AUMENTA NÚMERO DE MULHERES NO JUDICIÁRIO
As mulheres representam 40,1% da magistratura brasileira, mas ainda são minoria nos cargos mais altos do Judiciário. Dados do CNJ mostram que, entre 18.934 magistrados em atividade, 7.563 são mulheres. Elas ocupam 46,1% das vagas de juíza substituta e 41,2% dos cargos de juíza titular. Nos tribunais de segunda instância, representam 27,9% dos desembargadores. Entre ministros de tribunais superiores e conselheiros de órgãos superiores, a participação cai para 22,2%. No STF, em 135 anos, apenas três mulheres integraram a Corte: Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Rosa Weber. Atualmente, apenas Cármen Lúcia ocupa uma das 11 cadeiras. A Justiça do Trabalho é o único ramo com paridade de gênero (50,1%), enquanto as Justiças Militares registram os menores índices. O levantamento também aponta maior participação feminina entre magistrados mais jovens, embora a presença diminua no topo da carreira.
"OS CUSTOS DAS DESIGUALDADES"
Novo livro dos economistas mostra que a desigualdade no Brasil também impõe custos às elites, ao limitar o crescimento econômico e aumentar o risco de instabilidade social. Embora diferenças de renda sejam naturais, elas se transformam em desigualdade de oportunidades entre gerações, favorecendo quem nasce em famílias mais ricas. Isso reduz a mobilidade social, desperdiça talentos e compromete a produtividade do país. Os autores defendem que uma economia saudável depende da possibilidade de ascensão dos mais pobres e da competição real entre todos. Quando ricos quase nunca caem e pobres quase nunca sobem, o sistema deixa de ser meritocrático. Empresas e investidores também são prejudicados pela falta de aproveitamento do potencial humano. Além dos impactos econômicos, o atual pacto social estaria se desgastando, elevando o risco de rupturas. Essas reflexões são apresentadas no livro "Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas", de Daniel Duque e do coautor do artigo.
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi denunciado criminalmente por dois advogados que o acusam de usar recursos públicos para participar de um ato do PL em São Paulo, em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A ação sustenta que Milei empregou o avião presidencial, comitiva oficial e verbas estatais em evento de caráter partidário. Os autores apontam possível malversação de recursos públicos e descumprimento dos deveres de funcionário público. Também criticam os ataques feitos por Milei ao presidente Lula, chamado de "presidiário", e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo a denúncia, as declarações configuram interferência na política interna brasileira e violam o princípio da não intervenção. A petição cita a Carta da ONU, a Carta da OEA e a Resolução 2625 da ONU. Os advogados pedem informações sobre os gastos da viagem, a comitiva e as ordens de voo, além do interrogatório de Milei. O caso foi apresentado um dia após a reação oficial do governo brasileiro às declarações do presidente argentino.
QUESTIONAMENTO DE APOSENTADORIA COMPULSÓRIA
A conselheira Daiane Nogueira de Lira, do CNJ, determinou que o TJ-GO se manifeste em cinco dias sobre a ação do juiz Adenito Francisco Mariano Júnior contra sua aposentadoria compulsória. O magistrado busca anular a punição aplicada em processo disciplinar. Em julho, o Órgão Especial do TJ-GO manteve, por maioria, a sanção. A defesa sustenta que a EC 103/2019 extinguiu o fundamento constitucional da aposentadoria compulsória como pena. Também cita decisão do STF na Ação Originária 2870. Os advogados afirmam que o CNJ deve participar obrigatoriamente do procedimento. Daiane Nogueira informou que analisará o pedido de liminar após a manifestação do tribunal. No TJ-GO, o relator defendeu a manutenção da punição. Já o desembargador Luís Cláudio Veiga Braga divergiu e considerou a pena incompatível com a nova regra constitucional. O debate ganhou força após decisão do ministro Flávio Dino, do STF. Em março, ele anulou sanção semelhante aplicada a um juiz do Rio de Janeiro. O ministro defendeu que, em casos graves, a punição adequada é a perda do cargo, por meio de ação judicial.
PROFESSOR DE JIU-JÍTSU É PRESO NOS EUA
O brasileiro Thiago Brito, de 34 anos, faixa-preta e professor de jiu-jítsu, foi preso pelo ICE no Aeroporto da Filadélfia em 24 de julho. Há dez anos nos EUA, ele foi detido quando embarcava para Orlando para acompanhar alunos no Pan Kids. Segundo a família, Thiago permaneceu no país após o vencimento do visto de turista e teve pedido de autorização de trabalho negado. A prisão mobilizou alunos, pais e academias, que divulgaram cartas, vídeos e campanhas pedindo sua libertação. Uma vaquinha para custear a defesa já arrecadou mais de US$ 28 mil. Após a detenção, ele foi transferido para o centro de imigrantes Moshannon Valley, na Pensilvânia. Thiago aguarda audiência de custódia e relata dificuldades para receber atendimento médico. A família afirma que ele foi transportado algemado e descreveu a situação como um "inferno". O ICE não informou a acusação formal nem comentou as condições de sua detenção. O caso ocorre em meio ao aumento das fiscalizações migratórias em aeroportos dos EUA. Em julho, o ICE registrou cerca de 46 mil detenções de imigrantes, segundo a CBS. Desde 2025, quase 5 mil brasileiros foram deportados dos EUA para o Brasil.
CAEM OS PREÇOS DE CARROS NOVOS
Os preços dos carros no Brasil começaram a cair após anos de aumentos acima da inflação, impulsionados principalmente pela entrada de montadoras chinesas no mercado. Com modelos mais baratos, híbridos e elétricos, essas marcas pressionaram as concorrentes a reduzir preços.
Segundo a Bright Consulting, o preço médio dos veículos leves caiu de R$ 172,5 mil para R$ 170 mil em um ano. O valor efetivamente pago pelos consumidores recuou 3,5%, de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil. Volkswagen, Mitsubishi e Renault promoveram descontos e reposicionaram suas linhas. Promoções superiores a R$ 20 mil tornaram-se comuns no mercado. O BYD King GL, por exemplo, é vendido por R$ 147.990, R$ 25 mil abaixo da tabela. Especialistas afirmam que a estratégia chinesa prioriza preços baixos para ganhar mercado. O objetivo é ampliar participação, fortalecer as marcas e elevar o volume de vendas.
Segundo Theo Paul Santana, a tática segue o modelo adotado por plataformas como Shopee e Shein. A escala de produção e a verticalização da indústria chinesa permitem sustentar essa política. O resultado é maior concorrência e queda dos preços dos automóveis no Brasil.
Salvador, 4 de agosto de 2026
Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.