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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

MORO INGRESSA COM AÇÃO CONTRA JUÍZA


A Justiça do Paraná marcou para 29 de setembro, cinco dias antes do primeiro turno das eleições, a audiência de conciliação no processo movido pelo senador Sergio Moro (PL) contra a ex-juíza federal Luciana Dias Bauer. 
Moro, candidato ao governo do Paraná, pede ao menos R$ 100 mil por danos morais. A ação foi apresentada em janeiro, após Bauer afirmar, em entrevista à TV 247, que teria sido agredida por ele em 2016, quando ambos eram juízes em Curitiba. Segundo Bauer, Moro a segurou pelo pescoço dentro de um elevador do Foro da Justiça Federal e mandou que ela ficasse quieta. O episódio teria ocorrido após ela atuar em um habeas corpus durante um plantão judicial. Na ação, Moro nega a acusação e classifica o relato como uma “fábula vingativa” criada quase dez anos depois. Seus advogados afirmam que Bauer não registrou boletim de ocorrência nem apresentou denúncia formal à corregedoria na época. A defesa também cita mensagens trocadas entre Bauer e uma integrante da equipe de Moro em 2017 e 2018. Em uma delas, a ex-juíza pede livros emprestados e termina com “BJ”, abreviação de “beijos”. 

Para os advogados, a cordialidade posterior seria incompatível com uma agressão. Moro contesta ainda outras declarações feitas por Bauer, que teria o chamado de “mafioso” e “criminoso” e relacionando a uma suposta organização criminosa ligada à Lava Jato. Bauer deixou a magistratura em 2022 e atualmente atua como advogada. Em entrevista de dezembro de 2025, afirmou que o episódio fazia parte de um contexto de perseguições e críticas à atuação da 13ª Vara Federal de Curitiba durante a Lava Jato. Em nota, Bauer disse desconhecer o processo e afirmou não ter sido citada. Também criticou a atuação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região em relação à Lava Jato. A audiência será virtual, às 9h40, na 6ª Vara Cível de Curitiba. Caso não haja acordo, o processo seguirá para defesa e produção de provas. 

EUA VOLTAM A ATACAR NO PACÍFICO ORIENTAL E MATA MAIS DUAS PESSOAS


Após dois meses de trégua aparente, os Estados Unidos retomaram ataques a lanchas suspeitas de transportar drogas na América do Sul. 
Na segunda-feira (24), o Comando Sul anunciou um ataque no Pacífico Oriental que matou duas pessoas. Segundo os EUA, os mortos seriam “narcoterroristas”, mas nenhuma evidência foi apresentada para comprovar a acusação. A operação ocorreu no domingo (23) e seguiu o mesmo padrão de mais de 60 ataques anteriores.
As ofensivas já teriam provocado ao menos 220 mortes. O último ataque havia sido registrado em 21 de junho, também com duas mortes. Especialistas destacam que a rota marítima não é a principal via de entrada de drogas nos Estados Unidos. A quantidade de fentanil transportada pelo Caribe, por exemplo, seria considerada pequena. Mesmo assim, o governo Trump usa o combate ao narcotráfico como justificativa para ampliar operações militares na região. A ofensiva começou em setembro, inicialmente concentrada no Caribe e próxima à Venezuela. Na época, Washington enviou o porta-aviões USS Gerald Ford para perto da costa venezuelana. Após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, houve uma pausa de três semanas nas operações. Posteriormente, a frequência dos ataques diminuiu.

Enquanto isso, a América do Sul passou por uma mudança política favorável aos interesses do presidente Donald Trump. Em março, a Casa Branca lançou o programa “Escudo das Américas”, voltado ao combate ao tráfico de drogas. Os Estados Unidos também ampliaram a cooperação militar com o Equador. A Venezuela, apesar da retórica anti-imperialista, também passou a aceitar operações americanas em seu território. Em junho, uma ação do Comando Sul matou Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua. O Peru, sob liderança de Keiko Fujimori, também demonstrou interesse em integrar o grupo de países parceiros dos EUA. Na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella autorizou operações militares conjuntas com Washington. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, defende ampliar as ações para além do mar. Durante visita ao Panamá, ele afirmou que os ataques poderão alcançar organizações de narcotráfico em terra. Equador, Colômbia e outros países deverão participar dessas operações. A retomada dos ataques indica, portanto, uma nova fase da estratégia americana de combate às drogas na América Latina. A política também reforça a presença militar dos EUA e a aproximação com governos aliados na região. 

MANTIDA PRISÃO DE TRÊS TÉCNICOS DE ENFERMAGEM NO DF

A Justiça do Distrito Federal manteve a prisão preventiva de três técnicos de enfermagem acusados de envolvimento nas mortes de pacientes internados em uma UTI particular de Taguatinga. 
A decisão foi publicada na última quinta-feira (20/8), durante a revisão periódica da prisão preventiva. Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, estão presos desde janeiro. Eles são réus em processo que investiga homicídios e tentativas de homicídio no Hospital Anchieta. Segundo a Justiça, não surgiram fatos novos que justificassem a mudança da medida cautelar. O caso veio à tona após o hospital identificar semelhanças entre mortes ocorridas na UTI e comunicar as autoridades. A Polícia Civil do Distrito Federal iniciou uma investigação e deflagrou a Operação Anúbis. Segundo os investigadores, pacientes teriam recebido substâncias ou doses de medicamentos incompatíveis com os tratamentos prescritos. As aplicações teriam provocado o agravamento dos quadros clínicos e, em alguns casos, a morte. Entre as vítimas estão Marcos Moreira, de 33 anos, João Clemente Pereira, de 63, e Miranilde Pereira da Silva, de 75. Em março, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou os três profissionais. Com o recebimento da denúncia pela Justiça, eles passaram à condição de réus.

A acusação também inclui episódios classificados como tentativas de homicídio. As investigações procuram esclarecer a dinâmica dos fatos e a participação individual de cada acusado. O processo está na fase de instrução, com depoimentos de testemunhas e análise das provas. A manutenção da prisão preventiva não significa condenação dos réus. O mérito da ação ainda será analisado pela Justiça ao final da instrução processual. A defesa de um dos acusados contestou a decisão que manteve a prisão. Segundo o advogado Liomar Torres, medidas cautelares podem ser decretadas ou revogadas conforme o entendimento judicial. O defensor afirmou que a decisão não altera o andamento do processo e será contestada oportunamente. Enquanto a ação tramita, os três réus permanecem presos e à disposição da Justiça. Novas etapas processuais deverão ocorrer nos próximos meses. Ao final, o Judiciário avaliará todas as provas apresentadas pela acusação e pela defesa. Somente depois dessa análise será definida eventual responsabilização criminal dos acusados. Até lá, os três permanecem amparados pelo princípio da presunção de inocência. 

MPT PEDE CONDENAÇÃO DE MULTA PARA UBER


O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com ação civil pública contra a Uber e pede que a empresa seja condenada a pagar R$ 329 milhões por cobrar uma taxa de motoristas para atuar na plataforma. Segundo a ação, o programa “Passe para Motoristas” exige pagamento para que trabalhadores possam aceitar corridas, sem garantir retorno financeiro. Lançado em 25 de maio, o programa começou em 12 cidades, incluindo Itabuna e Ilhéus, na Bahia, e já chegou a 29 municípios. Há duas modalidades: por tempo, com validade de 24 ou 72 horas, e por ganhos, em que o motorista paga para trabalhar sem taxa de serviço até determinado faturamento. O sistema também prevê ativação automática após a primeira corrida elegível. Para o MPT, o programa transfere ao motorista o risco do negócio, já que o pagamento não garante quantidade mínima de corridas. O procurador Luiz Antonio Nascimento Fernandes afirma que o mecanismo pode caracterizar trabalho análogo à escravidão, por criar uma espécie de servidão por dívida. Segundo ele, motoristas sem saldo suficiente podem ter futuras remunerações retidas integralmente pela empresa.

O MPT também critica o contrato, elaborado unilateralmente pela Uber, que poderia alterar as regras do programa ou desativar o passe sem devolver o valor pago. A Uber negou irregularidades e afirmou que prestará à Justiça todos os esclarecimentos necessários. A empresa classificou as conclusões do MPT como baseadas em “concepções equivocadas” sobre o funcionamento da plataforma. Segundo a Uber, o modelo de assinatura já é utilizado por outros aplicativos de transporte no Brasil. A empresa diz que o “Passe para Motoristas” é uma alternativa ao modelo tradicional de cobrança por viagem. A companhia afirma ainda que o sistema está em fase de testes e busca oferecer maior previsibilidade aos motoristas sobre o custo do serviço. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 26/08/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Brasil e Estados Unidos abrem novo diálogo para negociar o tarifaço

Reunião virtual entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial norte-americano pode destravar agenda bilateral

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Lula se reúne com Motta e Alcolumbre e reforça aproximação com cúpula do Congresso por cartada eleitoral

Oficialmente encontro será para destravar proposta que acaba com a taxa das blusinhas, mas outros assuntos serão debatidos

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Governo Trump pausa processos de vistos para imigrantes em todo o mundo

Medida se aplica a vistos de imigração; agendamentos de entrevistas estão sendo suspensos ainda sem data nova Departamento de Estado afirma que medida ocorre para que haja novo treinamento em representações diplomáticas

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Candidato do UP defende concursos públicos

ROLDO FÉLIX defendeu a ampliação dos concursos públicos e criticou a contratação de trabalhadores terceirizados e temporários no estado

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Fila de espera do INSS cai para 1,2 milhão de requerimentos

É o menor patamar registrado desde o início da gestão, em janeiro de 2023, quando a fila estava em 1,7 milhão de requerimentos

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Afogamentos causaram 92 mortes até julho, o valor mais elevado dos últimos 10 anos

Número representa um aumento de 15% face ao mesmo período de 2025. Mais de dois terços das mortes foram registadas em rios e no mar.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL


SERVIÇO DE IMIGRAÇÃO, NOS EUA, PRENDEU QUASE 50 MIL PESSOAS 

O ICE, Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, prendeu quase 50 mil pessoas em julho. Foram 49.571 detenções, o maior número mensal do segundo mandato de Donald Trump. O total representa alta de 15% em relação a junho e de 70% ante fevereiro. Em janeiro de 2025, quando Trump assumiu, eram cerca de 10 mil detenções mensais. Desde então, as prisões de imigrantes quase quadruplicaram. O governo destinou bilhões de dólares ao setor e contratou mais de 12 mil novos agentes. Também flexibilizou restrições sobre os poderes de atuação do ICE. O aumento reflete o avanço da política de deportações em massa promovida pela Casa Branca. A estratégia provocou protestos e indignação em diversas cidades americanas. Em Minnesota, a morte de dois cidadãos americanos durante operações gerou forte reação democrata. Após uma queda de 20% nas detenções, os números voltaram a crescer em junho e julho. Texas e Flórida responderam por quase 20 mil detenções, apoiando a agenda migratória de Trump.



CHINA CONDENA ARTISTA POR CRITICAR MAO TSÉ-TUNG

A China condenou o artista Gao Zhen, de 70 anos, a três anos de prisão por satirizar o ex-líder Mao Tsé-Tung. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (25) por uma organização de defesa dos direitos humanos. Gao e seu irmão ficaram conhecidos por obras sobre temas políticos sensíveis da história chinesa. Entre elas estão esculturas que criticam Mao e abordam a Revolução Cultural e Tiananmen. Uma das obras mostra Mao ajoelhado e é intitulada “A Culpa de Mao”. Outra, “Execução de Cristo”, retrata estátuas de Mao apontando fuzis para Jesus. Gao, que vive nos Estados Unidos desde 2022, foi preso durante visita à China em agosto de 2024. Ele foi acusado de atacar a reputação e a honra de heróis e mártires nacionais.
O tribunal de Sanhe, na província de Hebei, aplicou a pena máxima prevista para o crime. Segundo a Anistia Internacional, uma lei de 2021 foi usada para atingir obras antigas, de 2005 a 2009. A entidade criticou a condenação e afirmou que ela busca intimidar manifestações artísticas independentes. Gao pretende recorrer da sentença, que deverá ser cumprida até agosto de 2027.

THE WASHINGTON POST É CONDENADO A RECONTRATAR COLUNISTA

Uma juíza determinou que o jornal The Washington Post recontrate a colunista Karen Attiah, demitida em setembro do ano passado. A decisão também obriga o jornal a pagar os salários retroativos da jornalista. Segundo a juíza Sarah Miller Espinosa, não houve justa causa suficiente para a demissão. Ela concluiu que o jornal violou o acordo trabalhista firmado com Attiah. A jornalista havia publicado comentários nas redes sociais sobre o assassinato de Charlie Kirk. Attiah afirmou que suas manifestações faziam parte de seu trabalho como colunista de opinião. O Washington Post alegou que as publicações prejudicaram a integridade do jornal e violaram normas internas. Os comentários foram feitos no Bluesky no dia em que Kirk foi baleado. Na decisão, a juíza afirmou que o jornal não comprovou falta grave cometida pela jornalista. Attiah comemorou a decisão e disse esperar que ela fortaleça a liberdade de expressão na imprensa. O Washington Post informou que respeita o processo, mas não fez outros comentários. A disputa ocorre em meio a mudanças na seção de opinião do jornal, sob a direção do proprietário Jeff Bezos.

TJBA ENCERRA CONTRATO COM O BRB

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) pediu o encerramento do contrato com o Banco de Brasília (BRB) a partir de 28 de agosto. A direção do BRB solicitou a prorrogação do acordo até a recomposição patrimonial. Depois, deverá ser definido um cronograma para a migração dos serviços, caso o banco não permaneça com a operação. Segundo o TJBA, a mudança faz parte do projeto Depósito Seguro. A iniciativa busca modernizar a gestão dos recursos depositados em processos judiciais. Também pretende ampliar o controle sobre sistemas e dados das movimentações. A partir de 28 de agosto, novos depósitos e bloqueios judiciais serão direcionados à Caixa Econômica Federal. A mudança também abrangerá bloqueios realizados pelo sistema Sisbajud. Os valores que já estão depositados no BRB não serão transferidos imediatamente. Esses recursos continuarão disponíveis para movimentações previstas, incluindo o cumprimento de alvarás. A migração ocorrerá de forma gradual, conforme cronograma técnico a ser divulgado pelo TJBA. O objetivo é garantir a continuidade dos serviços e evitar impactos para magistrados, advogados e partes dos processos. 

CIDADE DE GOIÁS VIVE BOA FASE ECONÔMICA

Minaçu, em Goiás, vive uma nova fase econômica após décadas de dependência da mineração de amianto, atividade associada a doenças fatais. Hoje, a cidade é centro de uma corrida global pelas terras raras, minerais essenciais para eletrônicos, energia limpa e defesa. A Serra Verde afirma operar uma das poucas minas fora da Ásia capazes de produzir terras raras pesadas em escala. O projeto recebeu mais de US$ 1 bilhão em investimentos e conta com apoio financeiro do governo dos Estados Unidos. A empresa foi adquirida pela americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões. Também obteve mais de US$ 500 milhões em empréstimos de uma instituição pública americana. A mina possui disprósio e térbio, usados em ímãs de alta potência para mísseis, carros elétricos e turbinas eólicas. O Brasil tem as segundas maiores reservas mundiais de terras raras, atrás apenas da China. A expectativa é que Minaçu produza 6.400 toneladas de óxidos por ano, ainda uma pequena parcela da produção mundial. O presidente Lula defende que o Brasil processe os minerais e produza itens de maior valor agregado, fortalecendo a soberania nacional. Moradores comemoram a recuperação econômica, mas há reclamações sobre possíveis impactos ambientais e dificuldades para conseguir empregos. Mesmo com obstáculos financeiros, burocráticos e ambientais, autoridades apostam que o Brasil se tornará um importante fornecedor mundial de terras raras.

Salvador, 25 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.




DECRETADA FALÊNCIA DA TELEFONIA OI


A operadora de telefonia Oi teve sua falência decretada nesta terça-feira (25) pela Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). 
A falência já havia sido decretada em novembro de 2025, mas a decisão foi suspensa após recursos apresentados por Bradesco e Itaú. Agora, por decisão unânime, os desembargadores rejeitaram os recursos dos bancos e confirmaram a quebra da companhia. As instituições financeiras alegavam que a Oi não havia cumprido o plano de recuperação judicial e que a falência seria precipitada. A Justiça apontou atrasos de pagamentos e descumprimentos do plano como motivos para manter a decisão. No início do ano, a Oi tinha mais de 164 mil credores, incluindo mais de 8 mil trabalhadores e 4 mil microempresas. A relatora, desembargadora Monica Maria Costa Di Piero, destacou a necessidade de proteger os direitos dos trabalhadores. Com a falência, termina a recuperação judicial e começa o processo de liquidação dos ativos e pagamento dos credores. Especialistas ressaltam, porém, que a Oi não deverá interromper imediatamente todos os serviços. A empresa ainda presta serviços de telecomunicações e mantém contratos considerados relevantes para empresas e órgãos públicos. Assim, determinadas atividades poderão continuar durante a transferência organizada de operações e ativos. Bruno Rezende foi anunciado como administrador judicial da falência, e Adriano Pinto Machado atuará como observador judicial. Para Bradesco e Itaú, a decisão representa uma derrota jurídica, pois os bancos haviam conseguido suspender anteriormente a falência. 

A crise financeira da Oi começou a se aprofundar ainda nos anos 2000, durante a política de formação de grandes empresas nacionais. Em 2008, o governo Lula alterou a legislação para permitir que a Oi comprasse a Brasil Telecom. A operação provocou aumento do endividamento da companhia. Em 2010, a entrada da Portugal Telecom ampliou a estrutura empresarial e, em 2014, as duas empresas foram fundidas. A operação gerou novas dívidas e questionamentos sobre a avaliação dos ativos portugueses. O processo levou a Oi a uma grave crise financeira e à recuperação judicial. Em 2016, a empresa entrou pela primeira vez em recuperação judicial, com dívida inicial de cerca de R$ 65 bilhões. Em março de 2023, iniciou uma segunda recuperação judicial, declarando aproximadamente R$ 44 bilhões em dívidas. Desde então, a companhia vendeu diversos ativos para tentar reduzir seu endividamento. A unidade de fibra óptica foi transformada na V.tal, atualmente controlada pelo BTG Pactual. A Oi também vendeu a operação de TV por assinatura e deixou de operar como concessionária de telefonia fixa em 2024. Atualmente, mantém principalmente a Oi Soluções, voltada ao mercado corporativo e governamental. Mesmo após a venda de ativos, a empresa não conseguiu recuperar sua capacidade financeira. Na semana passada, a Oi iniciou demissões negociadas com sindicatos, que podem atingir quase 1.000 trabalhadores. 

ARRECADAÇÃO FEDERAL CRESCE 9%


A arrecadação federal cresceu 9% em termos reais em julho, 
impulsionada principalmente pelo aumento do IOF e pelo imposto sobre exportação de petróleo, segundo dados da Receita Federal. O resultado foi o melhor para o mês desde o início da série histórica, em 1995. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (25), sem a tradicional entrevista coletiva, prevista para quinta-feira (26). O IOF, elevado pelo governo para ajudar no cumprimento das metas fiscais, registrou crescimento real de 19% em relação a julho do ano passado. O imposto sobre a exportação de petróleo arrecadou R$ 3 bilhões em julho. Criado para compensar medidas de desoneração dos combustíveis, o tributo já rendeu R$ 8 bilhões aos cofres públicos neste ano. A cobrança sobre o óleo bruto foi instituída por medida provisória em 12 de março e incide diretamente sobre as empresas petroleiras. Em julho, a Camex prorrogou a medida por mais 60 dias. De janeiro a julho, a arrecadação federal cresceu 7% em termos reais, alcançando R$ 1,8 trilhão. Somente em julho, foram arrecadados R$ 289,3 bilhões, segundo a Receita Federal.

A tributação sobre a previdência também apresentou alta, de 5,5%. O Fisco atribui o crescimento ao aumento real de 5,3% da massa salarial registrado em junho de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. A meta fiscal para este ano prevê superávit de R$ 34,3 bilhões. Porém, o resultado poderá ser considerado zero para fins de cumprimento, pois o arcabouço fiscal permite déficit de até 0,25% do PIB. A Receita não informou o valor arrecadado com a tributação de dividendos. De janeiro a junho, foram recolhidos apenas R$ 2,2 bilhões, equivalentes a 8% do total inicialmente esperado. Diante do desempenho abaixo das previsões, o governo reduziu a estimativa de arrecadação com dividendos para R$ 17,2 bilhões até o fim deste ano, contra os R$ 28 bilhões previstos anteriormente. 

CHINA DIZ QUE CONTINUARÁ NEGOCIANDO COM IRÃ

A China afirmou nesta terça-feira (25) que defenderá seus interesses e continuará negociando com o Irã, apesar da nova rodada de sanções anunciada pelos Estados Unidos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, disse que a cooperação entre os dois países ocorre dentro do direito internacional e não deve sofrer interferências. Pequim afirmou que adotará medidas para proteger seus direitos e interesses diante das ações americanas. A China é um dos principais compradores de petróleo iraniano e foi afetada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. O governo chinês defende um cessar-fogo no conflito e considera que as medidas unilaterais dos EUA não solucionarão a guerra. Na segunda-feira (24), Washington anunciou novas sanções contra o Irã, ampliando a pressão econômica sobre Teerã. O Departamento do Tesouro americano sancionou cerca de 60 pessoas, empresas e embarcações ligadas ao governo iraniano. As medidas atingem setores como energia nuclear, produção de mísseis, atividades cibernéticas e petróleo. 

As sanções fazem parte da chamada “guerra econômica” anunciada pelo presidente Donald Trump para tentar enfraquecer a economia iraniana. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que Trump está pedindo a líderes mundiais que interrompam relações econômicas com o Irã. Washington também ameaçou adotar medidas contra países que continuarem realizando transações com Teerã. Bessent disse que os EUA estabeleceram um cronograma para que os países reduzam suas atividades com o governo iraniano. Segundo ele, uma grande instituição financeira também deverá ser sancionada nesta semana por vínculos com o Irã. Trump afirmou nas redes sociais que o Irã está “colapsando completamente”. A estratégia americana também prevê negociações com países do Oriente Médio para ampliar o isolamento de Teerã. Washington advertiu ainda os vizinhos do Irã sobre possíveis sanções caso mantenham relações comerciais com o país. O governo iraniano reagiu e afirmou que países que aderirem à pressão econômica americana poderão sofrer consequências. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, disse que países vizinhos receberam mensagens sobre possíveis novos acordos de segurança e cooperação econômica. O impasse aumenta a tensão entre Washington, Teerã e Pequim, enquanto a China mantém sua posição de preservar as relações com o Irã. 

GOVERNO E POPULAÇÃO DO CANADÁ ENFRENTAM DESMANDOS DE TRUMP


O Canadá enfrenta uma crescente disputa comercial com os Estados Unidos, seu principal parceiro econômico, para onde destina cerca de 70% de suas exportações. 
Apesar da forte dependência, o governo do primeiro-ministro Mark Carney possui instrumentos para pressionar Washington. O Canadá é o principal cliente de 26 estados americanos e está entre os três maiores compradores de outros 45 estados. Carney prepara tarifas de retaliação equivalentes às aplicadas pelos EUA, atingindo aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, eletrônicos, celulose e papel. Atualmente, os Estados Unidos mantêm tarifas de até 50% sobre produtos canadenses. A população canadense, porém, demonstra amplo apoio a uma postura firme diante de Donald Trump. Uma das principais armas de Ottawa está no setor de energia e minerais estratégicos. O Canadá fornece a maior parte do gás natural e da eletricidade importados pelos EUA e cerca de 60% do petróleo bruto. O país também é grande fornecedor de potássio, usado na produção de fertilizantes, além de possuir reservas de lítio, níquel e grafite. Autoridades canadenses não descartam utilizar energia e minerais como instrumentos de pressão. Outra forma de retaliação está no poder de compra dos consumidores canadenses. Províncias do país já restringiram a venda de bebidas alcoólicas americanas em resposta às tarifas de Washington.

As exportações de vinho dos EUA para o Canadá caíram 78%, representando perda de US$ 357 milhões. As vendas de destilados americanos também recuaram mais de 70%. O boicote permanece em vigor em 11 das 13 províncias e territórios canadenses. Além disso, muitos canadenses reduziram viagens aos Estados Unidos. No ano passado, o boicote às viagens provocou perdas estimadas em C$ 3,3 bilhões para a economia americana. A disputa também tem forte dimensão política nos dois países. Pesquisas indicam que 76% dos canadenses apoiam a decisão de Ottawa de abandonar as negociações comerciais. Carney argumenta que as tarifas também prejudicarão trabalhadores e consumidores americanos. Estados como Michigan e Maine, próximos ao Canadá, têm forte relação comercial com o vizinho. Essas regiões podem sentir os efeitos de uma redução das exportações canadenses. O aumento das tarifas também tende a elevar os preços de produtos consumidos pelos americanos. Entre eles estão materiais de construção, madeira, flores, equipamentos e componentes automotivos. O governo canadense avalia novas medidas para proteger empresas e trabalhadores. Lideranças provinciais defendem uma reação firme às ameaças de Trump. O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, é um dos principais críticos da política comercial americana. Ele chegou a defender medidas direcionadas contra estados republicanos. A disputa ocorre em um momento de preocupação com a economia americana e com as próximas eleições legislativas. Assim, embora o Canadá dependa fortemente dos Estados Unidos, possui recursos estratégicos e poder de consumo capazes de elevar o custo da guerra comercial para Washington. 

MULHER É ENCONTRADA AMORDAÇADA E ACORRENTADA


Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, foi encontrada amordaçada e acorrentada após passar cinco dias em cativeiro, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. 
O principal suspeito é o ex-marido, Ailton Rodrigues Mendes, preso em flagrante e posteriormente mantido em prisão preventiva. Segundo a Polícia Civil, ele teria dopado a jovem com medicamentos antidepressivos e a levado para o imóvel. Tamara havia registrado denúncias contra o ex-companheiro e solicitado medidas protetivas em 2026, mas o pedido foi negado pela Justiça. A delegada Tamires Teixeira informou que a jovem já havia pedido proteção em 2020, após sofrer ameaças. Na ocasião, a medida foi concedida, mas posteriormente ela reatou o relacionamento e o processo acabou arquivado. Em 2026, novas denúncias relataram perseguições e episódios suspeitos. Entre eles estavam danos ao carro, pichações no muro e supostas queimaduras após abrir o chuveiro. A polícia chegou a recolher uma amostra da água para perícia. O novo pedido de proteção foi indeferido por falta de elementos que vinculassem o suspeito aos fatos relatados. Segundo a investigação, Ailton teria agido de forma meticulosa para evitar que sua autoria fosse identificada.


O resgate ocorreu na sexta-feira (21), após a família comunicar o desaparecimento da jovem. Ela havia sido vista pela última vez saindo de uma clínica, em uma câmera de segurança. No dia do resgate, Ailton desobedeceu a uma ordem de parada e fugiu de carro. Ele foi localizado e contido por policiais no Setor Jardim Querência. Durante as buscas, os agentes encontraram uma casa alugada por ele poucos dias antes. O imóvel estava fechado e protegido externamente. Após ouvirem ruídos, os policiais entraram na residência e encontraram Tamara em um quarto. Ela estava com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e uma corrente. Também usava uma máscara que dificultava sua respiração. No local, foi encontrada uma carta destinada à família, supostamente assinada pela vítima. O documento mencionava bens e orientava os familiares a não procurar a polícia. A PM acredita que Tamara tenha sido obrigada a escrever a carta. A defesa de Ailton afirma que o inquérito ainda está em andamento e considera prematura qualquer conclusão sobre os fatos. O advogado também disse que nem tudo o que foi divulgado corresponde necessariamente à realidade. O Tribunal de Justiça de Goiás afirmou que as decisões foram tomadas com base nas provas disponíveis em cada momento. Segundo o TJGO, a medida protetiva concedida em 2020 vigorou pelo prazo legal e foi posteriormente arquivada. Em 2026, o Ministério Público opinou pelo indeferimento de novo pedido por falta de elementos objetivos sobre o risco atual e a autoria dos fatos. O suspeito deverá responder por sequestro e porte ilegal de arma de fogo. As investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias do caso. 

SUPREMA CORTE AUTORIZA RESTRIÇÃO DO VOTO PELO CORREIO


A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou, ontem, 24, o governo de Donald Trump a avançar com um plano para restringir o voto pelo correio antes das eleições legislativas de novembro. 
A decisão, tomada por maioria e em caráter preliminar, permite a implementação de uma ordem executiva assinada por Trump em março. A medida determina que o Serviço Postal dos EUA participe da definição de quais eleitores poderão receber cédulas por correspondência. O governo também deverá criar listas estaduais de cidadania para identificar possíveis não cidadãos nas listas eleitorais. Os nomes seriam enviados às autoridades estaduais, que poderiam utilizá-los para retirar eleitores considerados inelegíveis. A ordem também prevê que o Serviço Postal deixe de enviar cédulas a pessoas que não estejam nas listas aprovadas. A Suprema Corte entendeu que o governo poderia sofrer dano irreparável caso a suspensão da medida permanecesse em vigor. A decisão, porém, não representa uma conclusão definitiva sobre a legalidade da ordem executiva. Os três juízes liberais da Corte divergiram da maioria. A juíza Ketanji Brown Jackson alertou que a decisão poderá aumentar o caos e a incerteza antes das eleições. O caso começou após vários estados contestarem judicialmente a iniciativa de Trump. Eles argumentam que o presidente ultrapassou seus poderes constitucionais ao interferir diretamente na administração das eleições. Segundo os estados, a Constituição atribui ao Congresso e aos governos estaduais competências sobre o processo eleitoral.

Em junho, a juíza federal Indira Talwani, de Massachusetts, havia suspendido a ordem presidencial. Ela concluiu que a medida violava a separação de poderes e que o Congresso não havia dado ao Serviço Postal autoridade para decidir quem receberia cédulas. A magistrada também considerou insuficiente o tempo disponível para a criação das novas regras antes das eleições de 2026. Neste mês, Talwani ampliou sua decisão e impediu a aplicação da ordem nas eleições de novembro. Ela destacou ainda que o governo Trump não apresentou provas de fraude generalizada no voto por correspondência. Um tribunal federal de apelação manteve a suspensão. Diante disso, o governo recorreu à Suprema Corte em caráter emergencial. Procuradores-gerais democratas afirmaram que a medida criaria um sistema eleitoral sem precedentes e juridicamente questionável. Eles também alertaram para possíveis erros nas listas de cidadania e para a dificuldade de eleitores legítimos contestarem exclusões. Com a decisão da Suprema Corte, a disputa judicial deve continuar enquanto o governo tenta implementar as novas regras antes das eleições de meio de mandato.