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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

TRÊS VEREADORES SÃO AFASTADOS DE SOBRAL NO CEARÁ


Três vereadores de Sobral (CE) estão entre sete pessoas presas em uma operação deflagrada ontem, 11. 
A ação investiga a suposta influência de uma organização criminosa nas eleições de 2024 e 2026. Segundo as investigações, a facção cobrava até R$ 60 mil de candidatos para permitir acesso a bairros da cidade. Os vereadores presos são Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mário Vicktor (União). Os três também foram afastados dos cargos por 180 dias, por decisão judicial. A defesa de Mário Vicktor afirmou ainda não ter acesso integral aos autos do processo. O presidente da Câmara, Chico Jóia Júnior, disse que ainda não recebeu a documentação oficial dos afastamentos. A Câmara informou que os documentos solicitados pelos órgãos competentes estão sendo disponibilizados. As investigações apontam que o Comando Vermelho tentava interferir na escolha dos eleitores. Segundo o Ministério Público, a organização utilizava ameaças e coação durante o processo eleitoral. A Operação Omertá cumpriu 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão. Também foram determinadas cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. A operação foi coordenada pela FICCO/CE, Ministério Público Eleitoral e Grupo Auxiliar Eleitoral.

De acordo com o MPCE, candidatos sem mandato pagariam R$ 30 mil pelo chamado “pedágio”. Já candidatos que buscavam reeleição teriam de pagar R$ 60 mil. As suspeitas são investigadas desde 2024, com coleta de depoimentos e outras evidências. Carlos do Calisto, de 62 anos, foi o vereador mais votado de Sobral em 2024. Ele recebeu 4.176 votos e também havia sido eleito nos pleitos de 2012, 2016 e 2020. Em 2021, assumiu a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos do município. Junim do Povo, de 50 anos, foi eleito em 2024 com 1.209 votos pelo Podemos. Ele também havia concorrido ao cargo em 2020, quando foi suplente pelo PT. Mário Vicktor, de 27 anos, é advogado e preside a Comissão de Redação e Justiça da Câmara. Ele foi eleito em 2024 pelo União Brasil, com 3.069 votos, e já havia sido eleito em 2020. As investigações também apuram ameaças contra eleitores e políticos durante as eleições de 2026. Eventos e reuniões políticas teriam sido cancelados após ameaças de morte e atentados. Entre os alvos da operação está uma policial militar, casada com um suposto chefe criminoso já preso. O inquérito foi aberto em 2024 para investigar a interferência da facção no processo eleitoral. As autoridades afirmam que as investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema. 

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