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segunda-feira, 18 de maio de 2026

BANCO, LIGADO A EDIR MACEDO, INVESTE COM ALTO RISCO


O banco Digimais, ligado a Edir Macedo, investiu recursos em empreendimentos de alto risco: um condomínio sem licença em Goiana (PE) e terras protegidas em Paraty (RJ), marcadas por conflitos fundiários e ocupação caiçara. Os imóveis integram fundos dos quais o banco é cotista, somando R$ 526 milhões. 
Auditorias apontam que 75% dos R$ 4 bilhões aportados pelo banco não puderam ser devidamente verificados por falta de documentos. Parte desses recursos foi destinada a fundos imobiliários e empresas sem transparência suficiente, segundo documentos obtidos pelo Estadão. O banco já havia usado fundos Fidc para recomprar carteiras de crédito inadimplentes e realizar operações com empresas ligadas à holding controladora de Macedo. Agora, parte dos R$ 2,3 bilhões investidos em projetos imobiliários foi direcionada a empreendimentos sem obras iniciadas ou dependentes de licenças ainda não aprovadas. Em Paraty, o Fundo Cajaíba, com patrimônio de R$ 419 milhões, investe em terras da Praia Grande da Cajaíba, área ambientalmente protegida. A região tem histórico de disputas fundiárias e denúncias antigas de pressão sobre comunidades caiçaras. O atual proprietário, Cristiano Tannus Notari, nega irregularidades e afirma que o objetivo hoje é desenvolver créditos de biodiversidade, com certificação prevista apenas para 2028.

Já em Goiana, o fundo ID Goiana, com patrimônio de R$ 107 milhões, pretende erguer um condomínio em uma área de 700 hectares. O terreno segue sem licença da prefeitura e permanece coberto por vegetação, sem qualquer obra iniciada. Os investimentos ocorreram durante a crise financeira do Digimais, investigado pela Polícia Federal por suspeitas de fraude. O banco também passou por mudança de comando: João Urbaneja deu lugar a Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e Banco do Brasil. Paralelamente, o BTG Pactual negocia a compra do Digimais, principalmente de sua carteira de clientes. A operação ainda depende de leilão e apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

 

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