O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (28) o que chamou de “maior acordo petrolífero da história”. Segundo ele, o entendimento daria aos EUA controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano. Trump afirmou que o acordo será feito por meio de uma parceria com a iniciativa privada, sem custos para os contribuintes americanos. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, agradeceu ao governo americano e destacou os possíveis benefícios econômicos. Trump disse ainda que o acordo mais que dobraria as reservas de petróleo dos Estados Unidos. A afirmação, porém, é considerada enganosa, já que os EUA não serão donos das reservas venezuelanas. A expectativa é que uma nova empresa opere 17 campos de petróleo no Orinoco e no Lago de Maracaibo. Os contratos poderão ter duração de até 50 anos, renováveis por outros 50. A empresa poderá explorar alguns campos e contratar outras companhias para operar os demais. O Estado venezuelano receberá royalties e impostos sobre a produção. O governo americano deverá atuar como garantidor dos contratos, reduzindo riscos para empresas dos EUA. Petrolíferas americanas têm histórico de prejuízos na Venezuela após mudanças contratuais no governo Hugo Chávez. Fontes citadas pela The Economist apontam a North American Blue Energy Partners (NABEP) como parceira privada. A empresa é controlada por Alejandro Betancourt, empresário venezuelano radicado em Londres. Betancourt já foi investigado internacionalmente por suspeitas de lavagem de dinheiro, mas nega irregularidades.
O acordo enfrenta, contudo, um problema de legitimidade política e jurídica. Delcy Rodríguez é herdeira política de Nicolás Maduro, cuja eleição de 2024 foi contestada. Maduro foi capturado por forças americanas em janeiro e levado aos Estados Unidos. O opositor Edmundo González é apontado como vencedor da eleição presidencial venezuelana. Especialistas questionam a validade dos contratos firmados pelo atual governo. Ricardo Hausmann, ex-ministro venezuelano e professor de Harvard, classificou o acordo como inconstitucional. Um futuro governo democrático poderia contestar os contratos assinados por Rodríguez. Há temor de que o acordo crie interesses comuns entre Washington e o atual regime venezuelano. Analistas avaliam que a oposição poderá perder espaço político com o avanço do projeto. María Corina Machado, líder da oposição, ainda não havia comentado o acordo. Trump já havia desaconselhado Machado a retornar à Venezuela. Apesar das críticas, defensores dizem que o país precisa de investimentos, tecnologia, empregos e infraestrutura. A Venezuela possui cerca de 17% das reservas mundiais de petróleo, mas responde por apenas 1% da produção global. O acordo pretende explorar essa enorme riqueza, mas poderá enfrentar fortes obstáculos políticos e jurídicos.