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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

BUDISMO BUSCA SERENIDADE, AUTOCONHECIMENTO PARA ENCARAR A VIDA


O caos do presente, as marcas do passado e a ansiedade pelo futuro são desafios contemporâneos. Nesse cenário, o budismo atrai pessoas em busca de serenidade, autoconhecimento e uma forma mais realista de encarar a vida. No Templo Shin Budista Terra Pura de Brasília, o monge Keizo Doi acompanha o crescente interesse pela filosofia budista. Para ele, muitos procuram novas formas de espiritualidade e uma visão diferente daquelas oferecidas pelas religiões tradicionais. Segundo Doi, o sofrimento humano, chamado de dukkha, nasce do conflito entre nossas expectativas e a natureza impermanente da vida. A busca constante pela satisfação de desejos, explica, não produz felicidade duradoura. O budismo propõe compreender as causas do sofrimento e romper o ciclo de ilusões, conhecido como samsara. A libertação desse ciclo, chamada moksha, é apresentada como um dos objetivos da prática espiritual. Entre os praticantes, José Aguilera encontrou no budismo uma forma de compreender melhor os limites humanos, a impermanência e o desapego. Para ele, a prática não elimina as dificuldades, mas ajuda a enfrentá-las com maior consciência. O policial Lucas de Alencar Oliveira aproximou-se do budismo durante uma fase de mudanças pessoais e profissionais. A recitação do nome do Buda Amida tornou-se um lembrete para controlar sentimentos como raiva, ignorância e apego. A atenção ao presente também ganhou importância. Lucas procura evitar preocupações com situações futuras que talvez nunca aconteçam. O crescimento do budismo no Brasil ultrapassa o campo religioso e alcança áreas como a psicologia. 

O especialista Rafael Alberto Moore destaca que desapego, aceitação e meditação são utilizados em terapias para estimular maior presença e regulação emocional. A aposentada Graça Monteiro, frequentadora do templo desde 2013, afirma que aprendeu a lidar melhor com aquilo que não pode controlar. Para ela, viver o “aqui e agora” significa concentrar-se plenamente na atividade realizada. Ela também critica a transformação de conceitos budistas em produtos do mercado de bem-estar, fenômeno que chama de “wellness washing”. A professora Aline Thomé considera natural a expansão do mindfulness e do chamado budismo secular em sociedades urbanas e aceleradas. Brasília, por seu caráter cosmopolita, tornou-se terreno favorável à presença dessa filosofia. O budismo possui diferentes vertentes, como Theravada, Mahayana e Vajrayana, espalhadas por diferentes regiões da Ásia. Para a psicóloga Jessica Jorge Carvalho, a ideia de impermanência foi importante para enfrentar momentos difíceis. Após o diagnóstico de câncer de mama, ela encontrou na filosofia uma forma de compreender que o sofrimento não é permanente. Em remissão, Jessica também destaca a interdependência entre as pessoas e a necessidade de combater injustiças e intolerâncias. Para Keizo Doi, budismo é religião e filosofia. Mais importante que essa classificação, porém, são os ensinamentos aplicados à vida cotidiana. A tradição Shin Budista da Terra Pura valoriza a simplicidade e a recitação do nome do Buda. O objetivo é atravessar as dificuldades humanas e alcançar o nirvana, estado associado à tranquilidade. Ao lidar com os percalços da vida, a filosofia budista convida cada pessoa a observar suas próprias ações e responsabilidades. Assim, o budismo apresenta o sofrimento como parte da existência, mas também aponta caminhos para a felicidade. Durante agosto, o templo realizou sua tradicional quermesse, reunindo fiéis e visitantes em atividades culturais, comidas típicas e momentos de convivência. O evento termina neste domingo, das 16h às 22h, no Templo Shin Budista da Terra Pura, na 315/316 Sul. 

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