Esta semana marcou os 35 anos da missão que transformou Sergei Krikalev no “último cidadão soviético”, vez que a União Soviética deixou de existir . Em 18 de maio de 1991, o cosmonauta partiu rumo à estação espacial Mir a bordo da Soyuz TM-12 para uma missão prevista de cinco meses. Ao lado de Anatoly Artsebarsky e da britânica Helen Sharman, Krikalev decolou do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, berço das maiores conquistas espaciais soviéticas, como o Sputnik e a viagem de Yuri Gagarin. A missão era considerada rotineira: realizar reparos e manutenção na Mir. Mas, enquanto os cosmonautas orbitavam a Terra, a União Soviética mergulhava em uma grave crise política e econômica. Meses depois do lançamento, um golpe fracassado contra Mikhail Gorbachev acelerou o colapso da URSS. Sem substituto disponível e com a promessa de enviar um cosmonauta cazaque à Mir, Krikalev foi obrigado a permanecer no espaço além do previsto. O cosmonauta acabou ficando mais de 10 meses em órbita, enfrentando efeitos físicos e psicológicos da longa permanência no espaço, como perda muscular, exposição à radiação e isolamento.
Em 25 de dezembro de 1991, enquanto ainda estava na Mir, Krikalev viu do espaço a União Soviética deixar de existir. Sua cidade natal, Leningrado, passou a se chamar São Petersburgo. Somente em 25 de março de 1992, três meses após o fim da URSS, Krikalev retornou à Terra ao lado de Alexander Volkov. Ao todo, passou 312 dias no espaço e deu cerca de 5 mil voltas ao redor do planeta. Apesar da dificuldade para voltar a caminhar após o pouso, Krikalev se recuperou rapidamente. Em 2000, integrou a primeira tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS), símbolo da cooperação espacial entre países após a Guerra Fria. Hoje, Sergei Krikalev ocupa o cargo de diretor de missões tripuladas da agência espacial russa Roscosmos.
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