Um antigo conflito entre o Vaticano e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), defensora da missa em latim e de uma Igreja mais tradicional, voltou a se intensificar no pontificado do papa Leão 14. Nas últimas semanas, dois padres brasileiros ligados à fraternidade foram excomungados: Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, no Distrito Federal, e Rodrigo de Oliveira Silva, no interior de São Paulo. A crise ganhou força após a FSSPX ordenar quatro novos bispos, em 1º de julho, na cidade suíça de Ecône, sem autorização do Vaticano. A Santa Sé havia advertido que a realização das ordenações poderia provocar sanções por cisma e excomunhão. No dia seguinte, o Dicastério para a Doutrina da Fé confirmou as punições e ampliou seus efeitos a padres e fiéis formalmente ligados à organização. Segundo a Igreja, a excomunhão impede a participação plena na vida sacramental e torna ilícitos atos religiosos praticados por sacerdotes sancionados. A FSSPX, porém, contesta a validade prática das punições e afirma que seus sacramentos continuam válidos. O padre Françoá Costa também declarou publicamente que não se considera excomungado nem cismático. Apesar do confronto, a fraternidade apresentou recurso ao Vaticano em julho para tentar revogar as sanções. No Brasil, o padre Rodrigo Silva estava suspenso desde janeiro, quando anunciou sua adesão à FSSPX. Ele celebrava missas tradicionais em latim e arrecadava recursos para comprar uma casa destinada ao seu apostolado.
A Arquidiocese de Brasília anunciou a excomunhão de Françoá Costa em julho. Ele havia ingressado na fraternidade em abril de 2025. A FSSPX foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, em oposição às reformas do Concílio Vaticano 2º. O grupo rejeita mudanças como a celebração da missa nas línguas locais, a maior participação dos leigos e a abertura ao diálogo com outras religiões. Em 1988, Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do papa, provocando novas excomunhões. Em 2009, o papa Bento 16 revogou parcialmente aquelas punições, numa tentativa de aproximação com os tradicionalistas. A fraternidade cresceu internacionalmente e ganhou espaço entre católicos conservadores, inclusive no Brasil. Atualmente, mantém capelas em diferentes regiões brasileiras e utiliza intensamente as redes sociais para divulgar suas atividades. Especialistas avaliam que o movimento permanece pequeno dentro do catolicismo, mas possui influência crescente, especialmente entre jovens atraídos pela estética e pelos ritos tradicionais. O novo conflito representa um teste para o pontificado de Leão 14 e evidencia as disputas entre correntes conservadoras e reformistas dentro da Igreja Católica. As próximas decisões do Vaticano deverão indicar se haverá nova tentativa de diálogo ou maior endurecimento contra a FSSPX.
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