Estados Unidos e Rússia realizaram movimentos que aumentaram a tensão no leste europeu, cenário marcado pela guerra na Ucrânia desde 2022. Embora não faça parte da Otan, a Ucrânia faz fronteira com a Polônia, integrante da aliança militar liderada por Washington, e com Belarus, aliada de Moscou. Na sexta-feira (22), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o envio de 5 mil militares para bases da Otan na Polônia, poucos dias após indicar um possível recuo da presença norte-americana na Europa. Ao mesmo tempo, os presidentes Vladimir Putin e Alexander Lukashenko comandaram exercícios militares conjuntos com mísseis capazes de transportar ogivas nucleares. A mudança de postura de Trump surpreendeu os países da Otan reunidos na Suécia. O secretário de Estado, Marco Rubio, tentou acalmar os aliados após o republicano ordenar recentemente a retirada de tropas da Alemanha e reduzir reforços previstos para a Polônia.
A ministra sueca Maria Malmer Stenergard admitiu dificuldade em entender a estratégia dos EUA. Já o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, recebeu positivamente o reforço militar. Trump segue pressionando os aliados a aumentarem os gastos com defesa, alegando que Washington arca com quase 60% do orçamento anual da aliança. A Polônia, considerada peça-chave no flanco oriental da Otan, também recebeu os primeiros caças F-35 comprados dos EUA. O governo polonês teme uma participação mais direta de Belarus na guerra da Ucrânia ao lado da Rússia. O alerta aumentou após Lukashenko participar pela primeira vez de exercícios nucleares conjuntos com Moscou. As manobras incluíram mísseis Iskander-M e um míssil hipersônico Yars, lançado por Rússia e Belarus em operação conjunta. Especialistas avaliam que os acontecimentos indicam uma escalada estratégica relevante, com possibilidade até de transferência de armas nucleares, aumentando a preocupação internacional sobre os rumos do conflito.
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