O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), é alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada ontem, 6, que investiga um suposto desvio de mais de R$ 308 milhões em um acordo entre o governo estadual e a operadora Oi S.A. A ação cumpre 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também são investigados o deputado federal Fábio Garcia (União), o desembargador Ricardo Almeida e o conselheiro do CNJ Ulisses Rabaneda. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. Segundo a PF, há indícios de que o acordo foi utilizado para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento e empresas interpostas, com o objetivo de ocultar a origem e o destino do dinheiro. As investigações apuram possíveis crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso de informação privilegiada.
A Procuradoria-Geral do Estado informou que confia nas investigações e colaborará com a apuração. Ricardo Almeida e Ulisses Rabaneda afirmaram, por meio de notas, que atuaram apenas como advogados, dentro da legalidade e antes de ocuparem seus atuais cargos. O acordo entre a PGE-MT e a Oi foi firmado em 2024 para encerrar uma disputa judicial iniciada em 2009. A dívida original, de R$ 690 milhões, foi renegociada para R$ 308 milhões. Em 2025, o Ministério Público Estadual já havia aberto investigação sobre a destinação dos recursos e eventuais benefícios a pessoas ligadas ao então governador. A apuração da PF segue em andamento.
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