A Otan realizou uma manobra militar surpresa perto de Kaliningrado, enclave russo entre Polônia e Lituânia, aumentando a tensão com Moscou. Cerca de 25 aeronaves participaram da operação, incluindo caças dos EUA e da Noruega, aviões de vigilância e reabastecimento. Também foram mobilizados helicópteros de ataque americanos AH-64 Apache. Segundo a Otan, o objetivo foi treinar capacidades defensivas e operacionais na região. A ausência de anúncio prévio, porém, provocou apreensão na Rússia. A avaliação em Moscou é de que o exercício poderia ter testado sistemas russos de interceptação eletrônica. Kaliningrado abriga importantes sistemas militares russos, incluindo equipamentos de comunicação, defesa antiaérea S-400 e mísseis Iskander-M. A região é considerada estratégica por sua posição no mar Báltico. Os mísseis Iskander têm capacidade de atingir alvos a centenas de quilômetros e podem receber ogivas nucleares. O episódio ocorre em meio ao aumento da tensão entre Rússia e Otan desde a invasão da Ucrânia, em 2022. Lituânia, Letônia e Estônia são vistas pela aliança como áreas vulneráveis a possíveis ataques russos. Suécia e Finlândia abandonaram sua tradicional neutralidade e ingressaram na Otan após a guerra na Ucrânia.
Com isso, quase todo o litoral do Báltico passou a estar sob controle de países da aliança, com exceção das áreas russas. Nos últimos meses, diversos incidentes aumentaram a desconfiança na região. Aeronaves francesas já foram alvo de radares russos, enquanto a Otan reforçou patrulhas para proteger cabos submarinos. Também continuam as discussões sobre as explosões dos gasodutos Nord Stream, ocorridas em 2022. Drones ligados à guerra na Ucrânia também já provocaram incidentes e violações de espaço aéreo. A passagem de uma fragata russa equipada com mísseis hipersônicos pelo Báltico gerou novos alertas na Europa. A embarcação escoltava um navio transportando gás russo, em uma demonstração de dissuasão. O presidente Vladimir Putin afirmou que a Rússia poderá adotar medidas semelhantes contra navios europeus. A situação aumenta o temor de confrontos militares ou navais no Báltico. A Otan vem alertando para a possibilidade de um eventual confronto com a Rússia antes do fim da década. Ao mesmo tempo, países europeus ampliam seus gastos militares e reforçam suas capacidades de defesa. A expansão ocorre também diante das cobranças de Donald Trump para que os aliados europeus assumam maior parte dos custos da defesa. O Kremlin critica o fortalecimento militar da Otan e classifica a política ocidental como uma forma de russofobia.
O episódio em Kaliningrado mostra como o Báltico continua sendo um dos principais focos de tensão entre Rússia e Otan.
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