O presidente Lula (PT) disse a aliados que deve reenviar ao Senado o nome de Jorge Messias para a vaga no STF, mesmo após a rejeição da indicação do advogado-geral da União. Segundo interlocutores, Lula quer reafirmar que a escolha é prerrogativa do presidente da República. Ele avalia que a derrota não foi pessoal de Messias, mas do governo. A expectativa é que o nome seja reenviado antes das eleições de outubro. Lula afirmou a ministros e articuladores que não vê justificativa técnica para a rejeição e considera que Messias estava preparado para o cargo. Aliados relatam que, após assistir aos destaques da sabatina, o presidente reforçou a avaliação positiva sobre o chefe da AGU. Gestos de apoio a Messias, como a forte aplauso recebido na posse do novo presidente do TSE, também teriam fortalecido sua imagem junto a Lula. A homenagem no TSE foi ignorada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em contraste com outros integrantes da mesa. Lula e Alcolumbre quase não conversaram durante a cerimônia, evidenciando o desgaste na relação. Após a rejeição, Messias ficou recluso e teria manifestado intenção de deixar o governo. Lula pediu que ele evitasse decisões precipitadas. O AGU entrou de férias em 13 de maio e deve retornar no dia 25.
Na AGU, há avaliações de que sua permanência pode gerar constrangimentos nas negociações com o STF, devido à resistência de parte da Corte ao seu nome. Antes da derrota, aliados cogitavam Messias para o Ministério da Justiça caso Lula divida a pasta entre Justiça e Segurança Pública. O presidente também considerou indicar uma mulher ao STF, sob pressão de setores do PT. Para o líder da bancada na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), uma ministra reduziria o risco de nova rejeição. A rejeição expôs falhas na articulação política do governo com o Congresso, já que o apoio obtido foi menor que o previsto. Mesmo assim, Lula disse a aliados que não pretende trocar integrantes da articulação política. Segundo ele, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi traído. O presidente também deve manter José Guimarães na Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação com o Congresso.
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