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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

DEPÓSITOS JUDICIAIS DEIXARÃO O BRB


O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) decidiu não renovar o contrato de gestão de depósitos judiciais com o Banco de Brasília (BRB). A mudança faz parte do projeto Depósito Seguro, que prevê a modernização da administração dos valores confiados à Justiça. O TJ-BA adotará o BankJus, plataforma desenvolvida originalmente pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e adaptada à realidade baiana. A ferramenta será integrada ao sistema PJe e permitirá ao Tribunal maior controle sobre tecnologia, regras de negócio, dados e fluxos dos depósitos. A medida também amplia a rastreabilidade das contas judiciais e reduz impactos de futuras mudanças de instituições financeiras. Durante a transição, a Caixa Econômica Federal ficará responsável pelos novos depósitos judiciais. A partir de 28 de agosto, novos depósitos e bloqueios judiciais pelo Sisbajud deverão ser direcionados exclusivamente à Caixa. Os valores que já estão depositados no BRB continuarão disponíveis para movimentações e cumprimento de alvarás. O contrato entre o TJ-BA e o BRB termina em 27 de agosto, quando o banco deixará de receber novos depósitos. A migração será gradual, com separação entre os valores antigos do BRB e os novos depósitos feitos na Caixa. Segundo o Tribunal, a estratégia busca evitar riscos operacionais e garantir a continuidade dos serviços. A ferramenta da Caixa permite gerar guias de depósito diretamente pelo site e registrar os dados necessários para identificação do processo.

O depósito será vinculado ao número do processo, seguindo a numeração única do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Dados como CPF e CNPJ serão validados instantaneamente na base da Receita Federal. O pagamento das guias poderá ser realizado por boleto, transferência judicial/TED, PIX ou cartão de crédito. Durante a transição, os alvarás referentes aos novos depósitos serão expedidos eletronicamente pelo PJe e pelo Projudi. O prazo para pagamento dos alvarás será de, no máximo, cinco dias. Não será necessário o comparecimento das partes às agências bancárias para acompanhar o cumprimento. Para os depósitos antigos mantidos no BRB, os alvarás continuarão sendo processados pelo sistema BRBJus, via PIX. O TJ-BA informa que não haverá cobrança de tarifa bancária para o levantamento dos depósitos judiciais. Após a conclusão da transição e implantação do BankJus, o pagamento dos alvarás voltará a ocorrer integralmente por meio instantâneo. A mudança pretende dar ao Tribunal maior autonomia e segurança na administração dos recursos judiciais. O projeto também busca reduzir inconsistências cadastrais e melhorar a integração entre o Judiciário e as instituições financeiras. A coexistência temporária dos sistemas permitirá testes, validações e correção de eventuais problemas. O cronograma técnico para a migração dos valores já depositados no BRB será divulgado posteriormente pelo TJ-BA. Até a conclusão desse processo, os recursos antigos continuarão disponíveis para as movimentações previstas. Com a nova estrutura, o Tribunal pretende modernizar a gestão dos depósitos e aumentar o controle sobre os recursos judiciais. 

APROVAÇÃO DO GOVERNO MILEI CAIU PARA MENOR NÍVEL: 37%


O presidente Javier Milei reduziu a inflação, a pobreza e eliminou o déficit orçamentário da Argentina, mas o mercado de trabalho continua em crise. 
Pelo segundo ano consecutivo, a economia cresce, enquanto o emprego formal recua. Desde que Milei assumiu, o país perdeu 241 mil postos privados com carteira assinada, cerca de 4% do total. O governo também cortou 73 mil funcionários públicos. O número de empregadores privados caiu para 482 mil empresas, menor nível desde 2007. Apenas a província de Neuquén registrou aumento na abertura de empresas durante o mandato. Indústria e construção concentram as maiores perdas de empregos formais. Enquanto isso, cresce o trabalho em aplicativos, entregas, transporte e restaurantes. Segundo economistas, a Argentina vive um crescimento sem criação de empregos de qualidade. A informalidade já representa 44% da força de trabalho do país e o desemprego formal chegou a 7,8%, enquanto a informalidade funciona como alternativa ao desemprego. Pesquisas mostram que o desemprego passou a preocupar mais os eleitores do que a inflação. A aprovação de Milei está em torno de 37%, próxima do menor nível de seu governo. A redução da inflação, que antes estava em três dígitos, ajudou a mudar as prioridades dos eleitores. 
Economistas projetam inflação anual próxima de 20% para o próximo ano.

Os cortes de gastos públicos reduziram obras e elevaram custos de serviços básicos. Isso afetou empregos na construção, renda das famílias e consumo. A valorização do peso também encareceu serviços argentinos, incluindo tecnologia e turismo. A abertura comercial trouxe concorrência estrangeira, mas prejudicou setores industriais tradicionais. Até áreas competitivas, como petróleo, mineração e tecnologia, registram estagnação nas contratações. Empresas de tecnologia enfrentam custos trabalhistas maiores e buscam profissionais em outros países. Em Buenos Aires, cresce a oferta de trabalhadores qualificados em busca de emprego. Programas de capacitação profissional também registram aumento na procura. Uma instituição recebeu 3.500 inscrições para apenas 700 vagas neste ano. Trabalhadores relatam dificuldades para encontrar emprego e complementar a renda. Empresas fechadas e queda nas vendas são apontadas entre as causas. Para muitos argentinos, a inflação perdeu importância diante da necessidade de conseguir trabalho. A crise do emprego formal surge como um dos principais desafios políticos de Milei. O desempenho do mercado de trabalho poderá influenciar o apoio ao presidente nas eleições do próximo ano. 

PREFEITURA IMPEDIDA DE CONTRATAR SERVIDORES TEMPORÁRIOS


A Justiça de Minas Gerais determinou que a Prefeitura de Santa Rita do Itueto (MG) pare de contratar servidores temporários para funções permanentes. 
A decisão também exige a apresentação, em 180 dias, de um plano para substituir os temporários por servidores efetivos.
A medida é provisória e pode ser contestada pela prefeitura. A ação civil pública foi movida pelo Ministério Público de Minas Gerais, através do promotor Rafael da Silva Braga, que acompanha o caso desde 2020. Antes de recorrer à Justiça, o órgão enviou ofícios e pediu informações aos gestores municipais. De acordo com o MP, a prefeitura não realiza concurso público há mais de cinco anos e, nesse período, celebrou contratos temporários para preencher cargos permanentes. A prática, segundo a acusação, ocorria de forma rotineira, e não apenas em situações emergenciais. Entre 2018 e 2020, foram contratados técnicos de saúde bucal, enfermagem, motoristas, agentes comunitários e odontólogos. A decisão judicial afirma que foram centenas de servidores contratados e os contratos foram renovados sucessivamente até 2026. Para as medidas tomadas, a prefeitura não apresentou justificativas de urgência ou excepcionalidade.

Para o promotor, não há justificativa jurídica para a contratação reiterada de temporários. A Constituição determina que cargos permanentes sejam ocupados, em regra, por servidores concursados. O juiz Fábio do Espírito Santo citou entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema. Segundo esse entendimento, contratos temporários devem atender necessidades transitórias e interesse público excepcional. Entre os exemplos estão epidemias, calamidades e substituição temporária de professores. Esses contratos não podem substituir servidores efetivos em atividades permanentes. A Justiça determinou que a substituição ocorra de forma gradual. A medida busca evitar prejuízos a serviços essenciais, como saúde, educação e assistência social. Foi fixada multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento, com valor máximo da multa em R$ 30 mil. A cidade tem cerca de 5.800 habitantes, segundo dados do IBGE. Em 2023, havia 825 pessoas em postos de trabalho formais no município. 

INTERVENÇÃO NO MERCADO DE TÍTULOS PÚBLICOS DOS EUA


O mercado de títulos públicos dos Estados Unidos sofreu uma intervenção incomum na  quarta-feira (19). O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que o governo pretende dobrar, de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões por operação, as recompras de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos. As operações ocorrerão entre setembro e o início de novembro e têm como objetivo conter a alta dos juros de longo prazo. Após o anúncio, os preços dos títulos subiram e os rendimentos caíram, movimento que se espalhou pelos mercados globais. Na manhã de ontem, 20), houve reação e o rendimento do título de 30 anos voltou a subir, chegando a 5,23%. A intervenção é considerada significativa porque rompe com a tradição de previsibilidade na gestão da dívida americana. Também pode gerar sinais diferentes entre o Tesouro e o Federal Reserve, que conduz a política monetária para controlar a inflação. A proximidade das eleições legislativas de novembro também levanta questionamentos políticos, já que juros elevados encarecem hipotecas, crédito empresarial e o financiamento do governo. O problema central é o enorme endividamento dos EUA, combinado com déficits elevados, inflação resistente, riscos geopolíticos e forte demanda por capital. O título de 30 anos atingiu nesta semana o maior rendimento desde 2007. Ao recomprar papéis de longo prazo, o Tesouro aumenta a demanda e tenta reduzir os juros. A estratégia funcionou inicialmente, mas o repique mostrou seus limites: as recompras não eliminam déficit fiscal, inflação ou dívida crescente.

Para o Brasil, os efeitos podem seguir dois caminhos. Se os juros americanos caírem sem perda de confiança, investidores podem buscar mercados com maior rentabilidade, favorecendo a entrada de capital no país, a valorização do real e uma eventual redução da inflação e dos juros. Por outro lado, se a intervenção aumentar a desconfiança sobre a situação fiscal americana, poderá haver maior aversão ao risco e fuga de recursos de mercados emergentes. Nesse cenário, o real poderia se depreciar e os juros brasileiros subir. A medida de Bessent acrescenta uma nova variável ao mercado financeiro internacional. Além de acompanhar inflação, déficit e decisões do Fed, investidores terão de considerar também a disposição do Tesouro americano de intervir no mercado de títulos. O impacto sobre o Brasil dependerá, sobretudo, de a iniciativa fortalecer a confiança nos títulos americanos ou aumentar as dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida dos Estados Unidos. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 21/08/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Presidenciáveis enfrentam denúncias e investigações na corrida eleitoral

Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos chegam à corrida presidencial sob pressão de apurações que envolvem familiares, financiamento de campanha, relações com o Banco Master ou declarações contra povos indígenas

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Barbárie em Copacabana: em seis minutos, vítima de espancamento levou 57 pauladas, além de pisões, chutes e socos

Câmeras registram espancamento que matou inocente na Zona Sul. Dois acusados do crime já estão presos, um deles se entregou à noite numa delegacia da Baixada Fluminense

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Prisão de publicitário que trabalhou para Bolsonaro desata denúncias em Argentina e Bolívia

Ex-companheira de Fernando Cerimedo o acusa de ter participado de suposto atentado na última segunda Publicitário ficou conhecido por trabalhar com expoentes da ultradireita na América Latina

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Inmet amplia alerta de vendaval para 5 estados com rajadas de 100 km/h

Alerta laranja atinge áreas de SP e RJ na sexta. Frente fria e ciclone extratropical provocam ventos fortes também em parte do PR, ES e BA

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Como IA transformará eficiência das máquinas agrícolas

Simpósio deve debater o assunto, assim como a descarbonização em setembro

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

Crise no Estreito de Ormuz empurra gasóleo para cima dos dois euros em Portugal

Preços vão subir dez cêntimos no litro de gasóleo e nove cêntimos na gasolina, segundo estimativas do ACP. A gasolina vai aproximar-se dos dois euros por litro e o gasóleo ultrapassa esse valor.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL



INDENIZAÇÃO POR PRISÕES ALÉM DO TEMPO

Entre 1995 e 2026, foram movidas 26.443 ações de indenização contra o Estado por prisões além do tempo previsto em lei. O levantamento da Predictus analisou cerca de 630 milhões de processos em 57 tribunais e nas 27 unidades da Federação. O número de ações cresceu continuamente, passando de quatro em 1995 para 2.075 em 2024, recorde da série. A demora na análise de pedidos de progressão de regime é apontada como uma das principais causas. Presos que já cumprem os requisitos legais podem permanecer no regime anterior enquanto aguardam decisão judicial. O exame criminológico, reinserido na Lei de Execução Penal em 2024, também pode acrescentar meses ao procedimento. Segundo o defensor público Bruno Shimizu, essa demora contribui para a superlotação do sistema prisional. No segundo semestre de 2024, havia 909.067 pessoas cumprindo pena ou aguardando julgamento no Brasil, incluindo prisão domiciliar. Mais de 200 mil estavam em prisão provisória, enquanto o déficit de vagas ultrapassava 174 mil. Dos processos analisados, 28,4% envolviam pessoas classificadas como “presas inocentes”, e 10,9% apontavam erro judiciário. Em 46,4% das decisões de mérito, os autores obtiveram vitória, geralmente por danos morais, presentes em 97,8% dos casos. A mediana entre o ajuizamento e a sentença foi de 405 dias, enquanto 3.609 processos ainda aguardavam julgamento.


PROMOTORA MORRE AFOGADA NA PRAIA DO FORTE

A promotora de Justiça Marlinda Maria Dutra de Oliveira, 58, do Amazonas, morreu ontem, 19, após se afogar na praia do Papa Gente, em Praia do Forte, na Bahia. Ela estava em Salvador para participar do 3º Congresso Conamp Mulher, promovido pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público. Antes do evento, Marlinda passeava com uma amiga quando foi arrastada pelo mar enquanto nadava. Ela recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, mas não resistiu. A amiga também se afogou e foi levada de helicóptero ao Hospital do Subúrbio. Marlinda atuava no Ministério Público do Amazonas desde 1994. Era titular da 41ª Promotoria de Justiça Especializada em Fazenda Pública, em Manaus. O Ministério Público do Amazonas lamentou a morte e destacou sua dedicação à defesa da sociedade. A Conamp também prestou homenagem à promotora durante a abertura do congresso. A entidade ressaltou sua carreira marcada pelo brilhantismo e compromisso com a Justiça. O congresso, realizado em Salvador, prossegue até sábado (21). A morte causou comoção entre integrantes do Ministério Público presentes ao evento.


BRASILEIRO CONDENADO NO BRASIL É PRESO NOS EUA

O ICE, agência de imigração dos Estados Unidos, divulgou a detenção do brasileiro Maycon Souto dos Reis. Segundo a agência, ele entrou ilegalmente no país em junho de 2024 e foi detido neste mês, em Massachusetts, após ser localizado pela imigração. Ele havia sido abordado anteriormente por dirigir sem habilitação. No Brasil, Maycon é procurado por homicídio qualificado cometido em Governador Valadares (MG). Há um mandado de prisão com pena de 14 anos e 3 meses de reclusão em regime fechado. A Justiça de Minas Gerais manifestou interesse em incluir o mandado no sistema da Interpol. O Tribunal, porém, informou que o processo ainda não transitou em julgado. Segundo o G1, Reis foi condenado pela morte de Juliano Schubert Teixeira, em 2010. O crime teria relação com uma disputa ligada ao tráfico de drogas. Em outra operação, o ICE prendeu o brasileiro Heriton da Silva Aredes, também irregular nos EUA. Aredes já havia sido deportado em 2008 e voltou ilegalmente ao país, segundo a agência.

PGR PEDE BAXA DE INQUÉRITO PARA PRIMEIRA INSTÂNCIA

A PGR pediu ao STF que o inquérito sobre a suposta participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em lobby no governo seja enviado à primeira instância. O órgão afirma não haver investigados com foro privilegiado que justifiquem a permanência do caso no Supremo. A decisão caberá ao ministro André Mendonça. Lulinha é citado em investigação envolvendo a lobista Roberta Luchsinger, que tentou vender ao Ministério da Saúde um projeto de canabidiol. Segundo a PF, Luchsinger dizia atuar em nome de Lulinha e buscava receber 20% do negócio. Em uma conversa, ela teria usado a frase “Eu sou o Fábio” ao se referir ao filho do presidente. A negociação não foi concluída, e os diálogos indicam insatisfação com o andamento das tratativas. Luchsinger também se aproximou de Marco Aurélio Santana, ex-chefe de gabinete de Lula, com pagamentos e compra de joias. As conversas citam ainda o advogado Otto Medeiros, que teria participação nas negociações. Luchsinger afirmou que Medeiros seria “sócio do Kassio”, referindo-se ao ministro Kassio Nunes Marques. O ministro negou ser ou ter sido sócio do advogado e afirmou manter apenas relação de amizade com ele.
Kassio também declarou impedimento em processos no STF nos quais Medeiros atua.

DOIS BRASILEIROS MORRERAM EM PORTUGAL

Dois trabalhadores brasileiros morreram ontem, 19, após a queda de uma plataforma em Sintra, na região de Lisboa, em Portugal. As vítimas foram identificadas como Charles Evangelista dos Santos e Irídio Gomes da Silva. Segundo a imprensa portuguesa, eles trabalhavam na pintura da fachada de um prédio quando o equipamento despencou de uma altura equivalente a sete andares. A queda ocorreu em uma rua e atingiu três veículos que estavam estacionados no local. As autoridades informaram que a obra não tinha licença para ocupar a via pública. A prefeitura de Sintra também não teria sido comunicada sobre o início dos trabalhos. A agência Lusa relatou ainda possíveis irregularidades na execução da obra. Os dois trabalhadores atuavam na parte traseira do edifício no momento do acidente. O caso será investigado pelas autoridades portuguesas. A apuração deverá verificar as condições de segurança do trabalho e eventuais responsabilidades. As circunstâncias da queda e as condições da plataforma também serão analisadas. 

Salvador, 20 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados


TRUMP PREFERE VIAJAR COM A ASSESSORA A TRABALHAR, DIZ DEMOCRATA


Natalie Harp, de 35 anos, é uma das assessoras mais próximas do presidente Donald Trump na Casa Branca. 
Ela o acompanha em viagens, reuniões e até no helicóptero presidencial Marine One. Também troca mensagens com líderes mundiais em nome do presidente e participa da elaboração de posts. A assessora ganhou destaque após acompanhar Trump em uma operação secreta para retirá-lo da Turquia e esteve entre as poucas pessoas que entraram em um contêiner usado para transportar refeições no avião presidencial. O episódio aumentou a atenção sobre a influência de Harp junto ao presidente. O senador democrata Jon Ossoff criticou a relação e afirmou que Trump prefere viajar com a assessora a trabalhar. A declaração provocou forte reação de aliados, parlamentares e influenciadores trumpistas. Harp é considerada uma das principais guardiãs do acesso ao presidente. Seu apelido é “a impressora humana”, porque costuma acompanhá-lo com uma impressora portátil. Ela também leva a Trump informações encontradas nas redes sociais e conteúdos favoráveis às suas opiniões. Segundo relatos, a assessora demonstra grande lealdade ao presidente e raramente se afasta dele. Trump já teria dito que Harp é uma das poucas pessoas que o amam tanto quanto sua família. Ela recebe salário anual de US$ 150 mil, pago pelos contribuintes americanos. O cargo de Harp é de assistente especial e assistente executiva do presidente.

Alguns colegas, porém, consideram exageradas certas demonstrações de devoção da assessora.
Vídeos mostram Harp correndo para acompanhar o carrinho de golfe de Trump durante uma visita à Escócia. Em uma carta ao presidente, ela chegou a pedir desculpas por ter causado constrangimento durante a viagem. No documento, afirmou que havia passado dias quase sem comer e dormindo apenas algumas horas. Nascida na Califórnia, Harp desenvolveu desde jovem forte interesse por presidentes americanos. Seu irmão afirmou que ela costumava escrever cartas para presidentes, incluindo George W. Bush. A ligação com Trump se aprofundou após ela enfrentar um câncer ósseo. Harp atribui ao presidente a possibilidade de ter acesso a tratamentos experimentais. Em 2019, ela contou sua história na Fox News e chamou a atenção de Trump. Ele a convidou para discursar na Convenção Nacional Republicana de 2020. Nos anos seguintes, Harp passou a defender publicamente as posições e alegações de Trump. Em 2022, ingressou oficialmente em sua equipe. Durante a campanha presidencial de 2024, apareceu em um documentário sobre a rotina de Trump. Harp afirma que Trump foi seu primeiro contato com a política e que passou a admirá-lo durante sua doença. Hoje, sua proximidade com o presidente tornou-se símbolo da maneira pessoal e direta como Trump exerce o poder. 

TRUMP VIVE DE AMEAÇAS AO IRÃ QUE AS CLASSIFICA DE "POLÍTICA FRACASSADA"


O Irã reagiu nesta quinta-feira (20) à “guerra econômica sem precedentes” anunciada por Donald Trump no dia anterior. 
Teerã classificou a iniciativa como uma “política fracassada” e afirmou que os EUA enfrentam uma crise própria. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que Trump busca desviar a atenção dos problemas americanos. Segundo ele, insistir na pressão econômica resultará em nova derrota e ampliará a hostilidade dos iranianos. Trump afirmou que adotará a operação econômica “mais esmagadora” já imposta contra qualquer país. O presidente americano também ameaçou países que ofereçam apoio financeiro ao Irã. Ele declarou que a Marinha e a Força Aérea iranianas foram severamente atingidas durante a guerra. Trump afirmou ainda que a indústria militar iraniana foi destruída e que a moeda do país perdeu valor. Apesar das declarações, não há sinais de colapso completo da economia iraniana. O país já enfrentava forte crise antes da guerra, após anos de sanções dos EUA e da Europa. Mesmo com perdas militares, o Irã mantém capacidade de lançar mísseis balísticos e drones. Essas armas continuam ameaçando países vizinhos e navios que tentam atravessar o estreito de Hormuz. Trump advertiu que instituições financeiras e empresas que ajudarem o Irã sofrerão consequências econômicas.

Ainda não está claro quais países serão diretamente atingidos pelas novas ameaças americanas. Entre os possíveis alvos estão Rússia e China, aliados próximos de Teerã. Também podem ser afetados parceiros comerciais do Irã, como Brasil, Turquia, Índia e Paquistão. O Brasil exporta principalmente milho e soja para o mercado iraniano. A ameaça ocorre enquanto as negociações diplomáticas permanecem estagnadas. Trump também enfrenta pressão da opinião pública americana para encontrar uma saída para o conflito.
Mercados globais de energia igualmente sofrem os efeitos da guerra e da instabilidade regional. Aliados dos EUA no Oriente Médio também pressionam por uma solução para o conflito. A guerra entre EUA e Irã começou em fevereiro deste ano e provocou forte tensão internacional. O estreito de Hormuz permanece como ponto estratégico devido à importância para o transporte de energia. Uma ampliação das sanções pode aumentar os impactos econômicos sobre o Irã e seus parceiros. Teerã, porém, mantém uma postura de resistência diante da pressão de Washington. O confronto econômico ocorre em meio à ausência de avanços significativos na diplomacia. A tensão entre os dois países continua elevando os riscos para a economia e a segurança internacionais. 

DEMOCRATAS VENCEM REPUBLICANOS EM PRIMÁRIAS


Faltando apenas 76 dias para as eleições de meio de mandato nos EUA, os democratas comemoram vitórias nas primárias da Flórida, estado-pêndulo e residência do presidente Donald Trump. 
O destaque foi a vitória inesperada de Angie Nixon na disputa pela indicação democrata ao Senado. Nixon, integrante da ala progressista do Partido Democrata, derrotou o ex-militar Alexander Vindman, considerado favorito. Após a derrota, Trump atacou Vindman, chamando-o de “canalha traidor”, e previu nova derrota de Nixon nas eleições de novembro, quando enfrentará a republicana Ashley Moody na disputa pelo Senado. Segundo o cientista político Richard Mullaney, da Universidade de Jacksonville, a eleição será difícil para Nixon. Ele destacou que a Flórida tem forte tradição republicana e difere de estados onde candidatos progressistas tiveram melhores resultados. Para Mullaney, Nixon representa a ala progressista e populista do Partido Democrata. O especialista também apontou uma divisão crescente dentro da legenda entre diferentes correntes políticas. Essa fragmentação seria mais visível em estados democratas ou considerados decisivos, como Nova York, Michigan, Wisconsin e Minnesota. Apesar da vitória de Nixon, Mullaney considera prematuro tratar as primárias da Flórida como um termômetro das eleições de meio de mandato. Para ele, o resultado demonstra o ânimo dos democratas, mas não necessariamente antecipa o comportamento do eleitorado em novembro.

Após a vitória, Nixon afirmou nas redes sociais que os eleitores da Flórida escolheram a mudança. Ela disse que a vitória nas primárias era apenas o começo da campanha. Nixon terá 76 dias para tentar conquistar a cadeira no Senado e ajudar os democratas a recuperar o controle da Casa. Além dela, outros democratas tiveram resultados importantes nas primárias.
O deputado Jared Moskowitz derrotou com facilidade o progressista Oliver Larkin. A disputa ocorreu em um distrito recentemente redesenhado, que os republicanos esperam conquistar em novembro. Já a deputada Debbie Wasserman Schultz venceu uma primária bastante acirrada. A eleição ocorreu em um distrito de forte maioria democrata. Os resultados mostram movimentações dentro do Partido Democrata antes das eleições de novembro. Entretanto, ainda não permitem prever o resultado final da disputa pelo controle do Congresso americano. 

MANOBRA MILITAR DA OTAN AUMENTA TENSÃO COM MOSCOU


A Otan realizou uma manobra militar surpresa perto de Kaliningrado, enclave russo entre Polônia e Lituânia, aumentando a tensão com Moscou. 
Cerca de 25 aeronaves participaram da operação, incluindo caças dos EUA e da Noruega, aviões de vigilância e reabastecimento. Também foram mobilizados helicópteros de ataque americanos AH-64 Apache. Segundo a Otan, o objetivo foi treinar capacidades defensivas e operacionais na região. A ausência de anúncio prévio, porém, provocou apreensão na Rússia. A avaliação em Moscou é de que o exercício poderia ter testado sistemas russos de interceptação eletrônica. Kaliningrado abriga importantes sistemas militares russos, incluindo equipamentos de comunicação, defesa antiaérea S-400 e mísseis Iskander-M. A região é considerada estratégica por sua posição no mar Báltico. Os mísseis Iskander têm capacidade de atingir alvos a centenas de quilômetros e podem receber ogivas nucleares. O episódio ocorre em meio ao aumento da tensão entre Rússia e Otan desde a invasão da Ucrânia, em 2022. Lituânia, Letônia e Estônia são vistas pela aliança como áreas vulneráveis a possíveis ataques russos. Suécia e Finlândia abandonaram sua tradicional neutralidade e ingressaram na Otan após a guerra na Ucrânia.

Com isso, quase todo o litoral do Báltico passou a estar sob controle de países da aliança, com exceção das áreas russas. Nos últimos meses, diversos incidentes aumentaram a desconfiança na região. Aeronaves francesas já foram alvo de radares russos, enquanto a Otan reforçou patrulhas para proteger cabos submarinos. Também continuam as discussões sobre as explosões dos gasodutos Nord Stream, ocorridas em 2022. Drones ligados à guerra na Ucrânia também já provocaram incidentes e violações de espaço aéreo. A passagem de uma fragata russa equipada com mísseis hipersônicos pelo Báltico gerou novos alertas na Europa. A embarcação escoltava um navio transportando gás russo, em uma demonstração de dissuasão. O presidente Vladimir Putin afirmou que a Rússia poderá adotar medidas semelhantes contra navios europeus. A situação aumenta o temor de confrontos militares ou navais no Báltico. A Otan vem alertando para a possibilidade de um eventual confronto com a Rússia antes do fim da década. Ao mesmo tempo, países europeus ampliam seus gastos militares e reforçam suas capacidades de defesa. A expansão ocorre também diante das cobranças de Donald Trump para que os aliados europeus assumam maior parte dos custos da defesa. O Kremlin critica o fortalecimento militar da Otan e classifica a política ocidental como uma forma de russofobia.
O episódio em Kaliningrado mostra como o Báltico continua sendo um dos principais focos de tensão entre Rússia e Otan. 

MULHERES SEM ACESSO AO ENSINO MÉDIO E SUPERIOR, ALÉM DE OUTRAS RESTRIÇÕES


O Talibã retomou o controle do Afeganistão há cinco anos, após duas décadas, e restabeleceu um regime islâmico que restringe severamente os direitos das mulheres. 
Desde então, mulheres e meninas foram progressivamente excluídas da vida pública, em um processo considerado sem precedentes na história moderna. Mais de 160 decretos limitaram seus direitos, proibindo o acesso ao ensino médio e superior e restringindo trabalho, circulação, vestimentas e liberdade de expressão. 
A ONU Mulheres alerta que as medidas afetam aproximadamente metade da população e podem comprometer o futuro do país por décadas. Um relatório da organização, baseado em entrevistas com cerca de 5.000 afegãos, revela forte deterioração das condições de vida das mulheres. Enquanto 55% dos homens disseram estar vivendo pior do que esperavam, o índice chegou a 65% entre as mulheres. Os homens apontaram principalmente dificuldades econômicas, enquanto as mulheres destacaram a perda de acesso à educação e ao trabalho. A maioria das entrevistadas relatou aumento do estresse, preocupação e pressão, sinais associados à deterioração da saúde mental. Cerca de 90% disseram precisar da autorização de um homem da família para sair de casa. Mais da metade afirmou sair apenas uma ou duas vezes por mês, enquanto mais de 95% dos homens disseram sair diariamente. A pressão para cumprir as regras também aumentou dentro das próprias comunidades.

Quase 40% das mulheres entrevistadas disseram sofrer mais pressão para adequar seu comportamento por medo de denúncias. Especialistas afirmam que o Talibã transformou normas patriarcais em obrigações legais e passou a envolver famílias na fiscalização das mulheres. O Afeganistão é atualmente o único país do mundo que proíbe formalmente meninas e mulheres de estudar além do ensino primário. A exclusão prolongada da educação e da vida pública aumenta a defasagem e reduz as perspectivas de recuperação social e econômica. A Unesco pediu a restauração plena do direito à educação para meninas e mulheres afegãs. Especialistas alertam que uma geração inteira pode crescer sem oportunidades educacionais e profissionais. Para ativistas, por trás de cada decreto existem histórias de estudantes, professoras, juízas, médicas e empreendedoras impedidas de exercer suas atividades. A advogada de direitos humanos Belquis Ahmadi defende maior pressão internacional contra as restrições. Segundo ela, o problema não é apenas o apagamento de milhões de mulheres e meninas da vida pública. O risco maior, afirma, é que o mundo se acostume gradualmente com essa realidade. Cinco anos após o retorno do Talibã, a situação das mulheres permanece entre as maiores crises de direitos humanos do Afeganistão. 

DÍVIDA DOS EUA ULTRAPASSA, PELA PRIMEIRA VEZ, US$ 40 TRILHÕES


A dívida total dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez os US$ 40 trilhões, segundo dados do Departamento do Tesouro divulgados ontem, 19. 
O valor chegou a US$ 40,047 trilhões na terça-feira, incluindo US$ 32,266 trilhões em títulos detidos pelo público e US$ 7,782 trilhões em dívida intragovernamental. A dívida federal mais que dobrou em menos de uma década. Em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu a Presidência pela primeira vez, o montante era de US$ 19,95 trilhões. Cerca de um terço do aumento ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando os governos Trump e Joe Biden ampliaram os gastos para enfrentar a crise. O restante do crescimento está ligado a desequilíbrios persistentes entre receitas e despesas e às escolhas fiscais dos dois governos. Organizações de controle orçamentário alertam para o risco de uma crise fiscal caso o Congresso não aumente receitas, reduza gastos ou adote as duas medidas. Maya MacGuineas, do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, afirmou que a dívida afeta toda a economia e pode chegar ao bolso dos cidadãos. Segundo ela, o aumento do endividamento pode pressionar a inflação, limitar outras prioridades orçamentárias e ampliar a vulnerabilidade do país. A dívida chegou a US$ 40 trilhões menos de cinco meses depois de atingir US$ 39 trilhões. Em menos de 20 anos, o valor quadruplicou. Em 1981, a dívida havia alcançado pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão. Os mercados também demonstram preocupação com o elevado volume de emissão de títulos do governo americano. 

Os juros dos títulos de longo prazo atingiram nesta semana os maiores níveis em quase duas décadas. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a duplicação das recompras de títulos de 10 a 30 anos para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A demanda estrangeira por títulos americanos também vem diminuindo, embora investidores internacionais ainda detenham quase um terço dos Treasuries. Em julho, o déficit mensal dos EUA chegou a US$ 432 bilhões, o quarto maior da história. Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, o déficit já superou o resultado de todo o ano fiscal de 2025. Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, a dívida aumentou US$ 3,8 trilhões. Considerando os dois mandatos, o crescimento chega a US$ 11,6 trilhões até o momento. Durante o governo Biden, a dívida aumentou US$ 8,4 trilhões, impulsionada também por programas de recuperação da pandemia, infraestrutura e energia. O pacote fiscal do segundo mandato de Trump, conhecido como “One Big Beautiful Bill”, poderá acrescentar US$ 4,7 trilhões à dívida, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso. Os EUA gastam cerca de US$ 7 trilhões por ano, sendo 60% destinados a programas obrigatórios, como Previdência Social, Medicare, Medicaid e benefícios para veteranos. Cerca de US$ 1,1 trilhão é destinado ao pagamento de juros da dívida. No ano fiscal de 2025, os juros superaram pela primeira vez os gastos do Pentágono. Em 2026, os pagamentos de juros também ultrapassaram os gastos com o Medicare. O envelhecimento da população e o aumento das despesas sociais pressionam ainda mais as contas públicas americanas.