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terça-feira, 19 de maio de 2026

MÚSICOS NA CASA BRANCA


Um grupo se reúne diante de músicos que cantam e tocam violoncelo, violão e violino na Casa Branca. Com mãos erguidas e olhos fechados, participantes entoam louvores em um culto evangélico promovido pelo governo de Donald Trump. 
Na quinta-feira (1º), Trump, líderes religiosos e membros do governo participaram do Dia Nacional da Oração no Jardim das Rosas. Durante o evento, o presidente assinou um decreto criando a Comissão de Liberdade Religiosa, composta por autoridades, representantes religiosos e especialistas. O cantor gospel Chris Tomlin participou da cerimônia com o louvor “Holy Forever”. O evento reforça a aproximação entre o governo Trump e a base cristã conservadora, fundamental para sua volta ao poder. Em fevereiro, Trump criou a Secretaria para Assuntos da Fé Cristã, ligada ao Conselho de Política Doméstica da Casa Branca. O objetivo é ampliar a participação de instituições religiosas em políticas públicas. Segundo o decreto, organizações religiosas têm capacidade de transformar comunidades de forma que o governo muitas vezes não consegue. A nova comissão deverá aconselhar o governo sobre políticas de liberdade religiosa e propor medidas executivas e legislativas. O texto também acusa governos anteriores de enfraquecerem a liberdade religiosa e perseguirem cristãos pacíficos, enquanto ignoravam ataques anticristãos.

A secretaria será chefiada pela pastora Paula White-Cain, conselheira espiritual de Trump desde o primeiro mandato. Ela defende uma ligação direta entre fé e poder público, especialmente para apoiar igrejas e entidades cristãs em programas federais. Trump afirmou que cristãos sofreram perseguição por expressar suas crenças e prometeu restaurar a liberdade religiosa e a centralidade da fé na vida americana. Outra medida prevê uma força-tarefa para investigar denúncias de hostilidade institucional contra religiosos. A procuradora-geral Pam Bondi coordenará a iniciativa. Líderes cristãos conservadores celebraram as ações como cumprimento de promessas de campanha. O governo também pretende facilitar o acesso de organizações religiosas a verbas federais. Embora seja presbiteriano, Trump aproximou-se fortemente de lideranças evangélicas e pentecostais ao entrar na política. Especialistas, porém, alertam para riscos à separação entre Igreja e Estado, princípio garantido pela Primeira Emenda da Constituição americana. Entidades como os Americanos Unidos pela Separação entre Igreja e Estado criticam a preferência dada a grupos religiosos e alertam para o risco de uso político da fé. Apesar das críticas, a estratégia fortalece a aliança de Trump com a base cristã conservadora, responsável por parcela importante de seus votos em 2024. 

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