Após 19 anos, Carla Gleydiane Marques Almeida teve confirmada a indenização pelos sete meses em que ficou presa por um crime que não cometeu. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) condenou o Estado a pagar R$ 386.478,37 por danos morais e materiais, valor que pode chegar a R$ 400 mil. Carla foi presa em julho de 2007, acusada de matar a própria companheira, Taís Duarte Matos. Ela foi libertada em fevereiro de 2008, após habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O tribunal constatou a ausência de fundamentos legais para manter a prisão preventiva. Após sair da cadeia, Carla decidiu buscar reparação pelos prejuízos sofridos. Segundo ela, uma investigação falha e o fato de ter sido vista com a vítima contribuíram para a acusação. A prisão ocorreu durante a noite, quando ela foi retirada de casa pela polícia. A família sofreu consequências e seus pais chegaram a se mudar para Fortaleza para acompanhar o caso. O advogado Paulo Quezado assumiu a defesa e ajudou a conseguir sua liberdade. A inocência de Carla, porém, só foi reconhecida definitivamente anos depois. Durante a prisão, ela desenvolveu problemas renais e ficou 13 dias hospitalizada, permanecendo algemada. A condenação do Estado ocorreu em primeira instância em julho de 2022. Após recursos, a obrigação de indenizar tornou-se definitiva em abril de 2025. O cálculo atualizado em julho de 2026 fixou R$ 262.217,81 por danos morais. Outros R$ 59.847,48 correspondem a danos materiais, incluindo bens e uma motocicleta não devolvidos. Honorários advocatícios somam R$ 64.413,07.
Carla também sofreu prejuízos educacionais e profissionais após a prisão. Ela teve dificuldades para conseguir estágio e emprego mesmo depois de formada em Direito. Segundo sua defesa, a investigação foi marcada por graves falhas e preconceito contra sua orientação sexual. Na época, autoridades fizeram declarações públicas sobre o caso antes da conclusão das investigações. A família chegou a ser hostilizada por moradores, que os chamavam de “pais da assassina”. Em março de 2011, Josimar Alves da Costa foi preso por outro crime e confessou o assassinato de Taís. Ele afirmou ter cometido o homicídio a mando de uma terceira jovem, motivada por ciúmes de Carla. Apesar da confissão, Carla só foi definitivamente retirada do processo em agosto de 2017. O TJCE reconheceu formalmente a ocorrência de um “gravíssimo erro” do Estado. Para Carla, a indenização não apaga o sofrimento causado pela prisão injusta. Ela afirma que seu caso deve servir de alerta contra investigações precipitadas e erros judiciais. Depois da experiência, decidiu cursar Direito e seguir carreira jurídica. O advogado Paulo Quezado reforçou que autoridades precisam agir com cautela para evitar novos erros judiciários.
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