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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

TRUMP CONDUZ A GUERRA DO IRÃ COM BRAVATAS E IMPROVISAÇÕES


Trump publicou uma imagem com a frase “Missão cumprida”, comparando sua guerra no Irã à intervenção de George W. Bush no Iraque. 
Mas, seis meses após o início do conflito, a guerra está longe de terminar e se transformou em um atoleiro. O conflito não tem objetivos claros, estratégia evidente nem previsão de encerramento. Trump chegou ao poder criticando as “guerras eternas” de Bush, mas acabou criando sua própria versão delas. O presidente está preso entre a continuidade dos combates e a busca por uma paz que ainda não conseguiu alcançar. Ele evita retomar bombardeios em grande escala, mas também não obteve um acordo satisfatório com Teerã. Sem uma vitória concreta, enfrenta custos políticos e econômicos dentro dos Estados Unidos. A guerra também se prolonga muito além das quatro a seis semanas inicialmente previstas por Trump. Enquanto isso, os dois lados testam a resistência um do outro, sem avanço decisivo. Trump afirma não ter pressa e rejeita, por enquanto, novas negociações com o Irã. Segundo ele, o estreito de Hormuz estaria aberto e permitindo a saída de grandes volumes de petróleo. Na prática, porém, a passagem continua instável, com tráfego muito inferior ao registrado antes da guerra. A situação mantém os mercados internacionais de petróleo sob tensão. O conflito matou o líder supremo iraniano, mas ele foi substituído pelo filho e o regime permanece no poder.

O programa nuclear iraniano foi danificado, mas Teerã não aceita abandoná-lo. O ex-diplomata Richard Haass classificou a guerra como um “fiasco” e questionou seus resultados. Para ele, não há evidências de que os Estados Unidos estejam em situação melhor após o conflito. Apoiadores de Trump, porém, pedem paciência e dizem que o Irã foi profundamente enfraquecido. Mark Dubowitz afirma que a República Islâmica nunca esteve tão fraca em seus 47 anos de existência. Ele acredita que a pressão militar e econômica poderá obrigar Teerã a negociar. Outros analistas criticam Trump por conduzir o conflito de forma improvisada e baseada em bravatas. Steven Cook avalia que os EUA poderiam vencer apesar dos erros do presidente, graças à sua superioridade militar. Já Victor Davis Hanson defende uma estratégia de pressão contínua até que o Irã ceda. A maioria dos objetivos anunciados por Trump no início da guerra ainda não foi alcançada. O Irã continua capaz de atacar bases e aliados americanos na região. A prometida libertação do povo iraniano também não aconteceu. A influência iraniana sobre grupos aliados diminuiu, mas não foi eliminada. Seu programa nuclear sofreu danos, mas pode ser reconstruído, segundo analistas. Para Haass, paradoxalmente, as guerras do Iraque e do Irã acabaram fortalecendo estrategicamente Teerã. Apesar das declarações de Trump de que já venceu, a guerra continua sem solução e sua “missão cumprida” permanece contestada. 

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