O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um pacote de R$ 2,5 bilhões para ampliar a infraestrutura de inteligência artificial (IA) no Brasil. O plano prevê a compra de um supercomputador, que será instalado no Rio Grande do Norte, e a criação de uma estrutura de computação avançada no Rio de Janeiro. Também está prevista uma “nuvem brasileira”, com servidores instalados no país e maior controle nacional sobre equipamentos e softwares. Os recursos já estão garantidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), dentro do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. Cerca de R$ 1 bilhão será destinado à compra do supercomputador, enquanto R$ 1,27 bilhão financiará, por quatro anos, o centro de computação avançada no Rio. Outros R$ 125 milhões serão aplicados no desenvolvimento de chips livres de patentes.O governo também destinou R$ 50 milhões a um Centro de Transparência Algorítmica, coordenado por pesquisadores da UFMG. A estrutura deverá analisar riscos e falhas de modelos de inteligência artificial utilizados no mercado. A escolha do Rio Grande do Norte, segundo Lula e a ministra Luciana Santos, busca reduzir desigualdades regionais e aproveitar a disponibilidade de energia limpa. O novo supercomputador terá capacidade estimada em 7.200 petaflops, muito superior à do Santos-Dumont, atualmente o mais potente do país. Com a nova máquina, um treinamento que levaria anos no Santos-Dumont poderá ser realizado em cerca de um mês. O edital exigirá transferência de tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e participação de fornecedores brasileiros.
Está prevista a capacitação de 5.000 brasileiros em cinco anos. No Rio de Janeiro, a infraestrutura será desenvolvida pela RNP em parceria com a chinesa Huawei. O projeto deverá desenvolver um grande modelo de linguagem, semelhante aos utilizados pelo ChatGPT e Claude. A iniciativa contará também com a empresa chinesa iFlytek e deverá produzir tecnologia com suporte para português e espanhol. O investimento no centro carioca será de aproximadamente R$ 1,276 bilhão em cinco anos, com capacitação de 3.000 profissionais.
Outra frente prevê o desenvolvimento nacional de chips baseados na arquitetura aberta RISC-V. A estratégia pretende reduzir a dependência brasileira de tecnologias controladas por grandes empresas e países. O programa terá horizonte de 10 a 15 anos e poderá receber R$ 125 milhões do setor privado. O anúncio ocorre em meio à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China pelo domínio da inteligência artificial. O governo Donald Trump pressiona países, incluindo o Brasil, a escolherem parceiros em áreas estratégicas de tecnologia. Lula afirmou que o Brasil pretende avançar no setor sem depender exclusivamente de americanos ou chineses. Segundo o presidente, o objetivo é garantir ao país maior autonomia tecnológica e oportunidades de desenvolvimento. Durante evento em Natal, Lula voltou a defender investimentos no Nordeste e afirmou que a região deve ter as mesmas oportunidades oferecidas às demais partes do país.
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