Donald Trump assinou ontem, 10, uma ordem executiva que pretende reduzir o número de vacinas infantis e separar em doses individuais a tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola. Trump afirmou que, décadas atrás, crianças recebiam menos vacinas e eram mais saudáveis, relacionando, sem evidências, o aumento do autismo à vacinação. Diversos estudos científicos já descartaram qualquer ligação entre a vacina tríplice viral e o autismo. A ordem recomenda reduzir de 18 para 11 o número de vacinas infantis consideradas essenciais pelo governo americano. As 11 vacinas protegem contra doenças como sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, varicela e HPV. Trump também defendeu separar a vacina tríplice viral em três aplicações, alegando que a combinação poderia ser perigosa. Especialistas, porém, afirmam que não existem evidências científicas que sustentem essa afirmação. Segundo o CDC, não há benefício comprovado em dividir a vacina MMR em três doses individuais. A agência ressalta que a vacinação é muito mais segura do que contrair sarampo, caxumba ou rubéola. O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., disse que a mudança busca ampliar a escolha dos pais.
O presidente da Academia Americana de Pediatria, Andrew Racine, classificou a medida como perigosa e desanimadora. Ele destacou que os Estados Unidos enfrentam o maior número de casos de sarampo em 35 anos. No Brasil, especialmente em São Paulo, autoridades também estão em alerta devido ao surgimento de novos casos da doença estes associados principalmente à importação do vírus por viajantes vindos do exterior. A principal vacina utilizada no Brasil contra o sarampo também é a tríplice viral. Racine afirmou que não existem novas evidências científicas que justifiquem as mudanças propostas e alertou que adiar ou deixar de tomar vacinas aumenta os riscos, especialmente com o sarampo em circulação. O senador republicano Bill Cassidy, que é médico, também criticou a decisão de Trump. Cassidy afirmou que as vacinas são seguras, eficazes e não causam autismo. O parlamentar recomendou que os pais sigam as orientações dos pediatras, e não uma ordem executiva sem respaldo científico. Especialistas temem que informações falsas sobre vacinas provoquem queda na imunização infantil. A redução da vacinação pode favorecer o avanço de doenças como o sarampo. Diversas pesquisas analisaram a possível relação entre vacinas e autismo, mas nenhuma encontrou evidências dessa associação. Um estudo realizado na Dinamarca e divulgado em 2019 analisou 657.461 crianças. A pesquisa concluiu não haver qualquer relação entre a vacina tríplice viral e o desenvolvimento de autismo.
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