Aos 66 anos, Miguel Díaz-Canel comanda Cuba em uma das maiores crises de sua história, marcada por falta de energia, água, alimentos, transporte e medicamentos. O governo cubano atribui o agravamento da situação ao bloqueio dos Estados Unidos e às sanções impostas pelo governo Donald Trump. Segundo Díaz-Canel, há meses Cuba praticamente não recebe combustível, provocando apagões que podem durar mais de 20, 30 ou até 40 horas. A crise também afeta hospitais, educação e transporte. Mais de 98 mil pacientes aguardam cirurgias, incluindo 12 mil crianças. Mais de 117 mil pacientes com câncer enfrentam dificuldades para receber tratamento, enquanto milhares precisam de hemodiálise. Cerca de 64 mil crianças estão com a vacinação atrasada, e a mortalidade infantil mais que dobrou. O governo afirma conseguir atender apenas 30% da lista básica de medicamentos, devido também à dificuldade de entrada de contêineres. A crise atingiu o turismo: metade dos hotéis está fechada e cerca de 27 mil trabalhadores do setor estão afastados. Díaz-Canel reconhece problemas de burocracia e lentidão do governo, mas afirma que o bloqueio americano é a principal causa da crise. Ele rejeita a possibilidade de colapso e diz que o povo cubano mantém sua capacidade de resistência.
Para enfrentar a situação, o Parlamento aprovou 176 medidas econômicas que ampliam o espaço para o setor privado. Empresários poderão administrar mais negócios, contratar mais de cem funcionários e negociar ações. Empresas estrangeiras poderão explorar terras cubanas por até 99 anos. Apesar das mudanças, Díaz-Canel nega que Cuba esteja adotando o capitalismo ou abandonando o socialismo. Segundo ele, o Estado continuará controlando os principais meios de produção, enquanto o setor privado ajudará a aumentar a produção e enfrentar o bloqueio. O presidente afirma que as reformas também buscam fortalecer as empresas estatais e atrair investimentos de cubanos residentes no exterior. Ele reconhece que a abertura econômica anterior aumentou as diferenças sociais, mas diz que Cuba ainda possui mais de 32 programas sociais destinados à população de baixa renda. Díaz-Canel também rejeita críticas de que o governo seja responsável pela maior parte dos problemas atuais. Para ele, mesmo que Cuba tivesse cometido menos erros, o bloqueio americano continuaria sendo o principal fator da crise. O presidente acusa os EUA de tentar provocar uma explosão social e derrubar a Revolução Cubana. Ele afirma que Cuba não fará concessões ao governo Trump e que continuará resistindo às pressões. Questionado sobre uma possível intervenção militar americana, Díaz-Canel disse que enfrentaria a situação lutando. Ele sustenta que a sobrevivência da nação, sua independência e soberania estão ligadas à manutenção do projeto socialista. Díaz-Canel defende que o capitalismo não resolveria os problemas de Cuba e lembra que a Revolução de 1959 rompeu a dependência dos monopólios americanos. Ao mesmo tempo, admite que o país precisou realizar concessões econômicas após a queda da União Soviética e a perda de grande parte do comércio exterior. A nova abertura econômica, segundo ele, pretende produzir mais riqueza sem abandonar os princípios socialistas. Díaz-Canel afirma que o Partido Comunista, a participação popular e o controle estatal impedirão uma restauração capitalista. Para o presidente cubano, o povo não permitirá o fim da Revolução e continuará apoiando sua permanência.
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