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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ZELENSKI DEMITE VICE-CHEFE DE SEU GABINETE, POR CORRUPÇÃO


Sob intensa pressão política e diante do agravamento da guerra, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, demitiu nesta quarta-feira (19) a vice-chefe de seu gabinete, Irina Mudra.
Ela é acusada, junto a outros integrantes do governo, de participar de um esquema de lavagem de dinheiro investigado por órgãos ucranianos. A demissão ocorre após outras baixas no círculo de poder de Zelenski, incluindo a saída do chefe de gabinete Andrii Iermak, no fim de 2025. A crise também se agravou após o ex-ministro da Defesa Mikhailo Fedorov criticar o governo e defender eleições presidenciais, mesmo sob lei marcial. Fedorov, demitido em julho, ganhou popularidade por mudanças no Ministério da Defesa e pelo fortalecimento dos ataques ucranianos contra alvos russos. Sua declaração o colocou em confronto político com Zelenski e reacendeu o debate sobre a legitimidade do presidente. O Parlamento ucraniano aprovou nesta quarta-feira Ievhenii Khmara como novo ministro da Defesa, por 312 votos entre 325 deputados presentes. Khmara é general de divisão e comandava interinamente o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU). Ele ficou conhecido por operações contra forças russas, incluindo ações com drones dentro do território da Rússia. Entre elas está a Operação Teia de Aranha, que atingiu bases russas de bombardeiros.

Apesar de sua experiência militar, Khmara não possui a mesma popularidade de Fedorov. A saída do ex-ministro provocou protestos, levando Zelenski a também substituir o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Sirskii. A mudança não encerrou as manifestações, que ganharam caráter cada vez mais político. Fedorov passou a defender eleições, colocando-se em rota de colisão com Zelenski. O cenário favorece a narrativa do presidente russo Vladimir Putin, que questiona a legitimidade do governo ucraniano desde o fim do mandato presidencial de Zelenski, em 2024. Enquanto isso, a guerra se intensifica e aumenta o número de vítimas civis e militares. Julho registrou a maior média diária de mortes desde março de 2022, segundo monitores independentes. Cerca de 85,6% das fatalidades ocorreram na Ucrânia. Nesta quarta-feira, ataques russos deixaram ao menos 17 mortos em diferentes regiões do país.
Em Kherson, um drone atingiu um micro-ônibus e matou quatro pessoas. A Ucrânia também enfrenta escassez de mísseis antiaéreos, dificultando a defesa contra ataques russos. Os sistemas conseguem interceptar muitos drones, mas apresentam dificuldades diante de mísseis.
A ajuda militar americana também está limitada pela elevada demanda no Oriente Médio. Apesar da estagnação diplomática, Rússia e Ucrânia realizaram nesta quarta-feira uma troca de 103 prisioneiros de guerra de cada lado. 

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