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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

GOVERNO ARGENTINO RESISTE EM AJUDAR ENDIVIDADOS


Eliana Yaynes e Iván Venencio se conheceram em uma rádio argentina ao falar sobre dívidas. 
Mais de 20 milhões de argentinos estão endividados e cerca de 6 milhões estão inadimplentes. O país tem pouco mais de 46 milhões de habitantes, segundo dados oficiais e consultorias. Em 20 de agosto, ocorreu em Buenos Aires a primeira marcha de cidadãos endividados. Os manifestantes pediram mecanismos para refinanciar dívidas e criticaram a falta de intervenção. O governo de Javier Milei considera o problema uma questão entre entes privados. Milei atribuiu parte do endividamento ao consumo de televisores durante a Copa do Mundo. Para ele, ninguém obrigou os argentinos a contrair empréstimos. Yaynes, que apoiou Milei, considera essa explicação triste e degradante. Ela e o marido atualmente pagam quatro empréstimos e acumulam uma dívida milionária. Venencio conta que problemas familiares, perda de renda e despesas inesperadas agravaram a situação. A morte do sogro e a perda de uma gravidez da esposa aumentaram as dificuldades. Depois, o carro usado por Venencio para trabalhar como motorista de aplicativo pegou fogo. O seguro cobriu apenas metade do prejuízo, obrigando-o a contrair novas dívidas. Sua renda como motorista também caiu com o aumento do número de trabalhadores no setor. Em novembro, Venencio entrou em depressão e, posteriormente, o casal ficou sem trabalho. Hoje, ele dirige entre dez e 12 horas por dia para sustentar a família. Mesmo assim, os juros fizeram com que as dívidas se tornassem praticamente impagáveis.

O economista Hernán Letcher afirma que os seis milhões em atraso são o dado mais preocupante. Cerca de 3,5 milhões dessas pessoas possuem dívidas consideradas tecnicamente irrecuperáveis. Segundo ele, aproximadamente 90% dos atrasos de cartões envolvem compras de supermercado. A queda da renda familiar teria sido compensada pelo uso crescente do crédito. Enquanto salários subiram cerca de 300%, transportes e serviços tiveram aumentos muito maiores. Eliana Yaynes também enfrentou dificuldades após perder o emprego e reduzir a renda familiar. O casal passou a usar cartões e carteiras digitais para financiar despesas básicas. O parcelamento, porém, transformou pequenas prestações em uma grande bola de neve. Em janeiro, Yaynes foi diagnosticada com câncer de mama e estava sem plano de saúde privado. Movimentos de endividados defendem uma emergência nacional de crédito e controle dos juros. As fintechs facilitaram o acesso rápido ao crédito, especialmente para trabalhadores informais. Quando o crédito bancário acaba, muitos recorrem a carteiras digitais, familiares ou agiotas. Especialistas alertam que as cobranças de agiotas podem envolver violência e ameaças. As taxas de juros também são apontadas como um dos principais obstáculos para quitar as dívidas. O governo, porém, mantém a posição de que o endividamento é uma questão entre entes privados. 

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