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domingo, 31 de maio de 2026

VENEZUELA EM CRISE ELÉTRICA


Maria esperava precisar de apenas uma vela em seu aniversário, no bolo. Mas, em 5 de maio, quando recebeu os parabéns, sua casa em Maracaibo estava sem energia. O apagão começou às 20h e durou até a meia-noite, obrigando a família a celebrar à luz de velas e lâmpadas a bateria, recurso já incorporado à rotina da população. A crise elétrica afeta todo o país. Pesquisa da Universidade Católica Andrés Bello mostra que nove em cada dez residências sofreram interrupções de energia e quatro em cada dez enfrentam cortes diários por várias horas. O problema persiste desde 2009, quando o governo de Hugo Chávez iniciou medidas de racionamento e decretou emergência elétrica. Em 2026, a situação se agravou. No primeiro trimestre, foram registrados 36 protestos por falta de energia. O governo atribui as falhas ao aumento das temperaturas e da atividade econômica, alegando que o crescimento do consumo sobrecarrega a rede. Especialistas contestam essa explicação. O engenheiro Miguel Lara afirma que a demanda atual cresceu pouco mais de 5% em relação a 2025, indicando que o problema está na capacidade do sistema. Embora a Venezuela possua capacidade instalada teórica de 36 mil MW, apenas cerca de 13 mil MW estão efetivamente disponíveis.

Segundo Lara, a rede de transmissão e as usinas termelétricas operam muito abaixo do potencial. A limitação compromete não apenas a vida cotidiana, mas também os planos de recuperação econômica e da indústria petrolífera. Empresas do setor afirmam que quedas de energia interrompem a produção de petróleo e reduzem a produtividade dos poços. Para especialistas, novos investimentos exigiriam até mesmo usinas próprias para garantir fornecimento confiável. O comércio também sofre. Em cidades como Valência, apagões de cinco a oito horas diárias provocam prejuízos, aumentam custos e afetam trabalhadores e consumidores. Lara calcula que seriam necessários cerca de US$ 45 bilhões e seis anos de investimentos para reconstruir o sistema elétrico. Ele atribui a crise não à falta de recursos, mas a décadas de má gestão, desperdício de verbas e projetos inacabados. Enquanto isso, venezuelanos como Maria seguem dependendo de baterias e velas para enfrentar os frequentes apagões. 

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