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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

PRÁTICA DE ACOLHIMENTO: DOULA DA MORTE


A morte é considerada uma das únicas certezas da vida, mas falar sobre a finitude ainda é tabu. Nesse contexto, ganha espaço no Brasil a doulagem da morte, prática que oferece acolhimento a pessoas em fase terminal e familiares durante o luto. 
Em Piracicaba (SP), a professora de ioga e terapeuta integral Silvia Onofre decidiu seguir essa atividade após perder o pai, vítima de câncer, e o cunhado, de 36 anos, em 2017. Atualmente, Silvia realiza atendimentos individuais, retiros sobre finitude, grupos de apoio ao luto e funerais simbólicos. A doula da morte acompanha pessoas e famílias diante do processo de morrer e das perdas, oferecendo escuta, presença, apoio emocional e cuidado. O trabalho, porém, não substitui o atendimento de médicos, enfermeiros e profissionais de cuidados paliativos. A atividade ainda não é regulamentada no Brasil e permanece pouco conhecida. Existem cursos livres de formação, que abordam finitude, luto, escuta e diretivas antecipadas de vontade. Após mais de dez anos trabalhando na área administrativa escolar, Silvia fez sua formação em 2025. Ela explica que a doulagem também ajuda as pessoas a refletirem sobre a própria vida e a se prepararem para a morte. O acompanhamento pode incluir decisões práticas, como escolha do caixão, organização do velório, documentos, cerimônias e cartas destinadas aos familiares. Também envolve apoio no luto antecipatório e após a morte. A terapeuta trabalha ainda com perdas simbólicas, como separações, demissões e aposentadorias, utilizando escuta, massagens, aromaterapia e ioga.

Uma das pessoas atendidas foi a professora Rafaela Pereira Santos, de 38 anos, que procurou Silvia após perder o emprego. A experiência de um retiro sobre finitude a ajudou a enfrentar a mudança profissional e reorganizar seus planos. Durante o acompanhamento, Rafaela também conseguiu elaborar a dor pela morte do primeiro filho, Lourenço, ocorrida 11 anos antes. Como não pôde participar do velório e do sepultamento, realizou uma cerimônia simbólica de despedida. Outro atendido foi Kelvin Jones, de 26 anos, que procurou ajuda dois meses após a morte da mãe, vítima de um câncer raro. Segundo ele, o acolhimento e as técnicas corporais ajudaram a enfrentar a ausência e reorganizar a rotina. O psiquiatra Arthur Cardoso considera que o acompanhamento pode contribuir para uma morte digna, respeitando a história e o legado do paciente, além de reduzir possíveis sentimentos de culpa entre familiares. Já o médico Lucas Fernando Zorzetto ressalta que equipes multiprofissionais de cuidados paliativos oferecem assistência física, emocional, social e espiritual aos pacientes e familiares. Para ele, médicos, enfermeiros, psicólogos e outros especialistas já desempenham papel fundamental nesse processo. A doulagem pode ser compreendida como uma forma complementar de acolhimento diante da finitude e do luto.

 

ADVOGADOS MANIPULAM DECISÕES JUDICIAIS

Comandos ocultos escondidos em petições
Tentativas de manipular decisões judiciais por meio de comandos ocultos em petições têm preocupado os tribunais brasileiros. Advogados inserem instruções invisíveis para influenciar ferramentas de inteligência artificial utilizadas por juízes. Uma reportagem do Fantástico, exibida no domingo, 1º, revelou casos identificados em diferentes instâncias, inclusive no STF. Em Santa Catarina, a empresária Madalena Dutra Martins descobriu que seu nome estava negativado por uma dívida que não reconhecia. Ao analisar o processo, o juiz Matheus Della Giustina Perin utilizou inteligência artificial, que identificou comandos suspeitos na petição da empresa. As instruções estavam escondidas em uma área aparentemente vazia do documento e pediam que a ferramenta considerasse improcedentes os pedidos da empresária. A empresa perdeu a ação, recebeu multa de R$ 1 mil e os advogados foram encaminhados ao Conselho de Ética da OAB. A manipulação pode ocorrer por meio de letras brancas sobre fundo branco, fontes minúsculas, comentários desativados ou metadados dos arquivos. Outro episódio ocorreu em um processo sobre acidente de trânsito em Videira (SC). Comandos escondidos foram descobertos apenas na segunda instância. A Justiça aplicou multa por litigância de má-fé, equivalente a um salário mínimo. A advogada negou intenção de manipular o sistema. Uma plataforma de dados judiciais identificou 83 processos com comandos fraudulentos. Segundo especialistas, a responsabilidade pelo conteúdo das petições é de quem assina os documentos.

A prática também chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que encontrou instruções ocultas em um processo sobre assassinato, orientando a inteligência artificial a acolher os argumentos da defesa. O caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal e à OAB da Paraíba. No Supremo Tribunal Federal, foi identificada tentativa semelhante em um processo relacionado aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O advogado responsável recebeu multa de R$ 5 mil. Ele afirmou desconhecer a existência do comando e recorreu da decisão. O Ministério Público Federal e a OAB avaliarão os episódios. A OAB Nacional considera inadmissível o uso dessas instruções e defende punições. O Conselho Nacional de Justiça ressalta que a utilização de inteligência artificial não elimina a responsabilidade de advogados e magistrados. Tribunais defendem maior fiscalização dos documentos e o desenvolvimento de ferramentas capazes de identificar mensagens ocultas. 

DEMOCRATAS NA LIDERANÇA EM SETE ESTADOS


Os
democratas aparecem na liderança em cinco dos sete estados decisivos para o controle do Senado dos Estados Unidos, segundo pesquisas do New York Times e da Universidade Siena. Eles lideram no Kansas, Maine, Ohio e Texas, além de terem pequena vantagem no Alasca. Em Iowa, a disputa está tecnicamente empatada. Para conquistar a maioria, precisam manter suas cadeiras e tomar pelo menos quatro dos republicanos. A insatisfação com Donald Trump e sua política econômica tem prejudicado os candidatos republicanos. Apenas 38% dos eleitores pesquisados aprovam o desempenho do presidente. Os democratas também têm vantagem de nove pontos na avaliação sobre o custo de vida. No Texas, James Talarico lidera Ken Paxton por 50% a 43%. No Maine, Troy Jackson supera a senadora republicana Susan Collins por 51% a 45%. No Kansas, Adam Hamilton aparece à frente de Roger Marshall por 49% a 44%. Em Ohio, Sherrod Brown lidera Jon Husted pelo mesmo percentual: 49% a 44%. Em Michigan, Abdul El-Sayed tem vantagem de 11 pontos sobre Mike Rogers. Os democratas avançaram nas pesquisas em seis dos sete estados analisados desde setembro. A recuperação é atribuída ao apoio de jovens e latinos e à perda de confiança dos trabalhadores brancos nos republicanos. Trump havia conquistado 74% dos votos dos brancos sem diploma universitário em 2024. Agora, os republicanos registram apenas 56% nesse segmento nos estados pesquisados. Os democratas também lideram entre os eleitores independentes em todos os estados analisados.

A economia, o custo de vida e a insatisfação com a liderança presidencial influenciam a disputa. No Kansas, o aumento do diesel e a retirada de tarifas sobre carne bovina estrangeira desagradaram aos agricultores. O republicano Roger Marshall também enfrenta críticas por ações judiciais contra pacientes endividados. No Texas, Paxton apresenta elevada rejeição: 54% dos eleitores têm opinião desfavorável sobre ele. Já Talarico registra avaliação positiva de 49%, contra 39% de rejeição. Em Ohio, os republicanos gastaram US$ 80 milhões a mais em publicidade que os democratas. No Michigan, uma disputa interna democrata e o apoio de uma adversária a Rogers podem favorecer os republicanos. Apesar da vantagem democrata, eleitores indecisos e mudanças de última hora representam riscos. Os eleitores que decidiram seu voto no último mês favoreceram os republicanos por nove pontos. As pesquisas ouviram milhares de eleitores entre 23 de outubro e 1º de novembro. Se as tendências forem confirmadas nas urnas, os democratas poderão retomar o controle do Senado.

AMERICANOS PODEM VOTAR ANTECIPADAMENTE, NA ELEIÇÃO DE AMANHÃ


Mais de 49 milhões de americanos já votaram antecipadamente nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, por correio ou pessoalmente, segundo o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida. O número supera os quase 46 milhões registrados em 2022. Uma vitória democrata na Câmara ou no Senado poderá abrir caminho para investigações sobre o governo de Donald Trump, que atualmente conta com maiorias republicanas nas duas Casas do Congresso. Trump intensificou sua campanha em vários estados no último mês. No sábado (31), não tinha compromissos eleitorais, mas retomou as viagens no domingo, pelo Kansas e Iowa. Na reta final da disputa, o Departamento de Justiça intensificou sua atuação na eleição para o Senado no Alasca, considerada decisiva para os democratas tentarem conquistar a maioria. A investigação envolve o recrutamento de Daniel J. Sullivan Jr., professor aposentado, para disputar a eleição. Ele tem o mesmo nome do senador republicano Dan Sullivan, que busca a reeleição. Segundo o New York Times, assessores da candidata democrata Mary Peltola teriam recrutado o professor para confundir os eleitores. O Departamento de Justiça abriu investigação criminal e mobilizou agentes do FBI e promotores. O principal promotor federal no Alasca, Michael Heyman, afirmou que as novas informações aceleraram as investigações. Ele classificou o candidato como fictício, mas não especificou qual crime teria sido cometido. Peltola negou conhecer qualquer tentativa de recrutamento, enquanto o professor afirmou não ter coordenado sua candidatura com a campanha democrata.

Além da disputa no Alasca, o governo Trump entrou com ações judiciais contra a Califórnia para impedir a contagem de votos de mais de 20 mil eleitores que poderiam não ser cidadãos americanos. O Departamento de Justiça também processou cerca de 30 estados e o distrito de Columbia para obter listas eleitorais completas. Na sexta-feira, um juiz federal determinou que o governo pare de ameaçar processar autoridades eleitorais da Califórnia por não seguirem suas orientações sobre supostos votos de não cidadãos. Para Sean Morales-Doyle, do Brennan Center for Justice, as iniciativas lembram as estratégias utilizadas por grupos que contestaram o resultado da eleição presidencial de 2020. Segundo ele, as ações podem criar insegurança, desconfiança e pressão sobre autoridades eleitorais, mesmo que não tenham êxito na Justiça. As eleições de amanhã, 3, definirão as 435 cadeiras da Câmara e 35 vagas do Senado, determinando o equilíbrio de forças no Congresso durante os dois últimos anos do mandato de Trump. Apesar das controvérsias, pesquisa Reuters/Ipsos indica que 76% dos americanos confiam que seus votos serão contados corretamente. Apenas 15% demonstraram desconfiança, com níveis semelhantes entre republicanos e democratas.