O Tribunal de Contas da União (TCU) pretende construir duas residências oficiais para ministros no Lago Sul, área nobre de Brasília. Os terrenos foram cedidos pela União ao tribunal em 2024 para uso funcional. O Lago Sul é uma das regiões mais valorizadas da capital, com imóveis que podem superar R$ 15 mil por metro quadrado. As casas que existiam nos terrenos foram demolidas, e as áreas estão atualmente vazias. O TCU confirmou a intenção de construir as residências, mas os projetos ainda estão em estudos preliminares. Não há licitação nem estimativa de custo para as obras. O tribunal possui nove ministros titulares e quatro apartamentos funcionais em Brasília. Três desses imóveis estão ocupados, enquanto outros ministros moram em residências particulares ou recebem auxílio-moradia. Ainda não foram definidos os futuros ocupantes das novas casas nem os critérios de escolha. A cessão dos terrenos ocorreu por acordo com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Como contrapartida, o TCU assumiu a reforma de dois imóveis federais em Belém. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, o acordo busca recuperar propriedades públicas sem uso e evitar sua deterioração. Uma das reformas em Belém já foi concluída e a outra continua em andamento.
Os preparativos para as novas residências, porém, já começaram. Em 2024, o TCU gastou R$ 78,5 mil para demolir uma casa em um dos terrenos. Em 2025, autorizou outra demolição, com custo estimado em R$ 102,5 mil. A construção ocorre enquanto o TCU, responsável por fiscalizar o dinheiro público, ampliou benefícios para sua cúpula. A corte liberou remunerações acima do teto constitucional para servidores do TCU, Câmara e Senado. Também enviou ao Congresso projeto para aumentar entre 35% e 40% os chamados “penduricalhos”. Se aprovado, o projeto terá impacto anual estimado em R$ 27,7 milhões a partir de 2027. O TCU afirma que as novas residências atendem à necessidade de imóveis funcionais para seus ministros.
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