Acenos do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, a teses da defesa de Flávio Bolsonaro provocaram questionamentos sobre sua atuação na corte. Ministros e técnicos do TSE e do STF identificaram possíveis convergências entre decisões de Kassio e posições da campanha do senador. Um dos exemplos é a censura a uma pesquisa que apontava queda nas intenções de voto de Flávio após o caso “Dark Horse”. Kassio também sinalizou concordar com a defesa sobre o uso de deepfake de Jair Bolsonaro apresentado em convenção do PL. O ministro afirmou que o uso de IA em campanhas pode ser lícito, mas não deve ser usado para prejudicar adversários. A declaração abriu debate sobre a chamada “IA do bem”, que favoreceria um candidato sem intenção de ofender ou enganar. A campanha de Flávio considera legal o conteúdo, enquanto o TSE proíbe deepfakes eleitorais, mesmo sob justificativa favorável. Segundo aliados, Kassio deverá se posicionar contra esse tipo de material, independentemente do candidato beneficiado. O ministro nega favorecer Flávio e afirma que manterá neutralidade em relação ao presidente Lula. A defesa do senador sustenta que o TSE tem aplicado suas decisões de forma equilibrada a todos os candidatos.
Interlocutores reconhecem, porém, que Kassio também rejeitou pedidos da campanha de Flávio em outros episódios. Apesar disso, ministros do STF e do TSE apontam convergência entre a visão jurídica de Kassio e as posições do senador. Alexandre de Moraes e outros ministros do STF também questionam nos bastidores a condução de Kassio no TSE. No caso do avatar de Bolsonaro, Moraes mencionou possíveis consequências para a elegibilidade de Flávio. A manifestação foi interpretada por integrantes do TSE como possível interferência do STF em assunto eleitoral. A censura à pesquisa Atlas/Bloomberg tornou-se outro ponto de crítica à atuação de Kassio. O ministro defende novas regras para pesquisas, incluindo um “selo de acurácia” e novo registro dos levantamentos. Críticos afirmam que essas medidas podem gerar desconfiança sobre pesquisas e enfraquecer a credibilidade eleitoral. Flávio já foi acusado de divulgar informações falsas sobre pesquisas e de disseminar desinformação sobre as urnas eletrônicas. Outro ponto de atenção é a possível presença de observadores americanos, vista por Kassio como oportunidade para demonstrar a confiabilidade das urnas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário