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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

RADAR JUDICIAL


ATOR FICOU SURPRESO COM NOMEAÇÃO DE TRUMP 

Sylvester Stallone revelou que ficou surpreso ao descobrir que havia sido nomeado por Donald Trump como “embaixador especial” de Hollywood, segundo anúncio que se deu em janeiro de 2025, ao lado de Mel Gibson e Jon Voight. Stallone disse que soube da nomeação pela televisão e não havia sido consultado previamente. Ele diz que avisou a Trump de que a missão seria impossível de cumprir, explicando que Hollywood funciona como um conjunto de “estados feudais”, com estúdios independentes, daí porque considerou inviável chegar e determinar como as empresas deveriam agir. Stallone afirmou que ele, Gibson e Voight são pessoas acostumadas a fazer as próprias escolhas. Trump havia anunciado os três como enviados para recuperar negócios perdidos por Hollywood para outros países. O presidente afirmou que eles seriam seus “olhos e ouvidos” para ajudar o setor. Apesar de não assumir a função, Stallone declarou admiração por Trump. O ator disse ter apresentado Trump como um “personagem mítico” durante uma festa em Mar-a-Lago. Também afirmou estar impressionado com o que considera realizações do presidente americano. 


EUA NEGAM VISTO PARA PARTE DA COMITIVA IRANIANA 

Os Estados Unidos negaram vistos a parte da comitiva do presidente iraniano Masoud Pezeshkian. O presidente deve viajar nesta terça-feira (22) para Nova York, para participar da Assembleia Geral da ONU. A informação foi divulgada pela imprensa estatal do Irã. Segundo a agência IRNA, integrantes da equipe de comunicação estão entre os que tiveram os pedidos recusados. Teerã classificou a decisão do governo Donald Trump como uma medida hostil. A agência Mehr também confirmou a informação, citando uma fonte da presidência iraniana. A decisão ocorre em meio às fortes tensões entre Washington e Teerã. Os dois países mantêm divergências sobre segurança, sanções e o programa nuclear iraniano. Apesar disso, os Estados Unidos haviam confirmado vistos para a delegação principal iraniana. Entre os autorizados estão Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. A delegação terá restrições de circulação em Nova York e será menor que a do ano anterior. O episódio acrescenta tensão diplomática às discussões previstas durante a Assembleia Geral da ONU.


VIDA EM OUTROS MUNDOS

Um pesquisador brasileiro identificou oito exoplanetas com potencial para possuir água líquida e abrigar vida. O estudo foi realizado por Fábio Calabrio Evangelista da Silva, do Observatório Nacional. Ele analisou dados de mais de 6 mil exoplanetas catalogados pela Nasa e foram considerados fatores como raio, densidade e distância em relação às estrelas. A pesquisa priorizou planetas semelhantes à Terra e situados na chamada zona habitável. Essa região permite temperaturas adequadas para a existência de água em estado líquido. Segundo os pesquisadores, isso não significa necessariamente que exista vida nesses mundos. A análise de atmosferas por telescópios, como o James Webb, busca possíveis bioassinaturas. Moléculas como metano e dióxido de carbono podem indicar processos biológicos ou naturais. Por isso, cientistas afirmam que uma única evidência não é suficiente para confirmar vida. Futuras missões investigarão locais promissores, como Europa, lua de Júpiter, e Titã, de Saturno. Marte e Encélado também permanecem entre os principais alvos da busca por vida extraterrestre.


JUROS SUPERIORES A 20% 

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta segunda-feira (21), operação contra suspeitos de agiotagem e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e três de prisão preventiva. As ações ocorreram no DF, Goiás e Minas Gerais, incluindo Planaltina, Formosa, Formoso, Buritis e Goiânia. As investigações começaram após uma operação realizada em 2025 e as apurações apontaram a existência de um grupo estruturado para cobrar devedores. Os integrantes atuariam no financiamento, administração e controle dos pagamentos. Segundo a polícia, os empréstimos tinham juros superiores a 20%. Em casos de inadimplência, os suspeitos teriam usado ameaças com armas de fogo. Um dos casos envolveu a apreensão de carros, motos e bens de uma vítima. O grupo também teria criado empresas para viabilizar a lavagem de dinheiro. Foram identificadas operações financeiras suspeitas comunicadas ao Coaf. A polícia bloqueou cerca de R$ 6 milhões e apreendeu carros de luxo e um imóvel avaliado em R$ 1 milhão.

Secrerio do Tesouro e repesentante de Comércio dos EUA

EUA E CHINA DISCUTEM RISCOS DE SEGU
RANÇA NACIONAL 

Estados Unidos e China discutiram a criação de um sistema de notificação sobre riscos de segurança nacional relacionados à inteligência artificial. A proposta surgiu durante negociações econômicas realizadas em Nova York, antes da visita de Xi Jinping a Washington.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, chamou a iniciativa de “diálogo EUA-China sobre IA”. O mecanismo permitiria alertas quando questões envolvendo inteligência artificial atingissem nível de segurança nacional. Bessent defendeu maior transparência entre as duas principais potências mundiais em inteligência artificial. Os países disputam a liderança tecnológica enquanto aumentam as pressões por regulamentação do setor. Há preocupações sobre uso da IA em ataques cibernéticos, armas letais e operações militares. Autoridades americanas também temem avanços chineses em ciberataques, vigilância e capacidades militares. O governo Trump acusou empresas chinesas de copiar capacidades de modelos americanos de inteligência artificial. O tema deverá ser discutido por Trump e Xi durante o encontro entre os dois presidentes. As negociações também trataram da criação de um Conselho de Comércio para produtos considerados não sensíveis. EUA e China buscam ampliar o comércio enquanto mantêm uma trégua comercial firmada após meses de retaliações.


IRÃ NÃO TEME RETALIAÇÃO E PROMETE ATACAR

A partir desta quarta-feira (23), todas as companhias aéreas iranianas poderão ter suas operações interrompidas, segundo Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA. A medida prevê sanções secundárias contra empresas que prestarem serviços à aviação iraniana. Bessent afirmou que a decisão ocorreu após conversas com o vice-premiê chinês, He Lifeng. Segundo ele, aviões iranianos não poderão receber combustível ou serviços de pouso em aeroportos. Também será proibida a venda de passagens, sob risco de exclusão do sistema financeiro em dólar. O secretário disse que Washington mantém conversas positivas com autoridades financeiras chinesas. Entre elas está Pan Gongsheng, presidente do Banco Popular da China. Bessent afirmou que Pequim tem participado da pressão econômica americana contra o Irã. O governo chinês, porém, não confirmou as declarações do secretário americano.
Enquanto isso, a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou atacar novos alvos e usar novas armas. O grupo afirmou estar preparado para uma guerra prolongada contra os Estados Unidos. Quase sete meses após o início da guerra, Washington e Teerã permanecem em um impasse.

Salvador, 21 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 

AMERICANOS BOICOTAM ALIMENTOS E MEDICAMENTOS PARA CUBA


Milhares de contêineres com alimentos, medicamentos e outros produtos destinados a Cuba estão retidos em portos do Caribe após grandes empresas marítimas suspenderem entregas para evitar sanções dos Estados Unidos. 
Entre as cargas estão painéis solares, medicamentos, bolsas de colostomia e outros materiais de ajuda humanitária fornecidos por agências da ONU. As sanções também afetaram o transporte aéreo e dificultaram a chegada de medicamentos contra o câncer e contra a tuberculose. A interrupção das entregas agravou a escassez de alimentos, combustível e medicamentos e aumentou as filas de pacientes à espera de cirurgias. O governo de Donald Trump ampliou a pressão econômica sobre Cuba, incluindo medidas contra empresas estrangeiras que negociem com determinadas entidades estatais cubanas. Em consequência, as empresas Hapag-Lloyd e CMA CGM reduziram ou suspenderam serviços para a ilha. Organizações humanitárias afirmam que o chamado “cumprimento excessivo” das sanções leva empresas a evitar operações mesmo quando os produtos não são diretamente proibidos. A ONU ainda aguardava a entrega de dezenas de contêineres com antibióticos, contraceptivos, testes de gravidez e equipamentos para tratamento de água. A falta de combustível e de voos também prejudicou o envio de medicamentos por via aérea.

Segundo autoridades cubanas, mais de 7.000 contêineres destinados ao país estariam retidos. O governo americano afirma que as sanções são dirigidas ao governo cubano e a entidades ligadas às forças de segurança, responsabilizando-as pela crise econômica. Cuba, por sua vez, acusa Washington de agravar deliberadamente as dificuldades enfrentadas pela população. A Hapag-Lloyd classificou sua decisão como comercial, enquanto a CMA CGM informou ter retomado serviços limitados para cargas autorizadas. Especialistas estimam que meses serão necessários para normalizar o transporte e liberar os contêineres acumulados. As exportações brasileiras e mexicanas para Cuba caíram mais de 90% em julho, na comparação anual. México e Brasil adotaram medidas para enviar ajuda, incluindo alimentos e leite em pó, diante da dificuldade de transporte comercial. O assessor de Lula, Celso Amorim, afirmou que o Brasil gostaria de ampliar o fornecimento de combustível e ajuda humanitária, mas teme possíveis consequências diante da política americana. 

BOLSONARISTAS APOIAM INTERVENÇÃO AMERICANA NO BRASIL


No segundo mandato, Donald Trump vem promovendo mudanças na política externa dos EUA e tentando influenciar eleições em diferentes países, sobretudo na América Latina. 
A estratégia busca reduzir a influência da China e ampliar o predomínio americano na região. No Brasil, tarifas, declarações de Trump e atritos diplomáticos provocam preocupação sobre possível interferência nas eleições de 2026. O objetivo apontado no texto seria favorecer Flávio Bolsonaro e prejudicar Lula. Em negociações após o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, o governo Trump teria exigido participação de “dissidentes políticos” nas eleições. A crise no STF também passou a ser usada como argumento para possíveis novas sanções americanas contra autoridades brasileiras. Eduardo Bolsonaro tem atuado nos Estados Unidos, enquanto Flávio e aliados exploram politicamente o conflito envolvendo Alexandre de Moraes. Eduardo afirmou ter relatado a autoridades americanas uma suposta tentativa de contestar eventual vitória de seu irmão. O governo Trump também acusou o Brasil de não combater adequadamente o PCC e o Comando Vermelho. A possibilidade de interferência americana vem sendo monitorada por setores do governo e da sociedade civil brasileira. Relatório da Abin classificou como crítico o nível de ameaça relacionado à influência externa dos EUA nas eleições. Ao mesmo tempo, grupos bolsonaristas demonstram apoio a uma eventual intervenção americana. Nas redes sociais, circularam vídeos produzidos por inteligência artificial simulando a prisão de Lula por Trump. O texto afirma que Trump tem procurado influenciar disputas eleitorais em diversos países. Essa atuação pode ocorrer por apoio público, promessas econômicas, sanções ou pressão política.

Na América Latina, consultores ligados ao trumpismo também participaram de campanhas eleitorais. O argentino Fernando Cerimedo, citado no texto, atuou em campanhas e foi acusado de crimes que nega. Investigações na Bolívia encontraram equipamentos e dinheiro em espécie em local associado a ele. Cerimedo também foi citado em investigação brasileira sobre disseminação de informações falsas sobre as urnas. Ele afirmou ter recebido cerca de US$ 1 milhão por mês com atividades de consultoria política no exterior. Especialistas ressaltam que a interferência eleitoral pode variar de influência política até ações diretas sobre o processo eleitoral. Trump já adotou medidas econômicas e sanções contra autoridades brasileiras, além de fazer declarações favoráveis a Bolsonaro. O governo americano chegou a planejar o envio de funcionários ao Brasil para questionar a integridade das eleições, segundo o Washington Post. O Itamaraty recusou vistos para dois funcionários americanos, enquanto os EUA negaram intenção de interferir no pleito. Experiências recentes na Hungria, Canadá, Argentina e Colômbia mostram diferentes efeitos da atuação política de Trump. No Brasil, ainda existem dúvidas sobre a dimensão que eventual interferência americana poderá alcançar. Trump já afirmou manter boa relação com o Brasil e chamou Lula de “muito dinâmico”. Ao mesmo tempo, decisões americanas foram interpretadas por especialistas como alinhadas a interesses políticos brasileiros. A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas ocorreu após encontro de Flávio Bolsonaro com autoridades americanas. Pesquisas mostram desconfiança significativa dos brasileiros em relação a Trump e preocupação com possível interferência estrangeira. Uma pesquisa Datafolha indicou que metade dos brasileiros vê possibilidade de interferência externa nas eleições. O cenário permanece aberto, com dúvidas sobre os efeitos políticos das ações de Trump e sobre a dimensão da influência americana no pleito de 2026. 

"ÔNIBUS MAIS LENTOS QUE UMA GALINHA"


A velocidade dos ônibus em São Paulo cai para 12,37 km/h no pico da tarde, segundo dados da SPTrans. 
O índice foi registrado às quartas-feiras, pior dia da semana, entre 17h e 19h30. Nesse ritmo, os coletivos são mais lentos que uma galinha e muito abaixo dos patinetes elétricos. Fora do horário de pico, a maior velocidade chega a 28,84 km/h durante a madrugada. Na comparação com 2019, os ônibus também circulam mais lentamente em alguns trechos. No pico da manhã, a média atual é de 15 km/h, contra 16 km/h antes da pandemia. Nos corredores, a velocidade caiu de 22 km/h para 20 km/h no mesmo período. Especialistas apontam a falta de prioridade ao transporte coletivo como uma das causas. Ciro Biderman, da FGV Cidades, defende mais corredores eficientes e faixas exclusivas. Segundo ele, maior velocidade reduziria custos e permitiria aumentar a frequência dos ônibus. Paris registra média de 8,85 km/h nos horários de pico, enquanto Barcelona chega a 10,8 km/h. Londres apresenta média de 14,76 km/h, pouco acima da registrada na capital paulista. A Prefeitura afirma ter entregue 54 km de faixas exclusivas e novos trechos de corredores. Também estão em obras os BRTs Radial Leste e Aricanduva e outros corredores importantes. Em Curitiba, o BRT alcança média de 20 km/h em faixas prioritárias nos horários de pico. A lentidão e a irregularidade dos ônibus têm contribuído para a perda de passageiros. Segundo dados da SPTrans, o sistema transportou 166,5 milhões de passageiros em julho de 2026. No mesmo mês de 2019, foram quase 212 milhões, uma redução de aproximadamente 22%. A frota também diminuiu, passando de 14.151 para 13.573 veículos.

Especialistas apontam um ciclo de queda de passageiros, ônibus e velocidade. O congestionamento e a falta de infraestrutura agravam os atrasos no transporte coletivo. Além da lentidão, investigações apontam suspeitas de infiltração do PCC em empresas de ônibus. A Operação Vectura Corrupta afirma que 12 empresas da Grande São Paulo seriam controladas pela facção. Uma das companhias investigadas é a Transwolff, que atua na zona sul e nega irregularidades. A investigação levou à prisão do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Milton Leite. Outras 15 pessoas tiveram mandados de prisão expedidos e 18 endereços foram alvo de buscas. A Prefeitura afirma que analisa contratos e possíveis vínculos com os fatos investigados. O município também diz que não compactua com irregularidades e colabora com as autoridades. A gestão destaca ainda investimentos em ônibus elétricos, ar-condicionado, USB e internet. O desafio permanece melhorar a velocidade, a frequência e a segurança do transporte coletivo. 

AVENTUREIRO CAMINHA NO MUNDO HÁ 28 ANOS


Há 28 anos, o aventureiro britânico Karl Bushby percorre o mundo a pé em uma jornada que se aproxima do fim. 
Aos 29 anos, ele partiu do Chile rumo à sua cidade natal, Hull, na Inglaterra. Estabeleceu duas regras: não usar transportes para avançar e não retornar ao Reino Unido antes de concluir o percurso. A viagem, inicialmente prevista para durar 12 anos, já ultrapassa 28 anos. Restrições de visto, a crise financeira de 2008, a pandemia e questões geopolíticas atrasaram a expedição. Bushby atravessou Argentina, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, América Central, México, EUA e Canadá. Também cruzou o estreito de Bering e percorreu regiões da Rússia, Mongólia, China e Ásia Central. Ele atravessou a nado, em trechos, cerca de 300 quilômetros do mar Cáspio. Aos 57 anos, já percorreu mais de 48 mil quilômetros. Agora, caminha pela Bélgica em direção a Calais, na França. De Calais, pretende atravessar a nado o Canal da Mancha em outubro. Seu pedido para usar um túnel de serviço do Eurotúnel foi rejeitado. Durante a aventura, Bushby enfrentou situações de extremo risco e dificuldades financeiras. No Tapón del Darién, chegou a se disfarçar de pessoa em situação de rua para evitar sequestros. Sua principal companheira de viagem é “A Fera”, um carrinho que ele próprio construiu na Nicarágua. Quando iniciou a jornada, tinha apenas US$ 500 e nenhum patrocinador. Depois, passou a financiar a expedição com publicações, livros e palestras. Bushby afirma que a persistência foi seu principal aprendizado durante a caminhada.
Ele também diz que a viagem mudou sua visão sobre as pessoas e mostrou a solidariedade que recebeu.

Sua mãe, Angela, continua acompanhando a aventura e enviou-lhe uma carta durante a etapa final. Ela lembrou ao filho que ele havia provado ser capaz de realizar aquilo que antes julgava impossível. Bushby conta que a dislexia não diagnosticada na infância afetou sua confiança e o tornou alvo de bullying. O Exército britânico, segundo ele, ajudou a recuperar parte dessa confiança. Aos poucos, a jornada tornou-se também uma forma de provar a si mesmo e aos outros do que era capaz. Agora, porém, ele afirma que chegou a hora de encerrar a aventura.
Bushby admite ter receio do futuro após tantos anos vivendo na estrada. Ele considera os relacionamentos a parte mais difícil da viagem, mais dolorosa que os desafios físicos. Espera sentir grande emoção ao avistar os famosos penhascos brancos de Dover. Essa será sua primeira visão da Inglaterra desde que partiu do Chile, há 28 anos. Depois de uma jornada extraordinária, Bushby se prepara para finalmente voltar para casa. 

GOVERNO BRITÂNICO PREPARA A POPULAÇÃO PARA POSSÍVEL GUERRA


O governo britânico quer preparar a população para possíveis graves perturbações e para a eventualidade de uma guerra. 
Entre as medidas estão estoques de água e alimentos e o fortalecimento da resiliência civil. O Reino Unido também trabalha na atualização de seu chamado “livro de guerra”, abandonado há décadas. O chefe da Defesa, Richard Knighton, considera o atual período o mais perigoso de seus 35 anos de carreira. Apesar disso, a possibilidade de tanques russos nas ruas de Londres é considerada pequena, mas a principal preocupação está em ameaças assimétricas, como ataques cibernéticos e sabotagens de infraestrutura. A historiadora Margaret MacMillan afirma que os britânicos não estão psicologicamente preparados para uma guerra e observa que a sociedade se acostumou a considerar a paz como uma condição permanente. Especialistas comparam o momento atual ao período anterior à Primeira Guerra Mundial. Em 1914, muitos europeus acreditavam que uma eventual guerra seria rápida e vitoriosa, mas a experiência da Primeira Guerra Mundial, deixou profundas marcas na sociedade britânica. Um em cada oito homens britânicos que se alistaram morreu nos campos de batalha e o conflito mudou a percepção europeia sobre a guerra e eliminou sua antiga imagem de aventura gloriosa. Segundo o acadêmico Andrew Michta, vários países europeus reduziram suas capacidades militares após o fim da Guerra Fria. Ele afirma que o Reino Unido também ficou pouco preparado, inclusive no aspecto psicológico.

A dependência europeia da energia russa é apresentada como exemplo dessa percepção equivocada sobre a segurança. Para o general aposentado Richard Shirreff, a invasão russa da Ucrânia em 2014 marcou uma mudança decisiva. Segundo ele, a Rússia passou a representar uma ameaça persistente à segurança ocidental. Os defensores de maior gasto militar argumentam que estar preparado pode ajudar a evitar uma guerra. O psicólogo Jim Orford, porém, alerta para o risco de simplificar excessivamente a visão sobre ameaças e inimigos e considera que a Europa já entrou em uma fase de contemplação da possibilidade de guerra. A percepção da ameaça varia entre os países europeus, sendo maior nas nações próximas da Rússia. A Suécia abandonou sua histórica neutralidade depois da invasão russa da Ucrânia em 2022, daí porque mantém um sistema de alistamento parcial e treinamento militar de até 15 meses. A população sueca também participa de iniciativas de preparação para possíveis crises. As repúblicas bálticas reforçaram suas defesas devido à proximidade e à experiência histórica com a Rússia. A Finlândia é apontada como exemplo de preparação psicológica e de resiliência civil. Após 2022, os finlandeses também abandonaram sua neutralidade e ingressaram na Otan e mantém alistamento masculino universal e uma grande força de reservistas treinados. A Finlândia consegue mobilizar rapidamente cerca de 280 mil militares. Em 2025, destinou 2,5% do PIB à defesa, enquanto o Reino Unido gastou 2,3%. O modelo finlandês integra militares, população civil, empresas e instituições em planos de emergência. Líderes políticos e dirigentes de organizações recebem treinamento anual para administrar situações de crise. Especialistas defendem que o Reino Unido poderia ampliar sua preparação e capacidade militar. Shirreff cita o modelo norueguês de alistamento e treinamento como uma possível referência e defende que os líderes expliquem claramente à população os riscos e as medidas necessárias. O debate europeu combina aumento dos gastos militares, preparação civil e preocupação com possíveis ameaças russas. A questão central é como preparar as sociedades para crises sem transformar a possibilidade de guerra em uma certeza. 

COPOM E FED COM DIREÇÕES OPOSTAS


Copom e Fed adotaram direções opostas nos juros na última quarta-feira (16). 
O Banco Central brasileiro reduziu a Selic para 13,75%, enquanto o Fed elevou os juros para 3,75% a 4%. A redução do diferencial de juros tende a diminuir a atratividade dos ativos brasileiros, porque os juros maiores, os Treasuries dos EUA passam a oferecer maior remuneração aos investidores. Ainda assim, analistas avaliam que outros fatores mantêm o Brasil atraente para o capital estrangeiro entre os quais estão o petróleo valorizado, a elevada Selic e o relativo isolamento geopolítico brasileiro. Segundo Vitor Kayo, da Nomad, a diferença entre os juros brasileiros e americanos continua grande e a mudança reduz o incentivo aos investimentos no Brasil, mas não significa interrupção dos fluxos. No mercado americano, havia 57% de chance de nova alta dos juros em outubro, segundo o FedWatch.  No Brasil, 57% das posições nas Opções de Copom indicavam Selic de 13,5% em novembro. A redução do diferencial também pode pressionar o real e favorecer a valorização do dólar. O cenário diminui ainda o incentivo ao chamado carry trade, baseado no diferencial de juros. O petróleo acima de US$ 100 beneficia empresas brasileiras e aumenta a arrecadação do país. Rachel de Sá, da XP, destaca também os investimentos estrangeiros em data centers no Brasil. Em maio, a Ascenty anunciou R$ 30 bilhões para um complexo de inteligência artificial em São Paulo. Segundo ela, investidores consideram tanto os juros quanto a atratividade das empresas e da Bolsa.

A perda de força do chamado trade de inteligência artificial também favorece uma rotação de investimentos. Com menor concentração em empresas de tecnologia, parte dos recursos pode migrar para outros mercados. Para 2027, o mercado projeta juros americanos de até 4,5%, enquanto o Focus prevê Selic de 12%. A desaceleração da economia brasileira pode abrir espaço para novas reduções dos juros domésticos. O Focus estima crescimento de 1,45% do PIB brasileiro em 2027, ante 1,89% em 2026. Incertezas externas e fiscais, porém, dificultam prever a trajetória dos juros e do câmbio. Entre os fatores estão o preço do petróleo, as decisões do Fed e a política fiscal brasileira. Mesmo com a queda, a Selic de 13,75% mantém a renda fixa brasileira atrativa. Os investimentos pós-fixados continuam sendo considerados alternativas diante das incertezas. Nos EUA, os rendimentos dos Treasuries subiram com a perspectiva de juros mais altos. A taxa do Treasury de dois anos chegou a 4,745%, maior nível desde 2024. No Brasil, a expectativa de cortes da Selic aumentou o interesse por títulos prefixados. Esses papéis permitem travar taxas elevadas antes de uma eventual queda dos juros. Para analistas, a combinação de incertezas externas e internas recomenda cautela nas alocações. 

A AFD CRESCE NA ALEMANHA


Pesquisas de boca de urna indicam forte avanço da AfD, partido de extrema direita, nas eleições estaduais da Alemanha. 
O resultado ocorre em meio à fragilidade do governo do chanceler Friedrich Merz, que classificou o desempenho como um desastre. Após o fechamento das urnas, Merz afirmou que seu programa de reformas seria um antídoto contra o autoritarismo. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD alcançou cerca de 37% dos votos. O SPD, da governadora Manuela Schwesig, teria obtido 35,5%. Apesar do avanço da AfD, o resultado deve permitir a permanência de Schwesig no cargo, mas a legenda de extrema direita, dobrou sua representação no Parlamento estadual. Em Berlim, a AfD deve formar a terceira maior bancada, com aproximadamente 16% e a Esquerda teria 24,5%, enquanto a CDU, de Merz, alcançaria 20%. As eleições estaduais foram interpretadas como um teste para o governo de Merz que convocou reunião do comitê executivo de seu partido durante o domingo eleitoral; ele afirmou que o momento exige firmeza, perseverança e paciência, mas rejeitou especulações sobre seu futuro político. Duas semanas antes, em Saxônia-Anhalt, a AfD havia alcançado quase 44% dos votos. O resultado a deixou próxima de formar seu primeiro governo estadual. Uma eventual vitória seria um marco na história política alemã do pós-guerra, mesmo tendo a Alemanha criado mecanismos institucionais para impedir o retorno de movimentos semelhantes ao nazismo. O avanço da AfD ocorre paralelamente à crescente impopularidade de Merz.

Na última semana, uma pesquisa registrou 88% de insatisfação com seu governo e apenas 10% de aprovação. Eleito em 2025, o chanceler enfrenta dificuldades para aprovar reformas econômicas e sociais e a economia alemã permanece estagnada há vários anos. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU teve um dos piores resultados de sua história. O partido teria superado por pouco a cláusula de barreira de 5%. Integrantes da CDU local atribuíram o desempenho às políticas de Merz. Schwesig também criticou o chanceler e se opôs a pontos da reforma da Previdência. A governadora ainda cobrou medidas contra a alta dos combustíveis. Em Berlim, a CDU também sofreu derrota eleitoral e a Esquerda deve conquistar pela primeira vez o governo da cidade-estado. Elif Eralp poderá formar uma coalizão com o SPD e os Verdes. Os resultados ampliam a pressão sobre Merz e evidenciam o crescimento da AfD. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 21/09/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Carta alerta ONU para intromissão dos EUA

Documento elaborado pelo Instituto Vladimir Herzog e remetido ao secretário-geral António Guterres chama a atenção para ações do governo Trump com o objetivo de influenciar no resultado da corrida presidencial brasileira

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Fundos para empresas em crise já somam R$ 17 bi e superam recursos para negócios em expansão

É a primeira vez que ocorre essa inversão. Reflexo do cenário de juros altos por muito tempo e onda de recuperações judiciais e extrajudiciais

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

PR, CE e SP são mais eficientes, aponta ranking da Folha; estados com maior receita por habitante ficam entre os últimos

REE-F mostra que transformar recursos per capita em resultados à população pesa mais do que abundância de caixa Trabalho avalia áreas de educação, saúde, infraestrutura, segurança e indicadores de finanças

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Gilmar sugere que integrantes do TSE devam ser afastados

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS 

Especialista explica como direita e extrema direita avançam nas Américas

Professora de Relações Internacionais aborda o contexto histórico que resultou na ascensão de líderes alinhados com Donald Trump na América Latina

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

“Sextorsão” é criminalidade violenta?

Nos Relatórios de Segurança Interna, a extorsão sexual está incluída no “crime violento e grave”, categoria na qual foi em 2025 o quarto tipo mais numeroso. Inclusão destoa dos critérios do Eurostat e levanta questões quanto aos da Segurança Interna, que exclui daquela classificação crimes, como a violência doméstica e a coação sexual, nela incluídos por definição legal.

domingo, 20 de setembro de 2026

CRISE QUE ENVOLVEU O STF

As eleições brasileiras de 2026 entram na reta decisiva em meio à forte polarização política. 
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o segundo, se houver, para 25 de outubro. A disputa presidencial concentra grande parte da atenção dos eleitores, das campanhas e do mundo. O presidente Donald Trump demonstra interesse e pugna pa
ra que a direita, sob a liderança de Flávio Bolsonaro tome o poder do presidente Lula que também é candidato. As pesquisas mostram acirrada disputa entre Lula e Flávio, figurando o presidente com pequena vantagem, que os institutos classificam de empate técnico, dentro da margem de erro. Também no segundo turno a disputa voto a voto permanece. Bem verdade que os números representam o momento da pesquisa e não constituem previsão do resultado eleitoral. Além de Lula e Flávio apresentam-se como candidatos Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Outro dado relevante é a elevada rejeição dos dois principais candidatos. Segundo o Datafolha, 47% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Lula e o mesmo percentual rejeitam Flávio, caracterizando a polarização.

Por outro lado, a campanha é influenciada pela crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Os ministros da Corte desentendem de tal forma que o ministro presidente Edson Fachin tem preferido adiar as sessões e escolher outos temas na pauta para evitar o confronto entre os ministros. Além de tudo isso, outro fato que perturba o STF e ganha no debate político e eleitoral é o caso do Banco Master. Lula e Flávio associam o adversário como causador da crise. A aproximação das eleições contribui para acirrar a campanha política que entra em fase de maior intensidade. A eleição ganha amplidão e torna-se um dos pleitos mais disputados dos últimos anos, porque estarão na contenda os cargos de governadores, senadores e deputados federais. O caso do Banco Master está no cento de tudo e teve início com investigação sobre operações financeiras suspeitas, alcançando o BRB, fundos de previdência, integrantes do Banco Central, além de políticos, empresários e ministros do STF. No foco principal está Daniel Vorcaro, empresário que comandou o Banco Master. Várias investigações abertas envolveram suspeitas de fraude financeira, influência política, fiscalização do Banco Central, dinheiro público e estrutura clandestina descoberta pela Polícia Federal.

Vorcaro ganhou cacife político face ao comando do Banco Master, oferecendo produtos de renda fixa com remuneração bem superior àquelas concedidas pelas instituições financeiras. Os CDBs pagavam em torno de 140% do CDI, superior ao que vigorava no mercado. Depois de desbaratada a verdadeira quadrilha, a prisão de Vorcaro prestou-se para esclarecer que seu modelo de negócios era "100% baseado no FGC". Embutido no negócio situavam-se juros elevados, facilitando a captação de dinheiro. Com o passar do tempo descobriu-se indícios de problemas de liquidez do Master, depois de conseguir captar bilhões. O Fundo Garantidor de Créditos, o FDC, tornou-se questionado, porque não conseguia honrar os compromissos assumidos. Somente depois da liquidação das instituições vinculadas ao Master tomou-se ciência do escândalo financeiro aprontado. O BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal entrou na artimanha, com transferência de R$ 12,2 bilhões ao Master. Daí em diante apareceram os escândalos e Vorcaro terminou sendo preso. Mas o novelo prossegue e a cada dia descobre-se mais uma embrulhada.     

Salvador, 20 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
                         Pessoa Cardoso Advogados.