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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

"IA" PODE SUFOCAR O SERVIÇO PÚBLICO


O uso da inteligência artificial pode provocar um verdadeiro “tsunami” no serviço público, ao multiplicar o número de petições, recursos e reclamações. 
Esse fenômeno já é observado em vários países. Na Inglaterra, escolas registram aumento de reclamações de pais produzidas por IA, enquanto pedidos de acesso à informação cresceram 60% entre 2022 e 2025. Nos Estados Unidos, o Judiciário também sente os efeitos. Casos civis sem advogado subiram de 11% para 17%, e petições que antes tinham duas páginas chegam a centenas de páginas produzidas por IA. Na Alemanha, o estado mais populoso registrou aumento de 55% nos processos urgentes, parte deles com petições geradas por inteligência artificial. Muitas dessas demandas apresentam leis incorretas, precedentes inexistentes e argumentos jurídicos inventados. Produzir uma petição ficou barato, mas analisá-la continua caro e depende de trabalho humano. A IA, portanto, pode ampliar o acesso da população à Justiça e aos serviços públicos, permitindo que pessoas antes excluídas tenham mais facilidade para apresentar suas demandas.

O problema é que os governos ainda não estão preparados para esse aumento. Estudo do Banco Mundial, chamado Radar, analisou 166 países e avaliou a capacidade das IAs de orientar cidadãos e de acessar serviços públicos para solucionar problemas. As plataformas de IA demonstraram boa capacidade para explicar serviços públicos. A dificuldade aparece quando precisam efetivamente interagir com esses sistemas. Cada vez mais cidadãos poderão ter seu primeiro contato com o Estado por meio de uma IA, em vez de acessar diretamente sites governamentais. Se o setor público não se adaptar, poderá ser sufocado pelo volume de demandas geradas pela própria tecnologia. O desafio será modernizar estruturas, processos e servidores para lidar com uma realidade em que cidadãos e órgãos públicos utilizarão inteligência artificial simultaneamente. Nesse cenário, a ANPD tende a ampliar ainda mais sua atuação: além de dados pessoais, proteção de crianças e adolescentes e liberdade de expressão, deverá enfrentar também os desafios da inteligência artificial. 

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