Na era dourada dos Estados Unidos, os chamados barões ladrões exerciam forte influência sobre a política. Sob Donald Trump, bilionários passaram a ocupar diretamente espaços no governo e a ampliar seu poder. O gabinete de Trump reúne patrimônio estimado em US$ 7,5 bilhões. Com o patrimônio do próprio presidente, o valor chega a cerca de US$ 14 bilhões. Críticos afirmam que a política americana está cada vez mais dominada pela elite econômica. Bilionários do setor tecnológico ganharam acesso privilegiado à Casa Branca e ao Congresso. Eles participam de eventos, fazem grandes doações e defendem interesses ligados a seus negócios. Alguns também foram beneficiados por contratos públicos e medidas de desregulamentação. Defensores de Trump dizem que sua política é simplesmente mais favorável às empresas. Eles afirmam que a aproximação com empresários estimula investimentos, inovação e crescimento econômico. A Suprema Corte contribuiu para ampliar a influência do dinheiro na política ao decidir, em 2010, o caso Citizens United. A decisão permitiu maiores gastos independentes de empresas e grupos políticos em eleições. Desde então, as contribuições de bilionários cresceram de forma expressiva. Em 2024, as cem maiores famílias de doadores bilionários contribuíram com US$ 2,6 bilhões. Elon Musk, Miriam Adelson e Timothy Mellon responderam por mais de um terço dos recursos usados para eleger Trump.
A concentração de riqueza também aumentou nas últimas décadas, ampliando as comparações com a Era Dourada. Especialistas apontam que os mais ricos passaram a exercer influência política semelhante à dos grandes industriais do século 19.
O investidor Chamath Palihapitiya afirmou que era muito mais fácil ter acesso ao governo Trump. A declaração foi interpretada por democratas como demonstração da proximidade entre Trump e a elite empresarial. A Casa Branca rejeita a ideia de uma nova oligarquia e diz combater interesses instalados. Executivos de Wall Street e do setor tecnológico elogiam a postura pró-negócios do governo. Sam Altman, da OpenAI, classificou a mudança como positiva para inovação e empresas americanas. Joe Biden, porém, alertou para uma perigosa concentração de poder nas mãos de poucos ultrarricos. A influência dos bilionários também existe entre os democratas, que possuem grandes doadores ligados ao partido. Entre eles estão Reid Hoffman, George Soros, Michael Bloomberg e Laurene Powell Jobs. Críticos afirmam que medidas econômicas de Trump beneficiaram especialmente os mais ricos. A legislação conhecida como “One Big Beautiful Bill” concedeu importantes reduções de impostos ao 1% mais rico. Ao mesmo tempo, houve cortes em programas de assistência alimentar, educação e Medicaid. Apesar da crescente influência dos bilionários, candidatos progressistas passaram a explorar o discurso antioligárquico. Especialistas acreditam que a história americana ainda pode produzir uma reação contra a concentração de riqueza e poder.
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