A Apib pediu ao CNJ que investigue o afastamento do juiz indígena Yves Luan Carvalho Guachala, do TJ de Santa Catarina. A entidade afirma que ele foi vítima de perseguição motivada por sua origem indígena e por decisões judiciais. Guachala ingressou na magistratura por cotas para indígenas e atuava em Catanduvas (SC). Desde janeiro, responde a processo disciplinar que pode resultar em sua demissão. A Corregedoria do TJSC afirma que o afastamento ocorreu por supostas irregularidades e denúncias de servidores. A Apib cita decisões sobre execuções fiscais de baixo valor e prisões em audiências de custódia. Alguns casos envolviam pequenas quantidades de drogas e suspeitas de violência policial. A entidade afirma que essas decisões provocaram incômodo e motivaram a investigação. Segundo a Apib, testemunhas também fizeram referências à origem indígena do magistrado.
Boatos chegaram a associá-lo ao tráfico e a facções criminosas, sem comprovação. Depoimentos ainda criticaram sua aparência e roupas usadas durante exercícios físicos. Guachala afirma que sofreu violência institucional e que sua carreira virou um "pesadelo". Ele relata ter sido retirado do fórum durante uma audiência e posteriormente deixou a cidade. O juiz levou o caso ao CNJ, mas o procedimento foi arquivado sem que ele fosse ouvido. Uma denúncia encaminhada ao STJ também não avançou, após o tribunal negar a investigação. Para a Apib, o caso revela possíveis práticas de racismo anti-indígena e ameaça à presença indígena no Judiciário.
Nenhum comentário:
Postar um comentário