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quarta-feira, 24 de junho de 2026

FORTUNA DE ELON MUSK NÃO É REAL

POLÍCIA FEDERAL EM BUSCA DE RECURSOS DE VORCARO NO EXTERIOR


Sem a delação premiada de Daniel Vorcaro, investigadores do caso Banco Master demonstram preocupação com a recuperação de recursos supostamente desviados e ocultados no exterior. Integrantes do Ministério Público, da Polícia Federal e do STF avaliam que o fracasso das negociações dificulta o rastreamento e a repatriação dos valores. A PGR rejeitou a proposta apresentada pelo ex-banqueiro em 15 de junho, após parecer contrário da PF. Foi a segunda tentativa frustrada de acordo. Apesar disso, autoridades afirmam que as negociações seguem abertas, desde que Vorcaro amplie os relatos e apresente informações consideradas confiáveis. Segundo investigadores, a colaboração poderia acelerar significativamente a localização e a devolução de ativos mantidos fora do país. Sem ela, a recuperação depende de um longo processo judicial, incluindo eventual condenação definitiva e identificação dos bens pelas autoridades. A proposta apresentada previa a devolução de cerca de R$ 40 bilhões em dez anos, mas foi considerada insuficiente. Os investigadores estimam prejuízo próximo de R$ 60 bilhões e defendem ressarcimento integral.

Embora afirmem possuir provas suficientes para avançar na investigação sem a colaboração de Vorcaro, os investigadores reconhecem que ele poderia indicar onde estão os recursos e facilitar a repatriação. A Justiça das Bahamas e um tribunal dos Estados Unidos já reconheceram a liquidação do Banco Master, medida que pode auxiliar na busca por ativos. Paralelamente, a PF acionou mecanismos internacionais de cooperação, incluindo a difusão prateada da Interpol. O rastreamento envolve identificar contas, imóveis, empresas, offshores e criptoativos, muitas vezes registrados em nome de terceiros. Dependendo do país onde os recursos estão, o processo pode ser mais complexo, especialmente em jurisdições conhecidas por baixa cooperação internacional. Por isso, autoridades continuam vendo a delação premiada como um instrumento capaz de reduzir obstáculos e acelerar a recuperação dos valores. 

BRASIL BUSCA EVITAR MAIS TARIFAS DOS EUA


O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (24) que o governo brasileiro mantém negociações com os Estados Unidos para evitar a ampliação das tarifas sobre produtos nacionais e criticou a politização de uma pauta comercial. Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, da EBC, Rosa condenou declarações que vinculam as tarifas ao cenário eleitoral brasileiro. Segundo ele, transformar uma questão comercial em disputa política é prejudicial ao país. O ministro informou que cerca de 21% das exportações brasileiras são afetadas pelas medidas tarifárias adotadas pelo governo de Donald Trump. Ele ressaltou que o tema deveria ser tratado exclusivamente no campo econômico. Rosa lembrou que, após o início da escalada tarifária dos EUA, o Brasil conseguiu reduzir a alíquota para 10% por meio de negociações bilaterais semanais, mas novas pressões voltaram a surgir. Para minimizar os impactos, o governo lançou um programa de apoio aos exportadores atingidos. Segundo ele, haverá recursos disponíveis para proteger empresas e empregos.

O ministro também criticou questionamentos dos EUA ao Pix, classificando o sistema de pagamentos como uma ferramenta brasileira e parte da soberania nacional. Rosa definiu as tarifas como injustas do ponto de vista comercial e afirmou que o Brasil seguirá participando de reuniões técnicas para tentar reverter a decisão. Entre os setores mais prejudicados estão rochas ornamentais, madeira, calçados e sal, que dependem fortemente do mercado norte-americano. O governo busca incluí-los em listas de exceção durante as negociações. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 24/06/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Funcionário do BRB é apontado como líder de esquema de falsos consórcios no DF

Investigações revelam que a organização movimentou mais de R$ 22 milhões entre 2023 e 2025 e prejuízo das vítimas ultrapassa R$ 278 mil

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

STJ investiga ex-governador bolsonarista do MT por consignado do Master

Corte abriu apuração sobre Mauro Mendes (União Brasil) e credenciamento do Credcesta, sistema também no centro das suspeitas sobre Cláudio Castro (PL-RJ) e Jaques Wagner (PT-BA)

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Jaques Wagner vai a Brasília e tenta convencer Lula a mantê-lo na liderança até o recesso de julho

Petista alvo da PF no caso Master é alvo de pressão para se afastar, e auxiliares dizem que presidente pretende persuadi-lo a sair

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Profissionais do Samu são afastados após morte de segurança em Salvador

A medida foi anunciada nesta terça-feira (23) pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS)

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Operação do Denarc mira grupo ligado ao tráfico e comércio ilegal de armas na Região Metropolitana

Ação da Polícia Civil cumpre mandados em três cidades e é desdobramento de investigações sobre armazenamento e tele-entrega de drogas

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Parlamento reaprecia a 3 de julho decreto sobre perda de nacionalidade considerado inconstitucional

André Ventura, anunciou como prioridade da sua bancada a confirmação do decreto, mas PSD e Iniciativa Liberal já se demarcaram dessa via do ponto de vista político.

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO DE ONTEM

Thomas L. Friedman

Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades

SALVAR ARTIGOS

Thomas L. Friedman
Descrição de chapéuTHE NEW YORK TIMES

Trump colocou seus interesses acima de tudo no acordo com o Irã

  • Presidente americano aceitou a negociação por receio de inflação e derrota republicana nas eleições
  • Documento não exige que Teerã interrompa desenvolvimento de mísseis e prevê US$ 300 bilhões para reconstru

 


Thomas L. Friedman
THE NEW YORK TIMES

Certamente algo neste acordo preliminar entre os Estados Unidos e o Irã deve ter parecido familiar ao presidente magnata do mercado imobiliário americano. Afinal, ele se lê como um pedido de falência imobiliária —um ato de capitulação financeira.

Fica evidente o quanto Teerã deixou Trump encurralado, e o tamanho da surra que deu nele, quando o negociador-chefe do regime, Mohammad Bagher Ghalibaf, diz à TV estatal iraniana após os detalhes serem anunciados: "O acordo é um registro do fracasso dos EUA. As pessoas verão e julgarão".

Você não precisa ser um especialista em política externa para ver o que aconteceu aqui. Você precisa ser um especialista em política doméstica. Trump sacrificou o aliado da América na guerra, Israel, e os Estados árabes do Golfo pelos estados decisivos de Pensilvânia, Geórgia e Michigan.

Trump sabia que a inflação dos alimentos e os altos preços da gasolinaprovocados por esta guerra eram uma receita para uma derrota republicana nas eleições de meio de mandato.

Ex-presidente caminha em ambiente interno formal, com fotógrafos tirando fotos à esquerda e seguranças ao fundo à direita. Ambiente com decoração clássica e iluminação artificial.
O presidente americano, Donald Trump, chega em cerimônia na Casa Branca -  Ken Cedeno - 18.jun.26/AFP

Ele tinha que parar a guerra agora para baixar os preços até novembro, porque se os democratas tomarem a Câmara e o Senado, Trump enfrentará investigações intermináveis sobre como ele usou a Presidência para enriquecer a si mesmo e sua família —e possivelmente até impeachment.

Então Trump fez o que sempre faz: abandonou todos os princípios e todos os aliados e colocou seus interesses pessoais acima de todas as outras considerações.

Ele até preparou o terreno para culpar seu vice-presidente, J. D. Vance. "Se der certo, vou ficar com o crédito", disse ele. "Se não der certo, vou culpar o J. D. É melhor ter cuidado, J. D."

As pessoas riram —mas de nervoso, porque todos sabiam que era uma piada, mas também não era. Era a voz interior de Trump falando.

Esta não foi uma guerra que eu defendi, mas, uma vez que começou, eu estava torcendo para que o Irã perdesse. Como tal, estou chocado com o resultado até agora —pelo puro cinismo com que Trump e Vance passaram de condenar o Irã e dizer ao seu povo para se levantar porque "a ajuda está a caminho", para elogiar seus líderes, e como este acordo deixou o Irã mais forte e todos os seus vizinhos mais vulneráveis aos caprichos de Teerã.

Eu teria muito mais simpatia pela forma estressada com que Trump lida com o problema espinhoso que é o Irã se ele ao menos uma vez tivesse demonstrado a mesma compreensão com o presidente Barack Obama ou reconhecido que não conseguiu entregar ao povo iraniano o que prometeu. Em vez disso, ele simplesmente finge que tudo o que fez foi perfeito

Vamos contar as maneiras pelas quais não é perfeito. O acordo não apenas adia a questão do descarte do urânio quase em grau de bomba do Irã para negociações futuras —negociações nas quais o governo Trump já abriu mão de sua alavancagem militar— mas também, mais surpreendentemente, claramente deixa aberta a possibilidade de que o Irã poderá cobrar um pedágio no futuro de qualquer navio que queira passar pelo estreito de Hormuz.

Basta ler o acordo de cessar-fogo: Após a assinatura deste memorando de entendimento, "a República Islâmica do Irã fará arranjos usando seus melhores esforços para a passagem segura de embarcações comerciais sem cobrança por apenas 60 dias..."

Depois de bilhões de dólares em bombas lançadas sobre o Irã, Steve Witkoff e Jared Kushner conseguiram de Teerã 60 dias de passagem sem pedágio por Hormuz. Depois disso, capitães de petroleiros, tragam seus cartões de crédito. Ainda bem que tivemos esses negociadores imobiliários de primeira no caso, não diplomatas frouxos.

O acordo de cessar-fogo não apenas é silencioso sobre quaisquer compromissos do Irã de conter seu desenvolvimento de mísseis de longo alcance e seu apoio a grupos intermediários que minam os governos do Líbano e do Iraque, mas também torna a negociação de 60 dias sobre o futuro nuclear do Irã contingente à interrupção por Israel de suas operações militares no Líbano contra o exército mercenário do Irã lá, o Hezbollah.

Se Obama tivesse concordado com algo assim, a Fox News teria interrompido sua programação regular para denunciá-lo.

Tudo isso é resultado do fato de que Trump e o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, nunca levaram a sério a ideia de que o Irã faria o óbvio: fechar Hormuz em resposta ao ataque deles.

Então, em sua tentativa de impedir o Irã de desenvolver uma arma de destruição em massa que era improvável que jamais usasse —já que Israel imediatamente usaria uma contra o Irã— Trump e Netanyahu inspiraram o Irã a desenvolver uma arma de disrupção em massa, um estrangulamento em Hormuz, que pode usar a qualquer momento que sentir muita pressão dos Estados Unidos ou de Israel.

A mensagem para os aliados árabes do Golfo —Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Qatar e Kuwait em particular— é que estamos abandonando o barco, então é melhor vocês fazerem os melhores acordos que puderem com Teerã para mantê-lo à distância. Esta é a maior mudança de poder geopolítico no Golfo desde o início da guerra Irã-Iraque. Há um novo xerife na cidade. Disque 0800-Aiatolá.

Caso eles não tenham lido isso nas entrelinhas, Trump deixou claro em uma entrevista coletiva justificando por que não tentou conter o desenvolvimento de mísseis do Irã: "O que eu vou fazer? Vou deixar a Arábia Saudita ter mísseis, mas eles não podem ter?", perguntou. "Não funciona assim, sabe, não funciona assim, e mísseis não são o problema. Mísseis, eles machucam um pequeno local, mas não explodem o planeta."

Se você está lendo essas palavras em Tel Aviv ou em Riad, um calafrio acabou de percorrer sua espinha, junto com a percepção de que o presidente dos Estados Unidos não está mais batendo bem e você está sozinho em casa.

Por todas essas razões, é simplesmente impossível ouvir Trump e Vance sem lembrar da famosa observação de Nick Carraway sobre Tom e Daisy Buchanan em "O Grande Gatsby": "Eram pessoas descuidadas, Tom e Daisy —eles destruíam coisas e criaturas e depois recuavam para seu dinheiro ou sua vasta negligência, ou o que quer que fosse que os mantinha juntos, e deixavam outras pessoas limparem a bagunça que haviam feito."

De fato, pouco antes de Ghalibaf e seus colegas iranianos se gabarem de que haviam imposto um "fracasso" aos Estados Unidos, Trump estava declarando que os líderes iranianos eram "pessoas muito racionais". "Foram agradáveis de lidar, eram pessoas fortes, pessoas inteligentes", acrescentou. "Eles não são radicalizados e estão procurando ajudar seu país." Ele os chamou de "mais inteligentes" do que líderes anteriores do regime.

Compare isso também com a forma como Trump e Vance falaram com e sobre o presidente Volodimir Zelenski da Ucrânia —o líder de uma democracia heroica que está resistindo a uma invasão russa há quatro anos: "Você não tem as cartas", Trump disse a ele, instando Zelenski a fazer um acordo sujo com Vladimir Putin.

É assim que eles falam sobre o líder de um povo defendendo a fronteira da liberdade de seu pior inimigo. Para os líderes iranianos —parte de um regime que acabou de metralhar milhares de seu próprio povo que buscava liberdade— Trump diz que são "agradáveis".

Trump e Vance "não têm uma visão coerente dos interesses dos EUA e não têm absolutamente nenhum compromisso central com valores democráticos de qualquer tipo", disse-me Gautam Mukunda, autor de "Picking Presidents: How to Make the Most Consequential Decision in the World".

Esse é o ponto. Trump adora se envolver na bandeira americana, mas ele é o presidente menos americano, em termos de seus valores centrais, nos tempos modernos.

Você tem que perguntar como Trump e Netanyahu poderiam ter calculado tão mal a ponto de pensar que poderiam derrubar um regime que estava no poder desde 1979 bombardeando-o do ar. A mesma resposta se aplica a ambos: é porque eles se cercaram de bajuladores e expurgaram seus partidos de qualquer um que pudesse desafiá-los.

"Há duas maneiras de garantir que seu executivo seja um bom líder —seja selecionando pessoas de bom caráter ou colocando limites no que podem fazer— e a América e Israel hoje falharam em ambas", disse Mukunda. "Esta guerra é o exemplo mais perfeito do que acontece quando você desdenha todas as formas de expertise, conhecimento e princípios, em favor de instintos viscerais." Especialistas haviam previsto tudo o que deu errado na guerra.

Mas aí pode estar um possível lado positivo para a América e Israel: o empreendimento fracassado de Trump-Netanyahu para destruir a autocracia islamofascista do Irã pode acabar salvando a democracia americana e israelense.

Ambos os países enfrentam eleições decisivas —as eleições de meio de mandato dos EUA em novembro e a eleição nacional de Israel. Trump e Bibi, ambos caindo nas pesquisas, esperavam que uma vitória rápida no Irã impulsionasse cada um deles ou seus partidos à vitória.

Pessoas em fila aguardam para votar em cabine de votação preta dentro de sala ampla com teto baixo. À esquerda, cinco pessoas sentadas em cadeiras atrás de mesas organizam documentos e materiais eleitorais. Paredes brancas e janelas altas iluminam o ambiente.
Mesários auxiliam eleitores nas eleições primárias da Pensilvânia, na Filadélfia -  Matthew Hatcher - 19.mai.26/Getty Images via AFP

O mundo inteiro está pior com um Irã mais forte, mas estará três vezes pior se Trump e Bibi vencerem suas eleições. Porque mais cinco anos de Netanyahu como primeiro-ministro seria o fim de Israel como uma democracia judaica. E mais dois anos de Trump controlando a Casa Branca, o Senado, a Câmara e efetivamente a Suprema Corte representariam o mesmo perigo para a democracia americana.

Existe alguma maneira de Trump tirar um bom resultado do Irã? Sim, mas não tem nada a ver com o destino de suas armas nucleares. Na esteira desta guerra, se houver uma ameaça diminuída de Israel e da América, isso pode desbloquear a política no Irã também.

Pode simplesmente criar o espaço para uma maioria iraniana perguntar: "O que este regime tem para mostrar por 47 anos no poder além de um desperdício multibilionário de dinheiro para conseguir uma bomba nuclear e financiar milícias pela região com dinheiro que nós, iranianos, precisamos desesperadamente para nosso próprio desenvolvimento e transformar nosso país em um desastre ambiental com escassez de água?"

Quem sabe que política, que pressões por reforma ou mudança de regime, seriam desencadeadas em Teerã se os líderes iranianos não puderem mais distrair seu povo com guerra?

VEJA UMA SÍNTESE DO ACORDO ENTRE EUA E IRÃ

  1. EUA e Irã, junto a aliados, declaram fim imediato de todas as operações militares —inclusive no Líbano— e se comprometem a não iniciar novos conflitos nem ameaçar a soberania um do outro.

  2. As partes se comprometem a respeitar a soberania e não interferir nos assuntos internos um do outro.

  3. As partes têm até 60 dias (prorrogáveis) para chegar a um acordo final.

  4. EUA iniciam a remoção do bloqueio naval ao Irã, com encerramento total em 30 dias. Forças americanas se retirarão das proximidades do Irã em até 30 dias após o acordo final.

  5. Irã garantirá passagem segura e gratuita de embarcações comerciais em Hormuz por apenas 60 dias, com remoção de minas em até 30 dias. O futuro do estreito será negociado com Omã e outros países costeiros.

  6. EUA se comprometem a desenvolver, com parceiros, um plano de pelo menos US$ 300 bilhões para reconstrução e desenvolvimento do Irã.

  7. EUA revogarão sanções contra o Irã conforme cronograma a ser definido no acordo final.

  8. Irã reafirma que não desenvolverá armas nucleares. O material enriquecido armazenado será diluído sob supervisão da AIEA. Questões sobre enriquecimento serão discutidas no texto final.

  9. Até o acordo final, mantém-se o status quo: Irã não avança no programa nuclear e EUA não impõem novas sanções nem enviam forças.

  10. EUA concedem isenções para exportação de petróleo iraniano e serviços associados até o fim das sanções.

  11. EUA liberam integralmente fundos e ativos iranianos congelados.

  12. Será criado um mecanismo executivo para monitorar o cumprimento do memorando e do acordo final.

  13. Negociações do acordo final só terão início após o cumprimento dos itens 1, 4, 5, 10 e 11.

  14. Acordo final será endossado por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

SENADO APROVA RESOLUÇÃO PARA LIMITAR PODERES DE TRUMP


O Senado dos Estados Unidos aprovou ontem, 23, uma resolução que busca limitar os poderes de guerra do presidente Donald Trump em relação ao Irã, evidenciando o crescente desconforto de parlamentares, inclusive republicanos, com o conflito. A proposta foi aprovada por 50 votos a 48, com apoio de quase todos os democratas e de quatro republicanos. O texto já havia sido aprovado pela Câmara neste mês. A medida determina que Trump retire as forças americanas das hostilidades envolvendo o Irã. No entanto, o governo considera a resolução inconstitucional e afirma que ela não tem efeito vinculante. Especialistas divergem sobre o alcance jurídico da iniciativa. Para o pesquisador Scott Anderson, da Brookings Institution, a Casa Branca tende a ignorar a medida, e a disputa pode acabar nos tribunais. A controvérsia gira em torno dos limites entre os poderes do Congresso e do presidente. Enquanto o Executivo sustenta que o comandante das Forças Armadas não pode ser restringido dessa forma, defensores da resolução afirmam que a Constituição reserva ao Congresso a autoridade de declarar guerra.

Embora tenha pouco efeito prático imediato, a aprovação representa uma pressão política sobre Trump e uma crítica à condução do conflito. A votação ocorreu em meio às negociações de paz entre EUA e Irã. Segundo mediadores do Qatar e do Paquistão, as partes concordaram com um roteiro para um acordo final em até 60 dias. O vice-presidente J. D. Vance afirmou que houve avanços nas tratativas e que o Irã aceitou receber inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica. Apesar disso, parte dos republicanos no Congresso mantém ceticismo em relação ao cessar-fogo negociado por Trump com os iranianos. 

JUIZ TRANCA AÇÃO PENAL DA EXTINTA "LAVA-JATO"


O juiz Bruno Vaccari, do TRE-RJ, anulou na última sexta-feira (19/6) atos da extinta “lava jato” e trancou a ação penal contra o empresário Guilherme Esteves de Jesus. A decisão acolheu a tese de que houve conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e integrantes do Ministério Público. Segundo o magistrado, os elementos apresentados confirmam atuação conjunta indevida entre acusação e juiz. O entendimento foi reforçado por precedentes do STF em casos envolvendo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. O juiz afirmou que o empresário estava na mesma condição jurídica, com base nas provas apresentadas pela defesa. O Ministério Público também reconheceu indícios de interferência indevida entre magistrado e procuradores. A 13ª Vara Federal de Curitiba havia condenado Esteves a 19 anos e quatro meses por corrupção, lavagem e organização criminosa. Posteriormente, o TRF-4 reduziu a pena e o absolveu do crime de organização criminosa. A acusação apontava fraudes em contratos da Petrobras envolvendo estaleiros e a Sete Brasil. Segundo a denúncia, o empresário teria atuado em esquema com executivos e ex-diretores da estatal.

Em recurso ao STF, a defesa alegou fragilidade das provas e uso de delações contestadas. Reportagens mencionaram mensagens de procuradores indicando articulação de novas ações contra investigados. Essas mensagens sugeriam estratégias de pressão para obtenção de acordos de leniência. Também havia referências a possíveis ações para acelerar processos envolvendo a empresa Jurong. O material indicaria alinhamento entre membros da força-tarefa e decisões judiciais. Em 2020, o juiz Luiz Antonio Bonat condenou Esteves e outros réus no caso. A defesa sustenta que houve perseguição e conluio entre acusação e magistratura. A advogada do empresário afirma que a acusação foi injusta e sem base em provas consistentes. Em outro processo ligado à “lava jato”, Esteves e sua esposa foram absolvidos por falta de provas em 2022. Eles haviam sido acusados de integrar organização criminosa ligada a crimes na Petrobras. Também responderam por suposto embaraço a investigação em operação policial de 2015. O casal chegou a ser condenado em primeira instância e o empresário ficou preso por três meses. Posteriormente, o TRF-4 reverteu a condenação e absolveu ambos. O tribunal entendeu que não havia prova suficiente para caracterizar o crime. A decisão final reforçou a ausência de elementos que sustentassem a acusação original.