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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

"IA" PODE SUFOCAR O SERVIÇO PÚBLICO


O uso da inteligência artificial pode provocar um verdadeiro “tsunami” no serviço público, ao multiplicar o número de petições, recursos e reclamações. 
Esse fenômeno já é observado em vários países. Na Inglaterra, escolas registram aumento de reclamações de pais produzidas por IA, enquanto pedidos de acesso à informação cresceram 60% entre 2022 e 2025. Nos Estados Unidos, o Judiciário também sente os efeitos. Casos civis sem advogado subiram de 11% para 17%, e petições que antes tinham duas páginas chegam a centenas de páginas produzidas por IA. Na Alemanha, o estado mais populoso registrou aumento de 55% nos processos urgentes, parte deles com petições geradas por inteligência artificial. Muitas dessas demandas apresentam leis incorretas, precedentes inexistentes e argumentos jurídicos inventados. Produzir uma petição ficou barato, mas analisá-la continua caro e depende de trabalho humano. A IA, portanto, pode ampliar o acesso da população à Justiça e aos serviços públicos, permitindo que pessoas antes excluídas tenham mais facilidade para apresentar suas demandas.

O problema é que os governos ainda não estão preparados para esse aumento. Estudo do Banco Mundial, chamado Radar, analisou 166 países e avaliou a capacidade das IAs de orientar cidadãos e de acessar serviços públicos para solucionar problemas. As plataformas de IA demonstraram boa capacidade para explicar serviços públicos. A dificuldade aparece quando precisam efetivamente interagir com esses sistemas. Cada vez mais cidadãos poderão ter seu primeiro contato com o Estado por meio de uma IA, em vez de acessar diretamente sites governamentais. Se o setor público não se adaptar, poderá ser sufocado pelo volume de demandas geradas pela própria tecnologia. O desafio será modernizar estruturas, processos e servidores para lidar com uma realidade em que cidadãos e órgãos públicos utilizarão inteligência artificial simultaneamente. Nesse cenário, a ANPD tende a ampliar ainda mais sua atuação: além de dados pessoais, proteção de crianças e adolescentes e liberdade de expressão, deverá enfrentar também os desafios da inteligência artificial. 

MINISTRO PREGA PARA ISRAEL MATAR ENTRE 30 E 40 PESSOAS POR NOITE EM GAZA


O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, defendeu que Israel mate entre 30 e 40 pessoas por noite na Faixa de Gaza. 
As declarações foram feitas em entrevista a um podcast apresentado por Rom Braslavski, ex-refém do Hamas. Ben-Gvir afirmou que os ataques deveriam atingir não apenas pessoas consideradas ameaças imediatas. Também defendeu a retomada de assentamentos judaicos em Gaza e disse imaginar todo o território palestino pertencendo a Israel. O ministro voltou a defender a chamada emigração dos palestinos de Gaza. Para os integrantes do Hamas, afirmou que não deveria haver emigração, mas mortes. Ben-Gvir criticou a recente redução das operações militares israelenses na Faixa de Gaza. A medida ocorreu enquanto os Estados Unidos tentam avançar com um plano de paz apresentado pelo presidente Donald Trump. Ontem, Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Indonésia, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão condenaram a rejeição do plano pelo governo de Netanyahu. Representantes americanos também se reuniram com mediadores do conflito no Egito. O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 matou cerca de 1.200 pessoas em Israel, segundo autoridades israelenses. Mais de 250 pessoas foram levadas como reféns para Gaza, onde muitos relataram condições severas e abusos.

Israel respondeu com uma ampla ofensiva militar no território palestino. Segundo autoridades palestinas, mais de 73 mil pessoas morreram em Gaza durante a guerra. Desde o cessar-fogo iniciado em outubro passado, outras 1.200 pessoas teriam sido mortas por Israel. A ofensiva provocou fortes críticas internacionais e uma grave crise humanitária. Organizações de direitos humanos e especialistas também acusaram Israel de cometer genocídio em Gaza. Israel rejeita as acusações e afirma respeitar o direito internacional. As novas declarações reforçam a posição radical de Ben-Gvir, um dos integrantes mais extremistas do governo israelense. O ministro também já defendeu o endurecimento das condições impostas a prisioneiros palestinos. Seu partido, Poder Judaico, apoiou ainda uma lei que prevê pena de morte para palestinos condenados por terrorismo. Na entrevista, Braslavski pediu que condenados à morte por terrorismo fossem executados. Ben-Gvir respondeu que faria o possível para atender ao pedido e afirmou que ver a execução seria um de seus maiores sonhos. 

SÃO 20.496 CANDIDATOS NAS ELEIÇÕES


Mais de 20.496 candidatos disputam as eleições de 2026 no Brasil, segundo dados parciais do TSE atualizados até a tarde de ontem, 16. 
A disputa envolve os cargos de presidente, governador, senador e deputados federais, estaduais e distritais. O prazo para registro das candidaturas terminou às 19h de sábado (15). Os números, porém, ainda podem aumentar, pois os Tribunais Regionais Eleitorais analisam os pedidos apresentados. Somente após o processamento os registros aparecem oficialmente no sistema DivulgaCandContas. Nas eleições gerais de 2022 e 2018, o número final ficou próximo de 29 mil candidatos. Até agora, foram registrados 13 candidatos à Presidência da República. Também há 195 candidatos a governador e 315 a senador. Para deputado federal, são 7.620 registros, além de 11.507 para deputado estadual e distrital. Os números incluem todos os pedidos apresentados, antes da decisão sobre o deferimento das candidaturas. Entre os registros de última hora está o de Pablo Marçal, que tenta disputar a Presidência. Ele obteve liminar da Justiça Eleitoral para se filiar ao PRTB e registrar sua candidatura. Marçal, porém, está inelegível por oito anos por decisão da Justiça Eleitoral. Para concorrer, precisará reverter ou suspender a condenação.

Michelle Bolsonaro também registrou sua candidatura no último dia do prazo. Ela disputará uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal. O senador Cleitinho, do Republicanos, concorrerá ao governo de Minas Gerais. Flávio Bolsonaro protocolou seu registro presidencial na quinta-feira (13). Ele retomou a filiação ao PL após decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. Ao todo, 30 partidos participarão das eleições de 2026, dois a menos que em 2022. PL e MDB lideram em número de candidatos, com 1.624 e 1.386 registros, respectivamente.
PRTB e PCB aparecem entre as menores bancadas, com 10 e 23 candidatos. Desde 2022, houve fusões, incorporações e mudanças de nome entre várias legendas. PTB e Patriota se uniram e formaram o PRD. Pros foi incorporado pelo Solidariedade, enquanto o PSC passou a integrar o Podemos. PMN passou a se chamar Mobiliza e o PMB adotou o nome Democrata. O Missão é a única nova legenda a participar da eleição deste ano. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 17/08/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Apple pode ter ajudado no tarifaço dos EUA contra o Brasil

Decisão do Cade coloca disputa concorrencial brasileira no centro de acusações sobre atuação da empresa em Washington

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial após prejuízo de R$ 10,1 bilhões

Varejista atribui crise a juros elevados, restrição de crédito e pressão sobre consumo

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Advogado torturado pelo PCC sobrevive ao tribunal do crime; 'Eu só não queria morrer'

Rafaell Câmara Roque foi mantido em barraco em comunidade de Cubatão (SP) sendo ameaçado para desistir de ação judicial Caso motivou Operação Patrocínio Fiel do Gaeco em parceria com a Polícia Militar; homem morreu na ação

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Flávio inicia campanha em ato esvaziado em Copacabana com bandeira dos EUA, orações e xingamentos

FLÁVIO BOLSONARO deu o pontapé na campanha ao Planalto ontem no berço do bolsonarismo: o Rio de Janeiro

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Amamentação avança no Brasil, mas segue abaixo da meta mundial

Leite materno favorece recuperação de mães e desenvolvimento cognitivo de bebês

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

Maior credor de Portugal desdramatiza gastos com defesa: "não tem de ser um fardo orçamental"

"O aumento das despesas com a defesa também cria emprego, impulsiona o investimento e – se for bem orientado – torna as empresas mais produtivas", defende um novo estudo do ESM.

domingo, 16 de agosto de 2026

A PERIGOSA INVESTIDA DE TRUMP NA AMÉRICA LATINA


A política do presidente Donald Trump para a América Latina entra numa fase de crescente militarização. Sob o fundamento de combater o narcotráfico e organizações criminosas classificadas como terroristas, os Estados Unidos ampliaram suas operações no Caribe e no Pacífico, transformando embarcações suspeitas de transportar drogas em alvos de ataques militares. 
Desde setembro de 2025, essas operações deixaram mais de 200 mortos. Em diversos episódios, as identidades das vítimas não foram divulgadas publicamente e não houve processo judicial que permitisse determinar se elas eram, de fato, integrantes de organizações criminosas. O governo americano afirma que determinadas embarcações estariam ligadas a grupos criminosos considerados uma ameaça à segurança dos Estados Unidos. A questão central, porém, é saber até onde pode ir um Estado no combate ao crime. Organizações de direitos humanos têm denunciado o risco de que operações militares estejam funcionando, na prática, como execuções extrajudiciais. O problema pode se tornar ainda maior porque a estratégia americana não parece mais limitada ao mar. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os Estados Unidos trabalham com países como Colômbia e Equador para realizar operações contra grupos criminosos. A mudança representa uma transformação importante na tradicional política de combate às drogas. Durante décadas, Washington utilizou principalmente instrumentos policiais, financeiros e de inteligência para enfrentar o tráfico internacional. Agora, a utilização direta de forças militares amplia o alcance e também os riscos dessa nefasta política. 

Há diferença fundamental entre combater organizações criminosas e transformar suspeitos em alvos militares. Uma operação policial importa em investigação, identificação, prisão e julgamento. Uma ação militar, quando utilizada contra um alvo considerado inimigo, pode terminar em morte sem que a pessoa tenha a oportunidade de provar sua inocência.  O combate ao narcotráfico é uma necessidade que ninguém contesta, mas a gravidade não significa que qualquer método possa ser utilizado para combatê-lo. Outro ponto que merece consideração é sobre a soberania dos países latino-americanos. Entretanto, sem transparência, cresce a possibilidade de que a cooperação contra o crime seja transformada em instrumento de pressão política. Países que aceitam a colaboração de Washington podem receber apoio de inteligência, equipamentos e treinamento. Aqueles que rejeitam a presença militar americana, por outro lado, podem enfrentar maior pressão diplomática e econômica.  Ao colocar o narcotráfico no mesmo campo discursivo do terrorismo e da segurança nacional, Washington cria uma justificativa para ampliar sua presença militar. A administração de Trump amplia o papel das Forças Armadas americanas no combate às organizações criminosas e aproxima a política antidrogas de uma estratégia militar de alcance continental. Quando um governo decide que suspeitos podem ser mortos sem julgamento e sem apresentar publicamente as provas que justificariam a ação, abre-se uma perigosa exceção. A guerra contra as drogas não pode ser transformada em guerra contra o direito. Se a estratégia de Trump avançar dos mares para o território latino-americano, o continente poderá enfrentar uma nova etapa de militarização, com consequências políticas, jurídicas e humanitárias difíceis de prever. A América Latina, mais uma vez, pode acabar pagando o preço de uma guerra decidida muito além de suas fronteiras.

Salvador, 16 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados
 

RADAR JUDICIAL


IRÃ FECHA ESTREITO DE ORMUZ

Os Estados Unidos lançaram novos ataques contra o Irã na noite de terça-feira (14). Washington também restabeleceu o bloqueio aos portos iranianos. Segundo o Ministério da Saúde local, ao menos 30 pessoas morreram. Outras 260 ficaram feridas nos novos ataques americanos. A Guarda Revolucionária afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado. O bloqueio continuará até que cessem os “atos de agressão” dos EUA. O Irã ameaçou fechar outras rotas de exportação de petróleo e gás. A Guarda afirmou que os recursos serão acessíveis a todos ou a ninguém. O país também prometeu novas retaliações contra os Estados Unidos. Na manhã de quarta-feira (15), o Irã atacou instalações da Quinta Frota americana. Os alvos ficam no Bahrein e, segundo Teerã, foram parcialmente destruídos. A escalada aumenta a tensão militar e ameaça o comércio internacional de petróleo e gás. 


OPERÁRIOS DESCOBREM TESOURO NAS PAREDES

Operários que reformavam uma casa na Bélgica encontraram ouro avaliado em € 9 milhões (R$ 54,3 milhões). O tesouro estava escondido nas paredes do porão da propriedade, em Flandres Oriental. Barras e moedas foram descobertas durante a instalação de novos canos de esgoto. Entre os trabalhadores estava Kobe, estudante de 18 anos que atuava nas férias. Inicialmente, ele pensou que fossem moedas comuns, mas percebeu que eram de ouro. Os operários avisaram a polícia e disseram que não poderiam ficar com o material. As autoridades recolheram o ouro e o levaram para um local seguro. A casa pertence à organização de assistência social CAW Oost-Vlaanderen. A entidade espera que o tesouro possa futuramente ajudar suas atividades sociais. Pela lei belga, o legítimo proprietário tem cinco anos para reivindicar o tesouro. Se ninguém aparecer, o valor poderá ser dividido entre os trabalhadores e o dono do imóvel. A divisão, porém, só ocorrerá se ficar comprovado que o ouro não tem origem criminosa.

ADOTARAM 32 CRIANÇAS

Paul e Jeane Briggs, da Virgínia Ocidental, adotaram 32 crianças e acolheram outras cinco; atualmente, 14 filhos ainda vivem com eles

Paul e Jeane Briggs, e seus filhos
Paul e Jeane Briggs, e seus filhos — Foto: Redes sociais

Para os fãs do cinema, se 'Doze é Demais' já parece uma missão impossível, imagine chegar a 37, e ainda cogitar aumentar a conta. É exatamente essa a realidade de Paul e Jeane Briggs, de Falling Waters, na Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos. Aos 71 e 69 anos, respectivamente, o casal revelou à revista People, nesta semana, que não descarta adotar outra criança. A matéria foi publicada em O Globo.


TRUMP QUER CANDIDATAR EM 2028

Donald Trump publicou hoje uma foto usando um boné com a inscrição “Trump 2028” e a frase “Nós vamos vencer”. A publicação foi feita na Truth Social, rede social do presidente americano. A Constituição dos EUA proíbe que uma pessoa seja eleita presidente mais de duas vezes. A regra está prevista na 22ª Emenda, aprovada em 1951. Trump, porém, já fez outras declarações sugerindo uma nova candidatura. Na quarta-feira (12), afirmou que “adoraria” disputar um terceiro mandato. Na ocasião, disse que a lei é “muito forte” e impede a candidatura. No início de agosto, Trump também divulgou uma imagem criada por inteligência artificial com “Trump 2028”. Em julho, durante jantar com correspondentes da Casa Branca, brincou sobre disputar novamente a Presidência. A próxima eleição presidencial dos EUA ocorrerá em novembro de 2028. Caso não concorra, Trump deixará de ser candidato republicano pela primeira vez desde 2012.

AGRAVO DE PETIÇÃO POR AUSÊNCIA DE GARANTIA DA EXECUÇÃO

Uma decisão da Justiça do Trabalho de Nova Lima/MG deixou de admitir agravo de petição por ausência de garantia da execução. O juiz substituto Eduardo Marques Vieira Araujo, da 2ª Vara do Trabalho, considerou indispensável a garantia integral do juízo. Ao fundamentar a decisão, porém, atribuiu ao art. 897, § 1º, da CLT uma redação que não consta na legislação. Segundo o magistrado, o dispositivo estabeleceria que o recurso só seria admitido com a execução garantida. O texto oficial da CLT, entretanto, determina que o agravante delimite as matérias e os valores impugnados. A decisão foi proferida no processo 0010239-39.2026.5.03.0165. Com base nesse entendimento, o juiz indeferiu o processamento do agravo de petição. A parte recorreu por meio de agravo de instrumento contra a decisão. O recurso foi recebido pelo juiz titular da 2ª Vara, Cristiano Daniel Muzzi. Ele determinou vista à parte contrária antes do prosseguimento do caso. Posteriormente, os autos foram encaminhados ao TRT da 3ª Região para análise do recurso.

USP MELHOR INSTITUIÇÃO LATINO-AMERICANA

A Universidade de São Paulo (USP) continua como a instituição brasileira e latino-americana mais bem colocada no Ranking de Xangai de 2026, ficando entre as 150 melhores do mundo.
Harvard lidera a classificação, seguida por Stanford e MIT. Cambridge aparece em 4º e Oxford em 7º lugar. Além da USP, outras 13 universidades brasileiras estão entre as mil melhores do mundo. A Unesp ocupa a faixa de 301 a 400, enquanto Unicamp está entre 401 e 500. UFMG, UFRJ e UFRGS aparecem na faixa de 501 a 600. UFSC e Unifesp estão entre 701 e 800; UFPR, UFSCar, UFV e UnB, entre 801 e 900. UFC e UFPE completam a lista brasileira, entre 901 e 1.000. A França reúne 27 instituições entre as mil melhores e ocupa o 10º lugar entre os países mais representados. A Universidade Paris-Saclay é a melhor francesa, em 13º lugar mundial. O ranking prioriza pesquisa científica, considerando Nobel, medalhas Fields, pesquisadores citados e publicações em revistas de referência. A China lidera em número total de instituições, com 234, enquanto os EUA mantêm vantagem no top 100, com 37 universidades contra 16 chinesas.

TJDFT MANTÉM CONDENAÇÃO POR TENTATIVA DE HOMICÍDIO

A 3ª Turma Criminal do TJDFT manteve a condenação de Igor Marques Fernandes Costa por tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e dano qualificado. O crime ocorreu em outubro de 2024, quando ele atropelou a ex-sogra em frente à casa dela. Igor foi condenado a 12 anos, 3 meses e 24 dias de reclusão e 1 ano e 22 dias de detenção, em regime fechado. Segundo o processo, ele foi à residência após discutir com a companheira, filha da vítima. Impedido de entrar, avançou com o carro contra o portão, destruindo a estrutura. A vítima foi atingida pelo veículo e prensada contra uma parede antes de cair no chão. Na sequência, segundo a acusação, Igor deu marcha à ré e atingiu novamente a mulher de forma proposital. A defesa recorreu, mas os desembargadores mantiveram a decisão por unanimidade. O colegiado considerou que provas, depoimentos e laudos comprovaram a intenção de matar. A Turma também rejeitou a alegação de dupla punição pelas qualificadoras aplicadas. O motivo torpe foi associado ao sentimento de posse em relação à companheira, filha da vítima. Já o feminicídio foi reconhecido por ocorrer em contexto de violência doméstica e familiar.

Salvador, 16 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

MORRE O JURISTA CÉZAR SANTOS


Faleceu hoje, 16, o bel José Antônio Cézar Santos, jurista e emérito professor de Direito Processual Civil, na UFBA e na Universidade Católica de Salvador. Atuou como consultor da Presidência do Tribunal de Justiça da Bahia, na década de 1990, além de procurador do Estado e auditor-geral. Era membro do Instituto dos Advogados da Bahia e autor de obras jurídicas. Recebeu a Ordem do Mérito da Bahia, no grau de comendador, além do título de Cidadão Soteropolitano, em 2018. Ocupou na Academia de Letras Jurídicas da Bahia a Cadeira n. 21, e presidiu a instituição entre 2004 e 2006. Era casado com a desembargadora Lisbete Maria Teixeira Almeida Cézar Santos. Ele nasceu em Santo Amaro da Purificação, em 1940, e diplomou-se em 1964, pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia.      

EUA, SEM JULGAMENTO, MATA TAMBÉM NA AMÉRICA LATINA


Bombardeios dos EUA no Caribe e no Pacífico geram alerta na América Latina. 
Mais de 200 pessoas já morreram em bombardeios dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico.Entre as vítimas estão pescadores e civis, sem acusação, defesa ou julgamento. Washington passou a classificá-los como “narcoterroristas” e alvos militares. Mesmo que transportassem drogas, não está demonstrado que isso ocorreu. A questão é quando o narcotráfico passou a justificar execuções sumárias.O secretário de Defesa, Pete Hegseth, sinalizou que a ofensiva pode aumentar.Em 12 de agosto, afirmou que uma ação militar contra Cuba não está descartada. Segundo ele, “todas as opções, inclusive as militares, estão sobre a mesa”. Hegseth também anunciou operações conjuntas dos EUA com a Colômbia contra o “narcoterrorismo”. O presidente colombiano Abelardo de la Espriella autorizou a cooperação militar. O Equador, de Daniel Noboa, também ampliou a parceria militar com Washington. O cenário preocupa pela possibilidade de normalização de ataques sem julgamento. A Colômbia possui décadas de conflito armado e milhões de deslocados. Grupos armados convivem com camponeses e comunidades pobres. Por isso, ataques considerados “cirúrgicos” podem atingir civis. A população rural colombiana já sofreu durante décadas com a violência. Agora, pode ser novamente afetada por uma guerra conduzida pelos Estados Unidos.

O termo “narcoterrorismo” mistura cartéis, guerrilheiros, transportadores e suspeitos. Isso transforma pessoas que deveriam ser investigadas em possíveis alvos militares. O México apresenta outra estratégia diante da pressão americana. Claudia Sheinbaum aceita cooperação em inteligência e segurança, mas rejeita tropas dos EUA. Para ela, cooperação não significa subordinação. Equador e Colômbia, portanto, fizeram escolhas diferentes. A política de Trump também recupera a Doutrina Monroe e busca ampliar a influência regional dos EUA. Washington pretende reforçar sua “preeminência” no Hemisfério Ocidental. A possibilidade de decidir onde usar a força preocupa governos latino-americanos. O problema se agrava quando presidentes da região convidam tropas americanas para atuar em seus territórios. Mais de 200 mortes já ocorreram nessa nova ofensiva. Antes que os bombardeios sejam tratados como acontecimentos rotineiros, é necessário questionar sua legalidade e seus riscos. A região precisa recuperar a capacidade de se indignar diante de mortes sem julgamento. 

ESTALEIRO É INTIMADO A ENTREGAR DOCUMENTOS SOBRE NEGÓCIOS DO MASTER


O estaleiro alemão Lürssen, fabricante do superiate Nixie, que pertenceu ao banqueiro Daniel Vorcaro, foi intimado a entregar documentos e indicar dirigentes para prestar depoimentos sobre eventuais negócios com ele e outras pessoas ligadas ao Banco Master. A intimação foi feita pelo liquidante do Banco Master nos Estados Unidos, Eduardo Felix Bianchini, dentro do processo de liquidação da instituição. O pedido foi apresentado em 15 de junho, com prazo para entrega dos documentos até 2 de julho. A Lürssen informou que não comentará o caso, seguindo sua política corporativa. A defesa de Vorcaro também não se manifestou. O procedimento ocorre no âmbito do chamado Chapter 15, mecanismo da Justiça americana que permite a representantes de processos de insolvência estrangeiros buscar documentos e informações nos EUA. Entre os materiais solicitados estão contratos, acordos, cartas de intenção, registros de transferências financeiras, extratos bancários e comprovantes de negócios com o Banco Master e empresas do grupo. O pedido também abrange transações envolvendo o LetsBank, o Banco Master de Investimentos e a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. A investigação inclui pessoas ligadas ao caso que tiveram bens congelados pelo Banco Central, como Vorcaro, Maurício Quadrado, Luiz Antonio Bull, Reinaldo Hossepian, Felipe Simonsen e Armando Gallo. Segundo o Financial Times, o Nixie foi encomendado pelo empresário canadense Patrick Dovigi e posteriormente vendido a Vorcaro.

Após a prisão do banqueiro, em novembro de 2025, Dovigi recomprou o iate e depois o vendeu a Nik Storonsky, fundador da fintech Revolut. A embarcação passou a ser alvo de uma disputa judicial envolvendo Storonsky e a corretora britânica Cecil Wright & Partners. A corretora afirma ter indicado o negócio e processou Storonsky, cobrando 17,5 milhões de euros em comissão. Avaliado em cerca de 350 milhões de euros, o Nixie tem 102,4 metros de comprimento, piscina de vidro, heliponto e amplo beach club. O iate possui quatro terraços, com 270 metros quadrados de área de convivência, e sistema de propulsão diesel-elétrico. A intimação, porém, não cita especificamente o Nixie. O objetivo é obter informações sobre eventuais negócios entre a Lürssen e pessoas ou empresas relacionadas ao Banco Master. A defesa de Luiz Antonio Bull afirmou que ele desconhece os fatos e não foi comunicado sobre qualquer procedimento relacionado ao assunto. As assessorias de Maurício Quadrado e Reinaldo Hossepian disseram que ambos nunca tiveram relação comercial ou fizeram transações com a Lürssen. Felipe Simonsen e Armando Gallo foram procurados, mas não responderam até a publicação. 

EUA PRESSIONAM PAÍSES A ESCOLHER WASHINGTON OU PEQUIM


Os Estados Unidos se preparam para pressionar dezenas de países a escolher entre Washington e Pequim na corrida pela inteligência artificial. 
Uma minuta do Departamento de Estado prevê alertar que países que aderirem a iniciativas chinesas poderão ser excluídos de uma coalizão de IA liderada pelos EUA. A iniciativa Pax Silica, lançada no ano passado, busca garantir cadeias de suprimentos de IA, semicondutores e minerais críticos. Cerca de 20 países já aderiram, incluindo Japão, Austrália, Coreia do Sul e Cazaquistão, este, importante fornecedor potencial de minerais críticos. A nova carta é destinada aos 35 signatários de uma declaração de cooperação em IA assinada em junho. Washington pretende impedir que a China obtenha recursos estratégicos para desenvolver tecnologias avançadas e preocupa com possíveis aplicações militares e econômicas da inteligência artificial. Em julho, o líder chinês Xi Jinping lançou uma organização internacional rival para ampliar a influência de Pequim no setor e país promove modelos de IA de código aberto como alternativa à tecnologia desenvolvida por empresas americanas. O Cazaquistão é, até agora, o único país que participa das duas iniciativas, apesar da advertência americana de não ser possível ficar dos dois lados. A situação provocou preocupação em Washington, que considera incompatível manter alianças simultâneas com concorrentes. A minuta afirma que a adesão à Pax Silica representa um compromisso e não apenas uma participação simbólica.

O documento defende que os países escolham deliberadamente seu alinhamento na área de IA, mas a carta não cita diretamente a China, apesar de deixar clara a intenção de evitar iniciativas consideradas conflitantes. A disputa tecnológica entre EUA e China se intensificou com o rápido avanço dos modelos chineses de inteligência artificial. Empresas americanas como OpenAI e Anthropic enfrentam concorrência crescente de sistemas chineses mais baratos e abertos. O avanço da IA também aumentou preocupações sobre segurança, incluindo a possibilidade de ataques cibernéticos autônomos. Pequim, por sua vez, avalia restringir o acesso estrangeiro a alguns de seus principais modelos de IA. A Pax Silica também pretende reduzir a dependência dos EUA e aliados de minerais críticos, chips e tecnologias chinesas. O Cazaquistão ganhou importância estratégica por suas reservas de minerais essenciais às tecnologias avançadas. A China possui forte influência sobre o mercado mundial desses minerais e já os utilizou em disputas comerciais. Os países da Pax Silica podem participar de investimentos conjuntos em projetos relacionados à inteligência artificial. Já os signatários da declaração americana assumiram um compromisso de cooperação e visão compartilhada. A estratégia reflete a crescente disputa entre as duas maiores potências pela liderança tecnológica mundial. 

"IA" AMEAÇA CRESCIMENTO DO ENSINO SUPERIOR ONLINE


A inteligência artificial ameaça o crescimento do ensino superior online, enquanto professores enfrentam uma onda de fraudes facilitadas pela tecnologia. Mais da metade dos universitários americanos cursou ao menos uma disciplina online no ano passado, contra cerca de um terço em 2019. No ensino remoto, estudantes podem assistir a aulas gravadas, fazer trabalhos e provas e avançar no próprio ritmo, muitas vezes sem contato direto com professores ou colegas. Com a IA, porém, a fraude passou muito além do simples uso de textos produzidos por chatbots. Agentes de IA podem assistir a videoaulas, realizar provas, escrever trabalhos e até interagir com colegas em nome dos estudantes. Professores relatam aumento expressivo de trabalhos com características típicas de textos gerados por inteligência artificial. Karen Costa, que leciona online há quase 20 anos, diz ter percebido uma “enxurrada” de trabalhos produzidos por IA. Kathryn Kysar também identificou casos de alunos com desempenho ruim que depois apresentavam trabalhos impecáveis, com sinais de geração automática. Para combater o problema, algumas instituições passaram a exigir provas presenciais e atividades manuscritas. O desafio é maior no ensino remoto, onde é mais difícil verificar quem realmente realizou as tarefas. Professores também reclamam que estudantes negam irregularidades e que administradores relutam em aplicar punições. Ferramentas de detecção de IA podem cometer erros, enquanto universidades temem perder alunos pagantes em meio a orçamentos apertados. A resposta das instituições tem sido desigual: alguns docentes ignoram o uso da tecnologia, outros aplicam punições e há quem permita seu uso sem restrições. 

Testes do The New York Times mostraram que ChatGPT, Gemini e Grammarly não recusaram pedidos para produzir trabalhos em nome de estudantes. As empresas afirmam trabalhar com educadores para preservar a aprendizagem e a integridade acadêmica. Plataformas educacionais também admitem que não existe método infalível para impedir agentes de IA de realizarem tarefas. Especialistas alertam que novas formas de fraude podem surgir, incluindo óculos inteligentes e avatares capazes de se passar por estudantes. Diante disso, educadores começam a levar atividades do ambiente virtual para o mundo real. Uma alternativa é oferecer provas presenciais flexíveis, em diferentes dias e locais. Outra estratégia é reformular tarefas, priorizando respostas pessoais e experiências próprias, mais difíceis de serem produzidas artificialmente. O avanço da IA reacende, assim, dúvidas sobre a qualidade e a credibilidade dos diplomas obtidos online. O desafio é encontrar um equilíbrio entre aproveitar os benefícios da tecnologia e garantir que o estudante realmente aprenda. Para especialistas, preservar a integridade acadêmica exigirá mudanças na fiscalização, nas avaliações e na própria estrutura do ensino remoto. 

ATAQUES RUSSOS COM MÍSSEIS BALÍSTICOS CONTRA UCRÂNIA


As defesas aéreas de Kiev ficaram impotentes diante das recentes ondas de ataques russos com mísseis balísticos porque os lançadores Patriot estavam sem interceptadores. A escassez da principal arma capaz de derrubar os projéteis russos expõe uma grave vulnerabilidade da Ucrânia, justamente antes do inverno. Autoridades ucranianas afirmam que os poucos interceptadores fornecidos pelos Estados Unidos foram usados nas semanas anteriores. Em 5 de agosto, a Rússia lançou 24 mísseis balísticos, quatro antinavio e 115 drones contra Kiev. A Ucrânia conseguiu derrubar 98 drones, mas nenhum dos mísseis foi interceptado. Três dias depois, seis mísseis balísticos atingiram a capital e mataram três pessoas, segundo autoridades locais. A escassez levou a Força Aérea ucraniana a reduzir a divulgação dos números de mísseis disparados pela Rússia. A medida busca evitar que Moscou conheça a capacidade real de interceptação e preservar o moral da população. O presidente Volodimir Zelenski cobrou dos aliados mais sistemas e munições para proteger a população. Kiev estima precisar de pelo menos 300 interceptadores PAC-3 para os sistemas Patriot. A preocupação aumenta diante da expectativa de novos ataques russos contra redes de energia, gás e água durante o inverno. A Ucrânia havia iniciado o verão com maior confiança após ataques de longo alcance contra instalações russas. Essas operações provocaram dificuldades no setor de combustíveis da Rússia e deram a Kiev uma posição considerada mais favorável.

Agora, porém, a vantagem pode desaparecer devido à escassez de interceptadores. Enquanto os estoques ucranianos diminuem, Moscou ampliou a produção e o emprego de mísseis balísticos. Segundo a inteligência militar ucraniana, a Rússia lançou um recorde de 198 mísseis balísticos e hipersônicos em julho. A estimativa é de que Moscou esteja produzindo cerca de 60 mísseis balísticos por mês. Em julho, a produção teria alcançado pelo menos 65 unidades. Zelenski pediu que países europeus, como Espanha e Grécia, cedam parte de seus estoques de Patriot. Entretanto, a guerra com o Irã também reduziu os estoques de interceptadores dos Estados Unidos e de aliados no Golfo. A reposição desses armamentos poderá levar meses ou até anos. A Polônia também avalia enviar um lote de interceptadores Patriot à Ucrânia. O presidente americano Donald Trump, porém, ainda não autorizou novos fornecimentos em quantidade suficiente. Durante encontro com Zelenski, no fim de julho, Trump não confirmou o envio de interceptadores adicionais para os próximos meses. Kiev afirma continuar esperando uma decisão favorável de Washington. Zelenski chegou a sugerir que razões políticas poderiam estar influenciando as decisões americanas sobre o fornecimento de armas. O impasse aumenta a preocupação ucraniana com a capacidade de enfrentar uma nova campanha russa de ataques durante o inverno.