O presidente do STF, Edson Fachin, defendeu que as instituições públicas enfrentem com seriedade a moralização dos gastos, inclusive no Judiciário. O ministro anunciou que enviará ao Congresso, até o fim do ano, uma proposta para disciplinar os salários dos juízes. Fachin também defendeu o aprofundamento das investigações sobre corrupção e o aperfeiçoamento dos mecanismos de transparência. A proposta será uma lei federal, de caráter nacional, para regulamentar o regime remuneratório da magistratura. O teto salarial do serviço público é de R$ 46.366,19, mas magistrados podem receber valores superiores com benefícios e indenizações. Em junho, Fachin criou um grupo de trabalho para levantar as verbas pagas a juízes em todo o país. A comissão deverá identificar distorções, uniformizar critérios e apresentar soluções para os chamados supersalários. O grupo terá até seis meses para propor medidas de padronização, transparência e previsibilidade das remunerações. Fachin afirmou que instituições verdadeiramente íntegras não temem a transparência e devem aceitar o escrutínio público. Segundo ele, o Judiciário não está imune a imperfeições, e reconhecer falhas não enfraquece sua autoridade. Para o ministro, a confiança pública é fundamental para a legitimidade das instituições e precisa ser preservada.
Fachin também destacou a importância da liberdade de imprensa para a democracia e para a fiscalização do poder. Segundo ele, investigar e questionar autoridades fortalece as instituições ao exigir coerência dos agentes públicos. O ministro alertou ainda para os riscos da espetacularização e do julgamento antecipado de processos. Ele defendeu uma fiscalização responsável, diferenciando investigação de condenação e evitando narrativas simplificadas. Na Faculdade de Direito da USP, Fachin abriu as comemorações do Bicentenário dos Cursos Jurídicos no país. Em seu discurso, afirmou que tribunais e instituições brasileiras não são infalíveis. Também ressaltou que a jurisdição constitucional deve proteger direitos fundamentais sem substituir a deliberação democrática. O ministro lembrou que cada processo envolve pessoas e que decisões judiciais podem afetar diretamente suas vidas. A solenidade reuniu ex-presidentes, ministros de Tribunais Superiores, autoridades do Judiciário e professores da USP.
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