Os republicanos sabem que o destino de seu partido continua nas mãos do presidente, mas também reconhecem que têm pouca capacidade de influenciar suas decisões. A poucos meses das eleições de meio de mandato, Donald Trump parece mais focado em iniciativas pessoais e disputas políticas do que em garantir a manutenção do controle republicano do Congresso. Ele apoiou candidatos alinhados ao movimento MAGA em detrimento de nomes tradicionais do partido, inclusive desafiando figuras veteranas no Texas. Também tem se dedicado a projetos simbólicos e luxuosos, como a construção de um salão de baile na Casa Branca, enquanto minimiza problemas econômicos internos, como a alta dos combustíveis. Trump chegou a classificar os preços da gasolina como “troco de pinga” e mantém discurso duro em relação a temas internacionais, ao mesmo tempo em que chama a economia doméstica de “farsa” de opositores. Em meio a isso, criou um fundo bilionário de US$ 1,8 bilhão para indenizações relacionadas a alegações de “guerra jurídica”, incluindo envolvidos nos atos de 6 de janeiro. A medida gerou forte reação dentro do próprio Partido Republicano, com senadores criticando a prioridade dada a pautas pessoais em detrimento da agenda legislativa. Parte deles deixou Washington sem avançar em projetos do governo, como medidas de imigração e financiamento do salão presidencial.
A aprovação de Trump caiu para níveis historicamente baixos, aumentando a preocupação de aliados sobre o impacto eleitoral. Ainda assim, ele mantém forte influência sobre a base republicana e continua pressionando por lealdade total dentro do partido. Nos últimos meses, Trump intensificou ataques a membros do próprio partido que considera desleais, como parlamentares que votam contra suas posições. Um dos alvos foi o deputado Brian Fitzpatrick, da Pensilvânia, crítico do fundo de indenizações. Outro caso foi o senador Thom Tillis, que chamou a medida de “estúpida ao extremo” e acabou repreendido publicamente por Trump nas redes sociais. A troca de críticas expôs divisões internas e o desconforto de parte dos republicanos. Apesar disso, muitos membros do partido evitam confronto direto, temendo retaliações políticas e o impacto da influência de Trump sobre eleitores. O ex-presidente também conta com forte estrutura de financiamento e apoio de aliados próximos. Mesmo com frustrações internas, a liderança de Trump segue central para o Partido Republicano, que reconhece depender dele para mobilizar sua base eleitoral.
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