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domingo, 29 de março de 2026

POLÍCIA DE ISRAEL IMPEDE CELEBRAÇÃO DE MISSA


A polícia de Israel impediu o Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, de celebrar a missa de Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro
Segundo o Patriarcado Latino, ele e um sacerdote foram barrados ao tentar entrar no local, o que teria ocorrido “pela primeira vez em séculos”. A igreja fica na Cidade Velha de Jerusalém e é considerada um dos locais mais sagrados do cristianismo, associada à crucificação e ao túmulo de Jesus. O Patriarcado classificou o episódio como um “grave precedente” e criticou a falta de respeito à sensibilidade de fiéis no mundo. As agências AFP e Reuters procuraram a polícia israelense, mas não houve resposta. Desde o início da guerra no Oriente Médio, após ataques de Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, foram impostas restrições a aglomerações religiosas. Eventos públicos, incluindo celebrações em igrejas, sinagogas e mesquitas, foram limitados a cerca de 50 pessoas. No início do mês, fiéis muçulmanos também foram impedidos de celebrar a Laylat al-Qadr na mesquita de Al-AqsaO fechamento durante o Ramadã gerou críticas internacionais, incluindo da Liga dos Estados Árabes.

O Domingo de Ramos marca a entrada de Jesus em Jerusalém e abre a Semana Santa. O Patriarcado já havia cancelado a tradicional procissão do Monte das Oliveiras até a cidade. A instituição afirmou que sempre respeitou as restrições impostas desde o início do conflito. Ainda assim, considerou a proibição da entrada do cardeal uma medida “desproporcional e irrazoável”. O Vaticano não comentou o caso até o momento. Mais cedo, o papa Leão 14 criticou líderes que promovem guerras. Ele afirmou que Deus rejeita orações de quem tem “mãos cheias de sangue”. Diante de fiéis na Praça São Pedro, classificou o conflito no Oriente Médio como atroz. Também disse que Jesus não pode ser usado para justificar guerras. 

EX-DEPUTADO É TRANSFERIDO PARA BANGU 8


O ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi transferido ontem, 28, para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, o Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, após ser preso pela Polícia Federal na noite de sexta-feira (27). 
Ele foi detido em casa, em Teresópolis, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Após a prisão, foi levado à Superintendência da PF no Rio e depois ao sistema prisional. Antes da transferência, Bacellar passou pelo Presídio José Frederico Marques, em Benfica, onde teve a prisão confirmada em audiência de custódia. A prisão faz parte da terceira fase da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas sobre ações contra o Comando Vermelho. Além da prisão, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão. A operação atende determinações do STF no âmbito da ADPF das Favelas. Na decisão, Moraes apontou indícios de participação de Bacellar em organização criminosa e tentativa de atrapalhar investigações. Segundo o ministro, há suspeitas de vazamento de dados sigilosos, interferência em operações policiais e orientação para retirada de provas. A decisão também cita risco à ordem pública, considerando a influência política do investigado. Outro ponto foi a recente cassação do mandato de Bacellar pelo Tribunal Superior Eleitoral no caso do Ceperj. Para Moraes, a perda do cargo reforça a necessidade da prisão preventiva.

Bacellar já havia sido preso em dezembro na mesma operação, mas foi solto dias depois com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica. A cassação do mandato levará à recontagem dos votos das eleições de 2022 no Rio, podendo alterar cadeiras na Alerj. A retotalização está prevista para terça-feira (31). A defesa afirmou desconhecer os motivos da nova prisão, classificando-a como indevida e prometendo recorrer. No dia 16, a Procuradoria-Geral da República denunciou Bacellar por vazamento de informações para TH Joias, investigado por ligação com o Comando Vermelho. Também foram denunciados um desembargador e outras pessoas. Segundo a PGR, as informações sobre operação policial teriam origem no Judiciário e sido repassadas ao grupo investigado. Bacellar é acusado de vazar dados de ação da Polícia Federal ao principal alvo da operação.

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE

Supremo dá péssimo exemplo ao proteger Dias Toffoli

Sinais de aproximação entre ministro e interessados em causas bilionárias deveriam gerar investigação Transações de Master e J&F relacionadas ao resort do qual Toffoli foi sócio não o condenam de antemão, mas bastam para abertura de inquérito

Por que o ministro Dias Toffoli não é formalmente investigado? Essa omissão, ante o volume de indícios que o colocam sob suspeita de ter mantido relações promíscuas com empresas interessadas em ações no Supremo Tribunal Federal, desafia o mandamento republicano da igualdade diante da lei.

No início de janeiro, esta Folha revelou a sociedade, no resort paranaense Tayayá, entre uma empresa que tinha entre os sócios dois irmãos do ministro e um fundo ligado às falcatruas do Banco Master, cujo inquérito estava sob a alçada de Toffoli na corte.

Quando a conexão foi noticiada, o ministro preferiu não esclarecer que ele também era proprietário da empresa, chamada Maridt, com os irmãos. Só o fez um mês depois, quando a Polícia Federal entregou ao presidente da corte, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas com citações comprometedoras sobre o ministro.

A pressão dos fatos levou os colegas de Toffoli a uma solução heterodoxa para tirá-lo da relatoria do inquérito do Master. O ministro se afastou "espontaneamente", mas recebeu dos demais ministros um habeas corpus tácito, sob a forma de um comunicado afirmando o absurdo de que nada do que a PF relatara suscitava a suspeição de Toffoli no caso.

Pouco depois, o público pôde conhecer uma parte do que os ministros do Supremo leram no documento policial, mas preferiram varrer para debaixo do tapete.

A PF detectara indícios de pagamentos de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro à Maridt de Toffoli. Nas mensagens apreendidas, em maio de 2024 o dono do Master cobrava de seu comparsa Fabiano Zettel a realização dos aportes milionários ao "fundo do Tayayá", pois estava em "situação difícil".

Notícias de transações estranhas e vultosas com o resort não pararam por aí. O Estado de S. Paulo publicou dados do Coaf (órgão federal que monitora atividades financeiras) mostrando que, em 2025, a J&F transferiu R$ 25,9 milhões à empresa que, no mesmo ano, comprou as cotas dos irmãos Toffoli no Tayayá.

A empresa que adquiriu a sociedade no resort pertence a um advogado com serviços prestados ao conglomerado dos irmãos Batista. Outra advogada com serviços prestados ao grupo é Roberta Rangel, que era esposa do ministro Dias Toffoli quando ele suspendeu multas de R$ 10,3 bilhões por corrupção confessada da J&F.

Num Estado de Direito há presunção de inocência, portanto essas informações, conexões e coincidências envolvendo Dias Toffoli e interesses bilionários não o condenam de antemão. Mas outro princípio, o da isonomia, decreta que suspeitas de malfeitos devem ser investigadas a despeito do status da pessoa envolvida.

É péssimo o exemplo que o Supremo Tribunal Federal oferece à sociedade ao proteger um de seus colegas de uma legítima e necessária prestação de contas. Quando o órgão máximo da Justiça atua com tamanha desfaçatez, corrói o liame de confiança que constitui o seu principal ativo

editoriais@grupofolha.com.br 

MINISTRO NÃO ATENDE À CPI PARA APURAR IRREGULARIDADES FINANCEIRAS


O presidente do STF, Edson Fachin, negou pedido da CPI do Crime Organizado para suspender decisão de Gilmar Mendes sobre a empresa Maridt Participações. 
Fachin manteve válida a ordem que anulou a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa. A CPI alegava indícios de irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e ligações com investigados. A Maridt, que tem familiares de Dias Toffoli entre os sócios, recorreu ao STF. Gilmar concedeu habeas corpus de ofício, apontando irregularidades na decisão da CPI. A comissão pediu a suspensão da medida, alegando prejuízo às investigações. Fachin não analisou o mérito da decisão de Gilmar. Ele afirmou que a “suspensão de liminar” não serve para revisar decisões de ministros do STF. Segundo Fachin, não cabe à presidência da Corte atuar como instância revisora interna. Assim, a decisão de Gilmar Mendes permanece válida. Em paralelo, Fachin enviou outra petição ao próprio Gilmar para esclarecimentos. As suspeitas envolvem ligações entre Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga possíveis crimes financeiros ligados ao caso.

Toffoli não é investigado formalmente, pois isso exige autorização do STF. Investigações apontam suspeitas em fundos ligados ao resort Tayayá. O senador Fabiano Contarato criticou a decisão. Segundo ele, a medida limita os poderes investigativos da CPI. A comissão pretende recorrer ao plenário do STF. A PF produziu relatório de 200 páginas sobre o caso. O documento levou à saída de Toffoli da relatoria. O processo passou para André MendonçaA Maridt vendeu participação no resort a fundos ligados ao Banco Master. Depois, deixou completamente o negócio em 2024. As operações envolveram investidores e advogados ligados ao mercado financeiro. Toffoli afirmou que a empresa é familiar e regular. Disse que todas as operações foram declaradas à Receita Federal e que as vendas ocorreram a valor de mercado.

 

ESTUPRO POR ANO: 822 MIL; DESSES SOMENTE 8,5% CHEGAM À POLÍCIA


Nove em cada dez casos de estupro de vulnerável no Brasil terminam sem que a Justiça determine o que ocorreu, ou seja, sem sentença final em primeira instância. 
Levantamento analisou 40,5 mil processos encerrados entre 2020 e janeiro de 2026 em tribunais estaduais, federais e no STJ. Desse total, 93% (cerca de 37 mil) não passaram da fase inicial, chamada de conhecimento criminal. Apenas 2,8% tiveram execução da pena ao final do julgamento. Nos casos de estupro em geral, 97% também não superam essa fase inicial. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, houve 102,2 mil casos ativos julgados. Destes, 50,4 mil foram analisados em primeiro grau. As condenações somaram 21,6% (10,9 mil) e as absolvições 2,34% (1,2 mil). Mais de 72% ainda estavam sem sentença de mérito até janeiro deste ano. Embora haja prazos legais, sentenças podem demorar mais de um ano. O estudo reúne dados de 325,7 mil processos de 2020 até hoje. No Brasil, 3 em cada 4 casos de estupro envolvem vítimas vulneráveis. O crime envolve menores de 14 anos ou pessoas sem capacidade de consentimento. Inclui situações como sono, embriaguez ou uso de drogas.

Se a tendência continuar, muitos casos não sairão da fase inicial. Principais causas de interrupção: morte do réu, prescrição e falhas processuais. Também há abandono da causa e duplicidade de ações. É nessa fase que provas são produzidas e analisadas. Depois, não é possível incluir novas evidências. O processo pode seguir para tribunais ou ser encerrado. Mas muitos são interrompidos antes da sentença. Especialistas apontam falhas na investigação e sobrecarga do Judiciário. A apuração é difícil e envolve constrangimento e pressão psicológica. Delegacias muitas vezes não têm estrutura adequada. Há casos de ameaças e coação contra vítimas. Crimes associados incluem violência doméstica e lesão corporal. A prisão definitiva, quando ocorre, leva em média 3,6 anos. O atendimento às vítimas varia conforme a estrutura local. Mulheres são 84% das vítimas, com 66,5 mil denúncias recentes. Estimativas apontam 822 mil estupros por ano, mas só 8,5% chegam à polícia. 

ISRAELENSES MATAM CRIANÇAS, MULHERES, IDOSOS, PROFISSIONAIS DE SAÚDE E JORNALISTAS


O ministro da Saúde do Líbano, Rakan Nassereddine, afirmou que 46 socorristas e 5 profissionais de saúde morreram em ataques israelenses desde o início da guerra com o Hezbollah, em 1º de março. O balanço inclui 9 paramédicos mortos ontem, 28. 
Segundo o ministro, quatro vítimas integravam o Comitê Islâmico de Saúde do Hezbollah e cinco eram dos “Escoteiros Risala”, ligados ao movimento Amal, aliados do grupo. Também neste sábado, um ataque israelense no sul do Líbano matou três jornalistas. Entre eles, Ali Shaib, da TV Al-Manar, e Fatima Ftouni, da TV Al-Mayadeen. O cinegrafista Mohammed Ftouni, irmão de Fatima, também morreu. A Al-Manar é controlada pelo Hezbollah, apoiado pelo Irã, enquanto a Al-Mayadeen é vista como alinhada a apoiadores iranianos. As Forças Armadas de Israel disseram ter “eliminado” Shaib, apontado como integrante de inteligência do Hezbollah. O Exército o acusou de fornecer informações sobre tropas israelenses e de incitação. O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou os mortos como civis em serviço e denunciou violação das normas internacionais de proteção a jornalistas. Os ataques ocorreram dias após a morte de outro jornalista, Hussain Hamood, atingido em bombardeio anterior.

O Exército israelense afirmou ter realizado novos ataques no sábado contra o Irã e o Líbano, incluindo alvos de infraestrutura em TeerãNa sexta-feira, bombardeios atingiram subúrbios do sul de Beirute, sem aviso prévio, segundo a mídia estatal. Um ataque matou duas pessoas na região de Tahouitet al-Ghadir. Na Cisjordânia, a violência também aumentou. Um adolescente palestino de 15 anos foi morto perto de Belém durante operação militar israelense. O Exército afirmou ter reagido a um “motim violento” com lançamento de pedras. Foi a terceira morte de palestinos na região naquele dia. A Cisjordânia vive escalada de violência desde o ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e desencadeou a resposta militar israelense. Desde então, aumentaram as restrições, incursões militares e ataques de colonos, ampliando o deslocamento de comunidades palestinas. 

HOUTHIS DO IÊMEN ATACAM ISRAEL


A guerra no Oriente Médio ganhou um novo capítulo com a entrada formal dos houthis do Iêmen no conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã. O grupo xiita, aliado a Teerã, anunciou os primeiros ataques diretos contra Israel desde o início da guerra, há um mês. A ação abre uma nova frente armada e eleva os riscos à navegação no Mar Vermelho. 
Segundo Israel, um míssil lançado do Iêmen foi interceptado. Os houthis confirmaram a autoria e prometeram novos ataques enquanto persistirem ações contra o chamado “eixo de resistência”, que inclui Irã e aliados no Líbano, Iraque e territórios palestinos. Também reivindicaram disparos de mísseis de cruzeiro e drones. Até então, o grupo mantinha postura cautelosa, evitando ampliar o conflito interno no Iêmen, em guerra desde 2014. Fundados nos anos 2000, os houthis se consolidaram após tomar a capital Sanaa e hoje possuem capacidade de atingir alvos a longa distância. A entrada no conflito amplia o risco de regionalização. Especialistas alertam para impactos na estabilidade, no comércio global e na crise humanitária, especialmente no próprio Iêmen. Além do campo militar, cresce a preocupação com rotas marítimas. Os houthis têm posição estratégica no estreito de Bab el-Mandeb, por onde passa cerca de 10% do comércio mundial de petróleo. O grupo já ameaçou bloquear a região, o que pode elevar preços e pressionar a economia global.

O conflito também se intensificou em outros países. No Líbano, confrontos com o Hezbollah deixaram mortos, incluindo jornalistas. Houve ainda ataques no Golfo, com drones e mísseis atingindo alvos no Kuwait, Iraque e Emirados Árabes. O Irã afirmou ter atacado um navio logístico dos EUA em Omã, deixando um ferido. Apesar da escalada, os Estados Unidos dizem que o fim da guerra está próximo e apostam em negociações com Teerã. O Paquistão atua como mediador e recebe reuniões diplomáticas com países como Arábia Saudita, Turquia e Egito para buscar uma solução. Enquanto isso, Israel segue atacando alvos estratégicos no Irã, incluindo instalações nucleares e industriais. Teerã ameaça responder com ataques a infraestruturas na região. Analistas avaliam que a ofensiva dos houthis pode ser uma estratégia calculada para ampliar a influência do Irã nas negociações, sem provocar uma resposta militar decisiva.

 

MANIFESTANTES CONTRA TRUMP


Milhares de manifestantes foram às ruas em cidades dos Estados Unidos ontem, 28, contra políticas do presidente Donald Trump. Os atos fazem parte da terceira edição do movimento “No Kings” (“sem reis”), que reúne opositores do republicano, críticos da política migratória e da guerra no Irã. 
Mais de 3.200 eventos estão previstos nos 50 estados, repetindo mobilizações anteriores que reuniram milhões de pessoas. Também houve protestos de americanos no exterior, em países como Portugal, França, Alemanha, Itália e Grécia. Em Minnesota, shows de Bruce Springsteen e Joan Baez devem atrair mais de 100 mil pessoas em St. Paul e Minneapolis. As chamadas “cidades gêmeas” viraram símbolo após ações federais contra imigrantes e mortes durante abordagens em Minneapolis. Há protestos em Nova York, Los Angeles e Washington, mas a maioria ocorre em cidades menores, com crescimento de 40% nesses locais. Segundo organizadores, a expansão territorial é o principal sinal de força do movimento.Leah Greenberg, do grupo Indivisible, afirmou que a mobilização reflete indignação crescente contra Trump. Com as eleições legislativas se aproximando, aumentou a adesão em estados conservadores como Idaho, Wyoming, Montana e Utah. 

Regiões suburbanas decisivas também registram maior participação, segundo os organizadores. Greenberg disse que eleitores engajados estão “furiosos” e levando protestos às ruas. A Casa Branca minimizou os atos, chamando-os de “sessões de terapia” contra Trump. Na Virgínia, manifestantes se reuniram perto do Cemitério de Arlington para marcha até Washington. Houve apoio de motoristas, mas também insultos durante o trajeto. Participantes criticaram a situação econômica e acusaram Trump de romper normas institucionais. O movimento surgiu em 2025 e já reuniu entre 4 e 7 milhões de pessoas em mobilizações anteriores. Os protestos cresceram após repressão migratória e envio de tropas a cidades governadas por democratas. Os atos atuais também criticam o bombardeio do Irã por EUA e Israel, conflito que completa um mês. Manifestantes classificam a guerra como desnecessária e pedem mudança na política externa americana.

 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 29/03/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Manifestações contra governo Trump tomam ruas dos EUA

Protestos ocorrem em várias cidades, entre elas Washington, Boston e Atlanta

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Após duas décadas, EUA usam religião para justificar 'guerra santa' contra Irã

No ano em que país celebra 250 anos de independência e a afirmação de valores democráticos, a contaminação da ofensiva contra o Irã pela religião destilada como ideologia é sinal amarelo para defensores da Primeira Emenda da Constituição

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Moderação alardeada por Flávio esbarra em projeto bolsonarista e no seu passado político

Estratégia de equilibrar o discurso é limitada pela natureza autoritária do bolsonarismo, dizem pesquisadores Aliados ressaltam diferenças entre o senador e Jair Bolsonaro e afirmam que rejeição cairá ao longo da campanha

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Metrô até o Campo Grande é o presente do Governo para os 477 anos de Salvador

Terceiro maior sistema metroviário do País, o Metrô Bahia tem atualmente 39, 06 quilômetros de linhas, 22 estações e duas linhas em operação. Com a nova linha para o Campo Grande o sistema passará a ter em torno de 40 quilômetros e 23 estações

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Como o colapso do acordo e a entrada dos Houthis mudam o ataque dos EUA ao Irã

Trump deu prazo até 6 de abril para que Estreito de Ormuz seja liberado

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Presidente do Parlamento iraniano diz que EUA estão a planear uma ofensiva terrestre

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, da Turquia e do Egito vão tentar encontrar uma saída para o conflito em Islamabade.

sábado, 28 de março de 2026

RADAR JUDICIAL


POLICIAL AGRIDE ESTUDANTES E É AFASTADO

Um policial militar foi afastado após agredir estudantes em um colégio estadual no Rio de Janeiro. O episódio ocorreu durante reunião com entidades estudantis, que haviam sido chamadas por alunos após denúncias de assédio contra um professor. Durante a confusão, o PM agrediu dois estudantes. Vídeos mostram o agente dando tapas em uma representante dos alunos e um soco em outro jovem, que caiu no chão. Ele também utilizou gás de pimenta para dispersar o grupo. Segundo associações estudantis, os alunos estavam inseguros porque o professor acusado não havia sido afastado. As entidades foram à escola para acompanhar a organização de um abaixo-assinado. A Secretaria de Educação acionou a PM para garantir a segurança no encontro. Um dos agredidos relatou ter sofrido efeitos do gás e afirmou que os protestos vão continuar. A Secretaria informou que abriu sindicância para apurar a conduta do professor e condenou a violência policial. O caso foi registrado na delegacia do Catete. 


FRAUDES EM PLATAFORMAS

A empresa de tecnologia deve adotar mecanismos eficazes para impedir fraudes em suas plataformas. A omissão em responder denúncias e interromper golpes, após notificação, configura falha no serviço e gera danos morais. Com esse entendimento, a 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais de Goiás manteve a condenação do Facebook, responsável pelo WhatsApp. Uma advogada teve sua imagem usada em golpe do “falso advogado”, com criminosos criando contas para enganar clientes. As vítimas foram induzidas a fazer transferências, causando prejuízo de cerca de R$ 3 mil. Mesmo após denúncias e registros formais, a empresa não agiu prontamente. A advogada acionou a Justiça, pedindo bloqueio dos perfis e indenização. A sentença fixou R$ 4 mil por danos morais, mantida em recurso. A empresa alegou ilegitimidade e ausência de falha, mas teve os argumentos rejeitados. O relator destacou a responsabilidade objetiva e a obrigação de agir diante de notificações. A omissão prolongou o risco de fraudes e causou constrangimentos profissionais. Assim, ficou reconhecido o dano moral pela utilização indevida da identidade da advogada.


PL DENUNCIA MINISTRO MENDES

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, anunciou que a bancada denunciou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, por declarações sobre a CPMI do INSS. Segundo o deputado, foi protocolada notícia-crime na Procuradoria-Geral da República. Sóstenes afirma que o ministro imputou, de forma genérica e sem provas, crimes a membros da comissão, afetando a honra e o exercício parlamentar. O documento é assinado por deputados e senadores de diferentes partidos da base. A reação ocorreu após sessão do STF que derrubou a prorrogação da CPMI. Na ocasião, Gilmar Mendes criticou o colegiado e chamou de “crime” e “vexame” o vazamento de informações sigilosas. O líder do PL disse que as falas foram injustas, sem direito de defesa e sem comprovação. Também afirmou que as acusações ocorreram em ambiente institucional, sem respaldo probatório. Ele cobrou que o ministro aponte responsáveis ou esclareça as declarações. Defendeu ainda que suspeitas sejam levadas aos órgãos competentes, não à imprensa. Para Sóstenes, o episódio afeta o equilíbrio entre os Poderes. O parlamentar pediu apuração dos fatos e eventual responsabilização.

REJEITADA CPI MISTA DO INSS

A base do governo derrotou a oposição na CPI Mista do INSS ao rejeitar, por 19 votos a 12, o relatório do deputado Alfredo Gaspar. O texto sugeria o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Lulinha e o lobista conhecido como Careca do INSS. A sessão começou na sexta (27) e terminou na madrugada de sábado (28), prazo final da comissão. O relatório foi apresentado minutos antes da reunião. A CPI investigava um esquema de descontos indevidos em aposentadorias, que teria causado prejuízo de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. O parecer também pedia o indiciamento de políticos e empresários, além da prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva. Gaspar vinculou as fraudes ao governo Lula, enquanto opositores acusaram viés político no relatório. Com a rejeição, o texto não será enviado à Procuradoria-Geral da República. Há risco de a CPI terminar sem conclusão, caso não seja votado um relatório alternativo. O governo articulou para barrar o parecer e evitar o indiciamento do filho do presidente. A sessão foi marcada por confusão e troca de acusações entre parlamentares. Deputados governistas afirmaram que a rejeição impediu acusações contra Jair Bolsonaro. Já a oposição acusou o governo de interferir nas investigações. A CPI chega ao fim após sete meses sem consenso sobre responsabilidades no caso.

ISRAEL X IRÃ: UM MÊS DE GUERRA

A guerra de EUA e Israel contra o Irã completa um mês sem desfecho claro. O conflito é marcado pela estratégia de caos informativo de Donald Trump. Ele alterna declarações, prazos e versões, dizendo-se vitorioso. Na semana, mudou repetidamente o ultimato sobre o estreito de Hormuz. O Irã respondeu com ameaças e ataques graduais na região. Negociações existem, mas sem acordo e com propostas rejeitadas. Teerã mantém seu programa nuclear e endurece posição. Israel intensifica ofensivas, enquanto o Irã espalha retaliações. Apesar de milhares de ataques, o regime iraniano segue estável. O bloqueio em Hormuz pressiona o mercado global de energia. Isolado, Trump critica aliados e oscila entre diplomacia e força. Cresce o risco de ação terrestre e de escalada ainda mais violenta.

Salvador, 28 de março de 2026.



Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


ANULADA CONDENAÇÃO DE EX-GOVERNADOR


O ministro Cristiano Zanin, do STF, anulou a condenação do ex-governador do RJ Anthony Garotinho na Operação Chequinho. A decisão foi tomada em habeas corpus e assinada na quinta-feira (27). Segundo Zanin, a condenação se baseou em provas ilícitas. Os dados foram extraídos de computadores da secretaria municipal sem perícia. Também não houve preservação da cadeia de custódia. O ministro afirmou que a origem das provas já havia sido considerada irregular pelo STF. Os dados foram copiados por pendrives, sem apreensão dos equipamentos originais. Não houve comprovação técnica da autenticidade do material. Para Zanin, isso violou o devido processo legal e o contraditório. Com isso, ele anulou integralmente a sentença da Justiça Eleitoral de Campos. Garotinho havia sido condenado em 2021. A pena ultrapassava 13 anos de prisão. O TRE-RJ aumentou a punição posteriormente. O TSE havia mantido a condenação.

A decisão também beneficiou outros réus do caso. Todos tiveram condenações anuladas por uso das mesmas provas. Entre eles estão Thiago Souza e Kellenson Figueiredo. A Operação Chequinho investigou compra de votos em 2016. O esquema envolveria o programa Cheque Cidadão. Eleitores teriam sido incluídos irregularmente em troca de apoio político. Com a decisão, os processos voltam à estaca zero. A Justiça Eleitoral avaliará se há provas válidas para nova ação. Em 2024, Garotinho tentou voltar à política. Disputou vaga de vereador no Rio, mas não se elegeu. Ele teve 8.753 votos e ficou fora das vagas.

 

ISRAEL E ESTADOS UNIDOS MATAM CIVIS EM TEERÃ


Uma mãe permanece entre escombros em Resalat, bairro da zona leste de Teerã, esperando o resgate da filha soterrada após um ataque aéreo. “Ela tem medo do escuro”, lamenta. 
Há um mês, o Irã está em guerra com Estados Unidos e Israel, que realizam bombardeios contra alvos ligados ao regime, mas com forte impacto sobre civis. A BBC Eye reuniu imagens, relatos e dados de satélite que mostram ataques a estruturas estatais localizadas em áreas residenciais, com consequências fatais. Um ataque em 9 de março destruiu um prédio ligado à milícia Basij e também edifícios residenciais próximos. Dezenas de famílias viviam no local. Uma mulher e sua filha foram encontradas mortas sob os escombros; o marido sobreviveu. Moradores relatam perdas totais. “Não tenho mais nada”, disse um sobrevivente. Autoridades estimam entre 40 e 50 mortos apenas nesse ataque. Desabrigados foram levados para hotéis. Israel afirmou que o alvo era um prédio militar, mas imagens indicam danos amplos na vizinhança. Explosões múltiplas em segundos e destruição em um raio de até 65 metros foram registradas. Especialistas apontam possível uso de bombas Mark 84, de grande potência, em áreas densamente povoadas. A ONU alerta que esse tipo de armamento representa alto risco para civis. Juristas afirmam que o uso pode ser desproporcional e até ilegal pelo direito internacional.

O caso de Resalat não é isolado. Israel afirma ter lançado mais de 12 mil bombas no Irã. Os EUA dizem ter atingido mais de 9 mil alvos, incluindo instalações militares e policiais. Muitos desses locais ficam em bairros civis movimentados. Outro ataque, em Abbasabad, matou ao menos 20 pessoas, segundo testemunhas. Relatos indicam explosões sucessivas e mortes imediatas de civis nas ruas. A lei internacional exige distinção entre alvos civis e militares e proporcionalidade nos ataques. A agência HRANA estima 1.464 civis mortos no primeiro mês de guerra, incluindo 217 crianças. Moradores criticam a falta de abrigos, evacuação e alertas. “Só se ouve a explosão”, dizem. Sem comunicação clara e com internet limitada, cresce a sensação de insegurança. Apesar de alegarem atingir infraestrutura estatal, EUA e Israel causam efeitos que vão além dos alvos. Em áreas onde instalações militares convivem com casas e escolas, os civis pagam o preço. Para os moradores, restam perdas, medo constante e a sensação de que nenhum lugar é seguro.