Sobre a preferência crescente por vídeos em vez de textos, Pinker explica que a comunicação visual e oral é mais natural ao cérebro humano. Ler exige mais esforço, embora continue essencial para conteúdos complexos, por permitir maior atenção, releitura e profundidade. Na educação, ele defende prioridade para lógica, probabilidade, interpretação de dados e técnicas de argumentação racional, acima de conteúdos menos práticos. Também afirma que debates devem focar nas ideias, e não em ataques pessoais ou na origem política de uma proposta. Para Pinker, a inteligência artificial pode ampliar capacidades humanas, desde que as pessoas aprendam a pensar criticamente, avaliar fontes e usar a tecnologia de forma consciente. O desafio atual, conclui, é recolocar objetivos comuns — como prosperidade, segurança e educação — no centro do debate público.
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sexta-feira, 29 de maio de 2026
"O DEBATE PÚBLICO PASSOU A FUNCIONAR COMO UMA DISPUTA ESPORTIVA", DIZ STEVEN PINKER
O psicólogo e linguista Steven Pinker afirmou que a polarização política torna as pessoas mais irracionais, pois fortalece o “viés do meu lado”: a tendência de acreditar que o próprio grupo é moral e inteligente, enquanto o outro seria ignorante. Segundo ele, isso faz até pessoas instruídas interpretarem dados de forma enviesada quando o tema envolve suas convicções políticas. Em entrevista ao Estadão, Pinker disse que o debate público passou a funcionar como uma disputa esportiva, em que o objetivo é vencer, e não buscar a verdade ou melhores soluções. Ele aponta que propostas idênticas podem ser avaliadas de forma oposta apenas pela identificação partidária de quem as apresenta. O professor participou da São Paulo Innovation Week, festival de tecnologia e inovação realizado entre 13 e 15 de maio, na Arena Pacaembu e na Faap. Para Pinker, a polarização também aumentou porque as pessoas convivem menos com opiniões diferentes. Instituições como igrejas, exército e associações perderam espaço, reduzindo o contato entre grupos diversos. Ele critica ainda as redes sociais, que, segundo ele, não possuem mecanismos eficazes de verificação de informações. Sem filtros institucionais, afirma, o ambiente digital favorece erros, rumores e fake news.
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