Partidos começaram em junho a criar filtros contra a infiltração do crime organizado nas eleições deste ano. A iniciativa ocorreu sob pressão do Ministério Público Eleitoral (MPE). As medidas incluem análise de documentos, antecedentes e patrimônio dos pré-candidatos. Também será exigida declaração de que não possuem vínculos com grupos criminosos. No fim de junho, o MPE recomendou providências para impedir a presença de facções e milícias na política. O órgão alertou que a Justiça Eleitoral poderá ser acionada em casos de negligência deliberada. Entre as orientações estão conhecer o histórico criminal dos filiados e criar comissões de ética. A recomendação surpreendeu os partidos, que tiveram de se mobilizar para atender às exigências. Dirigentes, porém, questionaram a capacidade das legendas de investigar a vida dos candidatos. Um dos pontos mais criticados é a análise patrimonial para detectar recursos de origem ilícita. Lideranças alegam não possuir instrumentos de investigação semelhantes aos das polícias e do Ministério Público. O presidente do Mobiliza, Carlos Massarollo, afirmou que os partidos não têm meios para realizar tais investigações. O presidente do PCO, Rui Pimenta, classificou a recomendação do MPE como praticamente uma ordem. As orientações foram enviadas aos procuradores eleitorais, que as repassaram aos diretórios estaduais.
O MPE também exigiu informações sobre protocolos de segurança adotados pelas legendas.
Antes da recomendação, apenas o MDB tinha regra específica contra a filiação de integrantes de organizações criminosas. O PT não respondeu à consulta, enquanto o PL nacional também não se manifestou. No Distrito Federal, o PL criou comissão de integridade e ética e passou a exigir documentos dos pré-candidatos. O Republicanos aprovou nacionalmente declaração de ausência de vínculo com grupos criminosos. O União Brasil do DF também adotou resolução semelhante. O Cidadania afirmou que documentos dos candidatos são analisados pela Justiça Eleitoral. PSDB, PDT, PSB e Novo disseram ainda não ter conhecimento completo da recomendação. O Podemos declarou que cumprirá as determinações do Ministério Público dentro do prazo. O Novo informou que seus pré-candidatos passam por verificação de antecedentes com base em dados públicos. Missão, PSTU, PV, UP e PCdoB também afirmaram possuir mecanismos para impedir a infiltração criminosa. A iniciativa amplia o controle sobre candidaturas, mas provoca debate sobre os limites de atuação dos partidos.
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