Pela primeira vez desde 2023, a Ucrânia conseguiu recuperar territórios que estavam sob controle da Rússia. ontem, 10, forças ucranianas afirmaram ter retomado quase totalmente a região leste de Dnipropetrovsk e recapturado cerca de 400 km² em contra-ataques recentes. Os avanços são resultado de operações iniciadas no fim de janeiro e intensificadas em fevereiro. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, que Kiev recuperou cerca de 460 km² desde janeiro, o equivalente a aproximadamente 10% do território perdido para Moscou em 2024. Segundo Zelensky, um dos fatores para os ganhos é a dificuldade da Rússia em repor perdas humanas na linha de frente. A ofensiva ucraniana foi mais eficaz no leste do Oblast de Dnipropetrovsk, onde a presença russa teria sido reduzida a três cidades. “Quase todo o território de Dnipropetrovsk foi libertado”, afirmou o major-general Oleksandr Komarenko em pronunciamento televisionado. Na província vizinha de Zaporizhia, onde Moscou chegou a ocupar cerca de 75% da área, Kiev diz ter retomado nove cidades desde janeiro.
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), think tank dos Estados Unidos, avalia que os ganhos são menores do que os anunciados, estimando cerca de 257 km² recuperados. Ainda assim, considera os avanços relevantes, apesar das dificuldades para medir com precisão a linha de frente. Especialistas afirmam que as perdas russas e a dificuldade de recrutar novos soldados ajudam a explicar o avanço ucraniano. De acordo com Zelensky, a Rússia estaria perdendo até 35 mil soldados por mês — número semelhante ao de novos recrutas — o que impediria a expansão de suas forças. Apesar disso, Moscou ainda planeja uma ofensiva no verão e continua avançando em áreas estratégicas do Oblast de Donetsk. Sanções econômicas e dificuldades financeiras também estariam afetando o recrutamento russo. Mesmo com bônus de alistamento elevados, o país tem dificuldade para repor suas tropas. Analistas afirmam que o presidente Vladimir Putin evita decretar mobilização total, temendo reação negativa da população. Segundo militares ucranianos, essa cautela pode limitar a capacidade ofensiva russa nos próximos meses.



O artigo 40 do Projeto de Lei 5.582/2025, aprovado pelo Congresso Nacional em 24 de fevereiro, altera o Código Eleitoral (Lei 4.737/1965) para proibir o voto de pessoas presas, mesmo sem condenação definitiva. O texto, enviado para sanção presidencial, é considerado inconstitucional por advogados criminalistas ouvidos pela revista Consultor Jurídico, por violar o princípio da presunção de inocência.