A forte expansão dos cursos de medicina e especializações traz o desafio de garantir qualidade na formação dos profissionais. Para Julio Vieira, CEO do Hcor, houve uma onda de criação de escolas, algumas aprovadas pelo MEC e outras por decisões judiciais. Segundo ele, isso permitiu o surgimento de instituições com qualidade inferior. Vieira defende um exame de proficiência para médicos semelhante ao da OAB. O Enamed passou a exercer função próxima à de uma “OAB da Medicina”, mas sua utilização para punir cursos ainda é discutida na Justiça. O executivo também defende a revalidação periódica dos profissionais, inclusive daqueles formados há décadas. Para ele, é necessário equilibrar a qualificação com a falta de médicos em algumas regiões. Outro problema apontado é a escassez de trabalhadores em atividades de apoio hospitalar, como limpeza, recepção e call center. Vieira cita aumento do absenteísmo e da rotatividade entre funcionários. Na relação entre hospitais e operadoras, ele vê maior integração, com a adoção de pacotes de serviços e compartilhamento de riscos. O mesmo alinhamento ainda não ocorre plenamente com a indústria farmacêutica. O executivo defende modelos em que medicamentos sejam pagos conforme os resultados obtidos para os pacientes. O Hcor prevê crescimento de 7% a 10% na receita em 2026 e investimentos de até R$ 130 milhões. Com o hospital lotado, a instituição amplia UTIs, medicina diagnóstica, radioterapia e serviços de infusão. Vieira considera a tecnologia essencial para manter a sustentabilidade e a qualidade da assistência.
A inteligência artificial já é utilizada na gestão de leitos e na análise de exames laboratoriais. Segundo ele, a decisão continua sendo do médico, mas a tecnologia aumenta a rapidez e a precisão das informações. A IA também auxilia pesquisas e permite identificar tendências de doenças e riscos cirúrgicos. O executivo avalia que o sistema de saúde brasileiro chegou a um limite de capacidade. O país possui cerca de 6.000 hospitais e 53 milhões de pessoas com planos de saúde. Para Vieira, essa concentração de recursos contribui para a sobrecarga do SUS. Como hospital filantrópico, o Hcor reinveste recursos em projetos voltados ao sistema público. São cerca de R$ 80 milhões anuais destinados a iniciativas assistenciais, de ensino, pesquisa e gestão. No último triênio, esses projetos beneficiaram cerca de 6 milhões de pessoas. Entre as iniciativas está a telemedicina para apoiar médicos do SUS em casos cardíacos. O Hcor já emitiu mais de 8 milhões de laudos por meio desse programa. Para Vieira, os desafios futuros envolvem custos crescentes, competitividade e qualidade. Segundo ele, hospitais serão mais fortes quando conseguirem conquistar a confiança dos pacientes.
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