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sábado, 22 de agosto de 2026

PROBLEMAS DO PAÍS DECORREM DA "ROUBALHEIRA INSTITUCIONALIZADA", DIZ JUIZ


Aos 52 anos, o juiz Mário Márcio de Almeida Sousa, do Maranhão, relata preocupação financeira após o STF limitar o pagamento dos chamados “penduricalhos” no Judiciário. Em carta aberta, publicada pelo Estadão, o magistrado afirma ter perdido mais de 20% da renda líquida mensal e estar com as reservas próximas do fim. Segundo ele, a redução afetou projetos de vida e provocou profundo desânimo após quase 24 anos de magistratura. Ele ingressou na carreira aos 29 anos e diz ter enfrentado períodos longe da família na expectativa de garantir estabilidade financeira. O juiz afirma que contava com verbas que, segundo ele, haviam sido reconhecidas pelo CNJ e pelo próprio STF. “De um dia para o outro”, escreveu, teve seus projetos de vida abalados, entre eles o de uma velhice tranquila. O magistrado relata que a espera pelo contracheque passou a ser motivo de “angústia e aflição”, diante da possibilidade de novos cortes. “Jamais imaginei passar por tamanha humilhação”, afirmou. O magistrado reconhece que existem abusos no pagamento de verbas à magistratura, mas sustenta que os valores que recebia eram legitimados por decisões judiciais e administrativas. Também rejeita a ideia de que reduzir salários de carreiras públicas seja suficiente para combater a desigualdade social. Para ele, os problemas do país decorrem principalmente da “roubalheira institucionalizada”, e não de sua remuneração.

O desânimo, segundo o juiz, atingiu também sua relação com a carreira. Ele afirma que não sabe o que fará caso a situação permaneça e diz que estaria entre os primeiros a aderir a um eventual plano de demissão voluntária. Dias antes de escrever a carta, contou ter chorado durante uma conversa com sua equipe, tomado por indignação, tristeza e constrangimento. “Estou sem ânimo de combater o bom combate”, declarou. Nas últimas linhas, lembrou o entusiasmo com que iniciou a carreira e afirmou sentir-se profundamente abatido. Disse que continua circulando pelos corredores do fórum de São Luís, mas que sua “alma de Magistrado” teria desaparecido. “Estou certo de que não fiz por merecer o que estou vivendo!”, escreveu. No pós-escrito, afirmou ter tomado conhecimento da determinação do STF para devolução de valores considerados irregulares. O magistrado ressaltou, porém, que não está nessa situação e afirmou: “Esse risco eu não corro. Quisera eu...”.

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