Código de Defesa do Consumidor e do Marco Civil da Internet. O WhatsApp Business API permite integrar o aplicativo a sistemas externos e administrar mensagens em larga escala. Seus termos de uso proíbem expressamente a utilização por partidos políticos. A restrição busca evitar disparos em massa de mensagens, especialmente durante períodos eleitorais. A relatora, ministra Nancy Andrighi, considerou a medida razoável e legítima. Segundo ela, as regras da plataforma eram claras e conhecidas pelos usuários. O TJ-DF já havia considerado legal a exclusão da conta do Podemos. A ministra também afirmou que a falta de notificação prévia não gera, por si só, direito a indenização. O partido continua autorizado a utilizar o WhatsApp convencional e o Business, embora com recursos mais limitados.

Farley Santos, reeleito deputado estadual por Connecticut, nos EUA, com a mulher e a filha
SETE BRASILEIROS ELEITOS DEPUTADOS ESTADUAIS

Sete brasileiros foram eleitos deputados estaduais nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Todos são do Partido Democrata e atuarão em quatro estados. Massachusetts concentrou quatro eleitos: Priscila Sousa, Rita Mendes, Lorena Betts e Danillo Sena. Três deles foram reeleitos. Farley Santos conquistou novo mandato em Connecticut, enquanto Elaine Marzola foi reeleita em Nevada. A vitória mais surpreendente foi a de Felipe Sousa-Lazaballet, que venceu sua primeira disputa eleitoral na Flórida, estado tradicionalmente republicano. Natural de Duque de Caxias (RJ), Felipe chegou aos EUA aos 14 anos. Obteve cidadania americana em 2021 e atua na defesa dos imigrantes e da comunidade LGBTQIAPN+. Priscila Sousa, mineira de 38 anos, representa Framingham, em Massachusetts, desde 2023. Formada em Ciência Política, foi reeleita e relatou aumento da discriminação contra imigrantes após a volta de Donald Trump. Rita Mendes, de Conselheiro Pena (MG), também está no Legislativo estadual desde 2023. Advogada e corretora de imóveis, mudou-se para os EUA em 2002. Danillo Sena nasceu em Timbaúba (PE), chegou aos Estados Unidos aos 14 anos e ocupa uma cadeira na Câmara de Massachusetts desde 2020. Lorena Betts, natural de Mato Grosso, mora nos EUA há 15 anos. Chegou como babá e conquistou uma vaga na Câmara estadual. Farley Santos, imigrante desde os sete anos, foi reeleito em Connecticut. Ele destacou o compromisso de representar a comunidade de Danbury. Elaine Marzola, nascida no Rio de Janeiro, chegou a Las Vegas ainda criança. Deputada desde 2021, conquistou sua terceira reeleição em Nevada.

Salvador, 4 de novembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso advogados.

PRIMEIRA MULHER NEGRA A GOVERNAR A GEÓRGIA


As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos foram marcadas por conquistas históricas em cargos de liderança e pela rejeição a Donald Trump. A democrata Keisha Lance Bottoms, 56, venceu o republicano Rick Jackson e será a primeira mulher e a primeira mulher negra a governar a Geórgia. Ex-prefeita de Atlanta, ela agradeceu aos eleitores pela vitória. A Flórida elegeu seu primeiro governador negro, o republicano Byron Donalds, 48, aliado de Trump. Ele prometeu tornar o estado mais acessível e seguro. Em Wisconsin, o democrata David Crowley, 40, tornou-se o primeiro governador negro da história estadual, derrotando o republicano Tom Tiffany. No Novo México, Deb Haaland foi eleita a primeira mulher indígena governadora, ao vencer Gregg Hull. Integrante da tribo Laguna Pueblo, ela já havia sido a primeira pessoa indígena a ocupar uma secretaria no governo federal americano, durante a gestão de Joe Biden. No Texas, a democrata Gina Hinojosa conquistou o governo estadual, tornando-se a primeira mulher latina a ocupar o cargo. Também no estado, James Talarico, 37, foi eleito senador democrata, feito inédito para o partido desde 1988. Em New Hampshire, Chris Pappas, 46, tornou-se o primeiro senador abertamente gay dos Estados Unidos, defendendo o respeito à diversidade e o combate à discriminação.

Michigan também registrou um marco histórico: Abdul El-Sayed venceu a disputa para o Senado, tornando-se o primeiro muçulmano eleito para a Casa. Sua vitória fortaleceu a ala progressista democrata e impediu a conquista republicana da vaga. Segundo Bill Shiebler, da organização State Voices, os resultados representam uma rejeição ao ódio e à divisão, além de demonstrar uma democracia mais representativa. O Brasil também participou da onda de ineditismos. O democrata Felipe Souza Lazaballet, 40, foi eleito deputado estadual na Flórida, tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar o cargo, após derrotar um republicano na região de Orlando.

AMERICANOS DIZEM "NÃO À GUERRA"

Iranianos participam de manifestação em frente à antiga embaixada dos Estados Unidos, em Teerã, para marcar o aniversário da crise dos reféns de 1979
O principal negociador do Irã com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os americanos votaram “não à guerra” nas eleições de meio de mandato. Os democratas conquistaram a maioria no Congresso, impondo uma derrota expressiva a Donald Trump e ao Partido Republicano. O resultado refletiu a insatisfação dos eleitores com o custo de vida, as tarifas comerciais e a guerra no Oriente Médio, que provocou alta nos combustíveis e reduziu a aprovação presidencial. “Os americanos disseram não à guerra, e nós endossamos essa mensagem”, escreveu Ghalibaf na rede X. Ele advertiu que, se Washington ignorar a vontade popular, enfrentará consequências ainda maiores. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, também comentou o resultado. Segundo ele, a hostilidade dos Estados Unidos contra Teerã não mudará com a alternância partidária. Quem acredita nisso está “profundamente enganado”. Khamenei ameaçou responder com intensidade muito maior a qualquer nova agressão americana. Afirmou que a destruição de bases dos EUA na região e o controle iraniano do estreito de Hormuz integram uma campanha contra a hegemonia americana.

“Acreditamos que o fim da hegemonia dos EUA está próximo”, declarou. A guerra, iniciada em fevereiro, permanece em impasse há meses, com ataques esporádicos e temor de uma retomada das operações militares em larga escala. Donald Trump reconheceu que o conflito influenciou a vitória democrata. Em entrevista à Fox, na terça-feira, afirmou que o resultado eleitoral se deveu, em parte, à questão iraniana, mas defendeu sua atuação no conflito. Com a apuração em andamento, os democratas conquistaram 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos. No Senado, garantiram pelo menos 54 dos 100 assentos. A mudança altera o equilíbrio de forças no Congresso durante o restante do governo Trump, dificultando a aprovação de suas propostas. Na noite de terça-feira, Trump declarou ao The New York Times estar disposto a aceitar os resultados e trabalhar com a oposição. “Vamos trabalhar com os democratas e estamos ansiosos para trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a um entendimento”, afirmou o presidente.

 

DEMOCRATAS CONQUISTAM 228 DAS 435 CADEIRAS NA CÂMARA


O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas ontem, 3. Com a apuração em andamento, os democratas garantiram 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos. No Senado, conquistaram pelo menos 54 dos 100 assentos. O resultado representa uma mudança no equilíbrio de forças legislativas durante o restante do governo de Donald Trump. A chamada “onda azul”, referência à cor dos democratas, superou as expectativas das pesquisas anteriores à votação. Diante da derrota republicana, Trump afirmou nas redes sociais que seu nome não estava nas cédulas e que, se estivesse, seu partido teria vencido “de lavada”. Ao The New York Times, declarou estar disposto a aceitar os resultados e trabalhar com a oposição. Disse acreditar que os dois partidos poderão chegar a um entendimento. No Senado, os democratas precisavam defender suas cadeiras e conquistar pelo menos dois estados tradicionalmente republicanos. Entre as disputas decisivas estavam Texas, Iowa, Kansas, Ohio e Carolina do Sul. No Texas, James Talarico, de 37 anos, conquistou uma cadeira, tornando-se o primeiro democrata eleito senador pelo estado em quase 40 anos. Seu adversário, o republicano Ken Paxton, recebeu centenas de milhões de dólares em doações do empresário Elon Musk.

Em Ohio, Sherrod Brown derrotou Jon Husted. No Kansas, Adam Hamilton venceu Roger Marshall. Ambos os republicanos tentavam a reeleição. Em Iowa, Josh Turek derrotou Ashley Hinson e conquistou a cadeira deixada por Joni Ernst, que não disputou novamente o cargo. Na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu Darline Graham, encerrando um longo período sem representação democrata no Senado pelo estado. A última eleição de um senador democrata havia ocorrido em 1998. Outra vitória ocorreu na Carolina do Norte, onde o ex-governador Roy Cooper derrotou Michael Whatley, candidato apoiado por Trump, conquistando uma cadeira até então republicana. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e manteve com os democratas a vaga deixada por Jeanne Shaheen, que se aposentou. Pappas será o primeiro homem abertamente gay a integrar o Senado americano.

 

IA REVOLUCIONAL A PESQUISA CIENTÍFICA


A inteligência artificial (IA) promete revolucionar a pesquisa científica, mas seu uso crescente também levanta preocupações sobre a confiabilidade das descobertas e a integridade dos estudos. A empresa Basecamp Research, de Londres, reúne bilhões de informações genéticas para desenvolver uma IA capaz de compreender a linguagem da biologia. A iniciativa segue estratégia semelhante à utilizada na criação de grandes modelos de linguagem, como ChatGPT e Gemini. Recentemente, a OpenAI anunciou que seus agentes de IA teriam resolvido um importante problema matemático relacionado às equações de Navier-Stokes. Entretanto, pesquisadores questionaram se informações de trabalhos independentes poderiam ter influenciado o resultado. A empresa negou qualquer acesso a essas pesquisas. O episódio evidencia o risco de a IA comprometer a confiança na ciência, especialmente pela possibilidade de produzir informações falsas, conhecidas como alucinações. Um exemplo positivo é o AlphaFold, desenvolvido pelo Google DeepMind, que conseguiu prever a estrutura tridimensional de 200 milhões de proteínas em apenas um ano. O avanço representou uma revolução para a biologia e rendeu o Prêmio Nobel de Química aos responsáveis pelo projeto. Entretanto, outros resultados da IA são questionados. Um modelo da DeepMind identificou mais de 2 milhões de possíveis estruturas cristalinas, mas pesquisadores americanos consideraram muitos resultados adaptações de materiais já conhecidos.

Outra preocupação é a multiplicação de artigos científicos de baixa qualidade, produzidos com IA e contendo referências inexistentes. Um estudo com mais de 1 milhão de artigos biomédicos encontrou indícios de utilização da tecnologia em quase 90% das publicações analisadas. A revisão por pares, mecanismo pelo qual cientistas avaliam pesquisas antes da publicação, também está ameaçada. Estudos identificaram pareceres e citações bibliográficas produzidos artificialmente, incluindo milhares de trabalhos científicos inexistentes. O problema pode provocar desperdício de recursos, atrasar descobertas e comprometer o desenvolvimento de medicamentos e tecnologias sustentáveis. Editoras científicas já adotam medidas para combater abusos. A Elsevier desenvolveu indicadores para identificar publicações suspeitas, enquanto revistas do grupo Nature restringem o uso de IA na avaliação de manuscritos. Especialistas defendem que a tecnologia seja utilizada como ferramenta de apoio, mantendo os pesquisadores responsáveis pela análise e validação dos resultados. A IA também precisa preservar a capacidade humana de reconhecer descobertas inesperadas, como a penicilina, a radioatividade e os pulsares, identificados a partir de observações inicialmente consideradas incomuns. Apesar dos riscos, experiências demonstram seu potencial. A pesquisadora Andrea Pauli utilizou IA em estudos sobre a fecundação e identificou uma proteína que ajuda a explicar como o espermatozoide penetra no óvulo. Oliver Vince, fundador da Basecamp Research, pretende utilizar a tecnologia para encontrar tratamentos e possíveis curas para diferentes tipos de câncer, motivado por sua própria experiência com a leucemia. O desafio, portanto, é aproveitar os avanços da inteligência artificial sem comprometer a credibilidade, a criatividade e a confiança que sustentam a pesquisa científica.