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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

RÚSSIA ENVIA SOLDADOS FERIDOS PARA GUERRA


Depois de pisar em uma mina terrestre, o russo Oleg Shikin sofreu graves ferimentos, incluindo estilhaços no crânio, queimaduras e lesões pelo corpo. Após cirurgia para remover parte do crânio, recebeu uma placa de titânio e, mesmo sem passar pela avaliação médica militar completa prevista em lei, foi enviado de volta ao front. O caso, revelado pela BBC News Rússia, faz parte de uma série de ações judiciais que denunciam o envio de soldados feridos ao combate sem exames adequados. A legislação russa prevê que apenas uma junta médica composta por diversos especialistas pode determinar se um militar está inapto ou parcialmente apto para o serviço. Shikin recorreu à Justiça, que determinou a realização da avaliação médica, mas não há informações posteriores sobre seu paradeiro ou se permanece vivo. As denúncias também envolvem ex-detentos recrutados para a guerra, que, segundo entidades de direitos humanos, enfrentam mais dificuldades para obter dispensa, mesmo com graves problemas de saúde. Outros soldados relatam avaliações superficiais feitas apenas por um médico ou paramédico, em desacordo com a legislação.

Desde 2022, diretrizes do Ministério da Defesa flexibilizaram os exames médicos durante a guerra, permitindo avaliações simplificadas para militares que retornam de hospitais ou licenças. Com a queda no número de voluntários e o aumento das baixas — estimadas pela inteligência britânica em quase 500 mil mortos desde o início da invasão da Ucrânia —, o governo russo pretende tornar permanentes essas regras emergenciais. Organizações de apoio a militares afirmam que a medida demonstra a intenção de manter o país em condições de guerra por longo prazo. A BBC News Rússia solicitou posicionamento do Ministério da Defesa, mas não recebeu resposta. 

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