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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

EXPORTAÇÕES DE CALÇADOS CAEM PELA PRIMEIRA VEZ


Pela primeira vez desde pelo menos 1997, o Brasil registrou déficit na balança comercial de calçados em julho. 
O país importou US$ 66 milhões em chinelos, sandálias e sapatos, contra US$ 62 milhões exportados. Entre janeiro e julho, as importações somaram US$ 373 milhões e cerca de 30 milhões de pares, alta de 10% sobre 2025. No mesmo período, as exportações tiveram queda de 18% em receita. Os dados foram compilados pela Abicalçados com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A entidade atribui o resultado à redução das vendas para os Estados Unidos e a Argentina, principais mercados do setor. Também houve aumento da entrada de calçados baratos produzidos na China, Vietnã e Indonésia. Segundo a Abicalçados, as importações não refletem expansão do mercado interno, mas ocupam espaço que poderia ser atendido pela indústria brasileira. Entre janeiro e julho, as compras de calçados chineses chegaram a US$ 31 milhões, equivalentes a 10 milhões de pares. O valor aumentou 13% e o volume cresceu 26,8% em relação ao mesmo período de 2025. Vietnã e Indonésia também ampliaram suas receitas com vendas ao Brasil. Enquanto isso, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 25% em receita. Os EUA representam cerca de um quinto do valor exportado pelo setor calçadista brasileiro. Para a Argentina, a queda foi ainda maior, chegando a 58%.

A situação pode se agravar após a Casa Branca anunciar uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, incluindo calçados. A Abicalçados teme nova redução das exportações para o mercado americano caso o setor não seja incluído nas exceções. A entidade defende a criação de cotas para limitar a entrada de calçados asiáticos no país. Segundo o presidente-executivo Haroldo Ferreira, somente limites quantitativos poderiam conter o avanço das importações asiáticas. Ele afirma que tarifas elevadas não seriam suficientes para impedir a redução dos preços pelos fabricantes asiáticos. As cotas, segundo a indústria, ajudariam a direcionar ao mercado interno parte da produção que deixaria de ser exportada. O MDIC informou que ainda não recebeu pedido formal para adoção das cotas. O governo afirmou manter diálogo com o setor e disse que eventual solicitação será submetida a análise técnica. 

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